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“523 livros em um ano: deficiente visual é a maior leitora da Biblioteca Pública em 2018”

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Foto: “Albari Rosa/Gazeta do Povo”

Vivian faria, na Gazeta do Povo

“Se o brasileiro lê, em média, 2,43* livros por ano, Cristiane de Fátima Costa está um bom tanto acima da média. Só da Biblioteca Pública do Paraná, Cristiane, 53 anos, emprestou e leu 523 livros em 2018, o que fez dela a maior leitora entre os usuários do local. Boa parte deles era em braille, já que ela é deficiente visual.”

““A leitura sempre significou muito para mim. Eu gravo áudiolivros, então trabalho com leitura e literatura. Eu fiz faculdade de Letras e ensinei uma época”, conta. Para chegar a esse número de empréstimos, Cristiane visitou a biblioteca a cada dois ou três dias e leu, em média, 1,43 livros por dia – isso sem considerar aqueles obtidos de outra forma. “Eu recebo alguns livros em casa e empresto de outras bibliotecas de Curitiba, São José dos Pinhais”, diz a narradora de áudiolivros.

Cristiane conta que a leitura sempre fez parte de sua vida, devido à sua curiosidade. Mas o amor pelos livros talvez não se desenvolvesse da mesma forma se, inicialmente, não fosse o empenho de sua mãe, dona Ângela. A narradora nasceu prematura, de apenas seis meses, e teve um descolamento de retina devido à prematuridade (retinopatia da prematuridade), o qual a deixou cega.

“Eu fui alfabetizada em braille aos 6 anos. Mas primeiro eu recebi o que chamamos de estimulação precoce – para desenvolvimento do tato. Minha mãe aprendeu a fazer isso e foi, para mim, uma reabilitadora. Tudo o que eu sei e que eu consegui desenvolver, foi devido a ela”, conta. Cristiane explica que a falta de estimulação precoce é um dos motivos pelos quais muitas pessoas com deficiência visual têm dificuldade aprender a ler – e, consequentemente, a escrever – em braille. O desafio acaba sendo ainda maior para quem perde a visão durante a vida.”

“Albari Rosa/Gazeta do Povo “

“Por volta dos 13 anos, Cristiane já lia com desenvoltura e já buscava nos livros conhecimentos que sua limitação física não a permitiria obter. “Sempre busquei algo além do que eu podia obter. Era desinquieta”, diz. À época, ela estudava na Escola Boa Vista (hoje Centro de Atendimento Especializado Boa Vista), uma escola regular que acolhia estudantes com deficiência, promovendo um ensino integrado, e já tinha suas primeiras experiências como professora, trabalhando como auxiliar.

Antes da graduação em Letras e da especialização em literatura brasileira e portuguesa, que a levaram oficialmente para as salas de aula, Cristiane fez ensino médio em escola particular. Como o material didático não era oferecido em braille, a família dela contratou uma pessoa que a ajudava lendo os materiais. “Hoje o acesso é melhor. Antes era bem mais difícil, principalmente para pesquisa”, conta Cristiane.

Hábitos

O acervo de livros em braille da Biblioteca Pública do Paraná também era mais restrito quando Cristiane começou a frequentar o local, por volta dos 14 anos. “Aumentou bastante, tanto em quantidade quanto em qualidade”, diz. Atualmente, ele é composto por aproximadamente 1.500 títulos – e, como a impressão em braille “ocupa mais espaço” do que a no alfabeto latino, cada um deles é composto por vários volumes, rendendo “sacoladas” de livros.”

“Além deles, Cristiane e outros deficientes visuais podem emprestar áudiolivros, como os que ela grava há oito anos. Desses, a Biblioteca Pública do Paraná conta com mais de 4 mil títulos. Entre os 523 livros emprestados por ela em 2018, há títulos em áudio, mas a preferência dela é pelos livros de papel. “Eu “leio” áudio quando não posso ler em braille. “O braille eu controlo e, com o áudio, você tem que ouvir a gravação e é um pouco mais lento, por melhor que a pessoa leia. Se eu puder optar, opto pelo braille”, revela.

Já no que diz respeito aos gêneros literários, ela é bem mais flexível. “Eu gosto literatura brasileira e portuguesa, mas de alguma coisa americana também, de filosofia. Gosto muito de Kafka, Saramago, Augustina Bessa-Luís. Gosto de livros que levem à reflexão. Só não gosto de autoajuda, acho que não funciona”, diz.

