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Posts tagged Trote

Alunos de Medicina da Unesp fazem trote com roupas do Ku Klux Klan

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(Foto de capa: Reprodução/Facebook)

(Foto de capa: Reprodução/Facebook)

Páginas no Facebook denunciaram o episódio: “O racismo não é brincadeira. Se você acha isso engraçado, se você não vê problema nisso, você precisa seriamente rever sua inteligência”, diz uma das postagens

Publicado na Revista Forum

Em festa realizada no último dia 5, calouros do curso de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (SP), foram recebidos por veteranos fantasiados com trajes semelhantes aos do grupo norte-americano Ku Klux Klan (KKK), que defendia a supremacia da raça branca e perseguia negros.

O “Batizado de Medicina” – nome dado ao evento –, organizado por alunos do sexto ano, foi denunciado pelo grupo “Opressão da Medicina”, do Facebook. “Com a morte de centenas de milhares de pessoas não se brinca. O racismo não é brincadeira. Se você acha isso engraçado, se você não vê problema nisso, você precisa seriamente rever sua inteligência”, diz a postagem da página.

Outra fanpage que condenou o episódio foi a “Rede de proteção às vítimas de violência na universidade”. “Não é possível tolerar ‘brincadeiras’ como a de vestir-se à la Ku Klux Klan, acender tochas e colocar calouros ajoelhados para serem batizados, conforme está na foto anexa. A KKK é exemplo de ódio, de eugenia, intolerância e morte. O que pensar de médicos que se predispõem a emular coisas que existiram de pior na história da humanidade?”, contesta.

Em nota, a turma do sexto ano de Medicina da Unesp afirmou que as fantasias foram escolhidas no intuito de representar “carrascos”. “Em nenhum momento houve qualquer prática preconceituosa, que estimulasse o racismo, homofobia, preconceito religioso ou corroborasse ideias de qualquer seita de caráter opressor. A conclusão de que estávamos fantasiados de ‘Ku Klux Klan’ foi inferida pela forma como foram divulgada as imagens, descontextualizando totalmente a fantasia e inserindo imagens que fizessem com que os leitores chegassem a essa conclusão.”

Por meio do comunicado, os alunos ainda se desculparam pelo fato. “Abominamos qualquer prática de preconceito, seja ele devido a etnia, credo ou opção sexual e estamos dispostos a dar mais informações quando tivermos todas as condutas acertadas”, diz o informe.

Com a repercussão do caso, os estudantes prometeram se reunir com a diretoria da unidade nesta segunda-feira (30) para relatarem sua versão do episódio.

Alunos da Esalq vendem manual com ofensas a calouros

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Material também faz apologia ao consumo de álcool. Nesta terça-feira, CPI que investiga violação dos direitos humanos nas universidades apresenta relatório final

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Publicado em Veja

Alunos da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo, em Piracicaba, venderam um “manual de calouros” com mensagens ofensivas e de apologia ao consumo de álcool no início do ano letivo na instituição. O material integra o “kit bixo”, que também inclui um ingresso para a festa dos calouros da Esalq e traz hinos como: “É pinga, cerveja e chope no barril / As nossas buc… são as melhores do Brasil”.

O professor do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Esalq Antonio Almeida, que estuda o trote nas universidades há 14 anos, foi quem relatou a prática. Ele deve fazer denúncia formal à unidade ainda nesta terça-feira. A Esalq afirma que tem conhecimento do manual e abrirá sindicância para apurar quem são os autores. A escola ressalta, no entanto, que não patrocinou o material nem esteve envolvida com sua produção editorial e gráfica.

O manual faz apologia ao uso de álcool e convida os novos alunos para uma “maratona”, competição de ingestão de bebidas alcoólicas semelhante àquela em que morreu Humberto Moura Fonseca, de 23 anos, estudante da Unesp, em Bauru.

O manual é assinado pelo Centro Acadêmico Luiz de Queiroz (Calq) e pela Comissão de Integração – grupo de alunos responsável pelos eventos para os calouros.

CPI das universidades – A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) organizada pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) que investigou violações de direitos humanos nas universidades paulistas chegou ao fim. A CPI irá apresentar o relatório final na tarde desta terça-feira. Desde de dezembro de 2014, a CPI ouviu alunos, professores e reitores de sete universidades.

No dia 26 de fevereiro, a Comissão divulgou o relatório preliminar de medidas com sugestões para as instituições de ensino. O documento, assinado pelo presidente da CPI, deputado Adriano Diogo (PT), pedia a responsabilização civil, criminal e administrativa de membros dos centros acadêmicos envolvidos em denúncias de violação dos diretos humanos e das pessoas jurídicas responsáveis por eventos como a festa Show da Medicina e os encontros de estudantes Intermed e Calomed.

