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Livro reúne contos inspirados em canções de Tom Jobim

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Fotografias de paisagens do Rio de Janeiro tiradas por Isabel De Nonno para o livro

Fotografias de paisagens do Rio de Janeiro tiradas por Isabel De Nonno para o livro

Mariana Paiva, no A Tarde

Música leva pra passear: bastam uns acordes e a mente já passeia nos tons pasteis das lembranças. Ou da imaginação. É assim no livro Vou Te Contar: 20 Histórias ao Som de Tom Jobim. Nele, 20 escritores brasileiros contemporâneos se deixaram envolver por 20 canções de Tom para criar contos. O número não é à toa: o livro homenageia o cantor e compositor 20 anos depois de seu falecimento, em 1994.

A ideia surgiu no ano passado, quando Celina Portocarrero, organizadora do livro, percebeu que muito pouco estava sendo planejado para homenagear Tom em 2014. Estava numa palestra-show sobre a dupla Tom e Vinicius, e foram exatamente as músicas que levaram Celina a viajar na ideia.

“Meu encanto pelo Tom é da vida toda. Tenho quase 70 anos, então na minha adolescência a bossa nova estava começando, e Tom estava ali. Aliás, não conheço ninguém que um dia não tenha pensado: ‘Ah, se todos fossem iguais a você!’, como na música. Tom é o fundo musical de minha vida”, ela conta.

A escolha das canções para inspirar os escritores (de Silviano Santiago a André de Leones, de Menalton Braff a Sandra Luz) foi difícil. Começa por aí: o top 10 de músicas de Tom feito por Celina tem 36 músicas. “As minhas preferidas são as que ele fez sozinho”. Foi assim que entraram no livro canções como Falando de Amor, Querida, Águas de Março, Ligia, As Praias Desertas e Luiza.

Os contadores

À baiana Adelice Souza coube escrever um conto de amor (ou de amores) sobre a canção Wave, escolhida por ela entre as 20 disponíveis. “Queria fazer um conto baiano para Jobim. Tem músicas dele em que a Bahia está muito presente, mas eu queria uma universal. Queria fazer com que ele ficasse baiano, da nossa terra. O meu é o Tom Jobim abaianado, porque a gente tem tudo que ele tem, esse sambinha, essa bossinha. Tudo tão baiano”, Adelice diz.

É bem assim no conto: Adelice escreve de idas e vindas, como as ondas do mar (Wave é onda, em inglês), com direito a oferendas para Iemanjá.

Apaixonado por Tom Jobim desde a adolescência, o catarinense Carlos Henrique Schroeder escreveu inspirado pela canção Fotografia, num emocionante relato de incomunicabilidades e amor entre pai e filho. E viajou na música, exatamente como fazia anos atrás.

Na adolescência, entre os discos do Sepultura, Ramones e The Clash, Carlos guardava os de Tom Jobim. Naquele tempo, morava no interior e sentia falta do mar. Era Tom quem lhe trazia a praia para perto. “Aquela sonoridade tão praiana e idílica era diferente pra mim, eu passava horas viajando naquilo tudo. As letras são ingênuas, saudosistas. Nessa época da adolescência eu já ficava encantando com isso”.

No livro, tem também Silviano Santiago escrevendo inspirado pela canção Cai a Tarde; Monique Revillion viajando em Espelho das Águas e Henrique Rodrigues criando a partir de Gabriela. O volume vem ilustrado por fotografias de Isabel De Nonno e nem devia precisar dizer (mas vá lá): é bom de ler ouvindo música. Bem bom.

Literatura também dá samba

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Escolas de Samba de São Paulo e do Rio homenageiam grandes nomes da literatura e estimulam o desenvolvimento de novos leitores

Karine Pansa no DM

O brasileiro tem duas conhecidas paixões, o futebol e o carnaval. E essas paixões têm uma coisa em comum: a literatura. A cada ano as publicações sobre times, torcidas e conquistas vêm aumentando. No carnaval, os escritores e as obras também são fontes de inspiração para sambas enredos e se refletem em lindas homenagens.

A interatividade e a empatia entre as artes são importantes em vários aspectos, inclusive para o fomento à leitura. A divulgação de grandes livros e nomes nos sambas enredos atrai uma gama de leitores das mais diversas idades e convida outros a conhecer as obras. De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Ibope Inteligência a pedido do Instituto Pró-Livro,  50% dos brasileiros são leitores e a grande maioria está na fase escolar – 36%, outros 16% estão na faixa dos 30 aos 39 anos. Iniciativas como essas das escolas de samba são um convite para arrebanhar novos leitores e fortalecer os que já amam a leitura.

Este ano uma escola de samba paulista e outra carioca vão exaltar grandes nomes nacionais. A Mancha Verde homenageará o poeta, compositor e ator Mário Lago, também chamado de  O Homem do Século XX. Autor dos sambas “Amélia” e “Aurora”, entre muitos outros, Lago ficou mais conhecido por suas participações em novelas e filmes, mas deixou um legado de obras como: Chico Nunes das Alagoas (1975), Na Rolança do Tempo (1976), Bagaço de Beira-Estrada (1977) e Meia Porção de Sarapatel (1986).

Já a União da Ilha do Governador, do Rio de Janeiro, homenageará Vinicius de Moraes. Dramaturgo, poeta, jornalista e compositor, ele fez grandes parcerias com Tom Jobim, o qual lhe chamava de poetinha. Foi autor dos livros O Caminho para a Distância (1933), Novos Poemas (1938), Pátria Minha (1949), entre inúmeros outros, totalizando 13 obras.

De forma lúdica o carnaval consegue exaltar os feitos desses grandes artistas, assim como já fizeram com Monteiro Lobato, Machado de Assis, Jorge Amado e Carlos Drummond de Andrade, justamente escritores que estão entre os mais admirados pelos brasileiros, segundo a pesquisa do IPL.

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