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Brasil afasta melhores alunos da docência, dizem especialistas

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Segunda mesa do 2º Fórum Inovação Educativa, que aconteceu em São Paulo nesta quinta (25)

Segunda mesa do 2º Fórum Inovação Educativa, que aconteceu em São Paulo nesta quinta (25)

 

Luisa Leite, na Folha de S.Paulo

O Brasil não atrai seus melhores alunos para a carreira docente. A falta de valorização social, salários baixos, desrespeito dos próprios alunos e condições ruins de trabalho acabam afastando aqueles que cogitam escolher ser professor.

É a conclusão de especialistas que participaram da última mesa do 2º Fórum de Inovação Educativa, promovido pela Folha em parceria com a Fundação Telefônica Vivo e com apoio do movimento Todos Pela Educação, nas manhãs de quarta (24) e quinta-feira (25).

“Não queremos ficar ricos. O problema é o professor precisar vender perfume no intervalo, fazer pão e bolo para vender”, disse Juçara Vieira, ex-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação. “Temos que conseguir nos dedicar exclusivamente à profissão, podendo viver com dignidade e conforto”.

Para Priscila Cruz, fundadora e presidente do movimento Todos Pela Educação, a sociedade precisa superar a ideia de que professores se equiparam a sacerdotes que devem trabalhar por amor. “Professor não é padre. Temos que tratá-los como profissionais, com progressão de carreira”.

“Dá pra dizer sem medo de errar que o professor é o principal profissional do país, mas não agimos como se fosse. Todo mundo sabe que ele não é valorizado”, disse.

Para José Carlos Rothen, pesquisador da UFSCar, um dos grandes problemas que afetam a qualidade da educação é que os poucos jovens que escolhem a carreira de magistério acabam evitando lecionar na educação básica por conta dos baixos salários, das condições de trabalho e da falta de progressão.

“A carreira só é digna se você puder fazer parte de uma minoria que dá aula em escola de grife ou universidade. Então a educação só é boa para uma minoria também.”

Para o pesquisador, o modelo de descentralização de gestão, que coloca Estados e municípios como responsáveis pela educação, precisa ser repensado.

“Um município com 20 mil pessoas não possui infraestrutura para trabalhar a formação de professores. Embora a escola seja responsável, ela não pode ser culpada por um sistema falho”, disse.

Luciana Caparro, professora da escola municipal Desembargador Amorim Lima, conhecida pelo seu modelo de qualidade de ensino, disse que no momento em que se formou, o professor trabalhava com “muito pouco, quase nada”.

“Era impensável desenvolver algum projeto ou trabalho diferente com os estudantes”, continuou. Para ela, o professor precisa encarar as limitações de carreira como um desafio para remontar a realidade de ensino.

Caparro acredita, porém, que esse modelo só pode ser reproduzido em larga escala com um alto investimento para reverter essas limitações.

Educação infantil é um amplificador de desigualdade, diz professor da USP

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publicado no UOL

Não basta oferecer uma vaga em creche, é preciso ofertar educação de qualidade. É o que defende o professor da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto Daniel Santos. Levantamento feito por ele mostra que crianças em situação de maior vulnerabilidade que frequentaram creches têm desempenho pior em avaliações feitas anos depois do que aquelas na mesma situação que não frequentaram a escola até os 3 anos de idade.

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Santos utilizou dados do teste de matemática da Prova Brasil, aplicada aos alunos do 5º ano do ensino fundamental, e verificou se os alunos tinham ou não frequentado a creche e a pré-escola, e qual a escolaridade da mãe desses estudantes.

Alunos que frequentaram a creche e que estão em situação de maior de vulnerabilidade, ou seja, que têm mães nunca estudaram ou possuem o ensino fundamental incompleto, têm notas menores na avaliação, em relação a alunos na mesma situação, que não frequentaram creches. A situação é inversa quando se trata de alunos com mães que chegaram a acessar o ensino superior. As notas dos que frequentaram a creche é maior. Já na pré-escola, que atende alunos de 4 e 5 anos, o fato da criança ter frequentado a etapa ou não, não faz diferença entre os alunos em situação de maior vulnerabilidade.

