Contando e Cantando (Volume 2)

Posts tagged trechos de livros

Adaptação ‘Vulgo Grace’, livro de Margaret Atwood, estreia na Netflix

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Margaret Atwood é canadense e tem 78 anos Foto: Divulgação

Margaret Atwood é canadense e tem 78 anos
Foto: Divulgação

Série de seis capítulos chega nesta sexta (3) na plataforma. Leia a resenha do livro.

Publicado no JC Online

Há 33 anos, a canadense Margaret Atwood, 78, estava morando em Berlim, em uma Alemanha ainda ideologicamente e geograficamente dividida pela Guerra Fria, quando começou a escrever O Conto da Aia. Era 1984 – ano que titula outra das maiores distopias literárias – e o livro seria publicado no ano seguinte. O enredo do romance se tornou bastante conhecido, principalmente nos últimos meses, devido ao sucesso de sua adaptação audiovisual, a série The Handmaid’s Tale, produzida pelo serviço de streaming norte-americano Hulu.

Em um futuro não muito distante, as mulheres de Gilead (país que autora chamava-se Estados Unidos) não têm mais nenhum direito e sofrem com o regime totalitário, onde suas funções são dividas entre aias – cuja rotina é destina a engravidar -, esposas e martas.

Nos anos que se seguiram, Margaret continuou a pautar suas histórias a partir de personagens femininas fortes e denunciando o machismo e a misoginia através da ficção. Em 1996, ela publica Vulgo Grace, obra reeditada no Brasil pela editora Rocco (512 páginas, R$ 49,90), que acaba de ser adaptada pela Netflix e estreia hoje.

A série é uma co-produção do serviço de streaming, da Halfire Entertainment e CBC. Em seis episódios, Vulgo Grace se passa no Canadá e conta a história de Grace Marks, uma jovem imigrante irlandesa de 16 anos, empregada doméstica, acusada de assassinar seu empregador, Thomas Kinnear, e a governante da casa em que trabalhava, Mary Montgomery, que estava grávida dele.

A narrativa é baseada em uma história real e tem início de fato em 1859, em Toronto, quando Grace – que está presa há 15 anos e trabalha durante o dia como costureira e empregada na casa da esposa do governante do presídio – conhece o americano Dr. Simon Jordan. O médico é um “estudioso de doenças mentais” – numa época em que ainda não existia o termo psiquiatra – e viajou do Massachussets até o Canadá para se dedicar ao misterioso caso de amnésia de Grace, que não se lembra dos assassinatos.

Culpada ou inocente, vítima das circunstâncias e do gênio maldoso de James McDermott, outro empregado da casa, culpado dos assassinatos e condenado à morte? A dúvida é levantada por Margaret Atwood, como também aconteceu com o caso da verdadeira Grace.

O diálogo com os fatos verídicos é bastante interessante e realizado por meio de epígrafes em cada um dos 15 capítulos do livro. Em alguns dos casos, o leitor encontra trechos de livros ou poemas famosos que remetem à temática da obra, como A prisioneira, de Emily Brontë, The Philosophy of Composition, de Edgar Allan Poe ou ainda Remember, de Christina Rossetti, respectivamente de 1845, 1846 e 1849, demonstrando que o mergulho da autora no universo dos anos em que viveu sua Grace foi fruto de uma minuciosa pesquisa histórica.

Muitas das epígrafes são também trechos das confissões da protagonista, de James McDermott e depoimentos de pessoas que visitaram Grace na prisão. “Grace Marks olha para você de esguelha, com um olhar furtivo; ela nunca o encara de frente e, após um relance dissimulado, invariavelmente volta os olhos para o chão”, escreveu Susanna Moodie em 1853. Ou ainda sobre o outro acusado: “Mc Dermott…era mal-humorado e grosseiro, havia bem pouco a admirar em seu caráter”, como o descreveu William Harrison em texto publicado no Newmarket Era em 1908 sobre os assassinatos, defendendo ainda o caráter e a “boa índole e maneiras gentis” de Grace Marks.

