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Posts tagged Trotes

Universidade gaúcha substitui trotes por doação de livros

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Foto: Desirê Allram / Divulgação/Unisc

Foto: Desirê Allram / Divulgação/Unisc

Instituição de Santa Cruz do Sul vai doar obras para cooperativa de catadores, que deve construir uma biblioteca pública

Publicado no Zero Hora

Doação de livros ao invés de trotes. Essa é a proposta da ação solidária e de integração lançada pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), no Vale do Rio Pardo, nesta quinta-feira.

Os livros arrecadados serão repassados à Cooperativa de Catadores e Recicladores do município, a Coomcat, para auxiliá-la na criação de uma biblioteca pública.

Considerada uma iniciativa inédita no Estado, o “trote” foi organizado a partir da união de representantes dos cursos, tanto novos estudantes quanto veteranos. As equipes terão até o dia 23 de março para recolher as obras. Cada grupo vencedor, tanto por quantidade absoluta quanto por média de doações, receberá de premiação dois tablets para serem sorteados entre os estudantes, bixos ou não.

— Todas as formas de agressão nos incomodavam, assim como incomodam qualquer pessoa que vê cenas inaceitáveis para um momento tão bonito na vida dos jovens que ingressam na Universidade — opinou o pró-reitor de Graduação da Unisc, Elenor Schneider.

A avaliação da ação solidária será realizada no dia 24 de março, por uma comissão da universidade, e a divulgação dos resultados com a respectiva premiação está prevista para o dia 25.

Pasquale Cipro Neto: O trote e o nosso incurável atraso

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Pasquale Cipro Neto, na Folha de S.Paulo

Dona Antônia certamente vai escrever para mim. Dona Antônia fica muito triste quando digo algo que desabone “o nosso maravilhoso Brasil, um país lindo, tropical, onde não há vulcões, tornados, tsunamis etc.”. Dona Antônia mora num condomínio duma cidade paulista, famosa justamente por seus condomínios (fechadíssimos). A existência de um sem-número desses condomínios país afora prova que “o nosso Brasil” é mesmo “maravilhoso”.

Sinto muito, Dona Antônia, mas a senhora vai ficar triste novamente. Re/começaram as aulas nas nossas universidades, e com elas veio outra prova inconteste do nosso secular e incurável atraso.

Repito Paulo Freire: “A leitura do mundo precede a leitura da palavra”. A barbárie que se vê todos os anos na boçal prática do trote nas nossas “universidades” comprova o que Joaquim Nabuco escreveu há mais de cem anos: “A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil”.

O que é essa estupidez sem fim senão a perpetuação de uma prática que tem por trás a ideia de que calouros são escravos de veteranos, que, por sua vez, quando calouros, foram escravos de veteranos, que, por sua vez, quando calouros, foram escravos de veteranos, que…

Há algum tempo, participei de um programa de TV no qual se discutiu o trote. Eu disse o que penso de QUALQUER trote (o assassino, o “solidário”, o “cidadão” etc.): é pura ditadura, já que não se concede à vítima a hipótese do não. É proibido recusar. Eu era um estranho no ninho… Fui até motivo de troça.

Acabara de ocorrer um caso medonho numa faculdade de medicina, em que um calouro foi queimado. Eu disse que é inconcebível que numa escola de medicina se pratique tamanha barbárie. Recebi mensagens de médicos e futuros médicos que me perguntavam o que eu tinha contra eles… Talvez tivesse sido melhor não responder, mas eu disse que, a priori, contra médicos e futuros médicos não tenho nada, mas contra monstros burros tenho tudo.

Foi preciso que corajosas alunas da medicina da USP resolvessem denunciar o nojo que se dá nas “festinhas” para que a faculdade descobrisse a pólvora: nada de orgias, digo, nada de festas na faculdade (e nada de barbárie, também). A tragédia com o estudante chinês não bastara para pôr fim ao ritual macabro.

Quando olho para um médico, fico com vontade de perguntar-lhe se ele participou dessa estupidez quando aluno. Quando entrevistei o grande e querido escritor e médico Moacyr Scliar, meu companheiro de feiras do livro Brasil afora, disse-lhe que não confio em médicos que não leram Fernando Pessoa, Machado de Assis etc. Ele sorriu, como que concordando com o pensamento.