Independentemente do livro, Cristiane acredita que há formas de incentivar o hábito de leitura, como a realização de oficinas, rodas de conversa, workshops com escritores, etc. Porém, para ela, nem tudo deve vir de fora. “Minha mãe me estimulou a procurar algo além da minha limitação física, a não esmorecer. Mas, claro, você desenvolve isso, porque você pode ser estimulado e se acomodar”, destaca.

* Dado de 2016 obtido pela pesquisa Retrados da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro”

Nem da Rocinha diminuiu um ano de sua pena lendo livros e fazendo cursos na cadeia

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Antônio Bonfim Lopes em novembro de 2011, quando foi preso Foto: Felipe Dana / AP

Antônio Bonfim Lopes em novembro de 2011, quando foi preso Foto: Felipe Dana / AP

Carolina Heringer e Rafael Soares, no Extra

No dia 11 de março de 2013, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, começou a ler “A Cabana”. Dentro da penitenciária de segurança máxima de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, o traficante conheceu a história de Mack Allen Phillips, pai que perdeu a filha de seis anos, raptada num acampamento de fim de semana. A leitura das 272 páginas do best-seller escrito pelo canadense William P. Young durou 21 dias e valeu a Nem a diminuição de quatro dias de sua pena — que acumula nove condenações e 96 anos de prisão.

Uma decisão do último dia 27 de junho, assinada pelo juiz federal Nelson Liu Pitanga, de Rondônia, onde Nem está preso atualmente, revela que o traficante já diminuiu 319 dias de sua pena com leituras e cursos desde que foi preso, em novembro de 2011. Segundo o documento, obtido pelo EXTRA, Nem leu dez livros, participou de 35 atividades e concluiu o Ensino Fundamental, após ser aprovado no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos.

Para cada livro lido, a Justiça diminui quatro dias da pena. O chefão do tráfico na Rocinha — que teve novo mandado de prisão decretado pela Justiça na última quinta-feira por ter ordenado, de dentro da penitenciária de segurança máxima, a invasão da favela no domingo passado — tem predileção por obras de autoajuda. Já leu “O Vendedor de Sonhos” e “Nunca Desista dos Seus Sonhos”, do psiquiatra e psicoterapeuta Augusto Cury. Num dos trechos do segundo livro, lido por Nem em junho de 2013, o autor aconselha: “Precisamos perseguir nossos mais belos sonhos. Desistir é uma palavra que tem que ser eliminada do dicionário de quem sonha e deseja conquistar”.

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Na biblioteca de Nem, também há espaço para os clássicos, como “O Apanhador no Campo de Centeio”, do americano J. D. Salinger, lido entre fevereiro e março de 2014.

Detento já sabe cuidar de idosos e cruzar gado

No presídio, Nem já aprendeu a cuidar de idosos, a manipular plantas medicinais e a contar histórias infantis. Também teve aulas de técnicas de memorização e de produção e processamento de pimenta do reino. Ao todo, o traficante já diminuiu 186 dias da pena só com atividades de estudo. Para cada doze horas de aulas, um dia da punição é descontado pela Justiça.

O traficante tem particular interesse na área agropecuária. Já cursou as aulas “Criação de ovinos de corte”, “Como aumentar a rentabilidade da pecuária de corte” e “Maturação, marinação, condimentação e preparação de filés”.

O curso mais longo de que participou foi “Pecuária de corte”, com 400 horas. Também aprendeu a cruzar diferentes raças de gado, como Red Angus e Nelore e Limousin e Belore. A maioria desses cursos, feitos à distância, foi paga pelo próprio Nem e oferecida pela Universidade Online de Viçosa.

Danubia de Souza Rangel, mulher de Nem Foto: Reprodução

Danubia de Souza Rangel, mulher de Nem Foto: Reprodução

Defesa tenta livrar Danúbia

Há um ano e meio, Danúbia de Souza Rangel, mulher de Nem, é considerada foragida. Em março do ano passado, ela recebeu pena de 28 anos de reclusão pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e corrupção ativa. A “xerife” da Rocinha foi condenada uma semana depois de ter sido solta após absolvição em outro processo.

A defesa de Danúbia tenta reverter a condenação na Justiça. De acordo com o advogado Marcelo Cruz, o processo está “contaminado por nulidades”. A ação é resultado de inquérito da Polícia Federal que investigou Marcelo das Dores, o Menor P.

— Um dos pontos que estamos levantando na apelação criminal é que houve descumprimento do disposto na Lei de Interceptação Telefônica. A investigação era sobre uma comunidade (Maré) e deveria ter sido solicitada outra interceptação para investigar a Rocinha — explica o advogado.

