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Antes de entrar na Uerj, aluna negra ouviu que não tinha ‘cara de médica’

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"Lembro que quando me perguntavam o que eu queria cursar e eu falava medicina, tinha gente que virava e falava: 'ah, mas você quer isso mesmo? Você não tem cara de médica'", diz a estudante Mirna Moreira

“Lembro que quando me perguntavam o que eu queria cursar e eu falava medicina, tinha gente que virava e falava: ‘ah, mas você quer isso mesmo? Você não tem cara de médica'”, diz a estudante Mirna Moreira

 

Janaína Garcia, no UOL

O relato de uma jovem negra estudante de medicina na Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) viralizou nas redes sociais, no último fim de semana, ao expor as condições sociais da jovem em contraste com o ambiente acadêmico.

No texto, a estudante Mirna Moreira, 22, falou também do preconceito enfrentado antes de ela entrar na universidade, onde cursa o segundo ano após ingressar pelo sistema de cotas. “Lembro que quando me perguntavam o que eu queria cursar e eu falava medicina, tinha gente que virava e falava: ‘ah, mas você quer isso mesmo? Você não tem cara de médica'”, escreveu.

Moradora do Complexo do Lins, na zona norte do Rio, Mirna definiu que seu “maior acerto” foi ter assumido a estética de mulher negra, nos cabelos soltos. “Antes de entrar nesse espaço da universidade, eu entendi que é muito importante estar ali porque existe a questão da representatividade, que se estende para fora da academia também. Quando eu visto meu jaleco branco e subo o Morro dos Macacos representando a instituição Uerj, como fiz em uma ação sobre sexualidade na adolescência numa escola pública, e as meninas negras dessa escola pedem para tirar fotos comigo, elogiam meu cabelo crespo, e de alguma forma me veem como referência, eu só tenho mais certeza disso”, definiu.

“Por isso, principalmente nos espaços acadêmicos, eu faço questão de afirmar que sou do Complexo do Lins. Esse lugar faz parte da minha identidade. Sei da onde eu vim, quem me ajudou a chegar até aqui, e não foi nenhum médico de formação, foi minha mãe que trabalhou como diarista por muitos anos, meu pai que já trabalhou como pedreiro, e que sempre priorizaram meus estudos. Eu sei quem são os pretos que construíram a base para que hoje eu esteja aqui hoje”, escreveu.

Jovem quer “devolver à sociedade” como médica do SUS

Em entrevista ao UOL, a jovem contou que já passou por situações nas quais ela vê um viés racista — como a “surpresa” de alguns colegas quando, ano passado, ainda no primeiro bimestre de aulas, ela gabaritou em uma prova de anatomia prática.

“Apenas duas alunas gabaritaram: eu e uma colega, branca. Houve uma surpresa muito grande da sala somente em relação a mim, e com perguntas do tipo: ‘Você escondeu o jogo?’, já que era o primeiro mês, ainda, de aula. Mas a outra aluna passou pelo mesmo processo de seleção e não houve esse tipo de questionamento; não tenho dúvida de que foi racismo”, atestou.

Mirna fez o ensino fundamental em escola pública, mas seguiu os estudos em escola particular graças à ajuda da madrinha, que vive nos Estados Unidos. “Já questionaram minha cota, já alegaram que eu tenho um tablet… como se eu não tivesse o direito de ter, me esforçando para isso”.

A jovem milita na causa negra também em um coletivo da universidade. É ali o espaço, ela aponta, onde vários outros relatos semelhantes ao que ela diz ter ouvido são apresentados, mas de outros cursos. “Isso de ‘não ter cara’ de uma profissão’ é quase unânime entre os negros da faculdade que estão nos cursos tradicionais”.

Para o futuro, a aluna de medicina quer “devolver à sociedade” o que ela chama de investimento — seja por projetos sociais ou pelo trabalho no SUS (Sistema Único de Saúde). “Eu tenho noção de que o meu estudo sai do bolso da sociedade”, justificou.

Hoje, a mãe de Mirna é telefonista, e o pai, bombeiro. A filha integra um grupo de dez negros em uma sala de 104 alunos na medicina.

