Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Unb

Alunos da UnB lançam vídeo #EstudaLuciana para rebater argumentos de Luciana Genro pró-socialismo

0

1

Diego Iraeta, no Brasil Post

A entrevista da presidenciável Luciana Genro (PSOL) concedida a Danilo Gentili na semana passada continua repercutindo. Após ser aplaudida nas redes por mandar o apresentador ‘estudar mais’ sobre comunismo, agora ela é alvo de deboche de um grupo de estudantes da Universidade de Brasília (UnB).

 

Os alunos, que participam do Instituto Liberal do Centro-Oeste, gravaram o vídeo acima para rebater um a um os argumentos de Genro pró-socialismo, apresentados no programa The Noite, de Gentili.

Para quem quer um resumo do vídeo, seguem as principais defesas do grupo em prol do #EstudaLuciana:

Taxar as grandes fortunas é pior

Luciana Genro quer a taxação das grandes fortunas — acima de R$ 50 milhões.
Segundo os estudantes, essa medida não deu certo nos países em que foi adotada.

Eles explicam que essa tributação levou à fuga de dinheiro de países como França e Estados Unidos.
Como exemplo, citaram Eduardo Saverin, ex-Facebook, e o ator Gerard Depardieu, que abriram mão das respectivas cidadanias para que o Estado não mexesse em seus cofres.

“É uma ingenuidade achar que milionários vão ficar parados esperando o Estado tomar seu dinheiro”, ironiza um estudante.

Com dinheiro saindo do País, há o risco de cair o nível de empregos.

Investir na Bolsa financia a produção

Os alunos afirmam que é uma falácia Genro dizer que o dinheiro hoje vai para o mercado de capitais, em vez de ir para a produção.
Enumeram uma série de empresas de alimentos e tecnologia que têm ações na Bolsa.
E explicam que investir na Bolsa é financiar a produção dessas companhias.

Também dizem que “não existe dinheiro certo” no mercado financeiro, como defende Luciana Genro.
Ainda alfinetam o pai dela, o governador Tarso Genro (PT-RS), candidato à reeleição, que tem grana em fundo de investimentos.

Países livres e capitalistas são mais tolerantes aos gays

Os jovens do Instituto Liberal do Centro-Oeste defendem que socialismo e liberdade, substantivos que figuram no nome do PSOL, são excludentes.

Lembram que países capitalistas e livres são mais tolerantes aos gays — minoria acolhida pelo PSOL em suas bandeiras fundamentais.

Renda dos pobres é maior em países capitalistas

Os estudantes usam o ranking mundial de liberdade econômica para comparar como está a renda das pessoas mais pobres em países capitalistas e socialistas.

Os dados mostram que, quanto mais empreendedorismo e comércio, os pobres de um país são mais ricos.
Portanto, segundo eles, a renda das famílias pobres é maior em países mais livres.

O socialismo não deu certo

Tratado como “utopia concreta” por Luciana Genro, o socialismo não logrou êxito — defendem os jovens do vídeo.
Para eles, é praxe os militantes socialistas se referirem a ditadores comunistas pelo nome do regime do ditador, na tentativa de mascarar uma experiência de socialismo que deu errado.

É o caso do “stalinismo”, na União Soviética, “castrismo”, em Cuba, e “chavismo”, na Venezuela.

Infrator aprovado na UnB celebra vida nova: ‘só pisei lá para vender droga’

0

Ele vai cursar educação física e chama última apreensão de ‘mal-entendido’.
Jovem já tinha ensino médio e estudava enquanto colegas assistiam à TV.

infrator

Raquel Morais, G1

Seis meses cumprindo medida socioeducativa em centros do Distrito Federal fizeram o jovem Matheus [nome fictício], 18 anos, tomar uma decisão importante: esquecer a “vida de drogas e roubos” e estudar. Mesmo já tendo concluído o ensino médio, ele conseguiu autorização da direção da Unidade de Internação do Recanto das Emas para frequentar a escola como ouvinte e levar apostilas, caderno e caneta para o quarto. O resultado veio em pouco tempo. Quase cem dias depois, o nome dele estampava a lista de aprovados em educação física na Universidade de Brasília.

“Só fui à UnB uma vez, para vender drogas e roubar”, contou ao G1. “Eu acho que vai ser uma experiência diferente. Todo mundo fala que na universidade surgem muitas oportunidades, que no segundo semestre a gente pode estagiar. Agora, vou à UnB como uma pessoa normal.”

