Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged universos fantásticos

O linguista que já criou mais de 40 idiomas artificiais – incluindo o valiriano e o dothraki de Game of Thrones

0
 O alto valiriano é a língua materna de Daenerys Targaryen, uma das protagonistas da série 'Game of Thrones' Foto: Divulgação / PureBreak

O alto valiriano é a língua materna de Daenerys Targaryen, uma das protagonistas da série ‘Game of Thrones’
Foto: Divulgação / PureBreak

 

David J. Paterson é o responsável por elaborar substantivos, verbos e regras gramaticais que ajudam na construção de universos fantásticos.

Publicado no Terra

Quando o linguista americano David J. Paterson ouviu a frase “Athchomar chomakaan!” na televisão, ele era uma das únicas pessoas no mundo que sabia o que aquelas palavras significavam.

O motivo é simples: a língua à qual a frase pertence foi inventada pelo próprio Paterson – é uma das quatro que ele criou para a série Game of Thrones (HBO), cuja sétima temporada termina neste domingo.

Formado na universidade de Berkeley, na Califórnia, o línguista de 36 anos cria idiomas desde que era adolescente. Diz ter pedido a conta de quantos já fez, mas estima o número em 40.

“A minha primeira – e isso é até um pouco vergonhoso – se chamava megdavi, uma junção do meu nome com o de minha namorada na época”, conta.

“Percebi que era uma língua ruim e inútil, aí fui criando outras e me aperfeiçoando até ficar contente com o resultado”, afirma.

Para criar os idiomas usados em Game of Thrones , Paterson participou de um concurso em que competiu com outras 40 pessoas. “Só quatro foram para a segunda fase. Foi uma competição difícil”, diz.

As línguas inventadas não são apenas palavras com sons estranhos faladas a esmo – elas têm vocabulários com substantivos, verbos e outras classes de palavras, regras gramaticais e tudo o que é comum na maioria dos idiomas de verdade.

Paterson baseou o contexto e o vocabulário de cada idioma no material da série de livros de George R. R. Martin que inspirarou o drama da HBO, mas precisou criar todo o resto – como a gramática e sintaxe.

Além do dothraki, ele fez mais três línguas completas para o programa. O alto valiriano, uma língua comum e antiga que deu origem a outras – como uma espécie de latim da ficção -, aparece bastante na série.

Mas as outras duas – o idioma dos gigantes e o idioma dos “filhos da floresta” – mal chegaram a ser usadas.

Ele fez também o esboço de um idioma para os white walkers , espécie sombria que cria zumbis e é antagonista da trama.

Perfeccionismo

“Quando ouvi pela primeira vez o ator Roger Allam (que interpretou o personagem Illyrio Mopatis, em algumas temporadasda série) falar a frase ‘bem-vindo’ em dothraki, achei que houvesse um erro” conta o americano.

O ator disse “Athchomar chomakaan”, que na língua inventada se usa para das boas vindas para uma pessoa sozinha e que não pertence àquele povo. Mas o correto seria “athchomar chomakea”, porque ele estava falando com um grupo.

“Mas me dei conta de que, quando inclui a frase no roteiro, não tinha como saber com quantas pessoas ele estaria falando”, afirma Paterson.

Apesar o prestígio das línguas de Game of Thrones , o idioma inventado favorito de Paterson é o Irathient, que ele criou para para a série de ficção científica Defiance, do canal Syfy (disponível no Brasil pelo Netflix).

“Ele tem 18 classes de substantivos, coisa que só raramente as línguas reais têm”, diz, orgulhoso.

10 Citações de O Oceano no Fim do Caminho de Neil Gaiman

0

1

Amanda Leonardi, no Literatortura

Gaiman é um dos mais aclamados e surpreendentes escritores contemporâneos. Seus livros, geralmente conhecidos por serem supostamente dirigidos ao público infanto-juvenil, trazem universos fantásticos, tais como Coraline, Stardust, O Livro do Cemitério e a saga de quadrinhos Sandman. Porém, mais recentemente, o autor lançou um livro que, assim como toda a sua obra, é um conto de fantasia que, apesar de parecer à primeira vista infanto-juvenil, por contar sobre a infância de seu narrador – incluindo diversos elementos fantásticos – é sobre muito mais que isso.

Nesta obra para todas as idades (pessoalmente, o vejo como sendo mais adulto do que infantil, mas é também encantador para ser lido por leitores mais jovens), Gaiman traz, neste curto livro, profundas reflexões sobre o sentido da vida e da arte, sobre a transição entre infância e a fase adulta, a importância da literatura e sobre o conhecimento de si mesmo e do mundo, como um infinito oceano transposto em um pequeno lago. As metáforas brilhantes do livro são apenas a superfície da complexidade e lirismo contido nesta obra inovadora de Gaiman. O livro contém tantas citações inspiradoras que é difícil escolher apenas dez, mas aqui está uma seleção de dez citações de O Oceano no Fim do Caminho. Mergulhe nesta lista e comente quais as suas citações preferidas, caso não estejam listadas aqui.