Pasquale Cipro Neto: O trote e o nosso incurável atraso

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Pasquale Cipro Neto, na Folha de S.Paulo

Dona Antônia certamente vai escrever para mim. Dona Antônia fica muito triste quando digo algo que desabone “o nosso maravilhoso Brasil, um país lindo, tropical, onde não há vulcões, tornados, tsunamis etc.”. Dona Antônia mora num condomínio duma cidade paulista, famosa justamente por seus condomínios (fechadíssimos). A existência de um sem-número desses condomínios país afora prova que “o nosso Brasil” é mesmo “maravilhoso”.

Sinto muito, Dona Antônia, mas a senhora vai ficar triste novamente. Re/começaram as aulas nas nossas universidades, e com elas veio outra prova inconteste do nosso secular e incurável atraso.

Repito Paulo Freire: “A leitura do mundo precede a leitura da palavra”. A barbárie que se vê todos os anos na boçal prática do trote nas nossas “universidades” comprova o que Joaquim Nabuco escreveu há mais de cem anos: “A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil”.

O que é essa estupidez sem fim senão a perpetuação de uma prática que tem por trás a ideia de que calouros são escravos de veteranos, que, por sua vez, quando calouros, foram escravos de veteranos, que, por sua vez, quando calouros, foram escravos de veteranos, que…

Há algum tempo, participei de um programa de TV no qual se discutiu o trote. Eu disse o que penso de QUALQUER trote (o assassino, o “solidário”, o “cidadão” etc.): é pura ditadura, já que não se concede à vítima a hipótese do não. É proibido recusar. Eu era um estranho no ninho… Fui até motivo de troça.

Acabara de ocorrer um caso medonho numa faculdade de medicina, em que um calouro foi queimado. Eu disse que é inconcebível que numa escola de medicina se pratique tamanha barbárie. Recebi mensagens de médicos e futuros médicos que me perguntavam o que eu tinha contra eles… Talvez tivesse sido melhor não responder, mas eu disse que, a priori, contra médicos e futuros médicos não tenho nada, mas contra monstros burros tenho tudo.

Foi preciso que corajosas alunas da medicina da USP resolvessem denunciar o nojo que se dá nas “festinhas” para que a faculdade descobrisse a pólvora: nada de orgias, digo, nada de festas na faculdade (e nada de barbárie, também). A tragédia com o estudante chinês não bastara para pôr fim ao ritual macabro.

Quando olho para um médico, fico com vontade de perguntar-lhe se ele participou dessa estupidez quando aluno. Quando entrevistei o grande e querido escritor e médico Moacyr Scliar, meu companheiro de feiras do livro Brasil afora, disse-lhe que não confio em médicos que não leram Fernando Pessoa, Machado de Assis etc. Ele sorriu, como que concordando com o pensamento.

O que se faz numa conceituada escola paulista de agronomia é o atraso do atraso do atraso. Calouros são levados de madrugada a um canavial, onde são abandonados. Detalhe: a única coisa que se lhes deixa é cachaça. Sem comentários.

É dessa alta nobreza que sai a “elite” do Brasil. Gente insensível, bruta, burra e besta, com muitas e gloriosas exceções, é claro.

Dilma Rousseff, que foi torturada, não entende ou finge que não entende que trote é tortura. Nem ela nem todos os presidentes anteriores a ela. Nem eles nem todos os ministros da Justiça da história deste infame país, Dona Antônia. A leitura da realidade precede a leitura da palavra, caro leitor. É isso.

Trote com ferro de passar em escola de elite abre debate na Suécia

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Um violento trote aplicado contra calouros de um prestigiado internato sueco, em que um aluno de 14 anos sofreu queimaduras de segundo grau causadas com um ferro de passar, foi parar na Justiça e iniciou um amplo debate na Suécia contra os rituais de recepção a novos estudantes nas escolas.

Filho do rei da Suécia está entre os ex-alunos da escola de Lundsberg

Filho do rei da Suécia está entre os ex-alunos da escola de Lundsberg

Claudia Varejão Wallin, na BBC

A Justiça sueca indiciou nove alunos e um funcionário pelo incidente, que levou ao fechamento temporário da escola e à demissão do reitor e de toda a direção do internato de Lundsberg – um dos mais tradicionais do país.

A nova direção do internato proibiu a prática de trotes na escola, que chegou a ser comparada por alguns especialistas suecos a técnicas de tortura.

O ministro da Educação, Jan Björklund, disse em entrevista à TV pública sueca SVT que há uma “ameaça real” de que a escola possa ser obrigada a fechar suas portas.