Matheus diz enxergar na graduação uma oportunidade de mudança. Ele foi apreendido em outubro do ano passado, a dez dias de completar a maioridade, em um episódio que classifica como um “mal-entendido”. O jovem usava uma camiseta vermelha e óculos escuros – mesma descrição dada pelas 12 vítimas do suspeito de três assaltos em série ocorridos em Brasília.

Apesar de não ter sido reconhecido por ninguém, o rapaz acredita que permaneceu detido por ter um “histórico ruim”. Então funcionário de uma empresa que funciona perto de casa, ele estava em semiliberdade por atos infracionais análogos a tráfico de drogas, roubos, lesão corporal e porte ilegal de arma.

“Eu achava que comemoraria meu aniversário na beira do Lago [Paranoá], mas não foi o que aconteceu. De alguma forma, bateu um sentimento de revolta. Eu estava sendo culpado injustamente, por algo que não fiz. Mas na minha cabeça teve espaço para tudo, inclusive que, querendo ou não, eu procurei. Achava que eu estava pagando pelo que fiz e ninguém havia descoberto”, disse.

O jovem passou pelo Centro Socioeducativo Amigoniano (Cesami) e pela Unidade de Internação do Plano Piloto. Lá, ficou até o final de março, quando o espaço foi desativado e demolido. Desde então, Matheus cumpre a medida socioeducativa no Recanto das Emas.

Entediado com a rotina de apenas acordar, almoçar, tomar banho de sol, jantar e ver televisão com os cinco companheiros de quarto, o rapaz pediu para acompanhar as aulas do ensino médio como ouvinte. As três horas por dia em sala de aula não lhe pareceram suficientes, e o garoto decidiu aproveitar o tempo em que os colegas assistiam a novela para ler as apostilas e fazer novas anotações.

“Não é que eu não gostasse de ver TV também, mas aquilo cansava. Era legal, mas não ia para lugar nenhum. Preferia estudar. Eu nem sei dizer como que eu me concentrava, mas dava certo. Eram mais duas ou três horas por dia no quarto”, afirma o jovem. “Eu gosto muito de matemática e física.”

Matheus recebeu o apoio dos funcionários da unidade – um dos agentes levava canetas de casa para o garoto todas as vezes que um colega confiscava, duvidando que ele realmente estivesse estudando – e dos pais. A mãe, Laura [nome fictício], lembra que chegava a comer dentro do carro ou na fila para nunca deixá-lo sozinho nos dias de visita. O orgulho era grande quando o garoto mostrava as redações que treinava na escola.

“Uma vez ele me disse: ‘mãe, a senhora não desiste de mim? A senhora passa vergonha toda vez’. E, por mais que eu ficasse chateada de vê-lo, com todas as oportunidades que teve, fazendo o que fazia, eu nunca desisti. Eu nunca desistiria”, diz a Laura [nome fictício]. “O Matheus é um menino inteligente, começou a ler com 4 anos. Estudo na nossa casa sempre foi prioridade.”

Mas, apesar da dedicação, o rapaz não cogitava prestar vestibular. A inscrição foi feita pelo pai, Afonso [nome fictício], e contra a vontade do filho. O homem contratou um advogado para pedir à Justiça autorização para que o garoto participasse dos dois dias de seleção. Para surpresa dele, o pedido foi negado, com a alegação de que Matheus tinha pouco tempo de internação. A família entrou então com uma liminar e conseguiu que ele fizesse a prova.

Afonso lembra que deu plantão no site do Cespe para ver o resultado. Às 17h, ele encontrou o nome do filho. “Eu gritei à caçula, gritei que o Matheus havia passado. A gente quis dar a notícia no dia, mas não pôde. Eu falava para ele da importância dos estudos, mas ele não acreditava nele mesmo. Foi difícil convencê-lo, ele achava que não valia a pena tentar. Acho que fiquei mais ansioso do que ele.”

O resultado animou os 40 colegas de módulo de Matheus, que também decidiram estudar. Até então, o rapaz já era uma inspiração para o grupo e, por causa da facilidade com português e da boa caligrafia, era o “escriba” da turma e escrevia cartas a pedido dos meninos. Além disso, dava dicas de estudos.

A aprovação do garoto no vestibular fez com que os colegas passassem a pedir ajuda para conquistar “novos sonhos”. Parte da equipe multidisciplinar que atende o módulo, a psicóloga Izabela Borges Mendes afirma que o jovem foi um precursor e mudou a forma como o grupo encarava os estudos.

“Ele plantou a sementinha nos outros. Agora, é um tal de ‘dona Izabela, a senhora consegue uma apostila para mim?’, ‘a senhora liga para a minha mãe para lembrá-la que quero fazer aquele concurso?’, ‘eu quero estudar’. Estamos felizes por ele e felizes pelo bem que inspirou nos outros. O Matheus amadureceu bastante aqui”, diz.

