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Sabe qual foi o livro que Dilma devorou durante sua campanha?

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Dilma e seu livro de cabeceira Créditos: Divulgação

Dilma e seu livro de cabeceira Créditos: Divulgação

Publicado no Glamurama

Ao discorrer sobre a personalidade de Dilma Rousseff de ser muito refratária às críticas por se achar mais inteligente que todo mundo, uma fonte palaciana contou ao Canal Poder uma curiosidade que merece registro: sabe qual foi livro de cabeceira de Dilma Rousseff na campanha eleitoral de 2014? A obra de economia “O Capital no Século XXI”, do francês Thomas Piketty. Detalhe: a presidente leu em inglês o calhamaço, que contém até cálculos matemáticos, em apenas um fim de semana. Pelo menos foi o que ela contou para seus assessores… (Por Paula Bonelli)

Os livros imperdíveis de economia e negócios de 2014

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Da inovação à distribuição de riqueza, passando pela criatividade e bastidores de grandes empresas. Selecionamos 15 obras que trazem novos olhares, estratégias e inspiração

Publicado na Época Negócios

O Capital do Século XXI (Thomas Piketty)

* O Capital do Século XXI (Thomas Piketty)
Eleito o livro do ano pelo jornal britânico Financial Times e best-seller mundial – inclusive no Brasil, onde foi lançado em novembro, e rapidamente teve sua primeira edição esgotada. Thomas Piketty promoveu intensos debates sobre a estrutura e os mecanismos pelos quais o capitalismo atua, concentrando-se na desigualdade da distribuição de renda. Piketty passou mais de 10 anos analisando dados sobre o acúmulo de renda e patrimônio nos Estados Unidos e Europa. Sua obra abrange não só estatísticas, mas também questões comportamentais e históricas. Com uma escrita mais livre e menos presa a números, a tese de Piketty afirma que “nunca a desigualdade foi tão grande” e aponta caminhos para mudar esse cenário.

 

* Hack Attack (Nick Davies)* Hack Attack (Nick Davies)
O livro conta a história do “escândalo de grampos” envolvendo os veículos de mídia do magnata Rupert Murdoch. Os métodos que Murdoch liberava em seus jornais tornaram-se notícia e causaram supresa na Inglaterra por não serem nada ‘éticos’: de grampos para derrubar políticos a detetives contratados por cachês milionários. O livro traz novos dados sobre a rede montada ao redor desse esquema que visava, principalmente, atacar os “inimigos do império Murdoch”. “A Grã-Bretanha que emerge em Hack Attack é suja: como Davies diz: tudo está à venda e ninguém está isento”, analisa o New York Times.

 

 

The Second Machine Age (Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee)* The Second Machine Age (Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee)
Os autores, que trabalham no MIT – Brynjolfsson como economista e McAfee como cientista – discorrem sobre a força e os rumos da revolução digital e como ela se reflete em nível macro e microeconômico na vida das pessoas. A crítica americana afirmou que eles praticam o “antigo estilo econômico”, baseado em lógica, história e observação, para explicar o “big data” do mundo atual. Os dois mostram que os novos fundamentos da economia são baseados em uma realidade de “abundância” de informações – e isso tudo só está começando a ser compreendido agora.”The Second Machine Age é um trabalho ambicioso, envolvente e que traz, em alguns trechos, uma visão aterradora sobre como a tecnologia moderna está transformando a raça humana”, afirma a The Economist.

 

* This Changes Everything: Capitalism vs. the Climate (Naomi Klein)* This Changes Everything: Capitalism vs. the Climate (Naomi Klein)
“Ainda dá tempo de evitar um catástrofe climática”, escreve a escritora e ativista canadense, Naomi Klein. Ela alerta, no entanto: “Mas não com as regras atuais em que o capitalismo foi construído”. A autora já é conhecida por livros anteriores que abordam as mudanças climáticas. “Sua estratégia é mostrar como o hiperconsumo, a exploração empresarial das comunidades ou a fixação pelo crescimento perpétuo tem destruído o planeta”, afirma o New York Times. O novo livro não defende o “fim do capitalismo mundial” de um modo direto, mas reflete sobre como seus pricípios, monopólios e interesses poderiam caminhar em outras direções. Ela utiliza ciência, psicologia, geopolítica, economia e ética para moldar a questão climática. “O resultado é o livro ambiental mais importante e controverso dos últimos tempos”, avalia o jornal americano.

