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Aluno ganha bolsa em universidade internacional graças aos bolos da mãe e aos vídeos no YouTube

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Jovem do Rio vai estudar no exterior depois de fazer vídeos da mãe decorando bolos

Jovem do Rio vai estudar no exterior depois de fazer vídeos da mãe decorando bolos

Universidade Minerva tem sede nos EUA e campi em outros seis países; inscrições para seleção da nova turma estão abertas.

Vanessa Fajardo e Lívia Torres, no G1

Gabriel Ferreira Dias, de 19 anos, vai deixar o Rio de Janeiro para morar em sete países diferentes nos próximos quatro anos. Ele foi aprovado na Universidade Minerva, sediada nos Estados Unidos, mas que tem a proposta de fazer com que os alunos estudem cada semestre em um país diferente. Outros 11 brasileiros estão na turma que começa em setembro.

Após o primeiro ano letivo comum a todos os alunos, em São Francisco, eles seguem para Seul, Taipei (Taiwan), Hyderabad (Índia), Berlim, Londres e Buenos Aires. Os estudantes precisam optar por uma das seis áreas de ensino: artes e humanidades; ciências sociais; computação; ciências naturais e negócios.

Gabriel viaja em 22 de agosto, e vai estudar negócios. Não foi só o inglês fluente e as boas notas do currículo escolar que o fizeram ser aceito e ganhar 90% de bolsa na Minerva. Para quem não tem nenhum desconto, o custo é de cerca de R$ 90 mil por ano, incluindo despesa de alojamento e refeições. As universidades americanas valorizam muito as atividades extracurriculares dos candidatos. Gabriel se destacou ao aliar o feeling para os negócios e a herança empreendedora da família, e criar um curso on-line de decoração de bolos ministrado pela mãe.

“Meu avó era dono de padaria, a família teve negócios pequenos, sempre quis ter algo. Em 2015, minha mãe decorava bolos por encomenda. Meu pai achava que ela tinha muito jeito para ensinar. Eu adoro gravar, adoro tecnologia, e queria empreender, era uma forma de botar em prática. Começamos a vender cursos”, diz Gabriel.

Ele grava as aulas, edita e bota os vídeos no ar. Os cursos já foram vendidos para mais de 250 pessoas. Os vídeos no YouTube e Facebook têm mais de 19 milhões de visualizações.

Gabriel Ferreira Dias, de 19 anos, é um dos brasileiros aprovado na Minerva; universidade tem sede nos Estados Unidos (Foto: Arquivo pessoal)

Gabriel Ferreira Dias, de 19 anos, é um dos brasileiros aprovado na Minerva; universidade tem sede nos Estados Unidos (Foto: Arquivo pessoal)

 

O carioca acredita que a veia empreendedora tenha sido o diferencial da sua candidatura. “Você não precisar ser o cara que ganhou uma medalha de ouro na Olimpíada de Física para entrar. Eu nunca ganhei uma medalha de olimpíada científica. Eu gosto de empreendedorismo. Eu me envolvi de alma. O que é sua paixão e o que faz para desenvolvê-la?”

‘Fazer diferença no mundo’

Gabriel fez o ensino médio no Sistema Elite, no Rio, como bolsista. Ao concluir a educação básica, além de ser aceito pela Minerva, passou no curso de administração na PUC-Rio e na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mas desistiu das vagas porque queria ir para o exterior. “Há cinco anos eu tenho vontade de estudar fora, a Minerva era a faculdade que eu mais queria pelo fato de ser diferente, de passar por sete países. Esse é um diferencial, vai ser bom se adaptar a outras culturas e aprender como é o mundo de verdade. Quem quer fazer diferença no mundo tem de conhecer o mundo.”

Inscrições abertas

As inscrições para a seleção da nova turma da Minerva estão abertas desde o dia 1º de agosto e vão até 16 de março de 2018, pelo site https://www.minerva.kgi.edu/application/start. O processo seletivo inclui entrevista, produção de texto e testes de lógica, matemática e inglês, feitos pelos candidatos no seu próprio computador, com a webcam conectada aos selecionadores, que observam o comportamento e o raciocínio dos estudantes.