Jovem conta com ajuda de amigos e lança livro após ficar cego e enfrentar 4º câncer

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Gabriel Souza publicou primeiro livro após perder a visão e enfrentar o quarto câncer

Gabriel Souza publicou primeiro livro após perder a visão e enfrentar o quarto câncer

Lucas Borges Teixeira, no UOL

Gabriel Santos Souza sempre quis ser escritor. Aos 14 anos, o sul-mato-grossense conseguiu publicar seu primeiro livro depois de perder a visão e enfrentar o quarto câncer. O jovem morador de Colina, no interior de São Paulo, lançou a obra de terror “Magno, O Espantalho” em uma festa na escola no final de junho.

O interesse por histórias de terror vem desde muito novo. “Ele assistia aos filmes do Freddy Krueger, Jason… Sempre adorou o Halloween”, conta o pai, Daniel Souza, ao UOL. “E também sempre gostou de contar histórias. Ele costumava reunir os coleguinhas na escola com contos de terror.”

A ideia do livro surgiu há cerca de um ano com uma redação sobre um monstro com cabeça de abóbora. Um professor da escola, Gustavo, ouviu Gabriel falar sobre o conto e o incentivou a escrevê-lo. “Eu não tinha ideia de que poderia virar um livro, mas foi tomando outra proporção”, lembra o jovem escritor, em entrevista ao UOL.

Ideia do livro surgiu com uma redação sobre monstro com cabeça de abóbora

Ideia do livro surgiu com uma redação sobre monstro com cabeça de abóbora

De acordo com o autor, “Magno, O Espantalho” narra a história de “um espantalho assassino que aterroriza uma escola agrícola”.

Com a visão comprometida nos dois olhos há um ano e meio, Gabriel contou com a ajuda do professor e de colegas para terminar a obra. Ele ditava a história para Gustavo, que a escrevia. Depois, alunos da escola o ajudaram com ilustrações internas.

Gabriel sofre com problemas da visão desde os primeiros meses de vida. Quando ainda morava no Mato Grosso do Sul, a mãe notou uma mudança na cor de seus olhos. Ele foi diagnosticado com retinoblastoma, um câncer raro na retina. Teve de retirar o olho esquerdo.

“Ele enxergava muito bem com o direito até um ano e meio atrás, conseguia copiar tudo, ler superbem. Mas aí ele começou a ter baixa neste olho também”, lembra o pai. A doença, que tinha sido dada como curada há 12 anos havia retroagido. “Agora, ele enxerga apenas alguns vultos.”

Estes não foram os únicos problemas médicos de Gabriel. Aos oito anos, ele teve de passar por outra cirurgia no GRAAC, em São Paulo. Desta vez, foi constatado um câncer ósseo no braço. “Os médicos até se assustaram”, lembra Daniel.

O câncer ósseo voltou a atacar neste ano. Como a família se mudou para Colina, os pais pediram a transferência do seu quadro médico para o Hospital do Câncer de Barretos, a pouco mais de 20 km da cidade. Agora, Gabriel enfrenta um tumor no fêmur da perna esquerda. De acordo com a família, ele reage bem. “Acabou o terceiro ciclo da quimioterapia na semana passada”, conta o pai.

Os problemas com a saúde não atrapalharam Gabriel. “Tive muita ajuda e apoio de todo mundo”, conta. No final de junho, o livro foi lançado em uma festa na Escola Técnica Agropecuária Municipal São Francisco de Assis, em que ele cursa a 8ª série, com a distribuição de 200 exemplares. A capa foi feita pelo cartunista Julinho Sertão, que já foi roteirista de Ziraldo. “Foi um dia inesquecível.”

Para estudar, Gabriel usa um notebook com ferramentas de áudio. “Ele é muito aplicado”, afirma o pai, orgulhoso.

No dia primeiro de setembro, a família viajará para Sertãzinho, também no interior paulista, a convite de Julinho Sertão, para expor “Magno, O Espantalho” na 13ª Feira do Livro da cidade. “Estamos muito animados”, afirma Daniel. O plano é lançar a segunda edição do livro, agora para venda, com 700 cópias.

Com registro de escritor desde o primeiro semestre deste ano, Gabriel já está trabalhando no seu segundo livro. Sem revelar detalhes da história, conta que será sobre zumbis e deverá se chamar “A Cidade Perdida”.

