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Ong oferece 200 bolsas de estudo integrais em escolas de elite do Rio e SP

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Além da mensalidade, bolsistas ainda terão custeadas as despesas de material escolar, transporte e alimentação

Davi Lira, no Último Segundo

Divulgação/Ismart Atuais alunos bolsistas estudam em escola como o Colégio Santo Américo em São Paulo

Divulgação/Ismart
Atuais alunos bolsistas estudam em escola como o Colégio Santo Américo em São Paulo

Alunos estudiosos de baixa renda, interessados em estudar gratuitamente em instituições recordistas do Enem e com mensalidades que chegam a custar mais de R$ 3.500, podem se candidatar para as 203 bolsas de estudos integrais oferecidas pelo Instituto Ismart. As inscrições, que podem ser feitas tanto pelo candidato quanto por sugestão de um professor, devem ser realizadas pelo site da ONG até o dia 22 de julho.

No Estado de São Paulo serão selecionados até 148 bolsistas e na cidade do Rio de Janeiro serão oferecidas até 55 vagas. Podem participar do processo seletivo apenas alunos matriculados no 7º ou no 9º ano do ensino fundamental, tanto da rede pública quanto da rede privada de ensino. A seleção é composta por cinco etapas eliminatórias: um teste online, prova presencial, entrevista individual, visita domiciliar e dinâmica de grupo. O resultado final do processo será anunciado em dezembro.

Além de garantir o pagamento da mensalidade escolar para os candidatos selecionados, o Ismart – uma organização sem fins lucrativos – ainda custeia os valores referentes ao material escolar, uniforme e despesas com transporte e alimentação.

Para participar do processo seletivo, o aluno deve ter idade adequada à série. Ou seja, até 13 anos para os estudantes do 7º ano e até 15 anos para o do 9º ano, completos no dia 31 de dezembro de 2014. Além disso, o estudante não dever ter nenhum histórico de reprovação escolar e a renda familiar per capita deve ser de até dois salários mínimos mensais.

7º ano

Os estudantes do 7º ano selecionados nesta edição farão parte do chamado Projeto Alicerce a partir de 2015. Nesta modalidade, são previstas a concessão de até 135 bolsas integrais para a realização de estudos durante os 8º e 9º anos em um dos colégios parceiros do instituto.

Na cidade de São Paulo, o candidato poderá ganhar a bolsa no Colégio Bandeirantes, no Objetivo ou o Santo Américo. Em São José dos Campos, o Objetivo e o Poliedro estão entre os participantes. Na cidade do Rio de Janeiro, o candidato pode vir a ser selecionado para ganhar uma bolsa de estudos no Colégio pH ou no São Bento.

O Projeto Alicerce oferece aos alunos um cursinho preparatório para o ensino médio nessas escolas parceiras. O curso é realizado no contraturno durante o 8º e 9º anos. Ou seja, o aluno deve permanecer na escola de origem durante um turno do dia e no outro deve frequentar o cursinho preparatório que visa prepará-lo para os competitivos vestibulinhos dessas instituições de elite.

Ao fim dos dois anos de estudos complementares, se o candidato for aprovado no exame e cumprir com as regras do programa, ele sai da escola de origem e passa a ser bolsista no colégio particular parceiro durante todo o ensino médio.

9º ano

Já os alunos do 9º ano disputam uma das 68 vagas previstas para essa modalidade. Os candidatos selecionados entram como bolsistas do chamado Projeto Bolsa Talento. Nesse caso, eles vão diretamente cursar todo o ensino médio, gratuitamente, a partir de 2015.

Na cidade de São Paulo, serão ofertadas até 33 vagas nos colégios Arquidiocesano, Etapa, Lourenço Castanho, Móbile e Objetivo. Em Cotia, serão abertas até dez vagas no Colégio Sidarta. Já em Sorocaba, a previsão é que sejam ofertadas outras dez vagas no Colégio Uirapuru. Já quem mora no Rio de Janeiro pode concorrer a uma das 15 vagas do Colégio pH.

