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Posts tagged Travestis

Travestis buscam melhorar de vida com programa de formação em SP

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Kelly Moline, 32, participante do Programa Transcidadania, da Prefeitura de Sao Paulo (Foto: Apu Gomes/Folhapress)

Kelly Moline, 32, participante do Programa Transcidadania, da Prefeitura de Sao Paulo (Foto: Apu Gomes/Folhapress)

Thais Bilenky, na Folha de S.Paulo

“Quero ser advogada, a lôca!”, diz, sorridente, Paula Costa, 36, travesti que voltou à escola no equivalente à quinta série no início do ano. Quando completar o ensino superior, seu objetivo é defender a causa de sua “classe”.

Ela é uma das cem travestis e transexuais incluídas no programa Transcidadania, da Prefeitura de São Paulo, que concede bolsas mensais de R$ 820,40 para qualificar as participantes e inseri-las no mercado formal de trabalho.

O Transcidadania pretende acolher pessoas vulneráveis. A maioria das beneficiárias é ou foi prostituta. Relatam ter sofrido discriminação na escola, o que as levou a abandonar os estudos. Reclamam das dificuldades para conseguir outra ocupação.

Na sala de aula, elas esbanjam sorrisos, expressões despudoradas e boa vontade.

Mas há casos mais complicados. Há portadoras de HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis e viciadas em drogas e álcool. Durante a aula, uma aluna se insinuou para o professor e foi levada ao hospital. Percebeu-se que estava com problema de saúde.

“Em quase um mês, a gente esperava muitos mais casos como esse”, afirma a coordenadora, Symmy Larrat. “É uma puta vitória, para brincar com as palavras.”

Um dos critérios para inclusão é que a beneficiária não tenha tido trabalho formal por mais de três meses nos últimos três anos. O objetivo é que, até 2016, as alunas concluam o ensino médio, façam cursos profissionalizantes e de cidadania e estágio.

SALA DE AULA

Na sala do centro municipal de educação de jovens e adultos no Cambuci, na segunda-feira (23), Paula Costa explica a origem de sua aspiração profissional. “Os italianos sempre falavam que, de tanto eu interrogar, deveria me tornar advogada.”

Os “italianos” eram os clientes no período em que viveu clandestinamente em Milão, até ser deportada. Hoje, Paula diz viver em um hotel cujo pernoite paga com os programas da véspera. São até três por noite, que rendem de R$ 30 a R$ 50 cada um. Para estudar, sacrifica o sono.

O esforço é um investimento no futuro –a clientela está diminuindo, e as beneficiárias temem chegar aos 50 anos “rodando a bolsinha”, como definem a atividade.

Amiga de Paula dos tempos de Itália, Joyce Mendes, 41, assiste à aula de português na sala em frente. Ao se deparar com um texto sobre “a abelha-mestra e suas 200 abelhinhas”, inquieta-se. “Professora, não tem nenhum machinho?”, pergunta. “As abelhas são feministas…”

Com vestido tomara que caia de decote generoso, sandálias de salto alto, unhas vermelhas com purpurina prateada e um leque cor-de-rosa, ela chama a atenção de um aluno na carteira ao lado.

Agora confortável na sala, a travesti afirma ter sofrido na escola. “Na minha época, não era bullying. Era zoação mesmo”, lembra.

A trajetória da coordenadora do Transcidadania, Symmy Larrat, 36, é uma inspiração para as beneficiárias.

Natural de Belém, formada em publicidade, precisou sair de casa ao se tornar travesti, aos 30. Antes, atuara até como repórter policial no interior do Pará. Mas, depois da mudança, não conseguiu emprego e precisou se prostituir. Começou a militar, filiou-se ao PT e ocupou cargos até chegar ao Transcidadania.

“Só a gente sabe como é sofrido ouvir os piores desaforos e ter de se submeter a fetiches que prefiro não comentar”, diz, sem abandonar o sorriso.

Prefeitura de SP vai pagar bolsas de estudo de R$ 840 para travestis e trans

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Prefeitura de SP vai pagar bolsas de estudo de R$ 840 para travestis e trans

Publicado no UOL

A Prefeitura de São Paulo vai pagar bolsas de estudo de R$ 840 para travestis e transexuais em situação de vulnerabilidade social. O programa, chamado “Transcidadania”, vai ser lançado pelo prefeito Fernando Haddad (PT) na tarde desta quinta-feira (29) e, inicialmente, deve atender cem pessoas.

Também será oferecido tratamento hormonal aos acolhidos pelo programa, para tentar evitar que recorram a métodos inseguros de mudanças no próprio corpo.

Segundo a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC), o programa tem o objetivo de “promover os direitos humanos e oferecer condições de recuperação e oportunidades de vida” dos assistidos.

Como uma das metas da iniciativa é elevar o nível de escolaridade, travestis e transexuais devem participar de atividades escolares e profissionais para receber a bolsa, com carga horária semanal de 30 horas durante dois anos.

A previsão da pasta é que sejam investidos R$ 3 milhões no “Transcidadania” neste ano e em 2016. Ainda de acordo com a SMDHC, os assistidos pelo programa terão prioridade na Casa Abrigo do Brasil, exclusiva para travestis e transexuais”, e no Complexo Zaki Narchi.
Hormônio

Duas Unidades Básicas de Saúde (UBS), localizadas na República e em Santa Cecília, região central da capital paulista, vão atender pacientes do programa e oferecer tratamento hormonal. O objetivo é evitar que travestis e transexuais ponham em risco a própria saúde, como, por exemplo, na aplicação de silicone industrial.