‘Tortura’

Fundado em 1896, Lundsberg é um dos três internatos de elite da Suécia, inspirados no modelo britânico das “boarding schools”. Entre os ex-alunos do colégio está o príncipe Carl Philip, filho do rei Carl Gustaf 16 da Suécia. A escola está situada na região de Värmland, a cerca de 400 quilômetros da capital sueca, e tem aproximadamente 200 alunos e alunas com idades entre 13 e 18 anos. As mensalidades são parcialmente subsidiadas pelo governo.

O trote que incendiou o debate sobre os rituais contra calouros na Suécia ocorreu em uma noite de sábado, no dia 24 de agosto passado. Nove estudantes veteranos, atualmente com 18 anos de idade, entraram subitamente no dormitório onde viviam quatro alunos recém-chegados à escola. Segundo relatos publicados na imprensa sueca, os estudantes apagaram as luzes, mandaram os calouros deitar no chão e vendaram seus olhos, após mostrarem a eles um ferro de passar roupa sendo ligado na tomada e ameaçar queimá-los.

“Vocês estão surdos? Deitem no chão”, teriam dito os estudantes aos calouros. Momentos depois, segundo o calouro ferido, os estudantes jogaram água nele e em seguida colocaram o ferro em suas costas.
“Eu gritei, porque doeu. Senti bastante medo”, disse o aluno no tribunal, segundo a SVT.

Os estudantes responsáveis pelo trote afirmam que não tiveram a intenção de ferir os calouros. Eles alegam ter esquecido de verificar se o ferro ainda estava quente, após ter retirado a tomada do aparelho do interruptor. Os alunos também teriam pedido desculpas ao calouro ferido, que foi levado ao hospital com queimaduras graves.

Poucos dias após a denúncia do trote, a agência sueca de Supervisão Escolar determinou o fechamento imediato do internato. Mas a escola conseguiu reabrir as portas em setembro após uma limiar obtida na Justiça, sob o argumento de que o trote foi praticado em um dos dormitórios e fora do horário escolar. O caso será agora decidido por um tribunal superior.

“É razoável supor que o colégio deve ter responsabilidade sobre o que ocorre com os alunos também nas dependências dos dormitórios”, disse o ministro da Educação sueco em declarações à agência de notícias sueca TT.

Os nove estudantes foram formalmente acusados pela prática de ameaças ilegais. Dois deles foram também acusados por crime de lesão corporal. O supervisor do dormitório escolar, de 47 anos de idade, foi acusado de cumplicidade no caso, uma vez que tinha conhecimento do plano dos estudantes e teria supostamente permitido o trote.

Não foi a primeira vez que os rituais estudantis de Lundsberg alcançaram as manchetes dos jornais. Em maio de 2012, alunos da escola denunciaram terem sido forçados à prática de sexo oral. Em outro tipo de trote, chamado de “submarino”, os calouros eram obrigados a deitar de costas com um tubo na boca, através do qual os estudantes veteranos bombeavam água.

Na imprensa sueca, especialistas chegam a alertar que a prática de trotes em Lundsberg pode ser considerada uma violação das leis internacionais contra tortura. Em artigo reproduzido pelo site da TV STV, o ex-aluno de um outro internato sueco destaca que os trotes estudantis representam um crime contra a Convenção da ONU sobre os Direitos das Crianças.

“Jogavam água e neve na minha cama, já fui amarrado e chutado”, contou em seu blog o escritor Jakob Lindén, ex-aluno do internato sueco de Grennaskolans.

“Se a escola não é capaz de garantir a segurança dos alunos, é hora de o governo fechar as portas de Lundsberg. A sociedade não pode permitir o sadismo nas escolas”, destacou o ex-aluno.

Aluno envolvido no “rodeio das gordas” é condenado a pagar R$ 20 mil

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Publicado por UOL

O MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo) informou que um estudante envolvido na divulgação do “Rodeio das Gordas”, no campus de Araraquara da Unesp (Universidade Estadual Paulista), em 2010, foi condenado a pagar trinta salários mínimos, cerca de R$ 20 mil, por danos morais.

O dinheiro será destinado para o Fundo Estadual de Reparação dos Interesses Difusos Lesados. Segundo o MP, a ação civil pública tramitou na 2ª Vara Cível de Araraquara.

Em 2011, outros dois alunos que participaram do evento assinaram um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o Ministério Público para pagarem vinte salários mínimos a três instituições filantrópicas. Na época, o estudante condenado agora não aceitou assinar o TAC.

O caso
Os três alunos condenados por danos morais foram responsáveis pela criação da página do “Rodeio das Gordas” no Orkut, de acordo com o MP.

O “Rodeio das Gordas” foi criado durante o Interunesp (evento que reúne universitários da Unesp), realizado em Araraquara, em outubro de 2010.

O objetivo do evento era agarrar colegas, obesas, na tentativa de simular um rodeio. A competição era para ver quem ficava mais tempo em cima das garotas.

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