Mais jovens negros nas universidades

Dados da SIS 2015 (Síntese de Indicadores Sociais), pesquisa produzida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e divulgada em dezembro passado, mostraram que, em uma década, foi constatado crescimento na proporção de universitários na faixa etária de 18 a 24 anos –de 32,9%, em 2004, para 58,5%, em 2014–, com destaque para o recorte por cor ou raça, de acordo com os critérios de classificação do instituto.

Do total de estudantes pretos ou pardos de 18 a 24 anos, 45,5% estavam na universidade no ano passado. Há dez anos, essa proporção era de 16,7%. Entre os brancos, também houve aumento –de 47,2%, em 2004, para 71,4%, em 2014.

Também ano passado, outro estudo do IBGE revelou que os negros representavam apenas 17,4% da parcela mais rica do país, em 2014 – apesar de a população que se identifica como preta ou parda ter crescido entre a parcela 1% mais rica da população brasileira, cuja renda média é de R$ 11,6 mil por habitante.

Segundo o IBGE, os negros (pretos e pardos) eram a maioria da população brasileira em 2014, representando 53,6% da população. Os brasileiros que se declaravam brancos eram 45,5%.

Único escravo no Brasil a publicar autobiografia ganha site de memórias

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Publicado no Portal AZ [via G1]

Mahommah Gardo Baquaqua nasceu no século XIX onde hoje fica o Benin, na África, e em 1845 chegou ao Brasil dentro de um navio negreiro. Passou os dois anos seguintes trabalhando forçadamente em diversos estados brasileiros, e chegou a tentar o suicídio. Acabou conseguindo escapar e, nos Estados Unidos, publicou um relato autobiográfico sobre sua condição de escravo chamado “An Interesting Narrative. Biography of Mahommah G. Baquaqua” (“Uma narrativa interessante. Biografia de Mahommah G. Baquaqua”, na tradução do inglês). Nesta segunda-feira (30), historiadores brasileiros e canadenses lançam o site do Projeto Baquaqua, que tenta recuperar as memórias do único africano escravizado no Brasil que publicou uma autobiografia. O livro, lançado pela primeira vez em 1854, receberá a primeira versão traduzida para a língua portuguesa no primeiro semestre de 2016.

Feito em parceria entre a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e a Universidade York, do Canadá, o projeto tem apoio dos governos brasileiro e canadense e pretende, além de mostrar a trajetória pessoal de Baquaqua, debater a escravidão e o abolicionismo no Brasil e na América do Norte.

Em entrevista ao G1, o historiador pernambucano Bruno Véras, que atualmente faz seu doutorado na York, em Toronto, explicou que o livro do africano foi publicado dentro do contexto abolicionista norte-americano. “O slave narratives (narrativas de escravos, em inglês) era um gênero literário importante no mundo anglófono”, afirmou Véras, que está traduzindo o material ao lado do pesquisador Nielson Bezerra, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

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Segundo ele, o editor Samuel Moore auxiliou na produção do relato autobiográfico de Baquaqua, que, além de publicar o livro, também escreveu cartas e deu palestras sobre a sua experiência como escravo no Brasil.

A edição brasileira da obra seria publicada ainda em 2015, mas, de acordo com os historiadores, a pesquisa em torno do projeto resultou na descoberta de novos documentos históricos e, por isso, o livro, que está sendo realizado pela Editora da Civilização Brasileira, vai ganhar novos capítulos antes do lançamento.

Letramento, guerra e escravidão
Segundo os historiadores, Mahommah Baquaqua já era bilíngue quando foi capturado em uma guerra na África. Sua família era muçulmana, e ele falava árabe e ajami, língua local de Djougou, sua cidade natal. “Na África ele foi escravo de pessoas no Daomé até ser vendio para a costa e desembarcado no porto de Uidá”, explicou Véras.

O africano foi vítima do tráfico internacional de escravos em 1845, quando a prática já havia sido criminalizada no Brasil. Portanto, segundo os historiadores, sua condição de escravo no país nunca foi legal.