Participantes de outras cidades

Mesmo com a seleção voltada, prioritariamente, a alunos que residem na respectiva cidade que se localiza a escola, o instituto abre a seleção para candidatos que moram em outras localidades. Assim, além de no Estado de São Paulo o processo estar aberto a estudantes residentes em Cotia, Sorocaba, São José dos Campos e na capital, alunos de cidades vizinhas, como as da região do ABC, também podem se candidatar a uma das bolsas de estudo.

A ONG alerta, contudo, que os custos de deslocamento para participar de todas as fases do processo seletivo ficam por conta dos candidatos. Já no Rio de Janeiro, só alunos que moram na capital podem participar.

Arquivo pessoal Ex-bolsista, Raul Passos, morador do Campo Limpo (SP), atualmente estuda Direito na PUC

Arquivo pessoal
Ex-bolsista, Raul Passos, morador do Campo Limpo (SP), atualmente estuda Direito na PUC

Ex-bolsistas

Uma vez conquistada a bolsa de estudos, um dos caminhos naturais dos estudantes selecionados é o ensino superior. Segundo a ONG, a maioria dos bolsistas sai do ensino médio diretamente para a universidade. “O maior contigente hoje está na USP”, afirma a organização. Atualmente o instituto tem cerca de 900 bolsistas ativos no Estado de São Paulo e no Rio. E esses estudantes que conseguem entrar em faculdades de excelência continuam sendo apoiados. Todos eles ganham uma bolsa-auxílio de um salário mínimo por mês além de acesso a programas de desenvolvimento e orientação profissional.

Um desses ex-bolsistas do programa que está na universidade e recebe esse auxílio é estudante Raul Passos. Hoje com 19 anos e aluno de Direito na PUC-SP, Passos representa bem o perfil dos alunos bolsistas selecionados pela ONG. Com o pai vigia e a mãe professora, o jovem morador do bairro do Campo Limpo, zona sul de São Paulo, era considerado uma exceção na escola pública onde estudava.

“Eu sempre fui um cara de desafio e sempre gostei bastante de estudar. Partiu de mim a iniciativa de concorrer à bolsa de estudos no Santo Américo”, fala Passos, lembrando de sua decisão de participar da seleção do Ismart em 2008. Já selecionado, mesmo com a vantagem de não “ter tido nenhum gasto para estudar” durante todo o ensino médio, o jovem fala que não foi fácil se adaptar à rotina de estudos nem ao novo ambiente socioeconômico dos novos companheiros de classe. O Colégio Santo Américo, localizado na área do Morumbi, é considerado um dos colégios mais caros de São Paulo. E para chegar até a escola, o jovem gastava cerca de duas horas no ônibus.

“O colégio era completamente diferente da minha realidade. Enquanto nos finais de semana eu ficava em casa estudando, os colegas da minha sala comentavam os passeios a Miami e Bariloche que haviam feito com a família. Fiquei bastante perdido no início, depois, com o passar do tempo e apoio de outros companheiros do Ismart e da equipe de psicopedagogas do programa, me adaptei melhor”, lembra o estudante.

O choque de realidades enfrentado pelo estudante não foi capaz de desistimulá-lo. “Pelo contrário, isso fez com que eu me voltasse ainda mais aos estudos e fosse em busca de novos desafios. Me dei conta que o meu grande sonho era ajudar outras pessoas que não tinham oportunidades”, afirma.

Um dos caminhos possíveis para isso foi o Direito. Ao fim do ensino médio, Passos passou nos vestibulares da concorrida Universidade Federal do Rio de Janeiro, na federal da Paraíba e na PUC-SP. “Preferi ficar em São Paulo. Agora, já comecei a estagiar em um escritório de advocacia, mas no futuro quero trabalhar na área social dentro do direito criminal, no magistério ou como defensor público”, afirma o jovem.

