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Posts tagged Universidade de Yale

Quatro benefícios da leitura

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(Museu Picasso Barcelona/Divulgação)

 

As “reservas cognitivas” propiciadas pela leitura ajudam as células cerebrais a encontrar novas conexões em caso de danos causados por derrame

Publicado na Veja

– Ler ficção melhora o raciocínio
Estudo feito pela Universidade de Toronto mostrou que leitores de ficção tendem a recorrer menos ao chamado “fechamento cognitivo”, processo em que o indivíduo tira conclusões rapidamente, às vezes com base em informações incompletas, para satisfazer sua necessidade de “entender” um assunto. Os leitores de ficção, segundo os pesquisadores, usam menos esse expediente porque conseguem fazer raciocínios mais complexos, levando em conta nuances e ambiguidades.

– A leitura aumenta a longevidade
Um estudo da Universidade de Yale feito com 3 635 pessoas acima de 50 anos revelou que as que liam livros por trinta minutos diários viviam em média 23 meses mais que as que não liam. Pesquisadores atribuem o fato à melhora, proporcionada pela leitura, de dispositivos cognitivos associados à longevidade, como concentração, vocabulário, pensamento crítico e empatia.

– Quem lê tem melhor recuperação em caso de dano cerebral
Pesquisa feita pela Universidade de Santiago de Compostela mostra que, assim como o sangue se coagula para proteger o corpo de um ferimento, as “reservas cognitivas” propiciadas pela leitura ajudam as células cerebrais a encontrar novas conexões em caso de danos causados por derrame ou perda de memória.

– Ler ajuda a reduzir o stress
A leitura de um livro por seis minutos ajuda a diminuir em 68% o nível de stress. Psicólogos da Universidade de Sussex concluíram que, ao se concentrar em um livro, o indivíduo tem suas tensões nos músculos, inclusive os cardíacos, aliviadas de forma mais eficaz do que com outras opções relaxantes, como tomar um chá.

20 livros para entender Tom Wolfe e o que foi o jornalismo literário

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George W. Bush White House/Reprodução)

Pâmela Carbonari, na Superinteressante

A cada nove minutos, uma pessoa morre na cidade de Nova York. São 404 mortes por dia, e doenças cardíacas são a principal causa de óbito. Nesta semana, Thomas Kennerly Wolfe entrou para as estatísticas: morreu aos 88 anos em um hospital de Manhattan. Ao contrário da maioria da população da Big Apple, este nova-iorquino nascido em uma cidade no estado da Virgínia, que hoje tem tantos habitantes quanto os bairros de Upper West Side e Upper East Side juntos, faleceu de uma infecção. O cronista da vida americana, que respirava Nova York e sofria de pneumonia, deixa a esposa e dois filhos.

De terno bem cortado, olhar minucioso e sempre disposto a ironias, Tom Wolfe foi um dos fundadores do Novo Jornalismo, corrente jornalística da década de 1960 que inovou ao narrar a realidade com técnicas literárias, até então características da ficção. Radical Chique (1970) e A Palavra Pintada (1975) são alguns de seus principais livros jornalísticos.

Sem deixar o sarcasmo, as descrições ácidas e as críticas ao american way of life de lado, o escritor também se aventurou na ficção, com destaque para A Fogueira das Vaidades (1987) e Um Homem por Inteiro (1998) – o primeiro, considerado a grande novela de Nova York, virou filme com Tom Hanks, Morgan Freeman e Melanie Griffith.

Wolfe era doutor em estudos americanos pela Universidade de Yale. Para tornar seus escritos mais vívidos e realistas, ele acreditava que era necessário organizar o texto cena por cena como uma novela, usar a maior quantidade possível de diálogos, se concentrar nos detalhes para construir os personagens e escolher um ponto de vista para contar a história.

Pergunte a um jornalista quem são suas referências de boa reportagem: é muito provável que, além de Tom, surjam nomes como Truman Capote, Gay Talese, Norman Mailer (notório desafeto de Wolfe), Joel Silveira, Joan Didion ou Hunter Thompson. Eles foram os repórteres mais inovadores do século 20, criaram, cresceram com o Novo Jornalismo (que é velho mas não envelheceu) e a obra deles segue viva, irreverente e necessária.

