Contando e Cantando (Volume 2)

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Sucesso na TV, tirinhas de ‘Lili, a Ex’ ganham primeira coletânea em livro

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Beatriz Montesanti, na Folha de S.Paulo

Para aqueles que acabaram de conhecer Lili na pele de uma morena neurótica ligada em 220, uma coletânea e uma exposição em São Paulo vão revelar as facetas originais da personagem, que fez sucesso numa série televisiva do canal GNT.

As tirinhas de “Lili, a Ex”, do cartunista Caco Galhardo, foram reunidas pela primeira vez em livro, editado por Toninho Mendes, “figura mitológica dos quadrinhos nacionais”, segundo define Galhardo.

Na coletânea, lançada nesta quinta (6), foram reunidas 112 tiras, de um acervo calculado por Galhardo em mais de 500 histórias –publicadas na Folha desde 2009. Além do livro, algumas das tiras originais de Lili estarão expostas na Galeria Ornitorrinco, em São Paulo, até 12 de dezembro.

Reprodução de tirinha do livro "Lili a Ex", do desenhista Caco Galhardo, lançado pela editora Peixe Grande / Caco Galhardo

Reprodução de tirinha do livro “Lili a Ex”, do desenhista Caco Galhardo, lançado pela editora Peixe Grande / Caco Galhardo

DUAS LILIS

Se por um lado os desenhos revelam as origens de Lili, por outro a coletânea deve sua existência ao sucesso da adaptação televisiva, que em sua primeira temporada foi a segunda série mais vista pelo público feminino na TV paga, segundo dados do próprio GNT.

“Tem muita gente ligada na série, é legal ter uma coisa impressa”, diz Galhardo, ele mesmo responsável pela adaptação do roteiro. “A personagem existia antes, no quadrinho, ela já tem uma historia e uma personalidade.”

Na série, Lili, interpretada por Maria Casadevall, se muda para o apartamento vizinho ao do ex-marido (Felipe Rocha), para poder acompanhar sua vida de perto –e destruir todos os seus eventuais relacionamentos.

A mudança é uma novidade da versão televisiva, que traz ainda personagens que não estão nos quadrinhos, como a melhor amiga cabeleireira (Daniela Fontan) e a mãe perua (Rosi Campos).

Já no livro e na exposição, é possível conhecer personagens de Galhardo que não foram levados para as telas, como o derrotado Chico Bacon, homem com quem Lili acaba na cama após uma noite de bebedeira.

“Eu não sei se ele se encaixa no universo televisivo. Eu vejo ele muito como um personagem dos quadrinhos”, comenta o cartunista, duvidando de uma potencial carreira na TV para Chico Bacon.

LILI, A EX
Lançamento de livro e exposição

ONDE Galeria Ornitorrinco, av. Pompeia, 520, tel.: (11) 2338-1156
QUANDO de seg. à sáb., das 10h às 19h; até 6/12
QUANTO grátis; o livro custa R$ 27 (64 págs.)

50 anos de Mafalda

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A personagem argentina questionadora e ácida completa 50 anos, e ganha homenagens de cartunistas brasileiros

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Jacqueline Lafloufa, no B9

A primeira vez que me encontrei com Mafalda eu nem tinha entrado na adolescência. Era um enorme calhamaço de “Toda Mafalda” com várias tirinhas de uma menininha enfezada.

Gostei do que li, mas principalmente gostei de ficar intrigada. Dava para perceber que quem escrevia aquelas tirinhas queria dizer algo mais. De vez em quando eu entendia algo, mas no geral eu ficava apenas encafifada tentando compreender aquele sentido oculto latente que eu não conseguia desvendar sozinha.

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Do alto dos meus 11 anos, provavelmente muito do conteúdo das tirinhas de Mafalda passaria mesmo batido. Eu não fazia, na época, parte do público alvo do cartunista Quino. Os textos das tirinhas, ainda que ditos por uma garotinha de 6 anos, eram voltados para os adultos que viviam em uma época de repressão.