“I make art. Sometimes I make true art. And, sometimes, it fills the empty places in my life. Some of them. Not all.”

“Eu crio arte. Às vezes, arte verdadeira. E, às vezes, isso preenche os espaços vazios na minha vida. Alguns deles. Não todos.”

Nesta passagem, logo no início do livro, o narrador reflete sobre a importância da arte em sua vida. Para quem já assistiu o discurso de Gaiman sobre arte, isso faz mais sentido ainda. Se ainda não o assistiu, assista!

“I lay in bed and lost myself in stories. I like that. Books are safer than other people anyway.”

“Deito-me na cama e me perco em histórias. Gosto disso. Os livros são mais seguros do que as outras pessoas mesmo.”

Aqui, vemos uns dos trechos do livro com uma das mais interessantes reflexões sobre a importância da literatura, assim como uma das passagens mais citadas desta obra.

“I lived in books more than I lived anywhere else.”

“Vivia em livros mais do que em qualquer outro lugar.”

Outra passagem marcada pela paixão pela literatura do narrador. Algo que leitores de Gaiman – e leitores e geral – podem vir a se identificar.

“Small children believe themselves to be gods, or some of them do, and they can only be satisfied when the rest of the world goes along with their way of seeing things.”

“Crianças pequenas acreditam que são deuses, ou algumas delas acreditam, e só podem se satisfazer quando o resto do mundo concorda com o seu jeito de ver as coisas.”

Este é um dos trechos nos quais Gaiman denota a diferença entre crianças e adultos, mostrando a visão de dominar o mundo que uma criança pode ter (e geralmente tem).

“Adults follow paths. Children explore.”

“Adultos seguem caminhos. Crianças exploram.”

Outro trecho brilhante onde vemos a visão de Gaiman da infância como uma época de descoberta do mundo, pois crianças, que tendem a ser mais originais e verdadeiras, exploram em vez de seguir caminhos já traçados, pois, diferentemente dos adultos, não estão cansadas do mundo ou acostumadas a uma rotina redundante.

“I went away in my head, into a book. That was where I went whenever real life was too hard or too inflexible.”

“Fui para longe na minha cabeça, em um livro. Era para onde eu ia sempre que a vida real ficava muito difícil ou inflexível.”

Mais uma passagem que demonstra a importância da leitura.

“Nobody actually looks like what they are on the inside. You don’t, I don’t. People are much more complicated than that.”

“Ninguém se parece de verdade com que é por dentro. Você não se parece, nem eu. As pessoas são muito mais complicadas do que isso.”

Neste trecho, Lettie Hampstock, a amiga do protagonista, o explica que a humanidade é mais complexa do que pode aparentar.

“Grown-ups don’t look like grown-ups on the inside either. Outside, they’re big and thoughtless and they always know what they are doing. Inside, they look just like they always have. The truth is, there aren’t any grown-ups. Not one, in the whole wide world.”

“Adultos não parecem com adultos por dentro também. Por fora, são grandes e descuidados e sempre sabem o que estão fazendo. Por dentro, parecem com quem sempre foram. A verdade é que não existem adultos. Nenhum nesse mundo inteiro.”

Esta é uma das passagens onde um dos importantes aspectos desta obra é mais enfatizado: a diferença entre crianças e adultos e a passagem para a fase adulta – revelando que, na verdade, adultos são apenas crianças que cresceram, mas continuam os mesmos.

“You don’t pass or fail at being a person, dear.”

“Você não é aprovado ou reprovado em ser uma pessoa, querido.”

Aqui vemos a sabedoria da avó de Lettie Hampstock, mostrando ao protagonista que ser uma pessoa é muito mais do que uma simples prova.

“How can you be happy in this world? You have a hole in your heart. You have a gateway inside you to lands beyond the world you know. They will call you, as you grow. There can never be a time when you forget them, when you are not, in your heart, questioning after something you cannot have, something you cannot properly ever imagine, the lack of which will spoil your sleep and your day and your life, until you close your eyes for the final time, until your loved ones give you poison and sell you to anatomy, and even then you will die with a hole inside you, and you will wail and curse at a life ill-lived.”

“Como você pode ser feliz nesse mundo? Você tem um buraco no seu coração. Um caminho dentro de você para terras além do mundo que você conhece. Esses caminhos vão te chamar, no decorrer da sua vida. Nunca haverá um segundo no qual você conseguirá esquecê-los, no qual você não estará procurando por algo que não pode ter, algo que você não consegue sequer imaginar direito, e a falta disto irá arruinar o seu sono e o seu dia e a sua vida, até que você feche os olhos pela última vez, até que os seus entes queridos lhe dêem veneno e o vendam para anatomia, e ainda assim você morrerá com um buraco dentro de você, e você irá lamentar-se e praguejar por uma vida mal vivida.”

Este é um dos mais profundos e interessantes trechos desta obra. Aqui, Gaiman reflete sobre a sobrevivência no mundo quando se tem uma ânsia por algo mais, por encontrar algo, algum caminho, que se desconhece – caminho este que muitos percorrem através da arte.

Go to Top