Além do histórico escolar, é necessário comprovações de atividades extracurriculares, como participação em trabalho voluntário ou olimpíadas do conhecimento. A instituição avalia o perfil de liderança e empreendedorismo dos potenciais alunos.

A Minerva possui atualmente 500 estudantes de 55 países, sendo que o Brasil está em terceiro lugar no número de matriculados, atrás apenas de EUA e China.

Brasileiro fará parte da 1ª turma de universidade cursada em seis países

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Guilherme Nazareth, de 19 anos, vai fazer parte da primeira turma da Minerva, a universidade que aboliu as salas de aula (Foto: Divulgação/Universidade Minerva)

Guilherme Nazareth, de 19 anos, vai fazer parte da primeira turma da Minerva, a universidade que aboliu as salas de aula (Foto: Divulgação/Universidade Minerva)

Universidade Minerva tem modelo inovador que aboliu as aulas tradicionais.
Guilherme Nazareth, de 19 anos, trocou a UFRGS pela iniciativa americana.

Ana Carolina Moreno, no G1
O gaúcho Guilherme Nazareth de Souza, de 19 anos, embarca na próxima quarta-feira (27) para São Francisco, nos Estados Unidos, para integrar a primeira turma da Universidade Minerva. O projeto, que pretende revolucionar o modelo de ensino superior praticado no mundo, inicia o primeiro semestre letivo em 8 de setembro com 32 alunos de 13 países, como China, Suécia, Trinidad e Tobago, Palestina e Estados Unidos. As aulas do primeiro ano acontecerão na Califórnia, seguido de um ano dedicado só a estágios. No ano letivo seguinte, os alunos viverão em Buenos Aires (Argentina) e Berlim (Alemanha). Depois, vão morar em outras quatro cidades em vários países, antes de conseguirem o diploma de graduação.

Guilherme, de Porto Alegre, é o único brasileiro a integrar a turma inaugural da instituição, que é reconhecida como uma universidade pelo governo americano, mas pretende ser completamente diferente de outras instituições do país e do mundo: tanto as aulas quanto as salas de aula foram abolidas pelos professores que desenharam o curso, a maioria com décadas de experiência nas mais conceituadas universidades americanas. Além disso, o campus é composto apenas dos dormitórios dos estudantes e a cada semestre eles mudarão de país para estudar dentro de realidades distintas.

“A Minerva só oferece seminários [formato de aula participativa, baseado mais na interação dos alunos do que na explicação do professor], e as salas têm até 19 alunos”, explica o jovem. “Os alunos são obrigados a trabalhar antes, a estudar antes e ir para o seminário com o conhecimento.”

O verbo “ir” é usado pelo brasileiro apenas por força do hábito, já que as atividades letivas acontecem nos quartos de cada estudante, e todos interagem com a “classe” pelo computador, conectados com a webcam e microfones. Para garantir que todos os alunos estejam acompanhando o curso, os professores optam por estimular a participação de todos no seminário e aplicar provas de surpresa. “Na Minerva você não só tem provas ao final do semestre, mas os alunos podem ser testados a cada momento, e o professor pode programar uma questão na própria aula.”

Os alunos podem definir seu currículo dentro de cinco grandes áreas: ciências da computação, ciências sociais, artes e humanidades, ciências naturais e negócios. No primeiro ano, porém, todos os estudantes passarão por um ciclo básico destinado a ensinar os jovens a pensar de forma crítica, a se expressar e a desenvolver técnicas de liderança.

Como aluno da turma inaugural, Guilherme terá bolsa integral da anuidade do curso (de US$ 10 mil, cerca de R$ 22 mil), além de não precisar pagar pelo dormitório (com custo de US$ 12 mil, ou cerca de R$ 28 mil) nem no primeiro ano nem no segundo, caso decida estagiar em São Francisco. Os gastos com comida são estimados em US$ 6 mil dólares (cerca de R$ 13 mil). Mesmo sem saber se conseguiria bolsa, Guilherme explica que o valor da Minerva também foi um atrativo. “As melhores universidades dos Estados Unidos têm cursos que podem chegar a 60 mil dólares”, disse ele.