Por causa da força de vontade de Matheus de estudar e do resultado obtido em um curto prazo de tempo, a equipe multidisciplinar decidiu enviar um relatório à Justiça pedindo a liberação dele das medidas socioeducativas. A solicitação foi reforçada pelo advogado da família.

“A gente considera que é o melhor para ele agora. Seria constrangedor e desnecessário que ele frequentasse a UnB escoltado, tendo que dar explicações sobre isso. No relatório, colocamos que ele cometeu um ato infracional de menor potencial ofensivo e cumpriu a medida por um tempo bom – são quase dez meses. E ele tem uma família presente e estruturada”, explica a psicóloga.

Futuro

Os planos do jovem transcendem as aulas na UnB, que começam no dia 11 de agosto. Matheus diz que pretende cursar arquitetura nos próximos anos e que também quer fazer concurso público. “Imagina que algum dia eu posso voltar para cá, mas como professor de educação física, ensinando a esse pessoal que vale a pena estudar”, sonha.

A ideia dá orgulho à família, que espera inaugurar uma fase nova junto ao garoto. O casal veio para o Distrito Federal com os filhos em 2010 e afirma que aproveitou pouco a convivência na nova cidade. Os problemas de Matheus com “más companhias e drogas” começaram no ano seguinte, quando ele tinha 14 anos.

“Passei por uma fase muito ruim. Sentia muita raiva, mas nem sei exatamente de quê”, conta o rapaz. “Lembro de um dia que minha mãe achou um pedaço de maconha e quis saber de quem era. Eu neguei. Só que isso é passado. Eu sei que não vou esquecer, mas quero pegar o que aprendi aqui e levar para frente. Aprendi a esperar, a obedecer, me liguei à minha família e a comecei a confiar em Deus e em mim.”

familia

estigmatizado por ter cumprido medida socioeducativa, não esconde preferir que a “fama” fique apenas entre as pessoas próximas.

“Acho que com isso ele viu que droga é uma droga mesmo”, diz. “Agora quero o que é normal. Meu sonho é poder levar toda a minha família para almoçar fora.”

Internação

A unidade em que Matheus cumpre medida socioeducativa funciona no antigo Ciago, no Recanto das Emas, tem 280 jovens. No local, os rapazes frequentam a escola e participam de oficinas, como panificação e mecânica.

De acordo com a psicóloga Izabela Borges Mendes, 70% dos garotos cursaram apenas até a 5ª ou 6ª série. “O caso do Matheus, de já chegar aqui com ensino médio completo, é incomum”, afirma.

Aos 52 anos, flanelinha maranhense é aprovado na UnB

0

José Mário Silva dos Santos cursará Gestão Ambiental, em Planaltina (DF).

josemariodest170714

Gustavo Arruda

BRASÍLIA – Na vida, todos têm um sonho. Alguns, mais fáceis, demandam menos tempo de realização, enquanto outros objetivos demoram praticamente a vida toda para serem cumpridos, mas sempre são muito festejados quando alcançados. Para o maranhense José Mário Silva dos Santos, a espera foi grande, mas o tão aguardado momento chegou: aos 52 anos, o flanelinha mostrou força de vontade e passou no vestibular da Universidade de Brasília (UnB).

Nascido em São Luís, Zé Mário deixou a sua terra natal com 15 anos, logo após ter concluído o Ensino Médio e chegou a morar no Recife e no Rio de Janeiro até chegar a Planaltina, onde vive há nove anos. Graças a um amigo, que trabalha como policial militar e lhe cedeu uma casa para morar, o flanelinha conseguiu uma bolsa de estudos em um cursinho, onde entrou em setembro de 2013. Pelo pouco tempo de preparação, José não conseguiu passar no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), mas os resultados agradaram e ele ganhou um tempo maior de preparação.

Na segunda tentativa, José teve a sua consagração e acabou passando para Gestão Ambiental, no campus de Planaltina. O flanelinha mostrou desenvoltura na redação, que tinha como tema “‘Viagem a Marte sem volta”. Ao falar do Planeta Vermelho, Zé Mário destacou a presença de água, fundamental para a existência de vida inteligente, mas comentou a presença da poeira radioativa, que é mortal à sobrevivência humana. O texto rendeu a José uma nota cinco e a vaga na UnB.