 

* The Innovators (Os Inovadores, Walter Isaacson)* The Innovators (Os Inovadores, Walter Isaacson)
Best-seller com versão em português, Os Inovadores é o mais recente livro de Walter Isaacson, o escritor americano que escreveu uma das biografias mais comentadas de Steve Jobs. Agora, ele destrincha outros inovadores, de séculos passados, e que criaram tudo que foi necessário para chegarmos aos anos dos computadores, da internet e dos tablets. Quem foram os gênios que montam esse imenso quebra-cabeça coletivo dos dias atuais? É isso que Isaacson busca responder. Há espaço para pessoas como Claude Shannon, o brilhante matemático que criou o conceito de bit, Alan Turing, que ampliou e expandiu as ideias de Babbage, ajudou os aliados a vencer a Segunda Guerra e foi preso, até Grace Hopper, provavelmente a primeira programadora do mundo.

 

 

* Creativity (Criatividade, Ed Catmull e Amy Wallace)* Creativity (Criatividade, Ed Catmull e Amy Wallace)
Considerado um dos melhores livros sobre “liderança criativa”, mostra como o cofundador da Pixar, Catmull, conseguiu administrar um estúdio e criar “tantas mentes criativas”. Há reflexões específicas sobre a gestão, como o fracasso da organização em proteger novas ideias e impor limites produtivos. “O que é impressionante é como Catmull insiste em ligar ideias criativas a trabalho e comportamentos”, analisa a Forbes. Há ainda histórias, avaliadas como imperdíveis, sobre bastidores de clássicos da animação, como Toy Story.

 

 

*House of Debt (Atif Mian e Amir Sufi’s)*House of Debt (Atif Mian e Amir Sufi’s)
O livro analisa como podemos “prevenir futuras recessões na economia”, trazendo, segundo a Economist avalia, uma “perpectiva mais atual sobre estagnação, inflação e omissões”. Os autores analisam especificamente as últimas crises dos Estados Unidos, além de recessões em outros países. Mian é um economista de Princeton, já Sufi um professor de finanças da Universidade de Chicago. Para eles, a “polarização política” e “legislaturas fragmentadas” têm sido os fatores fundamentais e provocativo de todas as últimas recessões.

 

 

 

* Think Like a Freak (Como Pensar como Um Freak, Stephen D Levitt e o jornalista Steven J. Dubner)* Think Like a Freak (Como Pensar como Um Freak, Stephen D Levitt e o jornalista Steven J. Dubner)
Após escreverem o best-seller Freakoconomics e o SuperFreakonomics – que no Brasil tem uma versão só para os dois títulos – o economista Stephen D. Levitt e o jornalista Steven J. Dubner começaram a ouvir perguntas de todos os tipos. Os dois livros buscam responder a questões que aparentemente não possuem relação e muito menos seriam analisadas e respondidas por economistas tradicionais. Exemplo: o que os lutadores de sumô tem a ver com professores? Apesar do estímulo que eles oferecem para quem quer buscar pensamentos nessa linha, pensar como os dois não é uma tarefa tão fácil. Pense como Um Freak foi a maneira que eles encontraram de tentar esmiuçar mais claramente o raciocínio para olhar o mundo de outra forma.

 

* The Everything Store (A Loja de Tudo, Jeff Bezos)* The Everything Store (A Loja de Tudo, Jeff Bezos)
Lançado no Brasil neste ano, o livro escrito pelo jornalista Brad Stone quer mostrar como a Amazon transformou-se de um site – pioneiro – de comércio de livros a uma gigante varejista mundial. A história de Stone parte de análises com funcionários, executivos e até pessoas próximas do fundador, Jeff Bezos, para mostrar a competição extrema e forma de “atuação impiedosa” da empresa.

 

 

 

 

* Por Que o Brasil Cresce Pouco? (Marcos Mendes)* Por Que o Brasil Cresce Pouco? (Marcos Mendes)
O economista Marcos Mendes faz um amplo levantamento sobre as agências reguladoras brasileiras buscando relacionar seu funcionamento a empresas. Neste caso, o desemprenho seria ruim, afirma, afetado por orçamentos reduzidos, crescimento pífio e indicações políticas no quadro de funcionários. Para ele, não há um interesse político na consolidação do Brasil que poderia ajudar o país a crescer muito mais.

 

 

 

 

* Flash Boys (Flash Boys: Revolta em Wall Street, Michael Lewis)

 

*David and Goliath (David e Golias, Malcom Gladwell)
Rever premissas, fazer novas perguntas e instigar o debate sobre aquilo que parece já ser status quo. É o que Malcom Gladwell, autor do famoso “O Ponto de Virada” faz na nova obra. O livro reflete sobre como algo que, a princípio parece ser uma desvantagem – como pobreza a debilidades – pode ser mais útil no final. O contrário também pode ocorrer: será que riqueza e fortuna realmente são vantagens? É um novo olhar sobre a forma como que, normalmente, encaramos limitações profissionais ou pessoais.