Na Universidade Minerva, as salas de aula foram abolidas (Foto: Reprodução/Universidade Minerva)

Na Universidade Minerva, as salas de aula foram
abolidas (Foto: Reprodução/Universidade Minerva)

Selecionado dentro do próprio quarto
Até o processo seletivo, que tradicionalmente é padronizado nos Estados Unidos, tem inovações. Guilherme passou por todas as etapas dentro do próprio quarto. “Ele é completamente diferente, foi criado para ser acessível aos [candidatos] internacionais, não pede SAT [Scholastic Assessment Test, ou Teste de Avaliação Escolar]. O compromisso da Minerva é aplicar teste de QI nos seus candidatos para que ele mostre o resultado cognitivo”, explicou o jovem.

Os testes de lógica, matemática e inglês são feitos pelos candidatos no seu próprio computador, com a webcam conectada aos selecionadores, que observam o comportamento e o raciocínio dos estudantes. A exigência de uma papelada de documentos também é menor: além do histórico escolar, eles pedem comprovações de atividades extra-curriculares, como participação em trabalho voluntário ou olimpíadas do conhecimento, e avaliam o perfil de liderança e empreendedorismo dos potenciais alunos.

A última etapa, segundo ele, é a mais difícil: uma entrevista via webcam com os selecionadores, onde, além de responder às perguntas, os candidatos precisam escrever uma redação em um site de compartilhamento de arquivos onde os professores acompanham seu processo criativo.

Ao contrário de muitos estudantes brasileiros interessados em estudar nos Estados Unidos, Guilherme não faz o perfil típico de exatas nem participou de olimpíadas. A matemática que o atrai é a aplicada à economia, curso que ele decidiu seguir ao concluir o ensino médio no Colégio Anchieta, em Porto Alegre, e ingressar na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Logo no início, porém, ele diz ter se desencantado com o curso. “Eu estava acostumado com a ideia de fazer a faculdade na federal. Entrei em março do ano passado [2013] e me senti bem pouco exigido, então decidi logo no primeiro mês que iria aplicar para universidades no exterior”, contou ele.

Formação multinacional
As primeiras tentativas de conseguir uma vaga de graduação fora do país não deram certo, segundo Guilherme, porque o jovem manteve a matrícula na instituição federal gaúcha, o que, segundo ele, não é bem visto pelas instituições atrás de novos alunos. “Decidi trancar o curso para não perder o semestre. Foi uma coisa que prejudicou muito minha aplicação”, explicou.

Meses depois, em outubro do ano passado, ele descobriu a Minerva e decidiu participar do processo seletivo. Depois de meses, foi um dos dois brasileiros que ganharam uma vaga –o outro acabou decidindo não fazer a matrícula, segundo a assessoria de imprensa da universidade.

Guilherme acredita que a liderança que ele exerceu no grêmio estudantil do seu colégio foi um dos fatores, além das notas altas na escola, que garantiram sua vaga. “Espero muito trabalho, já estou sendo acostumado com a ideia de que vai ser um currículo muito rigoroso, como eu gostaria”, diz.

Enquanto não embarca para os Estados Unidos, Guilherme aguarda com ansiedade os próximos anos vivendo em São Francisco e nas capitais argentina e alemã. Os demais destinos do terceiro e quarto anos ainda não estão definidos, mas as cidades onde a Minerva tem buscado locais para acolher os jovens são Hong Kong, Mumbai, Londres e Nova York.

Daqui a cinco anos, o gaúcho diz que espera receber o diploma depois de ter adquirido um conhecimento impossível de encontrar em outra universidade. “Eu sairia endividado, tendo que trabalhar direto, não teria tempo de conhecer o mundo. Na Minerva vou fazer isso ao mesmo tempo em que vou estudar. Vou poder conhecer problemas de outras partes do mundo, e também descobrir as soluções que deram para eles.”

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