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17 livros que são armas contra a ascensão de regimes políticos tirânicos

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Claudio Ribeiro, no Jornal Opção

No livro Sobre a Tirania: vinte lições do século XX para o presente (Companhia das Letras, 168 páginas, tradução de Donaldson M. Garschagen), recém-publicado no Brasil, o historiador americano Timothy Snyder oferece ao leitor uma lista de dezessete livros que, se lidos com atenção, podem servir como verdadeiras armas contra a irrupção de regimes políticos tirânicos.

A lista se encontra na “lição número 9”, intitulada “Trate bem a língua”, na qual podemos ler, como advertência inicial, o seguinte: “Evite proferir as frases que todo mundo usa. Reflita sobre sua maneira de falar, mesmo que apenas para transmitir aquilo que você acha que todos estão dizendo. Faça um esforço para afastar-se da internet. Leia livros.”

Capa do livro “Sobre a Tirania: vinte lições do século XX para o presente” (Companhia das Letras, 2017, 168 páginas)

Capa do livro “Sobre a Tirania: vinte lições do século XX para o presente” (Companhia das Letras, 2017, 168 páginas)

Pois bem, então, o que ler? É esta a questão que Snyder procura responder. E sua resposta começa pela literatura, indo de um clássico incontestável até um romance infantojuvenil de grande sucesso editorial:

“Qualquer bom romance estimula nossa capacidade de pensar sobre situações ambíguas e de julgar as intenções alheias. Os irmãos Karamázov, de Dostoiévski, e A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera, talvez sejam adequados a nosso momento. O romance Não vai acontecer aqui, de Sinclair Lewis, talvez não seja uma grande obra de arte. Complô contra a América, de Philip Roth, é melhor. Um romance conhecido por milhões de jovens americanos e que oferece um relato de tirania e resistência é Harry Potter e as relíquias da morte, de J. K. Rowling. Se você, seus amigos ou seus filhos não o entenderam assim da primeira vez, vale a pena lê-lo de novo.”

Após a indicação desses cinco romances, Snyder indica onze livros de não ficção, que abordam a política e a história do século XX. E finaliza a lista indicando a leitura das Sagradas Escrituras, da tradição judaico-cristã. Para tanto, argumenta:

“Os cristãos podem retornar ao seu livro fundamental, que sempre é muito oportuno. Jesus ensinou que ‘é mais fácil um camelo passar através do buraco de uma agulha do que um único rico entrar no reino de Deus’. Devemos ser modestos, porque ‘quem se exaltar será humilhado e que se humilhar será exaltado’. E é claro que temos de nos preocupar com o que é verdadeiro e com o que é falso: ‘E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará’.”

Reuni, abaixo, todos os dezessete livros indicados. A maior parte está traduzida e publicada no Brasil. Referencio todas as edições, tanto as disponíveis no mercado editorial nacional quanto aquelas que ainda não estão.

É uma ótima oportunidade de leitura, sobretudo para quem está de férias!
Segue a lista:

1 – Os irmãos Karamázov, de Dostoiévski (Editora 34, tradução de Paulo Bezerra).

2 – A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera (Editora Companhia de Bolso, tradução de Tereza Bulhões de Carvalho).

3 – It Can’t Happen Here [Não vai acontecer aqui], de Sinclair Lewis (Editora Signet Classics-Penguin Group).

4 – Complô contra a América, de Philip Roth (Editora Companhia das Lestras, tradução de Paulo Henriques Britto).

5 – Harry Potter e as relíquias da morte, de J. K. Rowling (Editora Rocco, tradução de Lia Wyler).

6 – “A política e a língua inglesa”, de George Orwell, presente no volume Como morrem os pobres e outros ensaios (Editora Companhia das Lestras, tradução de Pedro Maia Soares).
7 – LTI: A linguagem do Terceiro Reich, de Victor Klemperer (Editora Contraponto, tradução de Miriam Bettina P. Oelsner).

