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Professor é impedido de assumir cargo público por ser considerado obeso

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Reprodução/Facebook

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Eduardo Schiavoni, no UOL

Um professor de química de Aguaí (SP) foi impedido de assumir cargo público no concurso da Secretaria de Educação de São Paulo. Mesmo classificado em 5º lugar, ele foi rejeitado no exame pericial por conta de sua obesidade.

Contatado pelo UOL, o Departamento de Perícias Médicas do Estado informou, em nota, que o candidato apresenta doença grave (obesidade mórbida), o que o considera inapto para ingresso no Estado.

“A obesidade, por si só, não é considerada fator impeditivo para o ingresso na carreira pública. Já no caso da obesidade mórbida, se faz necessária uma avaliação mais detalhada, dadas as doenças oportunistas”, diz a nota.

José Luís de Sá da Silva, 21, é recém-formado, tem 1,74m de altura e pesava 132 quilos quando passou pela perícia médica para assumir uma das seis vagas de professor na Diretoria de Ensino de São João da Boa Vista (SP).

De acordo com a perícia, realizada no dia 5 de março, o IMC (Índice de Massa Corporal) de José Luís era de 43,5. Valores acima de 40 são classificados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como obesidade mórbida.

O professor, que se diz humilhado, recorreu e pediu nova perícia que será realizada nesta terça-feira (15). Ele está fazendo dieta para ser aprovado e acredita que a norma é “absurda”.

“Estou gordo, mas não sou incapaz. Tenho direito a ter um emprego como qualquer pessoa. Eles dizem que não é discriminação, mas no fim das contas é sim”, disse.

Ele afirma que dá aulas como temporário na rede estadual há mais de dois anos e que nunca deixou de ir ao trabalho ou teve qualquer falta motivada pelo sobrepeso. Ao ser contratado, segundo ele, apresentou um exame médico que atesta sua capacidade laboral.

“Dou 30 aulas semanais como temporário. É incrível que, para ser professor temporário, não há problema no meu peso. Mas, para assumir um cargo como efetivo, com dez aulas, eles criam problemas. Não há lógica nisso”.

O professor disse que irá recorrer à justiça para garantir sua vaga, caso não seja aprovado na segundo perícia.

Para biógrafo americano, direito a informação vale mais do que privacidade

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Carlos Minuano no UOL

O biógrafo americano Laurence Bergreen (dir.), observado pelo jornalista Mário Magalhães, em palestra no Festival Internacional de Biografias, em Fortaleza

O biógrafo americano Laurence Bergreen (dir.), observado pelo jornalista Mário Magalhães, em palestra no Festival Internacional de Biografias, em Fortaleza

“Nos EUA, o nível de liberdade para escrever é bem maior”, afirma ao UOL o americano Laurence Bergreen, autor das biografias de Louis Armstrong e Al Capone, entre outras. Para ele, a liberdade de expressão e o direito à informação valem mais do que a privacidade. “A tendência é abrir cada vez mais”, acrescenta.

O escritor, casado com uma cearense, estava no Brasil durante o Festival de Biografias, que aconteceu na semana passada em Fortaleza, e foi convidado a participar do evento. “Escritores americanos têm liberdade muito grande e, se escreverem mentiras, sabem que serão processados”, afirma Bergreen.

Em relação à atual polêmica sobre biografias não autorizadas, o escritor se diz surpreso com o debate e se posiciona a favor da liberdade da imprensa e de biógrafos. “Pensei que a legislação fosse igual aos EUA”, declara.

Mas mesmo em ambiente de contornos legais mais flexíveis, o autor revela que já teve problemas ao escrever sobre segredos militares e quando fez a biografia do compositor americano Irving Berlin, na década de 1990.

“Depois que escrevi 600 páginas com autorização da família do músico, mudaram de ideia”. Mas graças à legislação americana, a publicação não pôde ser proibida. “Só não foi possível usar as letras das canções”, conta Bergreen. Assim como nos Estados Unidos, no Brasil os artistas também já têm os direitos sobre sua obra protegidos por lei, que impede a utilização sem autorização.