 

 

*David and Goliath (David e Golias, Malcom Gladwell)*David and Goliath (David e Golias, Malcom Gladwell)
Rever premissas, fazer novas perguntas e instigar o debate sobre aquilo que parece já ser status quo. É o que Malcom Gladwell, autor do famoso “O Ponto de Virada” faz na nova obra. O livro reflete sobre como algo que, a princípio parece ser uma desvantagem – como pobreza a debilidades – pode ser mais útil no final. O contrário também pode ocorrer: será que riqueza e fortuna realmente são vantagens? É um novo olhar sobre a forma como que, normalmente, encaramos limitações profissionais ou pessoais.

 

* Zero to One (De Zero a Um, Peter Thiel)* Zero to One (De Zero a Um, Peter Thiel)
Como confudador do PayPal e investidor inicial do Facebook e LinkedIn, Thiel traz no livro um pouco da experiência e novas ideias que adquiriu nos últimos anos. Quer, sobretudo, mostrar como é possível “deixar de copiar algo velho” e pensar em algo novo – em, monópolio, no sentido de criar algo que ganhe espaço e abra espaço para uma série de outras coisas. Para ele, o segredo não é competir, mas monopolizar. “Cada negócio é bem sucedido exatamente na medida em que faz algo que os outros não podem”.

 

 

 

* How Google Works (Jonathan Rosenberg e Eric Schmidt)* How Google Works (Jonathan Rosenberg e Eric Schmidt)
O New York Times avalia que o livro traz não é examente o que promete no título: há pouca informação sobre como realmente o Google funciona (seus bastidores, processos e conversas de executivos). Mas há muito sobre estratégia, inovação e cultura – em uma perspectiva que parte do Google para o setor no geral. A dupla que possui um boa trajetória na empresa – e ocupa cargos altíssimos hoje – é considerada referência no setor de tecnologia.

 

 

 

Adeus, Aposentadoria (Gustavo Cerbasi)* Adeus, Aposentadoria (Gustavo Cerbasi)
Em seu novo livro que rapidamente chegou à lista dos mais vendidos, o guru de finanças Gustavo Cerbasi apresenta estratégias e planos para as pessoas planejaram bem a sua vida quando pararem de trabalhar. O autor quer propor um novo caminho que vai além da poupança, fundos de pensão ou previdência. Para ele, esta “velha fórmula” já deixou de funcionar à medida em que vivemos em um país com custo de vida mais alto e maior expectativa de vida. Para Cerbasi é preciso investir em estratégias durante a carreira e ter uma nova visão e jeito de lidar com o dinheiro. No livro, ele apresenta esses planos e dicas de acordo com as faixas etárias.

‘Brasil precisa taxar ricos para investir no ensino público’, diz Piketty

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Para crítico-sensação do capitalismo, políticas para combater desigualdade são essenciais para impulsionar crescimento do país

Para crítico-sensação do capitalismo, políticas para combater desigualdade são essenciais para impulsionar crescimento do país

Ruth Costas, na BBC Brasil

 

Para o economista francês Thomas Piketty, o Brasil precisa ampliar os impostos sobre os ricos para ter mais recursos para investir em educação pública – e, com isso, avançar no combate à desigualdade.

Crítico-sensação do capitalismo, Piketty é autor do polêmico best-seller O Capital no Século XXI (Editora Intrínseca) em que defende, a partir da análise de dados inéditos de 20 países, que a desigualdade de renda estaria voltando a aumentar no mundo após décadas em queda.

Ele diz que o próximo passo de seu projeto é estudar países emergentes, entre eles o Brasil, e defende que a desigualdade é um dos fatores que inibe o crescimento brasileiro.

“Se o Brasil quiser crescer no século 21 precisa garantir que amplos grupos da população tenham acesso a educação de qualidade, qualificação e trabalhos que pagam bem”, diz.

Em visita ao país, para promover a versão em português do livro, Piketty concedeu a seguinte entrevista à BBC Brasil de um hotel de luxo no centro de São Paulo.

 

BBC Brasil: Como o Brasil pode reduzir seus níveis de desigualdade?

Piketty: Há uma série de políticas que contribuem para isso. Investir em educação e em instituições sociais, (implementar) um sistema de impostos progressivo, em que os ricos pagam mais que os pobres, (criar) boas políticas para o mercado de trabalho e aumentar o salário mínimo – algo que no Brasil foi importante nos últimos 10, 15 anos. Todas essas políticas são complementares. Não dá para escolher.

Se você só aumenta o salário mínimo, mas não aumenta a qualificação do trabalhador e sua produtividade terá problemas para sustentar isso com o tempo. O investimento em educação – e em especial na educação pública – é absolutamente essencial para se reduzir a desigualdade. E a taxação progressiva de rendas altas e grandes heranças pode ser uma forma de obter recursos para investir no sistema de educação pública.