Publicadas entre 1964 e 1973, as insatisfações de Mafalda tinham como pano de fundo a ditadura argentina, considerada uma das mais violentas da América Latina. Portanto, eu jamais compreenderia sem a ajuda das aulas de história que a odiada sopa era uma alegoria dos governos militares, “algo que ela não gostava, mas que tinha que suportar”, nas palavras do próprio Quino.

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No dia 29 de setembro, Mafalda completou seu 50º aniversário, sendo lembrada por fãs do mundo todo pela sua sagacidade. Mesmo em um período histórico tão delicado, a personagem de Quino conseguia questionar o público, criticar as notícias do momento e a situação vigente na Argentina. Parte de uma família de classe média, Mafalda e seus amiguinhos representavam estereótipos do momento, funcionando como alegorias.

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Alguns cartunistas brasileiros, como Laerte, Caco Galhardo e Orlando, prestaram nas últimas semana tributos à personagem da forma que fazem melhor – através de cartuns divertidos, relembrando o jeitinho espevitado de Mafalda.

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Como parte das comemorações, a exposição “O Mundo de Mafalda” também deve chegar a SP em dezembro, depois de passar pelo país natal da personagem e por México, Chile e Costa Rica.

Mesmo não sendo publicada em jornais há mais de 40 anos, Mafalda ainda conta com uma enorme legião de fãs. Grande parte das críticas da personagem, ainda que pontuais e voltadas para a época, continuam muito atuais. Recentemente, adquiri minha própria edição de “Toda Mafalda”, para ler de novo tirinha por tirinha, agora provavelmente compreendendo melhor o que Quino pretendia passar nas entrelinhas. No meu último encontro com Mafalda, em Buenos Aires, encontrei-a pequenina, discretamente sentada em um banquinho, e quase passei batido por ela.

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A verdade é que a estátua que homenageia Mafalda não precisaria ser nem um centímetro maior do que é: considerada uma das personagens argentinas míticas mais famosas, ao lado de Che Guevara, Evita Perón e Carlos Gardel, a pequenina enfezada deixa evidente que tamanho jamais foi documento. Ao colocar questionamentos sérios em palavras infantis, Quino conseguiu despistar a repressão e manter a sua expressão sobre o momento.

“Há dois aspectos importantes sobre Mafalda: o primeiro foi o diálogo com fatos da época, algo inovador em tiras sul-americanas; o segundo, foi o diálogo estabelecido com o leitor adulto. Hoje, muitos se esquecem de que a série foi produzida num momento político bastante delicado da Argentina e que os adultos eram o público-alvo prioritário das histórias”, explica Paulo Ramos, jornalista especialista em HQs e blogueiro do UOL,

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Principalmente por conta de Mafalda, Quino foi recentemente agraciado com a principal honraria cultural espanhola, o Príncipe das Astúrias. Até para agradecer a premiação, percebe-se nele a mesma acidez que aparece em Mafalda. “Geralmente ganhamos prêmios quando já estamos cansados. Seria melhor se nos dessem quando somos jovens”, provocou o cartunista, hoje com 81 anos.

Parafraseando Julio Cortázar, o importante nessa história toda não é exatamente o que eu penso de Mafalda. Provavelmente tem mais a ver com o que Mafalda pensaria de nós, hoje em dia.

Feliz meio século, Mafalda! 🙂

Sucesso de Mafalda mostra que mundo mudou pouco em 50 anos, lamenta Quino

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Sucesso de Mafalda mostra que mundo mudou pouco em 50 anos, lamenta Quino

Publicado no IstoÉDinheiro

O mundo de desigualdades, guerras e injustiças que a pequena e mordaz Mafalda não conseguia entender há 50 anos continua atual, o que surpreende e até deprime o criador do famoso quadrinho, o argentino Quino.

O cartunista e humorista gráfico nunca imaginou a transcendência de sua irreverente criatura. Quino imaginava que, nessa era de novas tecnologias, “a garotada perderia o interesse na personagem e ela morreria de maneira natural”.