Aqui, cinco livros para conhecer o trabalho de Wolfe e outras leituras fundamentais do jornalismo literário:

O Teste do Ácido do Refresco Elétrico, Tom Wolfe (1968)
Radical Chique, Tom Wolfe (1970)
O Novo Jornalismo, Tom Wolfe (1973)
A Palavra Pintada, Tom Wolfe (1975)
Os eleitos, Tom Wolfe (1979)
Fama e Anonimato, Gay Talese (1970)
A Sangue Frio, Truman Capote(1966)
Os Exércitos da Noite, Norman Mailer (1968)
Medo e Delírio em Las Vegas, Hunter S. Thompson (1971)
O Álbum Branco, Joan Didion (1979)
O segredo de Joe Gould, Joseph Mitchell (1965)
A Milésima Segunda Noite na Avenida Paulista, Joel Silveira (2003)
O Jornalista e o Assassino, Janet Malcom (1990)
O Gosto da Guerra, José Hamilton Ribeiro (1969)
O Traidor, Jimmy Breslin (2008)
Operação Massacre, Rodolfo Walsh (1957)
Hiroshima, John Hersey (1946)
Filme, Lilian Ross (1952)
O Imperador, Ryszard Kapuściński (1978)
Esqueleto na Lagoa Verde, Antônio Callado (1953)

A leitura faz você feliz: 10 boas razões para ler mais

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Gisella Meneguelli, no Green Me

Ler não é apenas fundamental: é necessário! Um livro nos coloca em contato com o outro, nos tira de nós mesmos, nos faz lançar um novo olhar para o mundo. Além de ser uma ótima companhia!

Quando lemos, ficamos sabendo sobre assuntos que não conhecíamos ou dos quais sabíamos muito pouco. O nosso repertório cultural se amplia quando entramos em narrativas imaginárias.

A nossa capacidade imaginativa fica mais elástica e menos formatada, sobretudo, quando é tão fácil termos a mão um smartphone com conteúdos selecionados de acordo com o nosso perfil. A leitura de um livro nos dá uma liberdade de trânsito por outros universos culturais com muito mais solidez do que as fórmulas prontas das redes sociais.

Por isso, aqui estão as 10 razões pelas quais vale a pena você ler mais:

1. Os protagonistas das histórias que preferimos estão de alguma forma relacionados com a nossa vida. Alguns estudos sugerem que muitas pessoas se lembram de ter lido pelo menos uma história que tenha mudado suas vidas e que isso leva a mudanças reais no cérebro. Em suma, alguns personagens podem “influenciar” nosso modo de pensar e nosso comportamento. Também por esta razão é importante escolher não casualmente o que se lê ou o que se lê para uma criança.

2. Estreitamente ligado ao ponto anterior, a leitura gera empatia. A leitura, de fato, leva a uma espécie de simulação de experiências sociais e, portanto, a uma maior empatia com os outros, a uma maior criatividade e a um comportamento cooperativo.

3. Regularmente a leitura de romances aumenta a conectividade de diferentes áreas do cérebro, incluindo as associadas ao processamento linguístico e à resposta sensorial primária, o que ajuda a compreender e visualizar o movimento. E, de acordo com o estudo publicado na revista Brain Connectivity, isso permanece mesmo depois de terminar o livro.

4. Ler um livro estende sua vida. De acordo com a pesquisa da Universidade de Yale em New Haven, de fato, os leitores, independentemente do sexo e estilos de vida, vivem dois anos mais do que aqueles que não tocam em uma folha.

5. A leitura ajuda no desenvolvimento das crianças: a leitura em voz alta para os filhos é um hábito precioso porque estimula o cérebro e melhora o desenvolvimento da linguagem.

6. A leitura combina o sono: ler antes de ir dormir é um bom hábito por vários motivos, sendo um deles adormecer mais sereno.

7. Reduz o estresse e previne ansiedade e depressão: estudos epidemiológicos descobriram que muitos pacientes que sofrem de ansiedade e depressão tiveram um declínio nos sintomas ao ler constantemente romances. Por outro lado, também foi demonstrado que a leitura relaxa os sentidos.