Transexuais e travestis vão receber bolsa da Prefeitura de SP para estudar

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Bruna Souza Cruz, no UOL

A Prefeitura de São Paulo vai disponibilizar uma bolsa auxílio de R$ 850 para transexuais e travestis que desejam voltar aos estudos. A iniciativa faz parte de um programa voltado ao público LGBTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) que será oficialmente lançado no dia 29 de janeiro.

São oferecidas 100 vagas, mas a ideia é ampliar esse número no decorrer do projeto, segundo Alessandro Rodrigues, coordenador de políticas LGBT da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania do município. O custo estimado para a oferta das bolsas, equipe de trabalho e estruturação do programa durante 2015 gira em torno de R$ 1 milhão.

“Existe uma situação de preconceito que é extrema em relação a essas pessoas. Pessoas que foram expulsas de casa ainda na pré-adolescência, deixaram a escola e não passaram por nenhum processo de reinserção na sociedade. Muitas não têm escolaridade mínima para conseguir um emprego. Por isso a iniciativa”, disse. “O programa terá dois anos e visa trabalhar com três pontos fundamentais: elevação da escolaridade, qualificação profissional e formação para cidadania.”

Os selecionados devem ingressar no EJA [Programa de Educação de Jovens e Adultos] já no próximo mês. A ideia é que eles façam as disciplinas do ensino fundamental ou médio, conforme a necessidade de cada um, no primeiro semestre e a partir do segundo comecem a fazer cursos de formação profissional ligados ao Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego).

“A meta é que cada participante termine o terceiro semestre do programa com pelo menos três cursos do Pronatec. No último semestre o estudante pode continuar sua formação no EJA, caso não tenha concluído ainda o ensino médio. Nessa etapa ele pode conciliar a escola com estágios em empresas para adquirir experiência profissional”, afirmou. Quatro cursos técnicos foram definidos para a primeira fase do programa: cuidador de idosos, auxiliar administrativo, auxiliar financeiro e artesão de biojoias.

Para garantir o recebimento da bolsa, todos devem realizar atividades de no mínimo 30h semanais e será obrigatória a realização do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). “Fazer o Enem é um requisito obrigatório. Principalmente na tentativa de obter o diploma do ensino médio”, acrescenta.

As escolas que receberão os alunos para cursar o ensino fundamental e médio já foram definidas. Será a Escola Municipal de Ensino Fundamental Celso Leite Ribeiro Filho e o EJA Cambuci. Segundo Rodrigues, as instituições contarão com uma equipe permanente de psicólogos que ajudarão na mediação de conflitos e no apoio aos estudantes – novos e antigos.

As turmas dos cursos técnicos serão exclusivas com os novos alunos e as aulas serão realizadas no Centro de Cidadania LGBT. Os estudantes do EJA serão distribuídos em turmas mistas.

Apesar de concordar que o valor da bolsa não garante autonomia financeira, Rodrigues ressalta que a medida causará um impacto positivo na “trajetória de emancipação profissional e pessoal” dos participantes.

Como participar

Entre os dias 12 e 16 deste mês a secretaria de Direitos Humanos e Cidadania receberá os interessados em participar do programa.

É preciso estar desempregado (a), morar em São Paulo e não ter registro em carteira nos últimos três meses. Pessoas em situação de rua terão prioridade na seleção.

O atendimento será no Pátio do Colégio, nº 5, das 10h às 16h. É preciso levar o RG, carteira de trabalho e algum comprovante de residência, caso tenha.

Escola no Ceará é acusada de utilizar conteúdo homofóbico

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Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais recebeu queixa de aluno

Apostila utilizada nas salas de aula do terceiro ano gera polêmica Reprodução Algbt

Apostila utilizada nas salas de aula do terceiro ano gera polêmica Reprodução Algbt

Juliana Dal Piva, em O Globo

RIO – O material de uma aula de física do terceiro ano do ensino médio virou caso de Justiça no Ceará. A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais denunciou nesta terça-feira (5) ao Ministério Público do Ceará e ao Ministério da Educação que o material utilizado pela escola da Organização Educacional Farias de Brito, em Fortaleza, teria conteúdo homofóbico.

A denúncia é motivada por uma apostila produzida pela própria escola e utilizada para explicar o princípio da atração e repulsão de cargas elétricas. Na ilustração, a imagem de dois meninos próximos é afastada por duas setas com indicação de “repulsão”. Na mesma página, há uma referência semelhante para duas meninas.

O secretário de educação da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis, Toni Reis, explicou que a questão foi levada à associação por um aluno da escola que diz ter sido motivo de chacota durante aula com a apostila e, por este motivo ele não foi identificado.

— Os desenhos são muito nítidos ao mostrar a homofobia. O menino tem só 16 anos e pensa até em desistir de estudar — contou Reis, ao dizer que quer uma investigação sobre o caso.

De acordo com o diretor-superintendente da Organização Educacional Farias Brito, Tales de Sá Cavalcante, a escola ainda não recebeu uma denúncia formal sobre o caso e abrirá uma investigação sobre assunto. Até lá, a apostila continua em sala de aula.

— Não é justo que se impute a duas crianças um desejo homossexual que não existe nessa idade. Nós temos funcionários homossexuais, professores homossexuais, alunos homossexuais — afirmou Cavalcante.

Para a escola, no entanto, o caso pode significar sabotagem da concorrência.

— Infelizmente isso é fruto de concorrência desleal. Aqui no Ceará, os outros colégios não se conformam com o sucesso do Farias Brito em termos nacionais — afirmou Cavalcante.

A escola existe há 77 anos e possui 13.500 alunos atendendo alunos desde a educação infantil até o ensino superior.

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