Apesar de ter um desempenho bom o suficiente para cursar Comunicação no Campus Darcy Ribeiro, em Brasília, Zé Mário optou por estudar perto de casa. “Uma amiga olhou a grade e não tinha Cálculo I. Além da minha afinidade pelo assunto, claro”, disse, alegando a sua escolha pelo curso em que foi aprovado. Apesar disso, José informa que conhece Matemática e que não teria maiores dificuldades quando estudasse o assunto. “Tenho facilidade em aprender e dominar conteúdo”, garante.

Dificuldades e objetivos

Para José Mário, a escolha pelo Vestibular da UnB teve um motivo bem simples: a vontade de querer mudar de vida, até mesmo pelo preconceito que encara por ser flanelinha. “Eu sei que não sou bem visto pela sociedade”, reclama. Apesar disso, Zé Mário garante tirar até R$ 1,5 mil por mês, com parte do dinheiro sendo aplicado em uma poupança, e até brinca com a profissão. “Não me vejo como flanelinha. Sou mais um relações públicas, porque faço amigos, não patrões”.

O curso de Gestão Ambiental promete ser um grande passo na vida difícil do flanelinha. Apesar de ter uma irmã e uma tia que passaram em concursos públicos, Zé Mário não levou os estudos adiante por causa de um casamento precoce. Pai de quatro filhos, José admite ter pouco contato com eles. “Sentia muita falta dos meus filhos quando cheguei a Brasília, então encontrei uma cachorrinha e resolvi adotá-la. Ela é tudo para mim”. Apesar de ainda não ter iniciado as aulas na UnB, José revela que seus planos não se limitam aos estudos: por ter grande afinidade com a cultura negra e ser praticante de capoeira, sendo conhecido como Mestre Maranhão, o flanelinha planeja abrir uma turma no campus e viver das aulas.

Fonte: Imirante.com

Bolsa de pós-graduação é única fonte de renda de muitos estudantes

0
Os cursos de Ciências Agrárias foram os que mais receberam bolsas de pós-graduação no Brasil em 2011, segundo dados da Capes. A área abrange os cursos de Agronomia, Engenharia Agrícola e Recursos Florestais e Engenharia Florestal. No total, são 5.916 bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado --mais da metade é para o mestrado Jean Marconi/Flickr

Os cursos de Ciências Agrárias foram os que mais receberam bolsas de pós-graduação no Brasil em 2011, segundo dados da Capes. A área abrange os cursos de Agronomia, Engenharia Agrícola e Recursos Florestais e Engenharia Florestal. No total, são 5.916 bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado –mais da metade é para o mestrado Jean Marconi/Flickr

Mariana Tokarnia, no UOL

Com valores mensais entre R$ 1.000 e R$ 4.000, as bolsas de pós-graduação são, quase sempre, a única fonte de renda de muitos estudantes no país. Eles se dedicam exclusivamente às dissertações, teses, à publicação de artigos e a leituras. É com a bolsa também que pagam despesas como o aluguel e a alimentação. O valor, segundo bolsistas, é insuficiente para algumas localidades, ou dá apenas para pagar as contas. Para aqueles que deixam a família e se mudam para estudar, a bolsa é o que garante a fixação na localidade. A partir deste mês, os estudantes recebem um reajuste de 10% nos valores.

O reajuste das bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado ofertadas pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) foi anunciado em março. Os novos valores começam a ser pagos agora: a bolsa de mestrado passa de R$ 1.350 para R$ 1.500, a de doutorado, de R$ 2.000 para R$ 2.200 e a de pós-doutorado de R$ 3.700 para R$ 4.100.

“A bolsa é interessante porque legitima a nossa função como estudantes, nos dá um aval de pesquisadores”, diz o doutorando em literatura da UnB (Universidade de Brasília) Douglas Sousa. “Mas o valor é ainda mais interessante para aqueles que não são de Brasília [onde o custo de vida é alto], que moram em residência própria. Eles podem usar a bolsa apenas para manutenção do curso, gastam com lanches, livros e viagens para congressos. Para nós que somos de outros Estados, temos que pagar aluguel, alimentação, além de bancar nossa participação em eventos científicos, que é quase uma obrigatoriedade para pós-graduandos”.

Custo de vida
Douglas veio de Socorro do Piauí, a 457 quilômetros da capital piauiense, Teresina. No Estado de origem fez graduação e mestrado. Para o doutorado, escolheu Brasília pelo intercâmbio cultural que teria: “Não precisa sair de Brasília para ter um pedacinho do mundo aqui”. Mas o preço é alto, apenas o aluguel consome 40% do que ganha.

