USP, Unesp e UFSCar mantêm canais para que alunos relatem abusos.
Constrangimento e agressões não são permitidos, afirmam instituições.

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Publicado no G1

Apesar de proibidos, os trotes violentos ainda são uma realidade e, para coibir esse tipo de prática, algumas universidades têm investido nos canais de denúncia. Na região, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) mantêm ouvidorias e a Universidade de São Paulo (USP) chegou a criar um chat voltado aos novos alunos. Veja abaixo mais detalhes sobre essas formas de denúncia e a posição de cada instituição quanto às atividades de recepção.

UFSCar
A instituição afirma que as atividades de integração buscam promover o acolhimento, o compartilhamento de informações sobre a universidade, os cursos e as cidades, a prática de ações solidárias e a integração entre os estudantes, e que não tolera atos que ocasionem constrangimento e humilhação ou configurem qualquer tipo de violência.

Informou ainda que abusos durante a Calourada ou em qualquer outro momento da vida universitária devem ser comunicados à ouvidoria pelo formulário disponível na internet, pelo telefone (16) 3306-6571 ou pessoalmente. As denúncias podem ser feitas de forma anônima.

A ouvidoria apura os casos e os alunos envolvidos ficam sujeitos, pelo Regimento Geral da UFSCar, a penalidades que variam de advertência oral ou escrita – em casos de desrespeito e ofensa, por exemplo – à suspensão de sete a 30 dias por injúria ou agressão física. Em casos mais graves, os estudantes podem ser desligados.

Segundo a universidade, não houve nenhuma denúncia de constrangimento em 2015. Em 2014, foram registrados dois casos e foram criadas comissões para investigar os episódios, mas os dois processos foram encerrados sem a constatação da coação.

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USP
No dia da matrícula, a universidade distribuiu para os alunos um material especial que destaca o Código de Ética e reforça a ideia de que a USP não tolera nenhum tipo de violação aos direitos humanos.

Também desenvolveu um “Manual do Calouro” online, que explica o funcionamento do Disque Trote e oferece um chat para a realização de denúncias. O Disque Trote atende pelo número 0800-012-1090 e ficará ativo até o dia 25 de março, de segunda a sexta-feira, das 9h às 21h. Além desses canais, os alunos que se sentirem constrangidos ou forem vítimas de agressões físicas e morais também podem utilizar o e-mail [email protected]

De acordo com a universidade, as atividades de integração previstas para a 17ª Semana de Recepção aos Calouros, de 23 a 27 de fevereiro, incluem palestras, oficinas, campanhas educativas e ações sociais.

No campus de São Carlos, por exemplo, será realizada a Calourada Solidária, com arrecadação de alimentos, prestação de serviços, doação de cabelo e de sangue. Já em Pirassununga, serão montados quatro estandes para a recepção dos alunos, um para cada curso da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA). Também serão realizadas apresentações culturais.

Unesp
A universidade entende que qualquer forma de constrangimento, agressão física ou moral caracteriza trote, algo que é proibido na instituição e pode levar a punições como a expulsão – em outubro do ano passado, por exemplo, um aluno teve de deixar o curso de Medicina.

As denúncias podem ser realizadas junto à vice-direção das unidades, às ouvidorias locais ou à ouvidoria central ([email protected]). No campus de São João da Boa Vista, os contatos são: [email protected] ou (19) 3638-2420. Em Araraquara, os estudantes podem fazer as denuncias pelo telefone (16) 3334-6370 (FCLAR) ou pelos e-mails [email protected] (Faculdade de Odontologia), [email protected] (Instituto de Química).