Menina de 10 anos ganha prêmio da Biblioteca Pública de SC após ler 97 livros em um ano

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Nina e o irmão Theo são incentivados pelo pai, Valmor Fritsche, que é jornalista e editor Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Nina e o irmão Theo são incentivados pelo pai, Valmor Fritsche, que é jornalista e editor
Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

 

Karine Wenzel, no Diário Catarinense

A estudante Nina Fritsche, 10 anos, de Florianópolis, tem a vida pautada pelos livros. Ainda na barriga da mãe, os pais leram para ela a obra La Niña Nina, do Ziraldo. O gosto pela leitura parece ter passado pelo cordão umbilical. Ela já perdeu as contas de quantos livros leu e diz que as histórias ajudam a afastar o tédio. Lê todos os dias e tem preferência pelos enredos de comédia. Neste ano, a estudante retirou 97 livros da Biblioteca Pública de Santa Catarina (BPSC). Com esse feito, foi premiada na 2ª edição do Estrela da Leitura da biblioteca, sexta-feira, como a jovem que mais retirou livros da biblioteca. A ação tem como objetivo despertar mais fãs de livros por aí.

Parece estar funcionando. O irmão de Nina, Theo, de três anos, segue pelo mesmo caminho. Gosta que leiam para ele antes de dormir e ganhou o prêmio na faixa etária até sete anos. Retirou 65 livros neste ano. O incentivo vem de casa, explica o pai dos pequenos, o jornalista e editor de livros Valmor Fritsche.

– O livro é uma ferramenta para despertar a curiosidade, para ajudar a criança a entender o mundo. Mas ninguém nasce gostando, tem que estimular a criança e então ela vai se apegar aos livros.

Mas Nina e Theo são exceção. No país, o levantamento Retratos da Leitura no Brasil do Instituto Pró-Livro divulgado neste ano mostrou que a faixa etária de 5 a 10 anos leu, em média, menos de dois livros inteiros em três meses.

O assessor da diretoria de gestão da rede da secretaria de Educação de SC, Isaac Ferreira, explica que o brasileiro não tem a cultura da leitura, falta o exemplo dos pais como leitores, não há costume de comprar livros e também há um apelo maior da tecnologia. Porém, ressalta os benefícios do hábito, que ajuda no processo de alfabetização. Além disso, leitores têm mais chances de se tornarem cidadãos mais críticos e com argumentos consistentes:

– Leitura não é só por prazer, é necessidade, é inserção na cultura. Quanto maior a proficiência na leitura, maior o poder de argumentação – acrescenta.
O professor do Programa de Pós-Graduação em Educação da Udesc Lourival José Martins Filho vai além e diz que a ¿contribuição da leitura para o aprimoramento da experiência existencial do ser humano é indiscutível¿. Mas faz uma ressalva: ninguém nasce leitor:

– Aprende-se a ser leitor e a gostar de ler nas interações que vamos realizando desde a infância. Famílias e professores leitores podem contribuir na formação de crianças leitoras. O real incentivo à leitura é quando família e escola têm a leitura em seu cotidiano.

Para a Biblioteca Pública de SC ações como premiar os alunos que mais retiram livros já começam a render frutos. O número de carteirinhas de cadastrados na biblioteca, empréstimos de gibis e frequentadores do setor
infanto-juvenil dobrou neste ano em relação a 2015.

Vencedores da Estrela da Leitura da Biblioteca Pública de SC

Faixa etária de 0 a 7 anos
Theo Fritsche, 3 anos – 65 livros
Luiza Volpato, 5 anos – 20 livros
Davi Pelicioli e Silva, 5 anos – 19 livros

Faixa etária de 8 a 11 anos
Nina Fritsche, 10 anos – 97 livros
Gael Martos Roberts, 9 anos – 63 livros
Catarina Martins Palharin, 11 anos – 32 livros

Faixa etária de 12 a 17 anos
Pedro Cavalheiro e Silva, 14 anos – 33 livros
Marina Ribeiro Viera, 12 anos – 26 livros
Allana Ellen Martins, 12 anos – 20 livros

Gibis
Pedro Cavalheiro e Silva, 14 anos -130 exemplares

Companhia oferece intercâmbio de três anos para estudantes brasileiros na Rússia

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publicado na Galileu

A Companhia Estatal de Energia Nuclear da Rússia (Rosatom) e o Ministério da Educação e Ciência da Rússia estão oferecendo um intercâmbio para estudantes brasileiros.

russia

Trata-se de um programa de três anos voltado para universitários graduados ou que estejam fazendo mestrado em áreas relacionadas ao âmbito nuclear, como Física e Engenharia Nuclear, por exemplo. O objetivo é que o estudante passe um ano estudando o idioma russo e outros dois realizando um mestrado em Física e Tecnologia Nuclear na University Research Nuclear Nacional (Mephi), em Moscou.

As inscrições estão abertas até o dia 20 de abril e devem ser realizadas nos centros culturais russos no Brasil. Para mais informações, busque aqui ou pergunte no e-mail [email protected]

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