O professor Paul Lovejoy, da Universidade York, que coordena a produção em inglês do livro ao lado do pesquisador Robin Law, afirma que “o relato de Bequaqua mostra muita coisa importante sobre a escravidão no Brasil”. Seu primeiro destino foi Pernambuco, onde ele foi comprado por um padeiro português e, posteriormente, a um marinheiro gaúcho. Em uma viagem com o dono a Nova York, o africano aproveitou uma oportunidade e escapou.

“O padeiro o obrigou a construir um prédio de pedra, isso é um trabalho muito difícil. Baquaqua tentou fugir, ele tentou cometer suicídio, ele cogitou matar seu dono, porque ele era muito cruel. O dono não gostava dele, e o vendeu porque Baquaqua estava criando muitos problemas. Então ele foi vendido no Rio de Janeiro, onde um capitão de um barco o comprou. Mas o capitão também era cruel, e o espancava muito. A mulher do capitão não gostava dele. Isso mostra que Baquaqua sempre quis resistir, lutar, escapar, e eventualmente ele teve a oportunidade quando seu dono o levou a Nova York com um carregamento de café. Então Baquaqua conseguiu escapar”, diz o canadense.

Lovejoy explica, porém, que fugas de escravos não eram raras. “Escravos com frequência queriam escapar ou fugir. Em todos os lugares. Mas isso mostra como a escravidão no Brasil era muito cruel.”

Lutas e palestras
Os documentos mostram que, depois de reconquistar sua liberdade nos Estados Unidos, Baquaqua passou uma temporada no Haiti, onde aprendeu a falar francês e o criolo haitiano. Ele também viveu no Canadá e chegou a estudar, entre 1850 e 1853, na Faculdade Central de Nova York.

“Ele escreveu várias cartas, deu muitas palestras abolicionistas nos EUA sobre sua experiência de escravo no Brasil”, diz Véras. “Mas a sua biografia foi escrita com ajuda de um editor chamado Samuel Moore.” De acordo com o historiador, Moore escreveu o relato em primeira pessoa do Baquaqua, como ele ditou suas experiências.

História afrobrasileira
Véras acredita que tanto o livro quanto o site (que terá traduções para o inglês, o francês e o hauçá, língua também falada por Baquaqua, e usada por 52 milhões de pessoas na África Ocidental) podem ajudar a aprimorar o ensino sobre a história dos africanos no Brasil. Para ele, ela ainda hoje é cercada de mitificação e estereótipos negativos.

“Muitos dos africanos que foram trazidos ao Brasil no contexto da escravidão atlântica eram letrados em árabe e ajami (línguas africanas escritas em caracteres árabes). Os livros didáticos muitas vezes reproduzem uma imagem preconceituosa sobre os africanos no Brasil como se estes tivessem sido apenas braços para o trabalho escravo em lavouras e regiões de mineração”, explica.

O projeto também tem uma versão da história adequada ao ensino de crianças do ensino fundamental, incluindo um livro ilustrado pela artista Tatiane de Lima, com atividades como desenho e caça-palavras sobre a história de Baquaqua e da diáspora africana nas Américas.

“A biografia de Baquaqua nos permite pensar sobre isso. Antes de serem escravos, eles eram pessoas e assim se pensavam. Antes de serem braços eles(as) eram ideias, visões de mundo e espírito. Estas biografias nos permitem enxergar isso. Mas do que pesar a escravidão elas nos permitem pensar em gente, que, apesar de inseridas em um sistema opressor e escravista nunca deixaram de ser e de se pensar como gente.”

Para Lovejoy, “as crianças precisam aprender esta história, porque ela mostra determinação para seguir em frente, para se autoaprimorar, para resistir à crueldade e às pessoas ruins que querem explorar os outros”.

Idosa aprende a ler e, aos 79 anos, se forma em universidade do Rio

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Dona Leonides Victorino cursou História da Arte na Uerj.
Ela não sabia ler até os 67 anos: ‘Era triste, falavam que era analfabeta’.

Publicado no G1

Uma idosa, moradora da Zona Oeste do Rio, resolveu aprender a ler e escrever aos 67 anos. Hoje, aos 79, dona Leonides Victorino, nascida na Zona da Mata de Minas Gerais, já tem até diploma universitário em História da Arte. A história foi contada pelo RJTV, nesta quinta-feira (23).