“Me surpreende que, cada vez, esteja mais atual. Me surpreende e me deprime um pouquinho também, porque quer dizer que (o mundo) não mudou grande coisa”, admitiu Joaquín Salvador Lavado, o Quino, em uma videoconferência realizada na Argentina.

Em plena celebração do 50º aniversário de Mafalda, Quino lamenta que, hoje em dia, haja mais gente pobre do que quando sua personagem nasceu, ou que aconteçam coisas “tão preocupantes” como as bárbaras decapitações do grupo jihadista Estado Islâmico.

Aos 82 anos, as preocupações de Quino continuam sendo as mesmas de quando criou essa ingênua e esperta menina, em 1964.

“As ideias que a Mafalda propaga são as minhas, e eu não sou um homem feliz a essa altura, vendo tudo que acontece no mundo (…). Estou bastante amargurado e transmiti à minha personagem as amarguras que eu sinto”, explicou o cartunista, entre risos.

“Uma coisa que continua me surpreendendo é que as pessoas me agradecem por tudo que eu dei a elas, e eu não sei muito bem o que eu lhes dei. Sei que fiz algo que tem muita repercussão, mas não sou muito consciente do que eu fiz”, afirmou.

Quino tem livros traduzidos para 26 idiomas e milhões de exemplares vendidos no mundo todo

Artista brasileiro cria tirinhas que geram debate e inspiração

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Publicado por Hypeness

Se no Facebook as pessoas costumam apenas jogar opiniões sobre a vida, a política, o universo e tudo mais, Matheu Ribs faz diferente: ele usa ilustrações para dar belos tapas na cara de quem o segue e atentar para tópicos que vão do racismo à religião distorcida.

Ribs, que estuda Ciências Políticas no Rio de Janeiro, não mede palavras ou imagens na hora de expor o que pensa, gerando tirinhas (se é que podemos chamar sua arte dessa forma) pra lá de instigantes. Amor, frustrações, machismo e até mesmo questões políticas entram na roda, para sair dela de uma forma totalmente diferente.

O ilustrador não titubeia ao se assumir militante e muitas de suas artes trazem ideias tidas como “de esquerda”. Mas tudo bem, mesmo que você não concorde com algumas delas, sempre é tempo de pensar o diferente e refletir.

Em último caso, fique com as poesias de Ribs sobre sentimentos. Afinal, na hora de amar e sofrer, todo mundo faz igual.

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Todas as imagens © Matheu Ribs

Criador de “Calvin & Haroldo” retorna ao mundo das tirinhas após quase 20 anos

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Emanuelle Najjar, no Cabine Literária

Após 19 anos de sua última tirinha, Bill Watterson, criador das tirinhas de “Calvin & Haroldo” começou a retornar aos poucos ao mundo das histórias em quadrinhos.

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De acordo com informações do UOL, o cartunista desenhou uma série de quadrinhos a pedido de Stephan Pastis, – criador de “Pearls Before Swine”. A informação foi revelada por Pastis em seu blog pessoal, que contatou Bill Waterson por email e recebeu como resposta uma ideia para participar de sua série.

As tirinhas serão leiloadas em benefício da Team Cul de Sac: instituição de caridade voltada a quem sofre de Parkison. As tirinhas de Watterson foram publicadas sob o codinome de Libby, uma referência a Billy).

Veja os quadrinhos de Watterson:

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Na postagem, Pastis comenta que Watterson pediu que sua participação em “Pearls Before Swine” não fosse revelada até que as tirinhas estivessem prontas e publicadas. “Esse foi o segredo mais difícil que já tive de manter.”

A última tirinha de “Calvin & Haroldo” foi publicada em 31 de dezembro de 1995. Após a publicação, o autor se aposentou e se retirou da vida pública. Porém, em fevereiro de 2014 Watterson fez um breve retorno quando divulgou uma ilustração que fez para o cartaz de “Stripped”, documentário realizado por Dave Kellet e Fred Schroeder sobre o mundo das tirinhas.

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