8. Ler em voz alta para cães ajuda as crianças. Parece estranho, mas não é. De fato, uma pesquisa mostrou que ler em voz alta para um cachorro pode ajudar as crianças em idade escolar a melhorar suas habilidades de leitura e construir relacionamentos positivos com os livros e a escola.

9. A leitura abre a mente e cura as feridas da alma porque uma história se conecta com o mundo, fornece incentivos para sair de uma dificuldade ou inconveniente, ajuda a enfrentar o medo de falhas e dores e a entender que elas fazem parte da vida.
10. A leitura estimula toda a atividade cerebral e aumenta a conectividade do cérebro, é um remédio para a memória e, em geral, para todas as funções cognitivas.

Ficou convencido de que ler faz bem para o corpo e para a alma? Vale ler romance, poesia, biografia, enfim, qualquer livro que lhe dê prazer, felicidade ou que o faça sair do eixo!

Estudo conclui que quem lê livros tende a viver mais

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Hábitos de leitura. Foto: Reuters

Hábitos de leitura. Foto: Reuters

 

De acordo com uma nova investigação, quem habitualmente lê livros vive, em média, mais dois anos do que aqueles que não têm hábitos de leitura

Publicado no TVI 24

São diversos os estudos que revelam que a leitura tem múltiplos benefícios para a saúde. Agora, uma nova investigação concluiu que aqueles que cultivam mais frequentes hábitos de leitura têm, em média, mais dois anos de esperança de vida do que os restantes.

De acordo com o New York Times, o estudo levado a cabo por Becca L. Levy, professora de epidemiologia na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, analisou dados de 3635 pessoas com idades acima dos 50 anos. Os cientistas dividiram a amostra em três grupos: os que não liam livros, os que liam até três horas e meia por semana e o os que liam mais do que isso.

Comparativamente com o grupo que não lia de todo, aquelas pessoas que tinham o hábito de ler livros até três horas e meia por semana tinham menos 17% de probabilidade de vir a morrer nos 12 anos seguintes. Já os que liam mais do que isso, tinham menos 23% de probabilidade de vir a morrer nesse espaço de tempo.

Apesar de os motivos não terem sido enunciados, concluiu-se que há uma ligação semelhante com a leitura de jornais, ainda que mais tênue.

O estudo revelou ainda que a maioria dos leitores são mulheres, pessoas que possuem mais elevados níveis de alfabetização e que pertencem a grupos com rendimentos mais altos.

Segundo o The Independent, um estudo de 2008 da “Prison Reform Trust” já tinha revelado que há uma ligação entre os níveis de alfabetização e o crime. De acordo com esse estudo, cerca de 48% dos prisioneiros britânicos eram praticamente analfabetos.

Um outro estudo feito na Universidade de Pádua, em Itália, concluiu que as crianças que têm mais acesso à leitura de livros tendem a poder esperar maiores rendimentos, enquanto adultos, do que aquelas que não tinham acesso à leitura.

“Nossa ênfase é ensinar a pensar”

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Uma conversa com Peter Salovey, presidente da Universidade de Yale, sobre o ensino acadêmico nos EUA e no Brasil

Peter Salovey, presidente da Universidade de Yale (Foto: Divulgação)

Peter Salovey, presidente da Universidade de Yale (Foto: Divulgação)

Publicado na Época Negócios

“Não se deve dar aos alunos pacotes de informação, tipo: ‘eu tenho umas informações na minha cabeça e preciso colocá-las na sua cabeça’. A educação superior não diz respeito a isso.” A afirmação é de Peter Salovey, presidente da Universidade de Yale, uma das maiores dos Estados Unidos, com mais de 11 mil alunos e orçamento anual de US$ 3,2 bilhões, equivalentes a R$ 7,3 bilhões (para comparação, a cidade de São Paulo, com 12 milhões de pessoas, tem orçamento de R$ 50,6 bilhões em 2014).

Salovey é um defensor daquilo que classifica como educação liberal. “Ensinamos os alunos a pensar, a viver. Isso envolve saber leitura crítica, comunicação, análise de idéias complexas, trabalho em equipe”, diz. A seguir, Salovey fala a NEGÓCIOS sobre essas e outras diferenças entre o ensino superior nos EUA e no Brasil. Também diz como gasta o dinheiro da universidade, como a internet está afetando o modelo de negócios de Yale e por que ele está atrás de estudantes de outros países para levar para lá.