“Eu posso dizer que não vivi Brasília culturalmente. Pesquiso dramaturgia e não tenho dinheiro suficiente para ir a várias apresentações”, diz o mestrando em literatura da UnB Francisco Alves. Ele veio de Boa Vista, Roraima. Francisco conta que sempre viveu intensamente as universidades por onde passou, sendo monitor e participando de projetos de pesquisa. “Em Roraima, na graduação, minha mãe alugou um quarto para mim perto da universidade. Disse que pagava o aluguel e o resto, eu me virasse”.

Ambos estudam uma média de seis a oito horas por dia. A bolsa é uma ajuda para que se dediquem exclusivamente à pós. Na UnB, de um total de 7,6 mil alunos de pós-graduação, 4,5 mil, quase 60%, são brasileiros que não residiam no Distrito Federal.

“Temos muitos alunos que vêm de outros Estados, alunos de classe média baixa que têm muita dificuldade em se fixar. A família sustenta na graduação, mas quando chega na pós, o estudante já é adulto e às vezes fica mais difícil para a família. Além disso, eles estão em uma fase da vida em que começam a se casar, ou já são casados, têm família para sustentar e isso dificulta enormemente a vida acadêmica”, constata o decano de pesquisa e pós-graduação da universidade, Jaime Martins.

“O valor da bolsa melhorou um pouco, mas ainda não é suficiente para que os estudantes possam viver em boas condições e para se dediquem exclusivamente à pesquisa. Não se trata de uma visão romântica, é algo prático, para que o estudante possa ter mais tempo dedicado ao trabalho e fazer aquilo da melhor forma possível. Com dedicação, melhor será o trabalho, melhor a publicação e mais mérito acadêmico para o aluno e para a universidade”, diz o decano.

Confira as áreas que mais recebem bolsas de pós-graduação no Brasil

Presos do DF leem dez vezes mais que a média do brasileiro

0

De acordo com pesquisa, 70% dos presos e 80% das presas se tornam leitores assíduos

Gustavo Frasão no R7

Divulgação

Projeto remissão de pena: presos poderão ser beneficiados com 48 dias a menos na prisão se lerem uma obra literária por mês e fizerem uma resenha sobre o livro a cada 30 dias

Projeto remissão de pena: presos poderão ser beneficiados com 48 dias a menos na prisão se lerem uma obra literária por mês e fizerem uma resenha sobre o livro a cada 30 dias

Presos têm um grande potencial para leitura. Uma pesquisa de mestrado feita na UnB (Universidade de Brasília) mostra que os detentos do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, leem em média 3 livros por mês, dez vezes a média do brasileiro, de 0,33 livros mensais ou quatro por ano, de acordo com dados da 3ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2012.

A pesquisadora Maria Luzineide Costa Ribeiro, responsável pelos estudos da UnB, disse que cerca de 70% dos presos que estão na PDF 1 (Penitenciária do Distrito Federal 1) no Complexo da Papuda, em São Sebastião, região administrativa do DF, tornaram-se leitores assíduos de livros de romance, ação, autoajuda  e literatura estrangeira dentro da cadeia. Os dados fazem parte da  dissertação de mestrado dela no curso de Letras apresentada no segundo semestre do ano passado.

Luzineide foi professora de Língua Portuguesa do sistema prisional durante 14 anos. Ela disse que nesse período observou que mesmo encarcerados e sem nenhum tipo de estímulo os internos tinham o hábito de ler. Interessada em pesquisar o assunto e confirmar essa impressão, ela levou a proposta para o Departamento de Teoria Literária e Literaturas da UnB e deu início aos estudos no ano de 2009.

Em 2010, ela voltou a penitenciária como pesquisadora e fez um primeiro levantamento. Aplicou questionários e avaliou os presos, que na Papuda são separados por crimes. Em 2011, ela e a equipe da UnB passaram 15 dias na cadeia promovendo oficinas literárias, com métodos dos próprios mestrandos da instituição.

— A recepção foi muito boa. Depois de coletar todos os dados, eu confirmei o que já sabia. Os presos realmente têm pré-disposição para a leitura.

Ela explicou que o próprio sistema ajuda a exercer esse hábito entre os internos, porque eles ficam 22h por dia dentro da cela. Os locais estão superlotados, mas por conta do ócio eles procuram ocupar o tempo fazendo leituras, mesmo com barulho, falta de espaço e conforto.

— Eles leem de dois a quatro livros por mês. Devem passar três ou quatro horas por dia lendo e se esforçam para concentrar na leitura, mesmo com o ambiente inadequado para esse procedimento.

Entre os autores preferidos estão Machado de Assis, Paulo Coelho e Oswaldo de Andrade. Os estilos de livros, no entanto, são os mais diversos. Os preferidos são temas de ação, romance, literatura estrangeira e até mesmo autoajuda.

(mais…)

Go to Top