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Programador cria algoritmo que transforma informações em livros

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Filipe Garret no Tech Tudo

Philip M. Parker é um programador que criou o algoritmo que, simplesmente, consegue compilar informações na forma de um livro. A ferramenta se provou tão útil que, atualmente, o acervo digital da Amazon conta com 800 mil publicações compostas de forma digital – sem a necessidade de um batalhão de redatores. Já há empresas que pagam para usar a ferramenta para gerar compêndios de seus relatórios de operações.

Livro aberto (Foto: Reprodução)Livro aberto (Foto: Reprodução)

O interessante do uso do algoritmo é que, hoje, já é possível gerar livros inteiramente de forma digital. Da sua criação à sua distribuição. O processo dispensa custos de impressão, consumo de papel e reduz dramaticamente o elemento humano no desenvolvimento de conteúdos em texto.

Com o uso do recurso é possível, por exemplo, gerar um livro do zero a partir de um tópico de um fórum de Internet qualquer, em questão de minutos. Se você adicionar ao processo noções de venda de conteúdos sob demanda, onde o produto é gerado só a partir da requisição específica de um consumidor, há um modelo de negócios que pode revolucionar a indústria editorial contemporânea.

Embora a tecnologia seja muito inteligente e mesmo fascinante, ela tem suas limitações. Algoritmos são processos matemáticos e lógicos, o que significa que, em geral, resultam em textos não muito inspirados. Mas para manuais e conteúdos de referência, sem dúvida, a técnica desenvolve excelentes resultados.

Livro infantil se inspira em Baudelaire; leia crítica de Luiz Felipe Pondé

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Ilustração de ‘Charles na Escola de Dragões’

Luiz Felipe Pondé, na Folhinha

A literatura infantil sempre trabalhou a figura do patinho feio como o “diferente” que sofre na escola. Apesar de com frequência se falar das crianças como anjos, a verdade não é bem essa: a vida infantil, e a escola como seu palco central, é um drama intenso de insegurança, dor, alegria e medo, que exige da criança muita coragem e a sorte de encontrar amigos.

Charles na Escola de Dragões” não foge à regra de ser um livro sobre um patinho feio obrigado a descobrir “sua diferença” para sobreviver. Mas, ao contrário de um bicho bonitinho, o livro fala de dragões e, com isso, defende a diferença de forma clara: dragões também podem ser fofinhos e sofrer como patinhos.

Charles, o pequeno dragão, tem asas muito grandes e pés enormes e, por isso, quase desiste de ser um dragão “normal”.

Além do mais, é poeta e sofre com isso. O livro é inspirado em “Albatroz”, poema do francês Charles Baudelaire, considerado rebelde por chocar a sociedade do seu tempo (século 19) com textos que traziam sua melancolia e descrença no mundo moderno; vale lembrar que “Albatroz” faz parte da sua obra máxima, “Flores do Mal”… O nome já diz tudo…

Mas, diferentemente da ave de Baudelaire, que acaba por sobre o chão, imersa num mundo onde a poesia não vale nada, Charles terá final feliz. Baudelaire para crianças, claro, não pode ser Baudelaire até o fim.

E-book é o presente do Natal

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Publicado na Época

Por que o atraso na chegada dos leitores digitais e e-books ao Brasil pode ser positivo

Luís Antônio Giron Editor da seção Mente Aberta de ÉPOCA, escreve sobre os principais fatos do universo da literatura, do cinema e da TV (Foto: ÉPOCA)

Demorou, mas agora vai. O Brasil entra na era do livro digital com três anos de atraso. A chegada ao país dos e-readers como os americanos Kindle, da Amazon, e Nexus 7, do Google, iPad, da Apple, e do canadense Kobo, trazido pela Livraria Cultura, vai transformar rapidamente o mercado do livro. Não é preciso ser profeta para adivinhar o que está por vir, pois tudo já aconteceu nos mercados adiantados da América do Norte, Ásia e Europa. No entanto, o atraso no processo também tem suas vantagens. Vamos entrar na nova era em pleno período de compras de Natal com um acúmulo de conhecimentos. Podemos aprender com os erros e os acertos cometidos pelos outros.
Muitos brasileiros têm experimentado os efeitos da mudança. Os estudantes leem desde meados da década de 1990 livros pela internet pelos computadores convencionais, via sites como Gutenberg Project e Domínio Público. Agora poderão fazê-lo nos e-books e tabletscom mais rapidez e conforto. Há cerca de 300 mil clientes moradores no Brasil cadastrados na Amazon e muitos deles compram e-books e possuem kindles, para não mencionar os milhares que carregam livros das lojas iBook e Amazon para seus tablets.