Você é presidente de Yale. Numa universidade americana, qual é a diferença entre “presidente” e “reitor”?
Quando fui reitor, eu tomava conta de uma faculdade específica [dentro de Yale]. Fui reitor da escola de artes e ciências, que é onde se formam os PhDs, e reitor da faculdade de Yale [a graduação]. Depois fui “provost”, uma espécie de vice-presidente acadêmico, para quem todos os reitores se reportam. Como presidente, tenho três papéis principais. Um é articular a visão da universidade e alinhar o campus em torno dessa visão. Outro é recrutar para cargos de liderança. O terceiro é representar a universidade externamente, o que pode envolver a busca por fundos, a execução de parcerias internacionais… Ser a cara da universidade.

O que veio fazer no Brasil?
Primeiro, participar de uma conferencia patrocinada pelo Santander, no Rio de Janeiro, que reuniu 1.100 líderes de diferentes universidades do mundo. Também assinamos acordos com universidades brasileiras, que envolvem programas para estudantes e colaboração em pesquisa. Com a FioCruz, assinamos um acordo global de colaboração em saúde. Com a USP, um que contempla diferentes áreas, particularmente psiquiatria e desenvolvimento de crianças. Amanhã vamos assinar um com a Santa Cruz, sobre estudos florestais e ambientais, que tratam do problema do desmatamento na Bahia.

Esses acordos significam que Yale vai colocar dinheiro de alguma forma nessas universidades brasileiras?
Não, eles não são acordos de alocação de recursos. Na verdade, são acordos para prover estrutura para pesquisa, aprimoramento de professores, identificar universidades com quem podemos trabalhar juntos em tópicos de interesse comum.

A internet tem mudado a educação superior, principalmente após iniciativas como a Khan Academy. Como você vê essas mudanças? De que forma abrir cursos grátis online (o que Yale faz) ajuda o modelo de negócios da Universidade?
Sobre os ‘MOOCs’ [massive open online courses, como a Khan Academy], acho que esses cursos, que todas as universidades estão oferecendo – nós temos 45 na Open Yale e agora fizemos mais quatro com a Coursera – são uma ótima forma de levar a universidade a um público que de outra forma não poderia ter essa experiência. Para um lugar como Yale, eles não competem de fato com o ensino em sala de aula. Eles vão para milhões de pessoas, enquanto nosso campus vai ter sempre somente 11 mil alunos.

Mas acho que o mais interessante [sobre internet e educação] é a forma como as ferramentas online estão mudando as aulas. Quando, antigamente, eu ensinava psicologia, costumava ir para a frente da classe e dar uma aula. Agora, faço o contrário. Coloco minhas aulas online, para que eles assistam como lição de casa, e aproveito o tempo em sala para fazer coisas muito mais ativas, que envolvem experimentos, interação em grupos, trabalhar diretamente comigo em discussões de pontos específicos. Acho que os alunos aprendem muito mais.

A maior parte das aulas de Yale já acontece dessa forma?
Não, não, isso está apenas começando. São as chamadas ‘flipped classrooms’ [aulas invertidas], onde se inverte aquilo que se faz como lição de casa e na sala. Outra forma como o online está mudando a educação é a criação de comunidades formadas para aprender em conjunto. Nossa escola de economia formou, com outras 27 universidades de negócios, uma pequena comunidade online que tem aulas conjuntas, grupos de discussão e até projetos.

Você acha que, para algumas carreiras, poderá haver uma formação totalmente online com o mesmo nível do curso presencial?
Acho que sim, em algumas áreas. Mais em educação profissional. Mas a questão é outra. Não se deve tentar dar aos alunos pacotes de informação, tipo: ‘eu tenho umas informações na cabeça e preciso colocá-las na sua cabeça’. A educação superior não diz respeito a isso. Não na tradição da educação liberal. O que tentamos fazer é ensinar os alunos a pensar e a viver, para o resto de suas vidas. E isso envolve aprender leitura crítica, comunicação, análise de ideias complexas, trabalho em time – e tudo isso funciona melhor com o ensino cara a cara. As ferramentas online podem melhorar isso tudo, mas não substituir.