O caminho do estudante certamente pode servir de exemplo para a atual bolsista do Ismar, Ingrid Cardoso, de 13 anos. Participante do Projeto Alicerce, a jovem moradora do Jardim Mitsutani, zona sul de São Paulo, vê na chance de estudar numa escola de elite uma oportunidade real de concretizar seu sonho. “Se eu continuasse estudando na minha escola atual, sei que não teria um futuro brilhante. O ensino é fraco em relação a escolas particulares de alto nível. Além disso, nem todos os professores estão interessados em ajudar o estudante. Sem falar nos alunos que atrapalham o rendimento dos que querem aprender”, diz Ingrid, que estuda numa escola pública do bairro.

Bastante interessada em cálculo e lógica, a jovem estuda diariamente. “Quero muito realizar o meu sonho de ser engenheira civil”, afirma Ingrid, que ainda está no 8º ano, mas que já planeja o seu futuro desde já.

Getty Images/Reprodução Para tirar todas as dúvidas, esclareça algumas questões importantes sobre o processo

Getty Images/Reprodução
Para tirar todas as dúvidas, esclareça algumas questões importantes sobre o processo

Perguntas & Respostas

Para esclarecer ainda todas as etapas da seleção e estimular futuros “Raul´s” e novas “Ingrid´s”, o iG Educação solicitou ao Ismart um maior detalhamento sobre eventuais dúvidas que os candidatos, possivelmente, podem vir a ter durante o processo de admissão. Confira a nossa seção de perguntas e respostas:

1. O que é preciso ter em mãos para fazer a inscrição on-line?
Se o professor é quem faz a inscrição, basta informar o seu nome completo, e-mail e uma senha para acesso ao sistema. Para indicar seus alunos, o professor deve localizar a escola no sistema e em seguida, preencher o cargo que ocupa e informar quantos alunos deseja indicar ao processo seletivo. De seus alunos, é preciso informar o nome completo, a série, a escola e o projeto em que deseja inscrevê-los, além de e-mail e documento de identificação, sendo que este último não é um campo de preenchimento obrigatório.

Se a inscrição é feita diretamente pelo aluno, ele deve informar seu nome e e-mail para proceder ao cadastro. Na tela seguinte, o estudante deve informar o nome da escola pública onde estuda e então ser encaminhado para outra etapa, onde deve informar o nome de seus responsáveis legais, telefone, documento de identificação e endereço. Para responder às outras questões, não é necessário ter qualquer documento em mãos.

2. Como será a prova on-line?
O teste online já pode ser feito pelo aluno logo após o preenchimento das informações cadastrais no site. Fica, portanto, disponível durante todo o período em que as inscrições para o processo seletivo estarão abertas. Nela, são avaliados conhecimentos básicos de português e matemática. São dez questões de cada disciplina. E a duração do teste online é de uma hora.

3. Quais outros critérios serão avaliados no processo de concessão da bolsa?
O aluno deve ser estudioso, gostar de aprender, ter boas notas no boletim e apresentar comportamentos que demonstram motivação, autonomia, persistência e habilidades de comunicação – entendidas como habilidades socioemocionais – importantes para seu sucesso no projeto. São jovens diferenciados, que geralmente se destacam na escola pública.

4. Como deve ser feito o cálculo da renda per capita?
O limite de renda per capita é de R$ 1.448. Para saber se o candidato preenche esse requisito basta somar a renda de todos os membros da família que moram na casa e dividir pelo número de moradores. O resultado não pode ser superior a R$ 1.448, que é o valor do salário mínimo (R$ 724) multiplicado por dois.