É claro que é mais fácil taxar os pobres que os ricos. Talvez por isso em muitos países você tenha esse monte de impostos indiretos – como é o caso do Brasil. Mas provavelmente, a falta de progressividade no sistema de impostos é uma das razões pelas quais a desigualdade é tão grande no Brasil.

BBC Brasil: Como assim?

Piketty: A alíquota máxima do imposto de renda – algo em torno de 27%, 30% – é pequena para padrões internacionais. E é aplicada a partir de salários muito baixos. Seria possível ter impostos mais altos para quem ganha R$500 mil, R$1 milhão, R$5 milhões e por aí vai.

Os impostos sobre herança também são particularmente baixos para padrões internacionais e históricos. Se não me engano, aqui é de 4%. Nos EUA, por exemplo, esse imposto pode chegar a 40% para as maiores heranças. Na Alemanha, Grã-Bretanha e França também.

BBC Brasil: Mas a França aumentou a taxação sobre os ricos e há notícias de que alguns milionários teriam mudado de país. Esse risco não existe?

Piketty: Você não vê notícias de que esses países que têm imposto sobre herança de 40% tenham de reduzir suas taxas para o patamar brasileiro, de 4%, para reter milionários. Acho que é perfeitamente possível para o Brasil ter níveis mais altos (de imposto sobre os ricos) sem ter uma fuga massiva de capitais.

No caso da França, eu acho que de fato houve um aumento excessivo dos impostos nos últimos anos. Não tanto para os ricos, mas para a população no geral. O objetivo era reduzir o déficit público mas (a estratégia) foi um desastre. No fim, matou (as perspectivas de) o crescimento, o que dificultou a redução do déficit.

BBC Brasil: Enquanto a Europa acaba de anunciar um pacote de estímulos para reativar a economia de alguns países, no Brasil o governo anunciou o fim dos incentivos e cortes de gastos. Quem vai na direção certa? E quais os riscos a serem evitados no caso brasileiro?

Piketty: Não acredito que o governo brasileiro vá reduzir tanto os gastos totais do governo, nem que essa seria uma boa decisão. Talvez seja bom reformar os gastos e o sistema de impostos – e torná-los mais transparentes. Também fortalecer gastos sociais e reduzir outros gastos que não são tão eficientes. Mas não estou certo de que seria uma decisão inteligente reduzir de forma mais significativa o nível geral de gastos do governo com esse nível de crescimento. Se você tem uma recessão ou quase estagnação, austeridade não é uma boa forma de lidar com isso. E tanto no Brasil como na Europa a prioridade agora é voltar a crescer.

BBC Brasil: Se o Brasil já está conseguindo reduzir a pobreza, por que precisa se importar também com a desigualdade?

Piketty: Porque poderia ter uma redução ainda maior da pobreza e um crescimento maior da economia se tivesse menos desigualdade. É tudo uma questão de grau. Concordo que precisamos de um pouco de desigualdade para continuar crescendo. O problema é quando a desigualdade atinge níveis extremos, muito altos. Aí deixa de ser útil para o crescimento. Passa a se perpetuar por gerações, afeta a questão da mobilidade social. Os níveis de desigualdade no Brasil estão entre os maiores do mundo. Se o Brasil quiser crescer no século 21 precisa garantir que amplos grupos da população tenham acesso à educação de qualidade, qualificação e trabalhos que pagam bem. Para isso é necessário muito investimento social inclusivo.

BBC Brasil: Que tipo de programas sociais são efetivos? No Brasil, apesar de diversos grupos políticos abraçarem o Bolsa Família, por exemplo, o programa ainda causa polêmica. Os críticos dizem que é assistencialista ou populista …

Piketty: A aceitação das transferências para os pobres é um problema em vários países. No Brasil, como em outros países, precisamos abordar a questão das políticas sociais de forma equilibrada. O Bolsa Família e a transferência de recursos para os pobres são importantes. Mas mais investimentos em educação, também. Na realidade, o aumento do salário mínimo tem sido até mais eficiente em reduzir a pobreza que o Bolsa Família. A taxação progressiva também é crucial. Como disse, precisamos de todas essas políticas.

 

Piketty defende Estado mais eficiente para investir em educação e serviços públicos

Piketty defende Estado mais eficiente para investir em educação e serviços públicos

BBC Brasil: Não é possível reduzir a desigualdade com um Estado menos inflado?

Piketty: Acho que precisamos de um Estado eficiente para investir em educação e serviços públicos. Não há exemplos no mundo de um país que tenha se desenvolvido com um nível de imposto de 10% ou 20% do PIB. Também sou cético sobre aqueles que dizem que a filantropia privada vai substituir o governo no futuro e que não precisamos (mais…)

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