O que se faz numa conceituada escola paulista de agronomia é o atraso do atraso do atraso. Calouros são levados de madrugada a um canavial, onde são abandonados. Detalhe: a única coisa que se lhes deixa é cachaça. Sem comentários.

É dessa alta nobreza que sai a “elite” do Brasil. Gente insensível, bruta, burra e besta, com muitas e gloriosas exceções, é claro.

Dilma Rousseff, que foi torturada, não entende ou finge que não entende que trote é tortura. Nem ela nem todos os presidentes anteriores a ela. Nem eles nem todos os ministros da Justiça da história deste infame país, Dona Antônia. A leitura da realidade precede a leitura da palavra, caro leitor. É isso.

Universidades incentivam denúncias de trotes violentos e criam até chat

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USP, Unesp e UFSCar mantêm canais para que alunos relatem abusos.
Constrangimento e agressões não são permitidos, afirmam instituições.

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Publicado no G1

Apesar de proibidos, os trotes violentos ainda são uma realidade e, para coibir esse tipo de prática, algumas universidades têm investido nos canais de denúncia. Na região, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) mantêm ouvidorias e a Universidade de São Paulo (USP) chegou a criar um chat voltado aos novos alunos. Veja abaixo mais detalhes sobre essas formas de denúncia e a posição de cada instituição quanto às atividades de recepção.

UFSCar
A instituição afirma que as atividades de integração buscam promover o acolhimento, o compartilhamento de informações sobre a universidade, os cursos e as cidades, a prática de ações solidárias e a integração entre os estudantes, e que não tolera atos que ocasionem constrangimento e humilhação ou configurem qualquer tipo de violência.

Informou ainda que abusos durante a Calourada ou em qualquer outro momento da vida universitária devem ser comunicados à ouvidoria pelo formulário disponível na internet, pelo telefone (16) 3306-6571 ou pessoalmente. As denúncias podem ser feitas de forma anônima.

A ouvidoria apura os casos e os alunos envolvidos ficam sujeitos, pelo Regimento Geral da UFSCar, a penalidades que variam de advertência oral ou escrita – em casos de desrespeito e ofensa, por exemplo – à suspensão de sete a 30 dias por injúria ou agressão física. Em casos mais graves, os estudantes podem ser desligados.

Segundo a universidade, não houve nenhuma denúncia de constrangimento em 2015. Em 2014, foram registrados dois casos e foram criadas comissões para investigar os episódios, mas os dois processos foram encerrados sem a constatação da coação.

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USP
No dia da matrícula, a universidade distribuiu para os alunos um material especial que destaca o Código de Ética e reforça a ideia de que a USP não tolera nenhum tipo de violação aos direitos humanos.

Também desenvolveu um “Manual do Calouro” online, que explica o funcionamento do Disque Trote e oferece um chat para a realização de denúncias. O Disque Trote atende pelo número 0800-012-1090 e ficará ativo até o dia 25 de março, de segunda a sexta-feira, das 9h às 21h. Além desses canais, os alunos que se sentirem constrangidos ou forem vítimas de agressões físicas e morais também podem utilizar o e-mail [email protected]

De acordo com a universidade, as atividades de integração previstas para a 17ª Semana de Recepção aos Calouros, de 23 a 27 de fevereiro, incluem palestras, oficinas, campanhas educativas e ações sociais.

No campus de São Carlos, por exemplo, será realizada a Calourada Solidária, com arrecadação de alimentos, prestação de serviços, doação de cabelo e de sangue. Já em Pirassununga, serão montados quatro estandes para a recepção dos alunos, um para cada curso da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA). Também serão realizadas apresentações culturais.

Unesp
A universidade entende que qualquer forma de constrangimento, agressão física ou moral caracteriza trote, algo que é proibido na instituição e pode levar a punições como a expulsão – em outubro do ano passado, por exemplo, um aluno teve de deixar o curso de Medicina.

As denúncias podem ser realizadas junto à vice-direção das unidades, às ouvidorias locais ou à ouvidoria central ([email protected]). No campus de São João da Boa Vista, os contatos são: [email protected] ou (19) 3638-2420. Em Araraquara, os estudantes podem fazer as denuncias pelo telefone (16) 3334-6370 (FCLAR) ou pelos e-mails [email protected] (Faculdade de Odontologia), [email protected] (Instituto de Química).

Estupros na USP expõem omissão de universidades

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As denúncias recentes de casos de estupro ocorridos em uma das faculdades mais tradicionais do país expuseram um problema recorrente em várias universidades brasileiras: a omissão das instituições para coibir os abusos em trotes e festas universitárias, especialmente com os chamados “calouros”, que recém-ingressaram na universidade.

