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Aniversário de Agatha Christie: conheça a história do desaparecimento da escritora

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"Sra. Agatha Christie como ela foi vista pela última vez (centro), e (na esquerda e na direita) como ela pode ter se disfarçado alterando o penteado e os óculos. O Coronel Christie diz que a esposa delarou que desapareceria se ela tivesse vontade, e, levando-se em consideração que ela é autora de histórias de detetive, seria bastante natural que ela adotasse alguma forma de disfarce para levar adiante a ideia" (foto: Hulton Archive/Getty Images/Reprodução)

“Sra. Agatha Christie como ela foi vista pela última vez (centro), e (na esquerda e na direita) como ela pode ter se disfarçado alterando o penteado e os óculos. O Coronel Christie diz que a esposa declarou que desapareceria se ela tivesse vontade, e, levando-se em consideração que ela é autora de histórias de detetive, seria bastante natural que ela adotasse alguma forma de disfarce para levar adiante a ideia” (foto: Hulton Archive/Getty Images/Reprodução)

 

Hoje, ela completaria 126 anos. Há 80, desapareceu durante quase duas semanas

Publicado no UAI

Um relatório de 1926 da polícia inglesa reporta o desaparecimento de uma mulher: “35 anos, 1,70m, cabelo avermelhado e anelado, pele clara. Boa forma, vestida com um casaco cinza-escuro, pequeno chapéu verde, um anel de platina com uma pérola, mas sem anel de casamento”. Esse poderia ser o início de um livro de mistério escrito por Agatha Christie, mas, na verdade, foi a vida dela própria.

Hoje, a escritora inglesa completaria 126 anos, e, há 80, protagonizou um conto de suspense da vida real.

Em 1926, seu casamento com o militar aposentado Archibald Christie completava 12 anos, e incluía uma filha de sete. A essa altura, Agatha já tinha escrito seis livros e alcançado algum reconhecimento. O casal, porém, ainda lutava para conciliar as diferenças.

A gota d’água para a paciência de Agatha foi o anúncio do marido de que ele passaria um final de semana “com amigos”. A suspeita da escritora, que afinal conhecia tudo sobre intrigas, era que um desses amigos seria Nancy Neele, amante de Archimbold.

Agatha Christie e o marido, em 1919 (foto: Rex Features/Reprodução)

Agatha Christie e o marido, em 1919 (foto: Rex Features/Reprodução)

 

Foi o suficiente para a escritora arrumar as malas e desaparecer sem aviso. Não era o caso de uma fuga do marido, já que ela recusava o divórcio que ele supostamente tinha sugerido. Na verdade, não se sabe exatamente por que ela resolveu sumir. Fato é que durante 11 dias ela foi a personagem central de uma história tão boa quanto poderia ter escrito.

Dos jornais londrinos ao The New York Times, vários veículos de comunicação cobriram de perto as buscas por Agatha. Uma manchete de 9 de dezembro de 1926 do The New York Times, seis dias após a fuga, aponta que “500 policiais e aviões procuram pela Sra. Christie; o terrier [cachorro com bom faro] favorito dela também participa das buscas pela escritora inglesa desaparecida”.

Até o criador do detetive Sherlock Holmes, Arthur Conan Doyle, se envolveu no caso, e entregou uma luva da escritora a uma médium, para que ela contatasse espíritos que ajudassem a localizar Agatha.

"Beagles foram utilizados ontem na busca renovada ao redor das Newlands Corner pela Sra.Agatha Christie, a escritora desaparecida, cuja última fotografia aparece acima. À direta, está Rosalind, a filha de sete anos da autora, fotografada nas terras da casa em Sunningdale" (foto: Hulton Archive/Getty Images/Reprodução)

“Beagles foram utilizados ontem na busca renovada ao redor das Newlands Corner pela Sra.Agatha Christie, a escritora desaparecida, cuja última fotografia aparece acima. À direta, está Rosalind, a filha de sete anos da autora, fotografada nas terras da casa em Sunningdale” (foto: Hulton Archive/Getty Images/Reprodução)

 

Fãs temiam que ela pudesse ter sido assassinada, e as suspeitas recaíam sobre o marido. A tensão aumentava quando, finalmente, um admirador, que tocava música em um spa, reconheceu a escritora entre os hóspedes. Ela se hospedeu usando o nome Tereza Neele – curiosamente, o mesmo sobrenome da amante do marido.