5. Quais são os critérios para que o bolsista do ensino médio ganhe a bolsa na faculdade?
Para continuar como bolsista do Ismart, o aluno precisa ser aprovado em cursos escolhidos pelo Conselho Diretor e em faculdades com quatro ou cinco estrelas definidas pelo Guia do Estudante. A bolsa do Ismart compreende auxílio no valor de um salário mínimo por mês e a oferta de programas de desenvolvimento para que os alunos, ao se formarem, ocupem posições de destaque no mercado de trabalho. Além disso, os alunos devem alcançar média geral acima de 7,0 durante todo o ensino médio.

Divulgação/Ismart Convenção de alunos bolsistas e seus familiares realizada em São Paulo neste final de semana

Divulgação/Ismart
Convenção de alunos bolsistas e seus familiares realizada em São Paulo neste final de semana

Entrevista

Confira a seguir a entrevista que fizemos com Maria Amélia Salum, diretora executiva do Ismart, sobre a importância da identificação de jovens talentos, especialmente, em escolas públicas do país.

1) Essa iniciativa do Ismart tenta suprir a ausências de políticas públicas de identificação de estudantes talentosos e até superdotados no Brasil?
Sabemos que desafios do ensino público são inúmeros, porém os programas do Ismart não têm o intuito de suprir quaisquer lacunas nas políticas educacionais da rede pública de ensino, nem tampouco de diagnosticar deficiências desse tipo. A ideia contida por detrás dos projetos do Ismart tem a intenção de atuar de modo complementar às políticas educacionais implementadas pela rede pública.

No entanto, mesmo sabendo que o maior contingente de alunos está situado dentro de um nível intermediário de desempenho, sabemos que é preciso também atentar para os “extremos”, para aqueles que são chamados pela legislação de “educandos com necessidades educacionais especiais”. E é justamente neste último grupo que o Ismart deseja cooperar com a rede pública de ensino: buscamos atuar de forma a colaborar com a atenção dada aos alunos com maior capacidade de aprendizagem, com o único objetivo de dar a eles a oportunidade de desenvolverem seu pleno potencial.

2) Esses alunos identificados pelo Ismart são uma exceção da média geral de estudantes matriculados nas escolas públicas brasileiras? Ou existem muitos mais “gênios” não reconhecidos?
Sim. Nosso aluno é uma exceção, em termos de desempenho acadêmico, da média geral de estudantes de escolas públicas. Mas apenas de uma perspectiva, já que podem existir muitos “gênios” ainda escondidos por aí. A própria definição do que é um “gênio”, do que é um “talento”, é sempre reformulada por estudiosos das mais diversas áreas. Os alunos que hoje recrutamos são uma exceção do ponto de vista das atuais ferramentas de avaliação de desempenho, mas existem inúmeros alunos talentosos escondidos nas escolas públicas com habilidades socioemocionais, por exemplo, ainda não identificadas por testes padronizados e que podem ser destaques no futuro, no exercício dessas capacidades.

3) A senhora defende a implantação de um “ProUni da educação básica”, o programa de bolsas a universitários em faculdades privadas?
O ProUni é hoje um programa que tem apresentado importantes resultados no sentido de ampliar o acesso dos alunos de escolas públicas à universidade. No entanto, a replicação da estrutura de um mecanismo voltado ao Ensino Superior pode não apresentar a mesma eficácia. Nossa experiência tem mostrado que a replicação de um modelo em larga escala e para diferentes etapas de ensino só pode obter resultados se são respeitadas as especificidades de cada fase, com uma estrutura de acompanhamento bastante próximo.

4) Qual foi o caso que chamou mais atenção do Ismart? Lembra de algum estudante que tinha muitas limitações e que hoje é uma grande referência para a equipe?
Acredito que talvez o termo correto não seja “limitações”. No Ismart associamos esse termo a elementos intrínsecos, da pessoa. E não acreditamos, em momento algum, que o fato de o aluno vir de um contexto de baixa renda seja uma limitação. Mas encontramos, sim, uma certa defasagem de conhecimento, de repertório, e é justamente com vistas a preencher estas lacunas que desenvolvemos nosso plano de acompanhamento. Temos histórias de vários bolsistas, que enfrentaram inúmeros desafios por conta destas lacunas, e hoje já ingressaram em universidades de excelência e no mercado de trabalho, ocupando posições de destaque.