Contaram no atraso o “custo Brasil” para a implantação de empresas estrangeiras em território nacional e o corporativismo local: as editoras refrearam o processo porque temiam um colapso do mercado por causa da redução excessiva do preço médio do livro digital. Agora, as editora organizaram-se e fundaram a DLD (Distribuidora de Livros Digitais) e chegaram a uma percentagem razoável de 30% a menos que o preço de capa do volume em papel. Resultado: o livro digital no Brasil vai sair mais caro que no estrangeiro, algo que já acontece no papel. Nos Estados Unidos, a Amazon passou a vender os leitores digitais a menos de US$ 100 – e achatou o preço dos livros a uma base de US$ 9,90. Os autores e editores reclamaram no início, mas agora estão ganhando dinheiro nas vendas por atacado. E muitas vezes a Amazon, Kobo e Barnes & Noble (com seu e-reader Nook, que deve também aportar no Brasil) promovem liquidações de títulos. Todo mundo ganha, até o consumidor. Não sei se isso vai se repetir no Brasil, mas seria bom aprender com a experiência.

Por enquanto, o preço médio do e-book no Brasil ronda R$ 30. O leitor digital Kobo custa R$ 399 – um valor ainda alto, até porque a Amazon pode entrar no mercado vendendo o Kindle Paperwhite a cerca de R$ 220. Tomara que esses preços caiam. E isso já pode acontecer depois das festas de fim de ano.

Entre as consequências imediatas da consolidação dos e-books no Brasil, as principais são quatro: a queda do preço dos títulos, o fechamento de grandes cadeias de livraria (a Livraria Cultura se vacinou contra isso, associando-se à Kobo), a obsolescência das bibliotecas públicas e particulares e o uso intenso de leitores digitais em salas de aula e instituições de pesquisa. As bibliotecas públicas passarão por um processo de digitalização. As que não fizerem isso serão sucateadas pelos governantes, sob o pretexto de que deixaram de ser úteis. O livro em papel não irá desaparecer, mas tenderá a se transformar em um objeto de colecionador, em um fetiche interessante, ainda que dispensável. Há também, a longo prazo, a possibilidade de os sebos populares de rua fecharem. Restarão os antiquários, que deverão praticar preços altos. Como disse meu velho amigo Germano, dono da Livraria São José do Rio de Janeiro, “livros digitais não envelhecem”. E, por isso, não são produtos apropriados para sebos. Ou será que algum geek vai dar um jeito de inventar o sebo de e-books? É bem provável.

Assim, os e-books já abalaram os hábitos de leitura e o modo como o leitor se relaciona com os textos. Ele vai se beneficiar imediatamente com a oferta de milhões de títulos, milhares em português. Vai ler mais do que nunca, o que irá obrigar os autores a produzirem seus livros em maior velocidade. Também os leitores tenderão a se esquecer mais rapidamente do que leram, pelo volume e oferta de material.

Diante dos aspectos positivos e negativos que a nova tecnologia acarreta, a lição a aprender desde já é aprender a selecionar o que ler. Quando tudo está disponível, nada mais fundamental que escolher aquilo que é importante para a formação e o aperfeiçoamento do indivíduo em determinado contexto. E manter a atenção nas páginas virtuais, algo que está se tornando cada vez mais difícil com os apelos que vêm, por exemplo, dos tablets. A diferença entre ler no papel ou na tela é que o texto em papel prende o leitor à página, ao passo que o hipertexto da tela o deixa mais livre, solta-o e o faz saltar de um link a outro, e facilmente saltar do texto para o som e o vídeo. O texto estimula a memória, o hipertexto dispersa. Enfim, para enfrentar as mudanças que já chegaram, o leitor terá de reaprender a ler.

Sujeito que apelidou Brasil de “país do futuro” se matou, diz autor

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Publicado na Folha de S.Paulo

Ioschpe traça um panorama sobre o sistema educacional brasileiro

Em “O Que o Brasil Quer Ser Quando Crescer?”, Gustavo Ioschpe afirma que, graças às condições atuais da educação, “o sujeito que apelidou o Brasil de ‘país do futuro’ se suicidou”.

A edição reúne artigos publicados na revista “Veja”, entre julho de 2006 e setembro de 2012, que apresentam o que o autor considera uma crise no sistema educacional brasileiro, tanto público quanto privado.

Segundo ele, salário de professores ou volume de investimento em educação não levará a uma melhora da qualidade do ensino no país.

Ioschpe deixa de lado as discussões filosóficas e ideológicas e foca em práticas e resultados.

Abaixo, leia um trecho de “O Que o Brasil Quer Ser Quando Crescer?”.

1. A falência da educação brasileira

O sujeito que apelidou o Brasil de “país do futuro” se suicidou. Não é uma condenação, mas não deixa de ser um indício. Se Stefan Zweig estivesse vivo hoje, provavelmente se mataria de novo ao notar quão distante da realização sua profecia se encontra, mais de sessenta anos depois. Nosso futuro está penhorado porque não cuidamos do patrimônio mais importante que um país tem: sua gente. Se dependermos da qualificação dela para avançarmos, tudo leva a crer que continuaremos vendo os países desenvolvidos de longe e que, assim como a geração anterior viu o Brasil ser ultrapassado pelos tigres asiáticos, a nossa irá testemunhar a passagem de China, Índia e outros países menores. Enquanto os países de ponta chegam perto da clonagem humana, nós ainda não conseguimos alfabetizar nossas crianças.