Alunas da FMUSP relatam abuso sexual em festas da faculdade em audiência pública

Alunas da FMUSP relatam abuso sexual em festas da faculdade em audiência pública

Renata Mendonça, na BBC Brasil

As alunas da Faculdade de Medicina da USP em São Paulo (FMUSP), vítimas de abusos sexuais em duas festas realizadas dentro do campus, chegaram a denunciar seus agressores, mas se disseram “silenciadas” pela universidade.

“O que essas meninas que sofreram violências mais relatam pra gente de resposta institucional é o silêncio”, conta Ana Luiza Cunha, aluna do 3º ano de medicina e uma das fundadoras do Coletivo Geni, um grupo criado para dar voz às vítimas de violência dentro da FMUSP.

“Essas violências são conhecidas por quem está lá dentro há muito tempo, mas a diretoria se omite, fala que não sabia.”

A FMUSP, porém disse que “se coloca de maneira antagônica a qualquer forma de violência e tem se empenhado em aprimorar seus mecanismos de prevenção destes tipos de casos, apuração de denúncias e acolhimento das vítimas.”

Os casos recentes reacenderam o debate sobre a responsabilidade das universidades diante do que acontece em trotes e festas vinculadas a ela.

Coletivo feminista Geni vestiu camisa contra o machismo em festa no início do ano e sofreu hostilizações

Coletivo feminista Geni vestiu camisa contra o machismo em festa no início do ano e sofreu hostilizações

Legislação

Não há lei federal que discorra sobre o trote universitário por enquanto – há um projeto de lei que ainda tramita no Congresso. No entanto, no caso de São Paulo, já há uma legislação específica que proíbe o trote violento atribuindo às instituições a responsabilidade por adotar medidas preventivas e impedir a prática dele.

Segundo essa lei (nº 10.454) – que entrou em vigor em 1999, após um calouro de medicina ter morrido afogado em um trote da USP -, a universidade pode ser responsabilizada por um aluno agredido ainda que o trote tenha acontecido fora das dependências dela, “porque a relação entre os alunos está ligada à entidade.”

Para a promotora do Ministério Público do Estado de São Paulo, Paula Figueiredo, que instaurou um inquérito para apurar os casos de violações aos direitos humanos na USP, a universidade tem o dever de investigar esse tipo de violência. “As coações aos novatos ocorreram lá dentro, há, sim, um dever da faculdade de apurar o que aconteceu e dar uma resposta”, disse à BBC Brasil.

A promotora explica que, mesmo em casos de festas organizadas por Atléticas – como é o caso da Carecas no Bosque, onde ocorreu um dos abusos -, “a diretoria da universidade tem responsabilidade por tudo o que acontece dentro do campus.”

O inquérito foi instaurado e agora Paula Figueiredo segue ouvindo depoimentos dos envolvidos. Segundo ela, se for comprovado que “a conduta da instituição gerou danos a uma pessoa, ela pode ter que fazer medidas compensatórias concretas, como uma manifestação expressa de retratação ou até promover políticas de inclusão.” Há ainda a possibilidade de ela ter que pagar uma indenização para o fundo de direitos coletivos que financia ações sociais.

Relatos

Relatos de abusos – sexuais ou físicos – em trotes ou festas universitárias não são uma exclusividade da FMUSP e costumam ser recorrentes nas universidades brasileiras em geral.

“Tem muito disso. Mulheres que têm que simular sexo oral na banana, tenho um amigo que teve um cigarro apagado na mão por um veterano”, conta uma estudante da Unesp Botucatu (SP) que não quis ser identificada.

Na UFMG, uma caloura foi pintada com tinta marrom, enrolada em uma corrente e chamada “Chica da Silva” em 2013. Na UFPR, em 2012, os veteranos do curso de Direito distribuíram um manual de sobrevivência dos calouros ensinando “como se dar bem na vida amorosa utilizando a legislação brasileira.”

Manual de conduta entregue aos bixos de Direito da UFPR em 2012

Manual de conduta entregue aos bixos de Direito da UFPR em 2012

A Unesp de Bauru tem o tradicional “leilão de RP (Relações Públicas)”, em que calouras desfilam para veteranos do curso de Engenharia e são leiloadas em lotes – eles pagam uma quantia (que pode ser de R$ 50, R$ 100) e levam as calouras para as repúblicas. Até 2007, o evento acontecia em uma sala de aula, mas foi proibido pela faculdade e atualmente ocorre em repúblicas.