Como assim “tradição da educação liberal”?
Educação liberal significa uma educação que cria o pensamento livre. A livre troca de idéias. A ênfase é menos no conteúdo específico, ou no conteúdo voltado especificamente para uma profissão – ainda que você vá ter isso também. Mas não importa o que você esteja aprendendo ou ensinando, a ênfase estará em habilidades como comunicação, pensamento crítico, debate de ideias. Não é simplesmente tirar informação da cabeça de um professor e enfiar na cabeça de um aluno – você terá isso também, claro, mas a ênfase é outra. A ideia é criar líderes. E isso tem menos a ver com conhecimentos específicos do que com a habilidade de pensar, se comunicar, criar, resolver problemas e trabalhar com outras pessoas.

Qual o orçamento anual de Yale?
É por volta de 3,2 bilhões de dólares.

De onde vêm os recursos?
Um terço vem dos ‘endowments’, que são basicamente doações que nos últimos 300 anos nós transformamos em investimentos e fizemos crescer. Nós gastamos mais ou menos 1 bilhão de dólares desse montante por ano. Outro terço vem da escola de medicina, principalmente contratos com o governo para fazer pesquisas e atendimentos clínicos. O outro terço é todo o resto: matrículas, ingressos para os jogos de futebol americano etc.

E de que forma vocês gastam?
A gente tenta se guiar pelo interesse dos estudantes: quais as áreas em que o mundo precisa de conhecimento e pesquisa agora? E, claro, o interesse da faculdade: onde já temos uma tradição acadêmica forte e podemos criar coisas grandes.

Quais as coisas mais caras nesse orçamento?
Universidades são basicamente pessoas e prédios. Essas são as duas principais categorias de gastos: pagar pessoas e construir – e manter – prédios. Manter prédios é bem caro. TI também é uma coisa cara, porque pesquisas precisam de computadores de alto desempenho. Essas são as duas grandes categorias, mas têm outras que são importantes também. Só em assistência financeira para estudantes, a gente gasta 120 milhões de dólares. Isso é para estudantes estrangeiros que vêm fazer faculdade em Yale: 65% dos estrangeiros que vêm a Yale têm algum tipo de assistência, que na média fica em 50 mil dólares por aluno. É bastante dinheiro.

Qual o percentual de estrangeiros em Yale?
Na graduação, mais ou menos 10% são estrangeiros. Para pós-graduação, um terço vem de fora. Em pós-doutorado, a maioria já é estrangeira.

Esses percentuais surgiram de forma espontânea ou vocês criaram algum tipo de cota?
Para pós e PhDs, foi espontâneo, porque os mais talentosos nesse nível estão espalhados pelo mundo, não estão nos EUA. Para graduação, fizemos um esforço consciente para aumentar esse número. Dez anos atrás, era 2% ou 3%, agora é 10% ou 11%.

Por que fizeram isso?
A gente acha que o ambiente acadêmico fica muito mais rico quando é composto por pessoas de diferentes partes do mundo. Especialmente a experiência de um estudante dos EUA, quando ele divide quarto ou estuda junto com estudantes que não pensam da mesma forma, que não vêem o mundo da mesma forma. Valores diferentes. A outra coisa é: a gente sempre tenta recrutar as pessoas mais talentosas, e elas estão por aí, não apenas nos EUA.

Nas universidades brasileiras, não se vê o mesmo senso de empreendedorismo que existe nas americanas. Por que o senhor acredita que esse elemento existe com tanta força lá?
Acho que algumas pessoas não percebem que a universidade pode ser um motor do desenvolvimento econômico. A pesquisa básica, feita na universidade, é um tipo de pesquisa difícil de fazer na indústria, porque está muito distante de ser um produto, mas é o tipo que vai fornecer os grandes insights lá na frente. Além disso, a forma como as leis de patente são escritas nos EUA encorajam as universidade a transferir a propriedade intelectual para os alunos [que criam produtos ou fazem pesquisas]. A universidade fica com uma parte de qualquer ganho futuro, mas transfere amplamente os direitos para quem desenvolveu o projeto. O governo encoraja isso mesmo para pesquisas que sejam bancadas pelo governo.

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