Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Tragédia

A vida imita a arte: o dia que Drummond previu a tragédia de Mariana

0
Herácilito não poderia ser mais certeiro ao afirmar que "um homem não pode entrar no mesmo rio duas vezes”. Pode ser que os brasileiros nunca mais entrem no Rio Doce assim, doce

Herácilito não poderia ser mais certeiro ao afirmar que “um homem não pode entrar no mesmo rio duas vezes”. Pode ser que os brasileiros nunca mais entrem no Rio Doce assim, doce

 

O poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade foi considerado um dos mais influentes do século 20. Ao longo de seus 85 anos publicou mais de 30 livros de poemas, e quase 20 de prosa, além de integrar antologias poéticas e produzir histórias infantis. Porém, não imaginava que ao publicar o poema Lira Itabirana estaria prevendo um dos maiores, quiçá o maior desastre ambiental da história do Brasil: o rompimento das barragens da Vale- Samacro em Minas Gerais.

Mariana Serafini, no Vermelho

Há dias o Brasil vive uma de suas maiores tragédias, a irresponsabilidade da empresa Vale-Samacro pode resultar no fim do Rio Doce que com seus 853 km de extensão banha os estados de Minas Gerais e Espírito Santo.

A Vale-Samacro (antiga Companhia Vale do Rio Doce) foi instalada na região no início da década de 1940 e muitas empresas, atraídas pelas reservas de ferro, se estabeleceram na cidade natal do poeta, Itabira. Poucos anos antes de sua morte, em 1984, Drumond publicou o poema que parece ser o retrato do desastre que destruiu o Rio, antes doce.

Leia o poema na íntegra:

Lira Itabirana

I

O Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.

II

Entre estatais
E multinacionais,
Quantos ais!

III

A dívida interna.
A dívida externa
A dívida eterna.

IV

Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?

Autora de “A Seleção” diz que inspirou-se em Cinderela e na Bíblia

0
A autora da série "A Seleção", Kiera Cass (Divulgação)

A autora da série “A Seleção”, Kiera Cass (Divulgação)

Mariane Zendron, no UOL

America, Aspen e Maxon vivem, desde 2012, um triângulo amoroso em um futuro distópico, no qual a sociedade é dividida por castas. Semelhanças com “Jogos Vorazes” ou “Divergente” são meras coincidências: os três são personagens da trilogia de sucesso “A Seleção”, escrita pela norte-americana Kiera Cass e publicada em mais de 20 países. Com 400 mil exemplares vendidos somente no Brasil, a escritora é uma das atrações Bienal do Livro de São Paulo, que abre as portas ao público a partir da próxima sexta-feira (22), no Anhembi.

Apesar de ter lançado o primeiro livro da série em 2012, Kiera diz que criou a história muito antes de “Jogos Vorazes” (2008) existir. “Eu não encontrei um lugar no passado que eu gostasse [para ambientar a história] e, por isso, criei esse país no futuro”, contou ela, por telefone, ao UOL. No enredo que criou, America Singer é uma artista da casta cinco. Ela é apaixonada por Aspen, que pertence a uma casta abaixo. A jovem precisa esquecer esse amor ao ser selecionada para um competição que escolherá a nova princesa para o príncipe Maxon.

No primeiro livro da série "A Seleção", 35 garotas disputam o coração do príncipe Maxon (Divulgação)

No primeiro livro da série “A Seleção”, 35 garotas disputam o coração do príncipe Maxon (Divulgação)

Apesar das semelhanças, Kiera diz que Suzanne Colins, a autora de “Jogos Vorazes”, fez coisas que ela teve medo de fazer. “Ela fez perguntas mais difíceis e mais profundas. Meus livros são mais leves e têm muito dos contos de fada”, garante. Apesar de compreender as comparações, a autora diz que sua história foi inspirada no clássico “Cinderela” e na história de Ester, presente na Bíblia.

Assim como America, Ester foi obrigada a participar de um concurso para escolher uma nova rainha para Assuero, rei dos persas. Ao ser escolhida, Ester conquistou o coração do rei e salvou os judeus. “Fiquei pensando sobre o coração de Ester. Será que, antes de se sacrificar pelo seu povo, ela não era apaixonada por outro homem?”, questiona Kiera.

Em relação a “Cinderela”, o interesse da escritora vai além do sapatinho de cristal. “A Cinderela nunca pediu por um príncipe, ela só queria uma noite de folga e um belo vestido. Quando o príncipe aparece, me pergunto: ‘Ela está feliz? Conseguiu o que realmente queria?'” Além disso, personagens de origem humilde encantam a escritora, que foi desenvolvendo os livros de sucesso a partir desse mix inusitado.

Tragédia real

Apesar de levar às páginas sonhos, palácios, vestidos de festas e amor, Kiera começou a escrever depois de uma tragédia real. Em 2007, ela morava em Virginia, nos Estados Unidos, quando um estudante matou 32 colegas em um campus, o que ficou conhecido com o Massacre de Virginia Tech. Na época, o marido da autora trabalhava na faculdade e, apesar de ter saído ileso, o episódio deixou marcas profundas em Kiera, que começou a escrever como uma espécie de terapia.

“A Cinderela nunca pediu por um príncipe, ela só queria uma noite de folga e um belo vestido. Quando o príncipe aparece, me pergunto: ela está feliz? Conseguiu o que realmente queria?”.
Kiera Cass

Essa será a segunda vez que a escritora vem ao Brasil –a primeira foi em outubro de 2013. Do país, ela lembra que “os fãs são muito animados” e que “isso é demais”. Dessa vez, a autora vai bater um papo com os leitores no dia 23 de agosto, às 18h, na Bienal, em um espaço batizado de Arena Cultural, destinado aos autores best-sellers. Depois, ela participará de sessões de autógrafo em Fortaleza, Recife e Rio de Janeiro.

Dias antes de embarcar para a Bienal de São Paulo, Kiera anunciou mais dois livros da série. O quarto volume, “The Heir” (O Herdeiro), está previsto para maio de 2015. O quinto romance, ainda sem título, será lançado em 2016.

Kiera Cass na Bienal do Livro de SP

Onde: Arena Cultural, Pavilhão de Exposições do Anhembi
Quando: Sábado (23/10)
Horário: 18h – Bate-papo com a escritora
19h30 – Sessão de autógrafos da série A Seleção; É necessário retirar senha a partir das 10h no Espaço de Autógrafos (J200). Sujeito à lotação

23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Quando: de 22 a 31 de Agosto de 2012
Onde: Pavilhão de Exposições do Anhembi (Av. Olavo Fontoura, 1.209, Santana)
Horário de visitação: de segunda a sexta-feira das 9 às 22h (com entrada até as 21h); sábados e domingos, das das 10h às 22h (com entrada até as 21h)
Ingressos: R$ 12 (segunda, terça, quarta e quinta) R$ 14 (sexta, sábado e domingo)

Go to Top