Garoto de 13 anos dá aula para universitários nos EUA

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Interessado em tecnologia e educação, menino-prodígio Quin Etnyre usa conhecimentos para ensinar linguagem de programação de computador.

Publicado por G1

Quin desenvolveu o 'gas cap', um boné que detecta emissão de gás metano por humanos (Foto: BBC)

Quin desenvolveu o ‘gas cap’, um boné que detecta
emissão de gás metano por humanos (Foto: BBC)

Em menos de três anos, Quin Etnyre, de 13 anos, aprendeu a escrever programas de computador, criou sua própria companhia e, em seu tempo livre, começou a ensinar graduados do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês).

Movido pelo interesse em tecnologia e em educação, Quin, que mora com a família na Califórnia, desenvolveu kits para ajudar crianças a mergulhar no mundo da programação eletrônica.

A longo prazo, o menino-prodígio tem planos de revolucionar o sistema de ensino, ensinando conceitos básicos de programação e facilitando a interação entre alunos e computadores.

Jovem professor

Quin ensina crianças e adultos a escrever programas usando a plataforma de hardware Arduino.

‘Arduino é um minicomputador, mais ou menos do tamanho de um cartão de crédito, que você pode programar e é muito fácil de usar’, ele diz. ‘Crianças podem usar e programar com facilidade.’

Em uma sala de aula em Pasadena, Califórnia, vestindo uma camiseta do MIT, cercado por alunos que variam entre pré-adolescentes e homens e mulheres com pelo menos 5 anos a mais que ele, Quin agradece a presença de todos e diz que esta contente em poder dar mais uma aula.

‘Ele é um ótimo professor, considerando que tem apenas 13 anos’, diz um dos alunos de Quin. ‘Ele é provavelmente muito melhor que outros professores, em relação à maneira de ensinar e de passar a mensagem.’

Projetos

Entre os projetos desenvolvidos por Quin está o ‘gas cap’, um boné de baseball que detecta emissões de gás metano por humanos.

Ele também criou o ‘FuzzBot’, um pequeno robô comandado por uma placa arduino e que usa sensores para desviar de obstáculos e operando um espanador, ajudando sua mãe na limpeza da casa.

Sobre o futuro, Quin conta que quer ser ‘um educador, um designer de interação e experiência do usuário e um engenheiro eletrônico’.

Os pais contam que não se preocupam com o fato de Quin gostar de coisas não muito comuns para meninos da idade dele.

‘É importante ser criança, ter 12, 13 anos agora. Outras coisas fora da esfera dos eletrônicos deixam ele feliz, e isso nos deixa contentes.’

Flupp vai premiar textos produzidos por universitários

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Publicado em O Globo

RIO – A Festa Literária das Periferias (Flupp) vai premiar os universitários que participarem das mesas literárias promovidas pelo evento, entre os dias 20 e 24 de novembro, em Vigário Geral. Entre as recompensas está uma viagem de uma semana para Paris, com direito à hospedagem. As inscrições devem ser feitas pelo site da Flupp.

Para participar, os estudantes terão que produzir um texto de 45 linhas sobre as mesas que assistiu. O material será avaliado por uma comissão de professores e receberá notas de zero a dez. Os alunos do curso de Letras receberão certificados que podem contar como crédito.

A avaliação final será feita por um sistema de pontuação que agregará pontos a quem chegar cinco minutos antes do início de uma mesa, permanecer até o final ou levar um convidado.

Além da viagem para Paris, os participantes concorrem a 10 e-readers kindle, 30 vale-livros no valor de R$ 40 e 30 ingressos de cinema. Também podem se inscrever alunos matriculados em cursos de extensão universitária e integrantes da Flupp Pensa (processo de formação de leitores e autores da Flupp).

