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‘Não precisei morrer de estudar’, diz primeiro lugar geral da UFPE

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Publicado por Vestibular e Educação

Com 8,6613 pontos, Rodrigo Mendes, 25 anos, vai cursar matemática.
Oito anos após ser aprovado para direito, ele resolveu mudar de carreira.

Rodrigo Mendes, 25 anos, comemora vaga em matemática; nota valeu primeiro lugar geral da UFPE. (Foto: Luna Markman/G1)

Rodrigo Mendes, 25 anos, comemora vaga em matemática; nota valeu primeiro lugar geral da UFPE. (Foto: Luna Markman/G1)

A Comissão de Vestibular (Covest) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) anunciou, na tarde desta quarta-feira (27), o nome do três candidatos com as maiores notas gerais da seleção 2013. Rodrigo Felipe Tavares Bezerra Mendes, 25 anos, foi o primeiro lugar, atingindo 8,6613 pontos. O jovem quer trocar a carreira jurídica – ele atualmente é servidor do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) – para seguir o curso de bacharelado em matemática, a verdadeira paixão dele.

O estudante Carlos André de Souza Reis ficou em segundo lugar, com a nota 8,3343, que o habilitou para o Conjunto das Engenharias, e Victor Oliveira Reis ficou com a terceira posição com 8,2623, conquistando vaga no curso de Engenharia da Computação. Eles estudaram nos colégios Equipe e São Luiz, respectivamente. A relação dos candidatos aprovados estará disponível no site e na sede da Comissão, no bairro do Derby, área central do Recife.

Rodrigo estudou no Colégio Militar do Recife, escola pública federal cujo ingresso é por meio de concurso. Em 2004, com 16 anos, foi aprovado em primeiro lugar no curso de administração da Universidade de Pernambuco, onde foi também o terceiro lugar geral. O jovem também passou em segundo lugar em direito na UFPE, opção escolhida por ele.

Em 2009, Rodrigo conquistou vaga no concurso do TJPE, mesmo sem concluir a graduação. Desde então, trabalha como técnico judiciário e está perto de concluir uma pós-graduação em direito público. Oito anos depois do primeiro vestibular, o rapaz decidiu seguir um sonho antigo e revezou a rotina de servidor público com a de estudante novamente. “Sempre etsudei matemática, que acho linda, e quero fazer com que as pessoas entendam a matéria”, explicou.

Nas horas vagas, Rodrigo estudava em casa e tinha aulas particulares de química. “Confesso que não abdiquei muito da minha rotina. Comecei a estudar em abril, viajei, saí com amigos. A minha sorte é que eu tenho facilidade de pegar os assuntos, não precisei morrer de estudar”, falou.

O jovem, que planejava ser juiz federal, agora quer ser professor de cursinhos pré-vestibulares. “Eu gosto desse clima de cursinho, é muito dinâmico. Fico entusiasmado com essa ânsia, essa empolgação pelo vestibular, e quero ajudar os alunos nisso”, disse o rapaz, que vai dispensar a tradição de raspar o cabelo. “Já passei dessa fase”, brincou.

Amigos e parentes parabenizaram Rodrigo por mais essa conquista. “Ele é muito inteligente, tem vocação para diversas áreas, mas a paixão dele mesmo é exatas, sempre foi bom em matemática”, contou o amigo George Valença. “Ele sempre foi muito responsável e amadurecido, tivara boas notas no Colégio Militar, onde o pai dele também estudou. Estou feliz com a escolha dele, pois sei que vai fazer o que gosta”, comentou a mãe de Rodrigo, Cláudia Mendes.

A história de quem acreditou no sonho

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Esaú é ex-aluno de escola pública e foi aprovado em 1º entre os cotistas

Esaú é ex-aluno de escola pública e foi aprovado em 1º entre os cotistas

Excelente aluno e filho de pais dedicados, Esaú venceu todas as dificuldades e conseguiu se formar em medicina. Ele recebeu homenagem dos colegas de turma

Margarida Azevedo, no JC Online

Entre os 78 alunos que colaram grau em medicina, na quarta-feira (12), pela Universidade de Pernambuco (UPE) estava Esaú da Silva Santos, 22 anos. Tornar-se médico, para ele, é a realização de um sonho. Seu e de sua família. De origem humilde, morador da zona rural de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, sua formatura é também uma história de superação. E exemplo para tantos jovens que desistem de encarar um vestibular com medo da concorrência.

No final de 2006 Esaú foi aprovado em primeiro lugar na UPE no grupo de candidatos cotistas. Ingressou na faculdade no primeiro semestre de 2007. Aluno de escola pública a vida inteira, escondeu dos amigos do 3º ano do ensino médio da Escola Estadual Marechal Eurico Gaspar Dutra, na UR-11, que prestaria vestibular para medicina. “Preferi não contar. Dizia que faria para biologia. Só minha família sabia a verdade. Se falasse para outras pessoas poderia não ter apoio”, relata.

Nos primeiros períodos do curso pensou em desistir. Para chegar à UPE, em Santo Amaro, ele caminhava meia hora. Depois, uma hora de ônibus. Em seguida, outra meia hora no segundo ônibus. “Não tinha condições de pagar as passagens para ir à faculdade. Havia também a incompatibilidade de arcar com livros, xerox, lanches. Minha turma sempre foi acolhedora, os colegas muito simpáticos. Comecei a receber ajuda de várias pessoas. Minha família também sempre me apoiou. Consegui continuar”, diz Esaú.

Esaú e o irmão mais velho, Jacó, hoje com 24 anos e formado em ciências sociais, aprenderam a ler em casa, com a mãe, Quitéria da Silva, que ajuda no sustento da casa vendendo produtos de beleza. O pai, Severino dos Santos, é agricultor. Cursou até a 4ª série, mas sempre estimulou os dois filhos a ler e estudar. “Minha mãe fez dois períodos de letras numa faculdade particular, mas teve que parar. Deixou para mim e meu irmão o sonho de concluir um curso superior”, conta Esaú.

A história do rapaz ficou conhecida nacionalmente em abril de 2008, contada pelo apresentador Fausto Silva em seu programa dominical da Rede Globo. Depois da exibição, muita gente ajudou Esaú. Ele ganhou livros, xerox, alimentos, roupas, sapatos e até móveis. Também dinheiro para reformar a casa.

Segunda-feira passada, na aula da saudade, a turma de Esaú o homenageou. O vídeo com a reportagem do Faustão foi mostrado e deixou o futuro médico surpreso e emocionado. “Todos da turma decidiram homenagear Esaú. Ele sempre foi muito estudioso, dedicado ao curso. É um exemplo que quando se quer é possível realizar um sonho”, afirma Bruno de Moura, 29 anos, da comissão de formatura.

Para o futuro, Esaú planeja concluir a residência em cirurgia geral e se dedicar aos pacientes. Quer também retribuir à família o que recebeu até agora. “Nada é impossível, apesar das dificuldades. Tentarei ser um bom profissional. E espero melhorar a vida dos meus pais e do meu irmão, pessoas tão importantes na minha vida.”

Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem

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