Segundo a coordenadora do programa USP Diversidade (vinculado à pró-reitoria), Heloisa Buarque, “esse escândalo da USP acontece não por causa dos rituais, mas pelo estupro, porque isso ninguém pode aceitar”. “A imagem da FMUSP é importante, mas é o momento de ela mostrar que ela não vai aceitar mais isso. Há tradições que não têm que ser mantidas.”

Muitas vezes, por serem considerados uma “tradição” dos cursos, os rituais impostos por veteranos nos trotes acabam sendo encarados como algo “normal” para os alunos novos.

“Isso é meio perverso porque realmente ninguém está lá contra a vontade, mas normaliza-se a violência a um ponto de as pessoas pensarem ‘eu tenho que aturar essa violência pra fazer parte disso'”, disse Ana Luiza. Ela conta que o próprio Coletivo Geni sofre hostilizações na USP de pessoas que não concordam com as “violências” que elas estão denunciando.

“Muitos falam que é culpa da vítima, que não é abuso porque a menina estava bêbada e permitiu. Outros vieram nos criticar quando usamos uma camiseta contra o machismo no trote dizendo que ‘não tem machismo na faculdade'”.

Combate

Algumas faculdades promovem atividades culturais ou o chamado “trote solidário” para substituir os tradicionais rituais de tinta e brincadeiras praticados pelos veteranos. Além disso, algumas criaram ouvidorias ou “disque-trote” para os alunos fazerem denúncias.

No IME, calouros simulam sexo com mulher desenhada no chão

No IME, calouros simulam sexo com mulher desenhada no chão

A Unesp Botucatu chegou a abrir uma Comissão Central de Sindicância esse ano para apurar abusos em trotes – no mês passado, essa comissão anunciou a expulsão de Luís Yori Almeida Galvão, aluno da Medicina, acusado de praticar o trote violento. Já a Unicamp coloca comissões de plantão para fiscalizar o trote dos cursos.

Algumas faculdades particulares enfrentam o mesmo problema e também buscaram soluções. No caso da PUC, em Sorocaba, alunos da medicina criaram um Grupo de Apoio ao Primeiranista, que inclui núcleos e apoio psicológico e social para dar suporte a calouros que sofram eventuais violências ou tenham algum tipo de problema na faculdade.

A Faculdade de Medicina do ABC implantou câmeras pelo campus e também criou sindicâncias para investigar abusos. Em uma delas, dois alunos foram expulsos e quatro suspensos por terem levado calouros a um educandário próximo à faculdade e aplicado o trote do “cartão vermelho” (colocaram pimenta no ânus dos alunos).

No entanto, a punição acabou sendo revertida. “Os alunos foram à Justiça Comum e conseguiram reverter. O Ministério Público tem que trabalhar junto com as faculdades pra isso. Tem que mexer na lei”, disse à BBC Marco Akerman, à época vice-diretor da Faculdade de Medicina do ABC e atualmente professor da Faculdade de Saúde Pública da USP.

“Nossa formação é universitária, não é diversitária. Acaba sendo machista porque a maioria dos professores e diretores são homens, e aí vai se formando uma cultura de formação machista, homofóbica e racista”, explicou.

“A Universidade tem que assumir a organização do trote e das atividades de recepção junto com alunos. Tem que tirar isso da penumbra, mostrar pra sociedade o que está acontecendo.”

Proibição

Outra opção muito discutida nas universidades – inclusive na FMUSP – é a proibição de festas com álcool dentro do campus. Essa medida foi adotada pela Faculdade de Medicina do ABC, mas não agradou nem aos alunos, nem aos pais deles.

“Recebemos um abaixo-assinado com 600 assinaturas de alunos e 150 de pais. Eles acham que é mais seguro os filhos irem a festas na faculdade do que fora dela”, disse Akerman.

Concurso de "Miss Bixete" é comum nos trotes de universidades do Estado de São Paulo

Concurso de “Miss Bixete” é comum nos trotes de universidades do Estado de São Paulo

A FMUSP por enquanto apenas suspendeu as festas no campus. Na semana passada, a diretoria anunciou a “criação do Centro de Defesa dos Direitos Humanos, com assistência jurídica, ouvidoria, assistências psicológica e de saúde, para apoio de alunos da instituição que se sentirem vítimas de qualquer tipo de violação”, e disse que vai ampliar o sistema de vigilância, além de estabelecer novas regras para o consumo de álcool na faculdade.