Outro problema que Bergreen teve ao fazer biografias aconteceu há cerca de duas décadas, quando viu a publicação de um livro quase pronto, sobre a família Kennedy, ser cancelada. “Houve uma pressão informal e a editora quebrou o contrato, poderia ter procurado outro editor, mas o episódio me desagradou muito e resolvi partir para outro livro”, explica.

Apesar dos embates que já enfrentou, o escritor elogia a liberdade que tem em seu país. “Nos EUA não precisa de autorização, é bem melhor assim porque se você for pedir, geralmente querem dinheiro e tentam interferir no trabalho”, argumenta. “Informação tem que ser livre”, arremata.

De Marco Polo a Colombo
Biógrafo premiado e autor de best-sellers nos EUA, Bergreen tem diversos livros publicados por aqui. Entre eles, “Marco Polo”, sobre as viagens do célebre navegador italiano, que será adaptado para o cinema pela Warner (e que deve ter Matt Damon no papel principal), e “Além do Fim do Mundo”, que conta a desconhecida expedição do português Fernão Magalhães, primeiro a dar a volta ao mundo pelos mares. Ambos foram publicados pela editora Objetiva.

Outro livro do biógrafo americano sobre as viagens de outro grande navegador italiano chega em breve às livrarias brasileiras: “Colombo”, que já esteve na lista dos mais vendidos do jornal “The New York Times”, tem lançamento previsto no Brasil para janeiro de 2014. Nos EUA, Bergreen lança a biografia do conquistador Casanova.

“Biógrafo é um ser em risco de extinção”, afirma Mário Magalhães

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Carlos Minuano no UOL

O jornalista Mário Magalhães

O jornalista Mário Magalhães

“O Festival Internacional de Biografias foi pensado para discutir a carpintaria biográfica”, afirma o jornalista Mário Magalhães, curador da mostra literária da primeira edição do evento, blogueiro do UOL e autor do livro “Marighella”, que ganhou o prêmio Jabuti de Melhor Biografia, e que, segundo Magalhães, chega a sua quinta reimpressão no fim desse mês.

O jornalista tem feito o que pode para destacar o tema central do festival: “Histórias de vida”. Apesar da recente controvérsia sobre biografias não autorizadas impor-se em todos os debates do evento que reuniu os principais biógrafos do país. “Estou aprendendo muito com eles, quem está falando aqui é a nata dos biógrafos brasileiros, além de jornalistas altamente qualificados em vias de estrear nesse gênero”, afirmou ao UOL. Veja a seguir trechos da entrevista.

UOL – Como você veio parar na curadoria desse festival?
Mário Magalhaes – Por conta da biografia “Marighella” e da boa vontade com que ela foi recebida pela crítica e pelo público, eu fui convidado a fazer a curadoria literária do evento, e convidei onze biógrafos jornalistas consagrados e mais biógrafos em vias de estrear no gênero.

Pode citar quais autores inspiram seu trabalho?
Pelé e Garrincha da biografia brasileira, que não deixam nada a dever para biógrafos de qualquer país, incluindo Reino Unido e Estados Unidos, estão aqui, são Fernando Morais e Ruy Castro. Mas sou leitor de todos os outros que estão aqui, eu os convidei por conta do trabalho deles, combinam duas qualidades difíceis de encontrar num só autor, capacidade espantosa de apurar informações e imenso talento para narrar histórias.

Qual a sua expectativa em relação à decisão do STF quanto às biografias não autorizadas?
Nos próximos dias 20 e 21 de novembro será realizado uma audiência pública convocada pela ministra Carmem Lúcia, relatora desta Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) para que ela se instrua sobre o tema e faça um relatório para os outros ministros do STF. Não há nenhuma sessão marcada no Supremo para decidir a questão. Ou seja, pode ser que a decisão seja rápida, mas pode ser também que demore. Torço e espero que o Superior Tribunal Federal elimine essa aberração autoritária que é a censura prévia, não só para as biografias, mas para conjunto da produção cultural e jornalística.

Além da Adin, existe um projeto de lei sobre esse tema, pode falar um pouco dele?
Tem um projeto de lei do deputado Nilton Lima (PT-SP), que muda a redação do artigo 20 do código civil permitindo a publicação de biografias não autorizadas por seus biografados ou herdeiros. Está tramitando, então a luta contra a censura tem hoje institucionalmente dois terrenos, o Supremo Tribunal Federal, com a Adin, e o Congresso com o projeto de lei.