Dona Leonides passou a infância na lavoura. Começou a trabalhar como doméstica e lavadeira, mas nunca perdeu o foco. “Eu era meio triste, as pessoas falavam que era analfabeta, parecia que tinha uma faca que cortava o coração”, contou ela.

Foi quando ela, aos 67 anos, decidiu botar em prática o sonho de aprender a ler e escrever, junto dos cinco netos.

Em 2014, mais uma conquista. Dona Leonides se formou em História da Arte na Universidade da Terceira Idade, na Uerj. “Eu sonho grande, não sonho pequeno, não”, brincou ela.

Uerj e UFRJ adiam aulas mais uma vez por falta de limpeza em campus

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Foto:  Uanderson Fernandes / Agência O Dia

Foto: Uanderson Fernandes / Agência O Dia

Funcionários terceirizados de limpeza reivindicam pagamento de salários atrasados

Publicado no R7

A Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) adiaram o início das aulas do primeiro semestre do ano letivo de 2015. A Uerj transferiu o começo do período, que inicialmente seria na quarta-feira (11), para o dia 23 de março. Já a UFRJ, que teria início do semestre nesta segunda-feira (9), optou por adiá-lo por mais uma semana, transferindo-o para o próximo dia 16.

Em nota, a Uerj informou que um dos motivos para o adiamento das aulas é a grave crise fiscal que atravessa o Estado do Rio, com consequências sobre a instituição. A outra razão citada no texto é a ausência momentânea de solução por parte do Estado para o problema de pagamento de empresas terceirizadas responsáveis pela limpeza, segurança externa e manutenção.

No comunicado, a universidade enumera a frequência de funcionários que prestam serviços aos prédios institucionais, como limpeza. Na maioria dos itens enumerados, a frequência varia de 50% a 10%. Os serviços são oferecidos por empresas privadas.

Na UFRJ, a limpeza também foi o motivo citado para o adiamento das aulas. Em comunicado enviado aos alunos, a universidade afirma que algumas unidades continuam com serviços terceirizados incompletos. A instituição salientou que a medida vale para o CAp (Colégio de Aplicação) e para a Escola de Educação Infantil.

De acordo com a universidade, durante a plenária que discutiu o adiamento das aulas, trabalhadores da empresa que presta os serviços de limpeza interromperam a reunião em vários momentos. Eles reivindicaram o pagamento imediato dos salários, que estão atrasados.

Pezão corta mais de R$ 144 milhões em verbas de universidades estaduais

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Uerj teve R$ 91 milhões em verbas retidas. Foto: Alexandre Cassiano 25/08/2014

Uerj teve R$ 91 milhões em verbas retidas. Foto: Alexandre Cassiano 25/08/2014

Djalma Oliveira, no Extra

As universidades não escaparam da contenção de despesas do governo do estado. A Universidade do Estado do Rio (Uerj), a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e o Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo) tiveram, ao todo, mais de R$ 144 milhões em verbas retidas como parte das medidas de economia. Essa redução de recursos pode comprometer projetos de expansão. “A Uerj, por exemplo, tem planos de ampliar a interiorização, abrindo uma faculdade de Arquitetura em Petrópolis e uma unidade (outra) na Baixada Fluminense. É claro que (a redução dos recursos) vai afetar”, afirmou o coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas Estaduais do Rio de Janeiro (Sintuperj), Antonio Virgínio Fernandes.

Antes dos cortes, a Uerj já havia encerrado 2014 com dificuldades financeiras, sendo obrigada a antecipar o recesso, em virtude do atraso no pagamento a prestadores de serviços.

Uerj teve R$ 91 milhões em verbas retidas

A Uerj, que, pelo orçamento do estado para este ano, teria R$ 1,2 bilhão para gastos e investimentos, teve R$ 91,3 milhões retidos. A universidade informou que se trata de um contingenciamento de recursos e não comentou sobre os projetos que poderiam ser adiados ou cancelados com a redução nas receitas, alegando que o assunto está sendo estudado.

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