Não é exagero, infelizmente. O último levantamento do Inaf (Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional realizado pelo Instituto Paulo Montenegro) mostrou que apenas 26% da população brasileira de 15 a 64 anos é plenamente alfabetizada. Deixe-me repetir: três quartos da nossa população não seria capaz de ler e compreender um texto como este. Na outra grande área do conhecimento, a Matemática, a situação é igualmente desoladora: só 23%, segundo o mesmo Inaf, consegue resolver um problema matemático que envolva mais de uma operação, e apenas esse mesmo grupo tem capacidade para entender gráficos e tabelas.

Esses indicadores são o produto final de um sistema de educação que apresenta deficiências, de modo geral, em todas as etapas do ensino, em todo o país (ainda que as tradicionais diferenças regionais também se manifestem na área educacional) e tanto nas escolas públicas como nas privadas. É um quadro que não pode ser creditado ao nosso subdesenvolvimento, pois países muito mais pobres tiveram (Coreia) e têm atualmente (China) desempenhos muito melhores que os nossos. Na área da educação, especialmente de ensino básico, nossos pares são os países falidos da África subsaariana.

O exemplo mais claro dessa falência é também o mais preocupante, por estar na origem de todo o sistema: o nosso índice de repetência nos primeiros anos. Segundo os dados mais recentes da Unesco, 31% de nossos alunos da primeira série do ensino fundamental são repetentes. Na nossa frente, apenas as seguintes “potências”: Gabão, Guiné, Nepal, Ruanda, Madagascar, Laos e São Tomé e Príncipe. A taxa da Argentina é de 10%, a da China e da Rússia de 1%, a da Índia de 3,5% e de praticamente zero nos países industrializados da OCDE.

Na segunda série, temos mais 20% de repetentes. É possível, portanto, que metade dos alunos que adentram nossas escolas tenha repetido uma série já no segundo ano de ensino. Isso não é apenas preocupante pelo efeito que a repetência tem na autoestima dos alunos, nem pelo custo bilionário a mais gerado por eles. O que mais inquieta é: imagine a qualidade de um sistema de ensino que reprova a metade dos seus alunos justamente na fase onde se transmite o conhecimento mais básico, de ler e escrever; que torna eliminatório um período que é meramente um rito de passagem nos outros países.

Se não conseguimos alfabetizar, conseguiremos ensinar Matemática, Química, Geografia? Conseguiremos ensinar nosso aluno a pensar? Conseguiremos torná-lo um cidadão consciente? Claro que não. Não conseguimos nem mantê-lo na escola até o seu término. A má qualidade perpassa todo o sistema. (mais…)

SC: casa de menina que escreve diário da escola é apedrejada

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Avó da menina, Rosa Leal, 65 anos, foi atingida por pedra. Ela passa bem

Publicado originalmente no Terra

A casa da menina Isadora Faber, que mantém um diário no Facebook no qual relata o dia a dia – inclusive com os problemas – da escola onde estuda em Florianópolis, foi apedrejada na noite de segunda-feira. Segundo a mãe da adolescente, Mel Faber, a família estava na rua quando ocorreu a agressão e a avó da menina, Rosa Leal, 65 anos, que usa cadeira de rodas devido a uma doença degenerativa, foi atingida.

“Foi tudo em função do Diário de Classe (a página de Isadora no Facebook). Não tem jeito, as pessoas não conseguem argumentar”, diz a mãe. Mel explica que Rosa passa bem. Ela diz ainda que o marido foi ameaçado nesta terça-feira.

A mãe de Isadora afirma que ela e o marido já foram à polícia prestar queixa e pedir proteção para a menina – que estaria sendo ameaçada pela filha do pintor na escola – e para a avó. Mel diz que pretende falar com seu advogado para dar para tomar as devidas procedências. “Quero que sejam tomadas todas as medidas judiciais cabíveis”, diz ela.

A menina começou a escrever sobre as ameaças em outubro. A jovem diz que elas teriam relação um homem chamado de “Francisco”, que teria recebido dinheiro do colégio para pintar a quadra do local, mas não fez o serviço. “Já faz um tempo tem uma garota que fica me ameaçando toda hora na escola, dizendo que vai me bater, me chamando de ridícula entre outras coisas (…) Ela (a diretora) falou que essa pessoa é FILHA DO SEU FRANCISCO, aquele da pintura. Falou que ela deve estar assim por causa das minhas postagens do ‘Seu Francisco’ e dos comentários que fazem “, diz a adolescente em sua página.

Isadora começou a postar sobre o problema na quadra no final de setembro na página do Diário de Classe. “Desde a volta das férias, pergunto para direção a situação da pintura da quadra. As tintas para pintura estão na sala da diretora faz 2 anos, elas tem vencimento em novembro de 2012.”

O Terra não conseguiu contatar ninguém na escola para falar sobre o assunto.

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