O Coletivo Geni está otimista com as medidas e espera que as ações sejam estendidas a toda USP. “A universidade tem que fazer uma autocrítica, tem que sair do seu isolamento e voltar a se preocupar com o tipo de aluno que ela está formando e se esses profissionais vão trazer uma transformação da sociedade para que ela não seja só uma fábrica de diplomas”, concluiu Ana Luiza.

Aluna pode ter visão comprometida por causa de trote na escola

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Estudante de 14 anos foi atingida por um ovo no olho direito, enquanto deixava o colégio, em Porto Alegre

Estudante precisou assumir uma dura rotina de medicamentos e cuidados Mauro Vieira / Agência RBS

Estudante precisou assumir uma dura rotina de medicamentos e cuidados Mauro Vieira / Agência RBS

Publicado em O Globo

Caso ganhou visibilidade na internet após desabafo da mãe da adolescente no Facebook

RIO – A estudante Isabela Hartmann Rost, de 14 anos, corre o risco de ter a visão comprometida após ter sido atingida por um ovo no olho direito, durante um trote na porta do Colégio Anchieta, escola tradicional de Porto Alegre (RS), onde estuda. Ela se preparava para entrar no carro do pai quando foi alvo da ação de um aluno do terceiro ano do ensino médio da mesma instituição. Atividade mais frequente nas turmas de primeiro período do ensino superior, o “trote” é uma ação comum entre os estudantes da região no início do ano letivo, de acordo com a Anchieta.

O episódio ganhou visibilidade na internet desde que a mãe de Isabela, Claudia Hartmann, passou a publicar desabafos no Facebook. Em um dos textos, ela conta que a garota tem agora uma nova rotina, nada agradável, na qual precisar ir, diariamente, ao banco de olhos da cidade ou ao oftalmologista para medir a pressão ocular. Além disso, a menina apresenta quadros de ansiedade por temer não voltar a enxergar como antes. Tanto que, logo ao acordar, pela manhã, procura logo um espelho para verificar se houve melhora no olho machucado, que permanece com sangue coagulado.

Os posts da mãe são compartilhados por colegas e internautas e já receberam comentários que ironizam ou minimizam a situação. Em resposta, na tarde desta quarta-feira (13), Isabela pediu à mãe para digitar um texto seu, já que ela não pode ficar diante do computador:

“Eu não acho esses trotes uma atitude legal, e sei que por ter essa opinião muitos poderão vir me chamar de chata, careta. Mas é que notei os riscos dessa brincadeira (…). A minha visão piorou, porque estou com o olho bem inflamado. (…) os anti-inflamatórios aumentaram, ainda tem o risco de descolamento de retina tardio”, diz a garota, em um trecho do post.

O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos do Ensino Privado no Estado do Rio Grande do Sul (Sinepe-RS), Osvino Toillier, adiantou que o assunto será debatido com as escolas na próxima segunda-feira, durante uma reunião. Segundo ele, o objetivo será buscar maneiras de evitar episódios semelhantes, por meio de uma atuação compartilhada entre pais, professores e alunos.

— Sabemos que os adolescentes têm, muitas vezes, atitudes inconsequentes. Então, precisamos encontrar maneiras para evitar que cheguem até incidentes como este — disse, pontuando que o episódio é visto como um caso isolado pela entidade.

A direção do Colégio Anchieta ainda não localizou o aluno responsável pelo “trote” e informou, em nota, que ainda avalia as providências que serão tomadas.

Leia a íntegra do comunicado da escola:

“Diante do ocorrido entre um aluno do terceiro ano do ensino médio e uma aluna de série inferior, o Colégio Anchieta está tomando as providências cabíveis preconizadas pelo seu Regimento Interno. O fato, sem dúvida, é profundamente lamentável e inaceitável. As avaliações que estão sendo feitas pela Direção e o Serviços terão como balizamento os princípios e valores da instituição, em geral, e a proposta da Convivência Escolar, em particular, que se pauta por um adequado convívio social. Agredir um colega sempre é um desrespeito aos princípios da convivência humana em qualquer lugar, sendo merecedor dos procedimentos cabíveis que se aplica”.

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