Ela não deu explicações públicas sobre o sumiço, e assinou o divórcio dois anos depois, em 1928. Andrew Norman, um dos biógrafos da escritora, levanta a hipótese de que o caso tenha sido um episódio de “estado de fuga”, uma breve amnésia causada por estresse.

Clarice Lispector entra na lista de melhores de 2015 do ‘New York Times’

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A escritora brasileira Clarice Lispector (Foto: Divulgação/Rocco)

A escritora brasileira Clarice Lispector (Foto: Divulgação/Rocco)

 

Coletânea de contos ‘The complete stories’ saiu lá fora neste ano.
‘Voz autêntica da América Latina’, diz jornal, citando ainda Machado de Assis.

Publicado no G1

Uma coletânea de contos de Clarice Lispector (1920-1977), publicada em julho deste ano nos Estados Unidos com o título “The complete stories”, entrou na lista dos 100 melhores livros de 2015 feita pelo jornal americano “The New York Times”.

O anúncio foi feito na sexta-feira (27). Quem vota são os editores do suplemento “The New York Times Book Review”. As obras não aparecem em ordem de colocação e se dividem em dois segmentos: Ficção & Poesia e Não Ficção (clique aqui para ver a lista completa).

A editora Rocco planeja publicar a versão nacional de “The complete stories” em abril de 2016. O título da versão nacional ainda não foi definido. Clarice Lispector nasceu em Tchetchelnick, na Ucrânia. Seu nome de batismo era Haia. Ela se mudou com a família para o Brasil em 1922 e aqui ganhou o nome de Clarice.

Em sua lista de melhores do ano, o “New York Times” escreve que “a brasileira foi uma das verdadeiras [vozes] autênticas da literatura latino-americana”. O jornal cita como exemplos desses “inovadores” o argentino Jorge Luis Borges (1899-1986), o mexicano Juan Rulfo (1917-1986) e o também brasileiro Machado de Assis (1839-1908).

O trecho está na crítica de Terrence Rafferty publicada em 27 de julho, na época do lançamento de “The complete stories”, que tem tradução de Katrina Dodson e edição de Benjamin Moser, biógrafo de Clarice.

Na resenha, Rafferty escreve ainda que o livro é “notável” e que “há um sopro de loucura na ficção de Clarice Lispector”.

“Frase por frase, página por página, Lispector é divertidamente e cativantemente estranha, mas as percepções dela surgem tão rápido e desviam tão selvagemente entre o mundano e o metafísico, que depois de um tempo você não sabe mais onde você estão, tanto no livro como no mundo fora dele”, diz o crítico.

A escritora brasileira Clarice Lispector (Foto: Divulgação/Rocco)

A escritora brasileira Clarice Lispector (Foto: Divulgação/Rocco)

A Sangue Frio, de Truman Capote

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Douglas Pereira, no Cafeína Literária

A Sangue Frio
Truman Capote

Há livros ótimos, que nos encantam pela técnica e pela profundidade. Pela beleza ou até pela feiura das palavras. Eu citaria aqui Grande sertão: veredas, que odiei nas primeiras 70 páginas, mas que, passado o trauma inicial, tornou-se um dos meus “10 livros para ler na sua vida”.

Assim como há aqueles livros que esquecemos uma vez finda a última página, que não agregam em nada, independente da leitura ser ruim ou boa. Literatura fácil, de entretenimento, que não é necessariamente uma perda total de tempo, mas que não me apeteceria voltar nela. Algo como Nicholas Sparks ou Paulo Coelho (me perdoem aqui tanto os amantes quanto os odiadores de ambos, mas pra mim… São apenas “tanto faz”).

Há, todavia, aquele tipo de literatura que muda sua vida. Que dá uma chacoalhada em você e te faz ficar puto, emocionado e estarrecido. Pensando “como este filho da mãe fez isso?”. O livro A Sangue Frio, de Truman Capote, é desse tipo.