“Nosso sistema [de educação infantil] funciona como um amplificador de desigualdade, ao invés de um redutor de desigualdade”, diz Santos. As creches que atendem as crianças até os 3 anos de idade são cada vez mais procuradas por pais ou responsáveis, seja porque precisam conciliar o cuidado dos filhos com o trabalho, seja porque querem que as crianças sejam estimuladas desde cedo. Em várias cidades, há filas para conseguir uma vagas nas creches.

Na opinião de Santos, na educação infantil a escola deve oferecer para a criança o que a família não oferece. Dessa forma, os alunos em situação de maior vulnerabilidade deveriam se beneficiar mais estando na escola do que fora dela. “Não estamos falando em ensinar gramática, mas ensinar afeto e outras noções. São estímulos que todos deveriam ter e, se não têm em casa, deveriam ser supridos na escola”, diz. “No ensino fundamental, eu concordo, melhor uma escola ruim que não estar na escola, mas eu não tenho certeza disso na educação infantil”, acrescenta Santos.

O professor participou hoje (3) do debate Educação em Pauta sobre Primeira Infância, promovido pelo movimento Todos Pela Educação e Fundação Maria Cecília Souto Vidigal.

O presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Alessio Costa Lima, presente no evento, admitiu que muitas vezes a educação infantil “oferece condições bastante precárias”. Ele acredita, no entanto, que é necessário garantir o acesso da criança à escola para, a partir dai, demandar melhoras. “Acesso e qualidade caminham juntos, na medida em que, trazendo a criança para dentro da escola, vão surgindo novas demandas, profissionais mais qualificados, ambientes melhores”, disse.

A coordenadora geral de Educação Infantil da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação, Rita Coelho, destacou que a creche não é obrigatória. “Nenhum país universalizou e não se deve universalizar essa etapa, que é de transmissão de valores, de hábitos culturais. Há famílias que fazem questão que isso seja feito no âmbito privado”, diz. Ela reconhece, no entanto, que a população mais vulnerável é que a menos tem acesso a serviços de qualidade, seja na educação, saúde ou outro setor.

O acesso à creche e pré-escola está determinado no Plano Nacional de Educação (PNE), lei que estabelece metas para melhorar a educação brasileira até 2024. De acordo com a lei, todas as crianças de 4 e 5 anos devem frequentar a pré-escola até este ano e, até 2024, 50% das crianças até os 3 anos devem ter acesso à creches. Atualmente, 89,1% das crianças estão na pré-escola e 29,6%, nas creches.

Surfe, mágica e feminismo: rede pública ganha aulas extras dos sonhos

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rede

Publicado em UOL

Jéssica Rodrigues de Borba, 16, queria debater machismo e racismo na escola estadual onde estuda, no extremo sul de São Paulo, mas não encontrava espaço. “Isso nunca é passado em sala de aula”, diz a adolescente à BBC Brasil. “Sobre o racismo aprendemos só o básico. De machismo, nada. E é algo importante, todo mundo tem de estar ciente.”

Até que, no final de outubro, ela conseguiu que palestrantes especializados fossem a sua escola dar uma aula extracurricular sobre os dois temas, assistida por 170 de seus colegas estudantes. “Agora vou pedir uma palestra sobre maioridade penal”, diz Jéssica. “É um assunto de que os professores fogem.”

O pedido de Jéssica foi concretizado pelo Quero na Escola, projeto idealizado por quatro jornalistas para tentar aproximar a escola pública da sociedade.

Um aluno da rede pública paulista pediu aula de truques de mágica. Outro, de Florianópolis, quer fazer aulas de surfe. Em uma escola municipal de Belo Horizonte, o pedido é por aprender a fazer histórias em quadrinhos.

A ideia é que os pedidos sejam atendidos por voluntários da sociedade civil, que topem dar aulas gratuitas nas escolas sobre os temas solicitados.

‘Querem um monte de coisas’

Em dois meses de existência, o Quero na Escola cadastrou 11 escolas (por enquanto, em São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina) e recebeu 65 pedidos. Foram cadastrados 32 voluntários, que por enquanto atenderam a primeira dezena de pedidos – abrangendo cerca de 300 alunos com aulas, palestras ou oficinas em temas como grafite, artesanato, contação de histórias e fotografia.