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A opinião de Harrison de que a jovem empregada foi também uma vítima é defendida por diversos personagens do enredo de Atwood e mantida em suspense por muitos capítulos, assim como o desenrolar das recordações da personagem principal e da evolução de suas conversas com Dr. Jordan.

A trama é costurada um pouco como as colchas que Grace alinhava para as filhas do governador: em um ritmo envolvente, por vezes lento mas nunca cansativo, em que Margaret Atwood cria um thriller psicológico vestido de romance histórico.

Feminismo

Há anos os livros de Margaret Atwood vem sido legitimados como feministas e a própria autora não foge dessas afirmações. Preocupada em retratar os pormenores da sociedade machista a patricarcal, a canadense é também conhecida pelo seu engajamento político nas redes sociais – como bem podem atestar seus 1.77 milhões de seguidores no Twitter.

Na rede social, ela dá retweet em fotos de leitoras fantasiadas das personagens d’O Conto da Aia (o famoso traje vermelho e touca branca); critica as posições do presidente norte-americano Donald Trump; compartilha entrevistas e matérias sobre sua obra e novidades das séries. Seu empenho para com as adaptações de seus livros no formato televisivo é inegável: além de ter acompanhado as gravações tanto de The Handmaid’s Tale e Vulgo Grace, ela faz aparições em cada uma delas.

Se no livro de 1985 a opressão contra as mulheres é retratada pela autora de maneira bastante clara, objetiva e compõe o principal enredo da história, as críticas em Vulgo Grace são mais tênues, mas não menos incisivas e sarcásticas. É contando a história do adolescente, filho único de uma família abastada, que iniciou sua vida sexual com as empregadas da casa; é também através das conversas dos guardas da penitenciária na frente de Grace sobre sua possível performance sexual; ou ainda sobre como as mulheres eram sempre diagnosticadas com histeria que Margaret denuncia o machismo que Grace e mulheres do mundo todo sofrem.

Em entrevista à The New Yorker, a canadense falou uma vez que não cria novos mundos, só ressalta o já existente. Dos EUA do final do século 20 ao Canadá de 1859, as histórias e personagens de Margaret Atwood, são também as do Brasil, da China e da Síria de 2017.

Leia um trecho do livro:

“- Então, você perdeu a esperança?
– Esperança de quê, senhor? – ela perguntou suavemente. Simon sentiu-se embaraçado, como se tivesse cometido uma gafe.
– Bem…esperança de ser libertada.
– Por que haveriam de querer fazer isso, senhor? – ela disse. – Uma assassina não é uma pessoa comum. Quanto às minhas esperanças, eu as reservo para as pequenas coisas. Vivo na esperança de ter amanhã um desjejum melhor do que tive hoje. – Esboçou um sorriso. – Disseram na época que estavam fazendo de mum um exemplo. (..) Mas o que um exemplo faz, depois?, Simon pensou. A história dela já terminou. isto é, a história principal, aquilo que a definiu. Como ela deverá preencher o restante do tempo?”

8 trechos de livros que mudaram a vida de nossos leitores

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(Foto: Paul Bence/flickr/creative commons)

(Foto: Paul Bence/flickr/creative commons)

André Jorge de Oliveira, na Galileu

Que trecho de livro mudou a sua vida? Com essa pergunta, estimulamos nossos leitores a compartilharem indicações através do Facebook e, abaixo, reunimos algumas das melhores. Confira:

Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Johann Wolfgang von Goethe

É uma coisa bastante uniforme a espécie humana. Boa parte dela passa seus dias trabalhando para viver, e o poucochinho de tempo livre que lhe resta pesa-lhe tanto que busca todos os meios possíveis para livrar-se dele. Oh, destino dos homens! – Por Layla Malvares

A Revolução dos Bichos, de George Orwell

Doze vozes gritavam, cheias de ódio, e eram todos iguais. Não havia dúvida, agora, quanto ao que sucedera à fisionomia dos porcos. As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já se tornara impossível distinguir, quem era homem, quem era porco – por Angélica Stefanelo

A Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente

Mais vale um asno que me carregue do que um cavalo que me derrube – por Samanta Lemos Öz

Ferreira Gullar

Como dois e dois são quatro, sei que a vida vale a pena, embora o pão seja caro e a liberdade pequena – por Jailma Araujo