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Conhecido pela enorme prepotência em total contraste com suas poucas medidas, Capote era tão impertinente em relação a sua carreira e à sociedade literária do seu tempo que se dignou a criar um gênero literário próprio.

Um belo dia, folheando as páginas da revista The New Yorker, chamou a atenção de Capote uma nota sobre um terrível assassinato numa cidadezinha do interior do Kansas, onde quatro membros de uma família foram brutalmente mortos.

Ele rumou para lá e deu início à empreitada que o levaria ao hall dos imortais da literatura. A obra tem tanto uma verve jornalística quanto uma coloração de romance. Dicotomia que justifica a afirmação de que é um gênero à parte: o romance não-ficção.

A família Clutter vivia uma espécie de utopia do American way of life, o modo de vida americano, onde vangloria-se da mesmice, dos costumes bucólicos e da religiosidade resignada. Eram cidadãos modelos em sua comunidade. E, numa noite fatídica, são amarrados e mortos com tiros de espingarda na cabeça.

Os assassinos são conhecidos desde o início da narrativa – Perry Smith e Dick Hikcock. Capote explora suas vidas até os ossos. Suas motivações existenciais, seus traumas, medos e fantasias. O leitor se afeiçoa a eles tanto quanto às pessoas da família que serão suas vítimas e depois é posto contra a parede, tendo de optar por uma sentença (sim, o leitor). Capote é imparcial. Usa a terceira pessoa, fazendo de conta que explora a narrativa como jornalista, exibe os fatos sem julgar, mas abusa de seu talento de romancista e inclina-se de um lado a outro na balança da justiça, tecendo uma teia de sentimentos e dramas sem, contudo, expor opiniões. Recua e deixa que você julgue.

truman capoteO livro é muito articulado. Mostra fatos e cenas que parecem, aos olhos do leitor impaciente, meramente encheção de linguiça, mas depois se encaixam na intrincada e maravilhosa trama digna de uma novela noir. Apesar de ser baseada numa história real, o mérito é todo do baixinho, pois é dele a engenhosidade de costurar os retalhos e compor a obra.

O ponto de vista narrativo varia entre vítimas, assassinos e policiais, mais ou menos nesta ordem, ficando mais intensos nuns ou noutros, de acordo com o decorrer da história. Ele relata o conteúdo de entrevistas, sempre mantendo, entretanto, o narrador distante. Porém, em minha opinião, ele dá muito mais atenção a um dos assassinos em específico. Há boatos, inclusive, de que se apaixonara pelo rapaz.

O prefácio da edição que peguei é escrito pelo jornalista Ivan Lessa. Elogios rasgados que alavancam promessas comprometedoras sobre a obra. Felizmente, cumpriram-se todas, pois passei a corroborar com elas.

Própria para ler degustando um café vienense.
★★★★★

Os livros de cabeceira de Bruce Springsteen

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André Barcinski, no R7

Um amigo mandou o link de uma entrevista de Bruce Springsteen para a seção de livros do “The New York Times”.

O papo revela bastante das influências literárias de Bruce e sobre como certos autores ajudaram a moldar suas letras. Gostei especialmente de saber que Cormac McCarthy e Jim Thompson fazem a cabeça do “Boss”.

Para quem lê inglês, a entrevista está aqui, na íntegra. E aqui vão os melhores momentos, traduzidos:

Que livros estão atualmente em sua cabeceira?

Acabei de ler “Moby Dick”, que me assustou por um bom tempo por causa do hype sobre sua complexidade. Mas achei o livro uma linda história de aventura, e nada difícil de ler. Um aviso: você terminará o livro sabendo mais sobre baleias do que sempre quis saber. Por outro lado, eu não queria que o livro acabasse. Também li “O Amor nos Tempos do Cólera”, de Gabriel García Márquez, que simplesmente toca em tantos aspectos do amor humano.

Qual o seu romancista favorito de todos os tempos, e o escritor favorito em atividade?

Gosto dos russos, das histórias curtas de Chekhov, de Tolstoy e Dostoyevsky. Nunca li nenhum deles até quatro anos atrás, e os achei psicologicamente modernos. Meus favoritos são “Os Irmãos Karamazov” e, claro, “Anna Karenina”.