Livros ficam mais baratos no Brasil, mas cai o número de leitores

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Novos números mostram valores irrisórios do e-book e crescimento do segmento de livros técnicos

Novos números mostram valores irrisórios do e-book e crescimento do segmento de livros técnicos
Foto: Breno Airan/ Arquivo

Publicado originalmente no Tribuna Hoje

Estimado em R$ 4,8 bilhões, o mercado editorial brasileiro está produzindo mais e imprimindo mais. Em termos de faturamento, no entanto, o crescimento de 2011 comparado ao de 2010 foi mínimo, de apenas 0,81% – já descontada a inflação e somadas as vendas das editoras para livrarias e leitor final e também para o Governo. Se excluídas dessa conta as expressivas compras do Governo, sobretudo o Federal, que sustentam muitas editoras, o que se registrou, no último ano, foi queda real de 3,27%. As informações são da pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro 2011, revelada nesta quarta-feira, 11, em São Paulo.

Feita pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) por encomenda da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e Sindicato Nacional de Editores (Snel), a pesquisa ouviu 178 editoras, uma amostra considerada por Leda Paulani, da Fipe, como suficiente estatisticamente. São cerca de 500 as editoras ativas no País.

Para Karine Pansa, presidente da CBL, 2011 foi um ano ruim para todos os setores da economia se comparado ao anterior. “Livro não é produto de primeira necessidade, como o arroz e o feijão, e vai ser o primeiro item a deixar de ser comprado.” Mas ela ressalta que o mercado está seguro. “Estamos vivendo um momento de estabilidade com tranquilidade por saber que o mercado está estruturado para se manter mesmo em momentos difíceis”, comenta Pansa.

E está sendo um momento difícil especialmente para o segmento de obras gerais, que registrou queda de 11,07% no faturamento – caindo de pouco mais de R$ 1 bilhão em 2010 para R$ 903 milhões em 2011. Essa queda tem sido contínua. Em 2010, o faturamento já tinha ficado 6,38% menor do que o do ano anterior.

Também ganhou-se menos dinheiro com os livros religiosos – R$ 464 milhões em 2011 contra R$ 494 milhões em 2010. Aqui, vale lembrar que a edição anterior da pesquisa mostrava que o setor era o que mais crescia. Se agora a queda é de 6%, em 2010 o crescimento foi de 24%.

Quem cresceu mesmo em 2011 foi o segmento de livros científicos, técnicos e profissionais (CTP). Ele faturou R$ 910 milhões contra os R$ 739 milhões de 2010. O aumento, de 23,10%, pode ser relacionado ao boom da educação superior, expresso no aumento de estudantes universitários e numa maior demanda por livros técnicos, apontou Leda.
Os didáticos ainda são responsáveis pela maior fatia deste mercado e o setor teve um crescimento de 7,87% em relação a 2010, quando o faturamento foi de R$ 1,1 bilhão. O setor fechou 2011 com R$ 1,18 bilhão.

Produção. Foram produzidos, no total, 58.192 títulos em 2011 – em 2010 o número era 54.754. Desse total, 20.405 foram feitos em primeira edição e 37.787 se referem a reimpressões; 4.686 são títulos traduzidos e 53.506 de autores brasileiros. Em exemplares produzidos, o número foi parecido: 492.579.094 (2010) e 499.796.286 (2011).

Outro dado que chama a atenção refere-se às tiragens das obras em primeira edição, que ficaram 33,39% menores em 2011, totalizando 90.112.709 exemplares impressos. A Fipe diz que uma mudança na nomenclatura da questão na pesquisa pode ter influenciado na conta, mas há outros fatores.