Os debates mostraram um pouco de pessimismo, qual sua opinião sobre a situação atual de biógrafos?
Biógrafo é um ser em risco de extinção. Se for mantida e legislação vigente obscurantista, que proíbe relatos históricos independentes impondo censura prévia, vão se multiplicar os casos que estão ocorrendo e que são numerosos de biógrafos, jornalistas e historiadores, que estão abandonando projetos de biografias, temerosos de que biografados ou seus herdeiros impeçam a publicação de biografias independentes.

E o que você pensa sobre os argumentos do grupo Procure Saber, eles foram chamados ao debate?
Considero que defendem legislação antidemocrática arcaica que contribui de maneira nefasta para que povo brasileiro não conheça sua história. Esse evento foi marcado muito antes de eclodir essa discussão das biografias não autorizadas, para discutir a carpintaria biográfica, como e por que se faz, evidentemente, por conta do debate nacional em torno de biografia e de censura, esse tema é um dos focos do festival. Mas não estamos aqui para discutir o marco legal. Não consultei nenhum dos convidados sobre essa questão, desconheço, aliás, a opinião de alguns.

Aproveitando o gancho, fala um pouco da carpintaria do livro “Marighella”.
Identifico na biografia jornalística uma reportagem, que é um gênero do jornalismo, então considero que a metodologia da produção biográfica no fundo é a mesma dos métodos de uma reportagem. Então para fazer uma biografia, tem cinco passos bem reconhecíveis, que são os passos da reportagem: ideia, consolidação da pauta, apuração, redação e edição. Só que pela apuração colossal de uma biografia, o autor tem que ter muito mais rigor e disciplina se não se perde no amontoado de informações acumuladas.

E o livro está caminhando bem, já recebeu alguns prêmios, tem alguma novidade sobre ele?
“Marighella” recebeu prêmio de Melhor Biografia Jabuti 2013, da Associação de Críticos de Arte e do site botequim cultural. E até o fim desse mês chega às livrarias a quinta impressão do livro.

Miss Angola 2013 é viciada em livros

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Publicado por UOL

A bela Vaumara Rebelo, Miss Angola 2013, 22, é viciada em livros. Certa vez, a miss comprou 21 livros online de uma só vez. Ela tem uma biblioteca com mais de 70 títulos.

A beldade pode repetir o feito de Leila Lopes, a primeira angolana eleita Miss Universo, em 2011.

Vaumara se considera uma nacionalista e é especializada em palestras motivacionais. Ela também gosta de viajar, jogar tênis e fotografia.

A angolana é a companheira de quarto da brasileira Jakelyne Oliveira, que vive postando foto das duas juntas no concurso.

Angola - Vaumara Rebelo Divulgação

Angola – Vaumara Rebelo Divulgação

dica do Chicco Sal

Aluno com 20% de visão passa em 1º lugar em concurso no litoral de SP

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Gabriela Lousada, no UOL

Ter apenas 20% da visão não foi um empecilho para que Edson dos Santos Junior, de 15 anos, conseguisse o 1º lugar na prova que seleciona jovens estudantes para participar de um programa profissionalizante em Itanhaém, no Litoral Sul de São Paulo.

Ele superou 230 candidatos e alcançou a liderança no programa Camp (Círculo de Amigos dos Menores Patrulheiros), que seleciona alunos do primeiro ano do Ensino Médio e os direciona ao mercado de trabalho.

"Algumas oportunidades a gente tem apenas uma vez", afirma o estudante Edson Junior

“Algumas oportunidades a gente tem apenas uma vez”, afirma o estudante Edson Junior

Junto com os outros candidatos aprovados, Edson passará por um curso preparatório que aborda matérias como segurança pública, direitos trabalhistas e previdenciários e introdução a aprendizagem profissional.

Depois, será encaminhado a uma das empresas parceiras do programa para iniciar sua trajetória no mercado de trabalho.