“Entrevistando os adolescentes nas escolas, víamos que eles queriam um monte de coisas, apesar de serem tachados como desinteressados”, diz

Cinthia Rodrigues, uma das idealizadoras do projeto.

“O gatilho para nós foi ouvir de uma jovem de 15 anos que ela gostaria de fazer aula de escrita criativa. Como jornalistas, podíamos ensinar isso para ela.

E pensamos: E se tivesse uma forma de todos os alunos dizerem o que querem na escola?”

“A gente também quer fazer uma conexão – apresentar a escola à sociedade. Se o portão da escola ficar aberto, a educação vai virar uma pauta real na vida das pessoas.”

Os primeiros voluntários vieram das próprias redes de contato das organizadoras, mas elas querem ampliar o alcance dessa rede. “Queremos também o eletricista, o pizzaiolo como voluntários.”

Para Ricardo Falzetta, gerente de conteúdo da organização Todos Pela Educação, o projeto tem o potencial de aumentar o interesse dos alunos pelos anos finais dos ensinos fundamental e médio – faixa mais problemática da educação brasileira – e de permitir à sociedade civil “de fato entender o que acontece dentro das escolas (públicas)”.

“A sociedade já dá importância à educação no discurso, mas essa é uma oportunidade de que esse discurso não seja apenas para cobrar, mas para entender a educação e ter uma perspectiva de colaborador.”

Ele opina, também, que um segundo passo do projeto, que poderia ser dado pelas próprias escolas, seria associar os pedidos ao Quero na Escola ao próprio currículo escolar que está sendo aplicado aos alunos, para potencializar os resultados – por exemplo, estimulando pedidos por aulas extracurriculares que complementem o ensinado em sala de aula.

‘Não aprendo nada’

Teo Ferreira Dias, 18, teve atendido o pedido por uma aula de cerâmica em sua escola técnica, na zona oeste paulistana, e pretende mobilizar seus colegas para um futuro pedido por uma aula de desenho.

“Foi legal para valorizar a escola não só pelo ensino, mas com coisas que a gente gosta”, diz.

“Eu sinto uma resistência (dos professores) a alguns pedidos dos alunos, quando sugerimos algum assunto diferente do que está no currículo. Eles tendem a não ensinar. Os professores têm muita matéria para dar e às vezes não têm tempo – até porque, muitas vezes, perdem tempo disciplinando outros alunos.”

Para Cinthia, a ideia inicial do projeto era justamente encontrar formas de ajudar os professores. “Nas nossas pesquisas, víamos que eles se sentiam muito mal, mesmo sendo vencedores – muitos são mal pagos, vistos pela sociedade como encostados e estão no limite, apesar do desejo de fazer um bom trabalho.”

Júlia Rodrigues dos Santos, 15, colega de escola de Teo, pediu uma aula de fotografia.

“É o tipo de coisa que por não ter valor no vestibular, por exemplo, as pessoas acabam não dando tanta atenção”, diz. “Já até tinha pedido para o professor de Artes dar aula de foto. Ele me falou que adoraria, mas que não tinha tempo, tinha de focar no conteúdo do vestibular e do Enem.”

Júlia diz que gostou tanto da parte de história da fotografia como dos exercícios práticos. “Eu agora sei controlar a entrada de luz na minha câmera e, quanto estou tirando foto com o celular, posso pensar melhor no enquadramento, por exemplo.”

A aluna conta que gostou tanto do projeto que agora pensa em solicitar outros cursos, como o de línguas orientais.

Leitura

Alguns dos pedidos atendidos foram oficinas esporádicas; outros têm se tornado eventos regulares nas escolas.

Na Escola Estadual José Cândido de Souza, na Pompeia (zona oeste de São Paulo), a diretora Elizabeth Magnoni usou o Quero na Escola para colocar em uso a sala de leitura que havia conseguido colocar de pé. “Tínhamos a sala de leitura, mas faltava a contação de histórias, para (estimular a) pegar no livro”, diz.

A voluntária que se cadastrou no projeto transformou sua contação de histórias em algo constante dentro da escola. “Ela mora a duas quadras daqui e adorou, não imaginava como era a nossa escola. E a nossa escola precisa da comunidade.”