Meus favoritos atuais: Philip Roth, Cormac McCarthy e Richard Ford. É difícil superar “Pastoral Americana”, “Casei Com um Comunista” e “O Teatro de Sabbath”. “Meridiano de Sangue”, de Cormac McCarthy, é um marco de minha vida de leitor. Para mim, é a combinação de Faulker com os faroestes spaghetti de Sergio Leone que dão vida ao livro. E adoro a maneira como Richard Ford escreve sobre New Jersey.

Que livros influenciaram sua decisão de se tornar um compositor ou contribuíram para seu desenvolvimento artístico?

Larguei a faculdade para virar músico, então não comecei a ler seriamente até os 28 ou 29 anos. Dali, comecei a ler Flannery O’Connor, James M. Cain, John Cheever, Sherwood Anderson e Jim Thompson, o grande autor noir. Esses autores contribuíram muito para mudar minha música entre 1978 e 82. Eles deram um senso de geografia e uma aura escura à minha escrita, ampliaram meus horizontes sobre o que se poderia fazer com uma canção pop e ainda são o modelo que tento seguir hoje.

Quem são seus músicos-autores favoritos?

No caso de livro de memórias, é difícil superar o amor pela música que brilha em “Vida”, de Keith Richards. Também achei a autobiografia de Eric Clapton surpreendentemente reveladora e tocante. E, claro, amei “Chronicles”, de Bob Dylan. Me fez orgulhoso de ser músico.

Quais os melhores livros sobre música que você leu?

No topo da minha lista permanecem “Mystery Train”, de Greil Marcus, seguido de perto por “Last Train to Memphis”, de Peter Guralnick. Também incluiria “Chronicles”, de Dylan, e um livro recente de Daniel Lanois, “Soul Mining”, que tem revelações sobre a produção de música que achei diferentes de qualquer outro livro.

Qual o último livro que te fez rir?

“The Lay of the Land”, de Richard Ford;

E o último livro que te fez chorar?

“A Estrada”, de Cormac McCarthy.

Se você tivesse de escolher um livro que te fez o que você é hoje, qual seria?

Escolher um só seria difícil, mas acho que as histórias de Flannery O’Connor caíram como uma bomba em cima de mim. Dá para sentir nelas a incapacidade de conhecer Deus, os mistérios intangíveis da vida que encontro todos os dias. Elas contêm o gótico sombrio de minha infância, mas me deixaram feliz por estar no centro desse quebra-cabeça negro, estrelas brilhando no céu, a Terra embaixo de nós – ou quase.

Você organiza um jantar para três escritores. Quem seria convidado?

Philip Roth, Keith Richards e Tolstoy — e um extra, Bob Dylan. Muita experiência de vida ali, e o papo em diferentes idiomas seria maravilhoso.

Que livros você relê de vez em quando?

Não costumo ler livros mais de uma vez, mas os romances de Jim Thompson, devido à concisão, força, violência e pureza, são capazes de me atrair de novo. São alguns dos melhores livros sobre crime já escritos. Amo James M. Cain e Elmore Leonard, mas Jim Thompson tem um lugar especial no meu coração.

Vai bater de frente com a Amazon?

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Em sua guerra para baratear livros, a maior varejista on-line do mundo provoca reações de escritores e editoras. O efeito chegará ao leitor

Bruno Ferrari, na Época

O caderno de cultura do jornal americano The New York Times apresentou, em 9 de agosto, um anúncio surpreendente. Numa página inteira, um grupo de 900 autores publicou um manifesto com críticas à Amazon, maior varejista on-line do mundo e criadora do leitor de livros digitais Kindle. “Nenhuma livraria deve desencorajar a compra de livros. Por enganar seus consumidores com preços desleais e atrasos na entrega, a Amazon vai contra sua missão de colocar o consumidor no centro de sua atenção”, afirmava o texto, assinado por escritores famosos como Stephen King e Donna Tartt.