“Gosto muito de estudar, mas não esperava esse resultado. Estava um pouco difícil (a prova) e fiquei até surpreso por ser o primeiro, mas eu achava que ia me classificar bem porque estudei bastante. Fiquei muito surpreso e feliz com a primeira colocação”, diz o adolescente.

O dia a dia de Edson é um pouco diferente da rotina dos outros alunos da classe do colégio particular onde estuda. Ele não utiliza o método Braille para ler, o que exige mais esforço para enxergar.

Precisa manter os livros a poucos centímetros do rosto para que as palavras ali escritas se formem no seu campo de visão.

Se o esforço é muito grande, Edson passa mal. “Ficar olhando para as letras por muito tempo me deixa enjoado, aí eu preciso fazer uma pausa. Cansa, mas é um esforço necessário”, diz.

De acordo com o oftalmologista Antonio Luiz Moreira Filho, que atua há 37 anos na área, quem possui 20% da visão pode ter qualidade de vida, desde que haja a “educação da deficiência”.

“A pessoa precisa ter a consciência dessa limitação e tomar atitudes que facilitem a vida dela, podendo ter um rendimento praticamente normal com o auxílio de recursos óticos (lentes) e não óticos (materiais adaptados para facilitar a rotina do deficiente visual). Não é fácil, é necessário ter dedicação”, diz.

Segundo o oftalmologista, na sala de aula, ações realizadas por Edson, como ir até a lousa para ler o que está escrito e aproximar o caderno do rosto ajudam a facilitar o aprendizado.

Os recursos não-óticos citados pelo oftalmologista, já estão incluídos no dia a dia do adolescente. Além do esforço complementar para ler a lousa, Edson utiliza cadernos e material de estudo com pauta, contraste e fontes maiores que o usual, para facilitar ao máximo o entendimento das palavras.

A informação é reforçada pela pedagoga Ana Carolina Silva, que leciona Estimulação Visual e Orientação e Mobilidade no Centro de Educação e Reabilitação Lar das Moças Cegas, em Santos (SP).

“Os recursos não óticos são muito eficientes e importantes na adaptação de um deficiente visual, principalmente no ensino”, afirma.

A pedagoga diz que a estimulação visual, quando bem aplicada, facilita a rotina de quem possui problemas na visão. “Para auxiliar o deficiente, trabalhamos com contrastes, tamanhos e texturas”.

Além dos recursos, Edson conta diz que não necessita da ajuda de ninguém para estudar, apenas presta bastante atenção nas aulas e na explicação dos professores. “Gravo na cabeça, assim fica mais fácil”, afirma.

Pais e irmão também são deficientes visuais
A família já esperava uma boa classificação do filho na prova do Camp, mas não a nota 8, que garantiu a liderança entre os aprovados.

“Tento mostrar para as pessoas que não é uma limitação que vai te impedir de ser bom no que deseja fazer, por isso que eu sempre me dedico ao que faço em todas as ocasiões”, diz Edson, que tem o exemplo em casa.

O adolescente mora com os pais e o irmão mais novo, no bairro Belas Artes. A mãe, professora da Rede Municipal de Ensino, Maria Isabel de Oliveira Santos, e o pai Edson dos Santos, fisioterapeuta, também são deficientes visuais.

Ela tem 8% da visão e ele ficou cego devido a um tumor no cérebro, quando tinha 12 anos. O irmão mais novo, Leonardo dos Santos, 13 anos, possui hoje 5% da visão.

Segundo o pai, isso não os impede de levar uma vida normal. “Meu filho (Edson) chega da escola, faz as lições de casa, brinca, tem aulas de inglês e música durante a semana”, afirma.

Ansiedade para entrar no mercado de trabalho
Junior nunca trabalhou, mas está ansioso para entrar no mercado de trabalho.

Quando não está jogando videogame com o irmão, ele passa horas estudando matemática e língua portuguesa, mas a sua matéria preferida é física.

“Quero cursar a faculdade de engenharia elétrica. Como não me dei bem com esportes, escolhi me empenhar nos estudos”, declara.

De acordo com o adolescente, “algumas oportunidades a gente tem apenas uma vez. O importante é que as pessoas nunca desistam dos seus sonhos porque é a partir deles que conseguimos fazer qualquer coisa”.

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