Brasil não atinge quatro de cinco metas pela educação

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Publicado no O Globo.

País avançou na ampliação do gasto e de matrículas, mas aprendizado segue insatisfatório

POR JULIANNA GRANJEIA

No 9º ano, o percentual de alunos com aprendizado adequado em 2013 foi 16,4% em matemática - Paula Giolito / Agência O Globo Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/brasil-nao-atinge-quatro-de-cinco-metas-pela-educacao-16630728#ixzz3ev9gsITC  © 1996 - 2015. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

No 9º ano, o percentual de alunos com aprendizado adequado em 2013 foi 16,4% em matemática – Paula Giolito / Agência O Globo
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BRASÍLIA – Das cinco metas estipuladas pelo movimento Todos Pela Educação (TPE), quatro não foram cumpridas pelo Brasil. É o que mostra um relatório da ONG, que será lançado hoje e aponta dificuldades principalmente nos objetivos relacionados à qualidade. O documento mostra alguns dos principais desafios que o país ainda precisa enfrentar na área educacional, como incluir cerca de 2,8 milhões de crianças de 4 a 17 anos na educação básica, garantir aos alunos aprendizado adequado e combater os motivos que fazem com que apenas 54% dos jovens concluam o ensino médio na idade certa.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/brasil-nao-atinge-quatro-de-cinco-metas-pela-educacao-16630728#ixzz3ev9LOSho
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Os objetivos são para o ano de 2022, mas há metas parciais, monitoradas anualmente. Na primeira, que prevê que toda criança e jovem de 4 a 17 anos esteja na escola, o país está próximo de seu objetivo: o Brasil registrou em 2013 93,6% da população de 4 a 17 anos matriculada na educação básica. A meta para o mesmo ano era de 95,4%.

A meta 2 (“toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos”) não foi avaliada pois os indicadores de 2013 sobre a qualidade da alfabetização das crianças nos primeiros anos do ensino fundamental ainda não foram divulgados. Levantamento de 2012, entretanto, deixou o país bem longe do objetivo.

O TPE também aponta que o Brasil tem dificuldades em cumprir as metas 3 e 4. Em 2013, somente 9,3% dos alunos do 3º ano do ensino médio aprenderam o considerado adequado pelo movimento em matemática, e 27,2% em português, valores abaixo das metas intermediárias definidas pela instituição para o ano, que eram, respectivamente, de 28,3% e 39%.

No 9º ano do educação fundamental, o percentual de alunos com aprendizado adequado em 2013 foi 16,4% em matemática e de 28,7% em língua portuguesa. As metas intermediárias para essa etapa eram de, respectivamente, 37,1% e 42,9%. Já o 5º ano apresentou 39,5% de alunos com aprendizado adequado em matemática, e 45,1% em língua portuguesa. As metas intermediárias eram, respectivamente, de 42,3% e de 47,9%.

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A meta 4 não foi atingida porque pouco mais da metade dos jovens, 54,3%, conseguiu concluir em 2013 a etapa final da educação básica na idade considerada adequada. No ensino fundamental, a conclusão até os 16 anos foi alcançada por 71,7% dos jovens. As metas definidas pelo movimento para 2013 eram de, respectivamente, 63,7% e 84%.

Já a meta 5, que estipula ampliação do investimento em educação e boa gestão dos recursos, foi parcialmente alcançada: em 2013, o investimento público direto na área foi de 5,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Os dados de investimento específico em educação básica, hoje no patamar de 4,7%, mostram uma tendência de crescimento desde 2000, quando era de somente 3,2%. Até 2022, a meta é chegar a 5% nesse setor. No entanto, ainda há dificuldades com execução e gestão do orçamento. Pesquisa que será divulgada hoje mostra que há problemas, por exemplo, na cotação e contratação de fornecedores com utilização dos recursos do Programa Dinheiro Direto na Escola.

Outra pesquisa inédita, que será divulgada hoje e aponta para avanços no setor, mostra que o acréscimo de um ano no ensino fundamental garantiu maior aprendizado. Estudo promovido pelo TPE indica que de 11% a 14% do incremento observado na proficiência média dos alunos do 5º ano do ensino fundamental na Prova Brasil é atribuível à ampliação de oito para nove anos na duração do ensino fundamental.

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