Primo Basílio, de Eça de Queiroz

Tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo condizia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações! – por Mari Cardoso

Sherlock Holmes, de Sir Arthur Conan Doyle

Eu sou um cérebro, Watson. O resto é mero apêndice – por Enthony Stevie

Memórias de Minhas Putas Tristes, de Gabriel Garcia Marquéz

Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do zodíaco – por Cecys Cecys

Versos Íntimos, de Augusto Dos Anjos

Toma um fósforo acende teu cigarro, o beijo amigo é a véspera do escarro. A mão vil que te afaga é a mesma que apedreja, se alguém causa ainda pena à tua chaga, apedreja essa mão vil que te afaga, escarra nessa boca que te beija – por Josemar Peterle

Veja como escrever um bom trabalho acadêmico

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Quer garantir que o seu trabalho da faculdade será adequado aos padrões universitários? Veja como escrever um bom trabalho acadêmico

Publicado no Universia Brasil

 

Fonte: Shutterstock     Também é importante citar todas as fontes que você utilizou para escrever o seu trabalho e tomar muito cuidado com o número de citações

Fonte: Shutterstock
Também é importante citar todas as fontes que você utilizou para escrever o seu trabalho e tomar muito cuidado com o número de citações

Os seus professores da faculdade esperam que você seja capaz de realizar uma pesquisa acadêmica que demonstre todo o seu potencial como universitário. Para que isso seja possível, é preciso prestar atenção ao formato do trabalho, a metodologia que você vai utilizar e principalmente a linguagem escrita. A boa notícia é que isso não é tão difícil como parece.

Entender a proposta do trabalho é o primeiro passo para conduzir a sua pesquisa. O seu professor espera que você disserte sobre um assunto, analise um determinado tema desenvolva soluções para um problema? Defina o que deve ser feito para, então, começar o trabalho.

Após isso, comece a pesquisar e atente-se ao objetivo. A escrita deve estar de acordo com a audiência que o trabalho visa atingir, sem nunca se esquecer que um trabalho acadêmico exige uma linguagem formal. Pense no seu trabalho como um relatório profissional e escreva de formas diferentes caso você queira explicar o seu ponto ou convencer o público alvo, por exemplo.

Também é importante citar todas as fontes que você utilizou para escrever o seu trabalho e tomar muito cuidado com o número de citações. Se você utilizar muitos trechos de livros, por exemplo, o seu trabalho vai parecer um retalho de informações. Apenas use citações que sejam muito importantes para o seu desenvolvimento.

Por último, nunca entregue um trabalho sem revisá-lo. Ler o texto mais de uma vez vai garantir que você não deixou nenhum erro ortográfico passar, passando uma imagem de organização, disciplina e até mesmo profissionalismo. Pedir para outras pessoas lerem o trabalho também é uma ótima dica.

Literatura na pele

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Um tumblr bem bacana para quem é fã de literatura e tatuagens é o The Word Made Flesh (em tradução livre, “Carne feita de palavras”). Ele traz uma coleção de tattoos com temáticas literárias, como trechos de livros e referências a autores.

 

Esta é de As aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain. Ela diz:

NOTICE: Persons attempting to find a motive in this narrative will be prosecuted; persons attempting to find a moral in it will be banished; persons attempting to find a plot in will be shot.

By Order of the Author, per G.G., Chief of Ordnance

 

Já esta é de On the road, de Jack Kerouac. Ela diz:

the was nowhere to go
but everywhere

"I hope you care to be recalled to life?"
And the old answer:
"I can't say."
A Tale of Two Cities by Charles Dickens
Done by Steve at Providence Tattoo, Providence, RI
"I hope you care to be recalled to life?" 
And the old answer: 
"I can't say."
A Tale of Two Cities by Charles Dickens
“It was a bright cold day in April, and the clocks were striking thirteen.” -George Orwell (1984)This book changed my view of the world. 

“It was a bright cold day in April, and the clocks were striking thirteen.” -George Orwell (1984)

This book changed my view of the world.

Confira mais tattoos no tumblr tattoolit.com.

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