8 – Origens do totalitarismo, de Hannah Arendt (Editora Companhia de Bolso, tradução de Roberto Raposo).

9 – O homem revoltado, de Albert Camus (Editora BestBolso, tradução de Valerie Rumjanek).

10 – Mente cativa, de Czeslaw Milosz (Editora Novo Século, tradução de Dante Nery).

11 – The Power Of The Powerles [O poder dos sem poder], de Václav Havel (Editora Routledge).

12 – “How to Be a Conservative-Liberal-Socialist” [Como ser um conservador-liberal-socialista], de Leszek Kolakowski, presente no volume Modernity On Endless Trial (Editora University Of Chicago Press).

13 – The Uses of Adversity [Os usos da adversidade], de Timothy Garton Ash (Editora Random House).

14 – O peso da responsabilidade, de Tony Judt (Editora Objetiva, tradução de Otacílio Nunes).

15 – Ordinary Men [Homens comuns], de Christopher Browning (Editora Harper Perennial).

16 – Nothing Is True and Everything Is Possible [Nada é verdadeiro e tudo é possível], de Peter Pomerantsev (Editora Faber & Faber).

17 – Bíblia de Jerusalém (Editora Paulus, vários tradutores).

Veja uma lista com dez filmes para assistir antes do vestibular

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Professores indicam bons títulos para os últimos dias de férias

Publicado em O Globo

Que tal uma maratona cinematográfica para embalar os últimos dias de férias? Conversamos com professores de história e geografia que sugeriram ótimos títulos para quem quer aproveitar o tempo livre sem se distanciar dos estudos. Afinal, as produções recomendadas por eles estão recheadas de informações que podem ser muito úteis na hora do vestibular.

1 – “O ano em que meus pais saíram de férias”
(2006) Direção de Cao Hamburger
A lista começa com esta produção nacional que foi indicada ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. A sugestão é do professor de História do GPI, Cesar Menezes. O filme narra a história de uma criança de 12 anos, que adora futebol e, na Copa de 1970, vê o seus pais, militantes políticos, terem que fazer uma “viagem forçada”. Como define Cesar, é uma bela e comovente narrativa sobre uma criança em meio ao duro regime militar no Brasil.

2 – “Os miseráveis”
(2012) Direção de Tom Hooper
A próxima dica do professor Cesar é para quem gosta de musicais. Este foi um dos grandes sucessos de crítica e bilheteria na virada de 2012 para 2013 em todo o mundo. O filme se baseia na obra homônima de Victor Hugo, publicada em 1862. Na trama do grande dramaturgo francês, a Paris do início do século XIX, aparece cheia de mendigos, fétida, insalubre e prestes a se rebelar contra a tirania dos reis absolutistas. “Um bom entretenimento para se compreender a história francesa, na primeira metade do século XIX”, define o professor.

3 – “O menino do pijama listrado”
(2008) Direção de Mark Herman
A trama se passa quase toda em um campo de concentração nazista, durante a Segunda Guerra Mundial. Na opinião do professor Cesar, é um filme muito interessante porque mostra os horrores do holocausto a partir da amizade entre uma criança judia e outra alemã.

4 – “Lincoln”
(2012) Direção de Steven Spilberg
Neste filme, o professor Cesar chama atenção para a primorosa atuação de Daniel Day-Lewis, no papel do presidente dos EUA, Abraham Lincoln. A história se passa na Guerra de Secessão. Na opinião de Cesar, é uma boa pedida para quem deseja conhecer a trajetória dos EUA no século XIX.

5 – “Guerra de Canudos”
(1997) Direção de Sérgio Rezende
O professor Cesar considera importante este filme que narra “um dos maiores dramas da História do Brasil, que foi a guerra de sertanejos contra as injustiças do poder público no alvorecer da República”. A trama traz como pano de fundo o drama de uma família dividida entre acompanhar Conselheiro na sua marcha ou continuar submetida à condição de miséria.

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