Para Karine Pansa, existe hoje a necessidade de ter mais e mais títulos em primeira edição para garantir maior espaço de exposição nas livrarias. Sonia Jardim, presidente do Snel, concorda: “Com a competição, a estratégia das editoras muda. Elas ampliam a oferta de lançamentos e diminuem a tiragem, e rezam para alguma coisa funcionar. Se funciona, você entra então na reimpressão.” Foram reimpressos 409.683.577 exemplares, 14,66% a mais do que no ano passado.

Venda. Dos R$ 4,8 bilhões que o mercado editorial fatura, R$ 3,4 bilhões são de venda para livrarias e outros canais de distribuição e R$ 1,3 bilhão para o Governo – e esse valor depende sempre dos programas de compra vigentes naquele ano.

As livrarias ainda são o lugar preferido dos brasileiros para comprar livros. Elas são responsáveis por 44% dos exemplares vendidos e por 60% do que se fatura com livro no País. Em termos de faturamento, aparecem na sequência distribuidores (20,5%), porta a porta (4,97%), escolas (2,8%), igrejas e templos (1,74%). Supermercado, banca de jornal e internet são alguns dos outros canais de venda.

O segmento de venda porta a porta, que tinha 16,6% do mercado em 2009 em número de exemplares comercializados, saltou para 21,6% em 2010 e fechou 2011 com 9,07%. A crise da Avon, responsável por boa parte dessas vendas, e o aumento da participação de igrejas e templos na venda de livros (4,03% em 2011 contra 1,47% em 2010) podem ter sido alguns dos fatores deste desempenho. O faturamento desse canal, apesar de menor que os outros, também teve um bom crescimento – de R$ 18 milhões em 2010 para R$ 60 milhões no ano passado.

Foram vendidos, em 2011, 469.468.841 exemplares – dos quais 283.984.382 para o mercado e 185.484.459 para o Governo.
Preço. O livro está ligeiramente mais barato e hoje custa, em média, R$ 12,15. Em 2010, o valor era R$ 12,94. O valor pago pelo governo, no entanto, ficou em R$ 7,48. Esses números não são comparáveis, já que por comprarem em quantidades altíssimas, os órgãos responsáveis por essas negociações fazem o preço. Por outro lado, esse valor mais baixo do livro para o consumidor final pode estar relacionado ao aumento da oferta de obras mais econômicas, como as em formato de bolso.

O preço do livro tem ficado mais barato a cada ano e o setor se preocupa. “A competição entre as editoras é alta e chega uma hora que isso tem que ter um limite. Olhamos com preocupação para o futuro. Quando vemos que o crescimento está abaixo da inflação e do PIB temos que estar atentos. Daqui a pouco vamos pagar para comprarem nossos livros e isso é impossível”, diz Sonia Jardim.

Digital. Pela primeira vez, a pesquisa da Fipe incluiu os e-books. “Estamos na fase de investimento. Como o número é pequeno, qualquer crescimento é geométrico, mas o número é inexpressivo”, comenta Sonia. Foram vendidos, no total, 5.235 itens digitais – de arquivos em PDF a aplicativos. O faturamento ficou em R$ 868 milhões.

A chegada da Amazon também esteve em pauta na apresentação da pesquisa. “Esperamos que a Amazon venha aumentar o mercado, não acabar com nenhum elo da cadeia e nem assombrar nenhum editor. Esperamos, então, que ela venha complementar a oferta de títulos e aumentar a possibilidade de distribuição de uma maneira mais igualitária dentro do nosso país, já que não temos livrarias em todos os municípios”, comenta Karine Pansa.

“Olhamos com algum temor para o que aconteceu no mercado americano. A segunda maior cadeia de livrarias ter quebrado lá é uma preocupação. Esperamos que a entrada de um player desses, com um poder de fogo enorme, não venha dar uma chacoalhada no nosso mercado e que todos consigam conviver em paz e harmonia. Que a Amazon venha para fazer crescer o mercado, e não para desestabilizá-lo”, avalia Sonia Jardim.

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