O anúncio custou ao grupo de escritores US$ 104 mil. Ele nos leva a um novo e eletrizante capítulo da longa disputa que a Amazon trava com autores e editoras de livros, em especial a gigante francesa Hachette. O motivo são as estratégias agressivas da Amazon para fazer com que leitores deem preferência a livros digitais, que serão lidos no seu Kindle, em detrimento do papel. No caso da Hachette, a Amazon parou de estocar os livros de papel e aumentou o prazo de entrega. As versões digitais podem ser baixadas no Kindle instantaneamente. A raiz do problema está numa discordância sobre preços. A Hachette cobra, em média, US$ 15 por livro digital, enquanto a Amazon briga para que o valor não ultrapasse os US$ 9,99. “Com um e- book, não há custos de impressão, armazenagem e transporte. Livros digitais não só podem, como devem ser mais baratos”, afirma a Amazon num site em que defende seu ponto de vista e critica profissionais e empresas que considera careiros.

A briga da Amazon para popularizar os livros digitais não se dá somente contra as grandes editoras. Ela já trombou com empresas produtoras de filmes (leia o quadro). Escritores independentes também questionam um serviço lançado em julho, chamado Kindle Unlimited, disponível por enquanto apenas nos Estados Unidos. Com uma mensalidade de US$ 9,99, assinantes do serviço têm acesso a cerca de 600 mil livros digitais e podem baixar até dez títulos ao mesmo tempo. Na teoria, o “Netflix dos livros”, como foi chamado, é bom para todos. O leitor voraz pode experimentar mais livros, e o autor pouco conhecido aparece num site visitado por milhões de leitores. Mesmo com alguns títulos ultrapopulares, como as coleções Harry Potter e Senhor dos anéis, a maior parte do acervo é formada por publicações de escritores sem fama. Mesmo assim, há críticas à novidade.

DOMÍNIO Jeff Bezos, fundador da Amazon. Um grupo de 900 escritores atacou a estratégia dele para os livros (Foto: Mackenzie Stroh/Contour by Getty Images)

DOMÍNIO
Jeff Bezos, fundador da Amazon. Um grupo de 900 escritores atacou a estratégia dele para os livros (Foto: Mackenzie Stroh/Contour by Getty Images)

O catálogo do Unlimited é limitado, porque as cinco maiores editoras de livros do mundo, entre elas Penguin e HaperCollins, não aderiram ao serviço – rumores sugerem que elas não concordaram com a política de achatamento de preços defendida pela Amazon. Dos autores, a Amazon exige exclusividade a quem quiser ser listado. Escritores independentes já inscritos em sites de aluguel de livros, como o Scribd ou o Oyster, são obrigados a abandoná-los para se unir à Amazon. E não podem fechar contrato com outra editora enquanto estiverem lá. “Quem aderir ao serviço estará salgando o terreno onde surgem empresas pequenas e inovadoras de distribuição de livros digitais”, afirmou em seu blog Mark Coker, fundador da Smashwords, um serviço de publicação de livros digitais independentes. O escritor que entra no Unlimited tampouco sabe claramente que valores receberá. Tanto o Scribd quanto o Oyster definem previamente o preço por leitura do livro e repassam 60% ao autor. Na Amazon, o pagamento leva em conta o faturamento total do acervo Unlimited.

A Amazon é a maior investidora na popularização do formato digital e tem a seu lado argumentos fortes – facilitar o acesso a obras e barateá-las. Com o Kindle, o mercado de livros digitais se consolidou. Em 2013, ele respondeu por 30% das vendas de livros nos Estados Unidos, ou US$ 1,3 bilhão, segundo a consultoria Pew Research. No Brasil, segundo a Câmara Brasileira do Livro, a participação ainda é pequena, de 2,3%, mas promissora. O faturamento com as vendas mais que triplicou entre 2012 e 2013 e chegou a R$ 12,7 milhões. É natural que a Amazon use sua força colossal de 250 milhões de usuários para conduzir o mercado. Mas editoras e autores criticam a estratégia rolo compressor para obrigá-los a reduzir os preços, por considerá-la uma amea­ça à qualidade da produção literária e ao trabalho de edição. Jeff Bezos, fundador e presidente da Amazon, terá de dosar quanto pode forçar e acelerar a mudança. Ou poderá machucar escritores, editoras e, no fim das contas, o apreciador de livros.

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