Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Unilab

Professora travesti é preterida para cargo de reitora

0

lumaandrade-620x755
Estevão Bertoni, na Folha de S.Paulo

O ministro da Educação, Cid Gomes (Pros), frustrou na última sexta (13) parte dos alunos de uma universidade pública do Ceará que desejava ver uma travesti se tornar a primeira reitora do país.

Desde dezembro passado, um grupo de estudantes da Unilab (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira) pedia para que o ministro nomeasse Luma Andrade, professora travesti da instituição, como reitora. O movimento foi batizado de “Luma Lá”.

Luma é conhecida como a primeira travesti do Brasil a fazer um doutorado. Ela é autora de uma tese em educação na UFC (Universidade Federal do Ceará) defendida em 2012, sobre travestis nas escolas.

Para o movimento de estudantes, a escolha teria significado simbólico. “Nós já tivemos muitos nomes de homens importantes na história, de reitores, de presidentes. Essa escolha vai muito além, condiz com a questão da diversidade sexual”, defendeu o estudante Kaio Lemos, 35, que cursa bacharelado em humanidades e integra o centro acadêmico da faculdade.

Na sexta-feira, o nome do novo reitor foi publicado no “Diário Oficial” e não era o de Luma. Cid Gomes escolheu para o cargo Tomaz Aroldo da Mota Santos, 71, professor aposentado da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

A Unilab, criada em 2010 e instalada em maio de 2011 em Redenção (a 66 km de Fortaleza), ainda não possui um regimento que define uma consulta à comunidade acadêmica e a elaboração de uma lista tríplice que seja levada ao ministro na hora da definição de um novo reitor. Por isso, Cid Gomes podia escolher quem desejasse.

Luma diz que o nome anunciado foi uma surpresa. “Nós não o conhecemos, [Tomaz Aroldo da Mota Santos] é uma pessoa nova para a gente. Esperamos que dê tudo certo. Estamos torcendo, acreditando que é possível que ele faça um excelente trabalho e que se engaje no desenvolvimento da universidade. Acho que foi bem aceito, até agora não houve nenhum problema.”

Questionada sobre se ainda nutre o sonho de ser reitora, Luma desconversa e lembra que a iniciativa de ter o nome citado para o cargo partiu dos alunos. Sobre uma possível chance de ser lembrada nas próximas escolhas, ela responde: “A gente não tem como dar conta do futuro”.

NOVO REITOR

Formado em farmácia e doutor em ciências pela UFMG, da qual foi reitor de 1994 a 1998, Tomaz Aroldo da Mota Santos afirma que, por enquanto, não tem como saber como a comunidade acadêmica da Unilab recebeu seu nome, pois ainda não assumiu o cargo.

“Em geral, as comunidades iniciantes aceitam o fato de que é preciso a designação de um reitor temporário, que se constitui aos poucos junto com a comunidade e organize a universidade”, diz.

Para ele, a escolha do ministro está ligada à sua experiência na área da administração universitária. “É uma boa prática escolher alguém que já trabalhou na organização de outras universidades. Os professores contratados em universidades recém-criadas são também professores jovens. Não é comum que, entre eles, existam pessoas com essa experiência”.

Ele diz ter tomado conhecido do movimento “Luma Lá” pelos jornais e afirma acreditar que a Unilab deverá consultar sua comunidade acadêmica sobre os próximos reitores assim que o regimento for defindio. “Quanto ao desejo da comunidade universitária de escolher seu reitor, é absolutamente legítimo. É isso o que todas as universidades fazem e não será diferente com a Unilab.”

Segundo o Ministério da Educação, a universidade já enviou uma proposta de estatuto. Algumas adequações no texto, porém, foram solicitadas, mas a Unilab ainda não reencaminhou ao governo o documento com as alterações. O MEC afirma que decidirá sobre o estatuto após as mudanças finais terem sido feitas.

Alunos pressionam pela nomeação de professora travesti como reitora no CE

0
A professora trans Luma Andrade, cotada por estudantes para ser reitora no Ceará (Foto: Jarbas Oliveira/Folhapress)

A professora trans Luma Andrade, cotada por estudantes para ser reitora no Ceará (Foto: Jarbas Oliveira/Folhapress)

Estêvão Bertoni, na Folha de S.Paulo

Alunos de uma universidade pública do Ceará lançaram uma campanha para que uma professora travesti seja nomeada reitora da instituição.

O movimento “Luma Lá”, iniciado no final de dezembro por estudantes da Unilab (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira) pede para que o novo ministro da Educação, Cid Gomes (Pros), nomeie a professora Luma Andrade para o cargo.

Luma é conhecida como a primeira travesti do Brasil a fazer um doutorado. Ela defendeu em 2012 uma tese em educação na UFC (Universidade Federal do Ceará) sobre travestis nas escolas.

O cargo de reitor na universidade está vago desde o dia 1º de janeiro porque a ex-reitora Nilma Lino Gomes assumiu a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República.

Nilma foi a primeira negra a se tornar reitora de uma universidade brasileira. Caso seja escolhida, Luma será a primeira travesti reitora do país.

A Unilab, em Redenção (a 66 km de Fortaleza), é uma autarquia vinculada à pasta ocupada desde 1º de janeiro por Cid Gomes, ex-governador do Ceará.

Cabe ao ministro da Educação escolher o reitor, que não precisa ser necessariamente docente da instituição. Antes de assumir a pasta, Cid foi governador do Ceará (2007-14).

Segundo o estudante Kaio Lemos, 35, que cursa bacharelado em humanidades e integra o centro acadêmico da faculdade, o movimento de alunos já enviou um apelo por carta a Cid Gomes, quando ele ainda era governador, pela nomeação da professora.

“Se ela tem capacidade acadêmica, não tem nenhum problema para ela como travesti ser reitora”, afirma.

“Nós já tivemos muitos nomes de homens importantes na história, de reitores, de presidentes. Essa escolha vai muito além, condiz com a questão da diversidade sexual”, defende o estudante.

Segundo ele, o movimento gerou resistência de um grupo pequeno, “de oito a dez alunos”. “Mas isso é natural.”

Luma afirmou que foi pega de surpresa pela campanha e que recebeu a iniciativa como “um presente”. “Não foi uma afirmação minha. Fiquei muito feliz porque a campanha veio do grupo mais forte de estudantes da universidade e eles confiaram no meu trabalho”, diz.

Segundo ela, a campanha foi vista como uma afronta por muitas pessoas de dentro da Unilab. “Em todos os espaços temos pessoas conservadoras. É um espaço de disputa, uma relação de poder, e existem pessoas que querem essa função e que tinham certeza de que iriam ocupar esse espaço. De repente, surge o nome de uma travesti e isso veio da comunidade de estudantes, então foi um surpresa para todos.”

Cid Gomes ainda não definiu quem será o novo reitor da Unilab. O Ministério da Educação foi procurado, mas não se manifestou sobre o assunto até o início da tarde desta terça.

Go to Top