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Projeto de Lei pode proibir uso de celulares em salas de aula no Piauí

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De acordo com a proposta, uso só poderá ser feito para fins pedagógicos.
Profissionais da educação se dividem sobre o projeto de regulamentação.

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Programado no G1

Um Projeto de Lei que tramita na Assembleia Legislativa do Piauí pretende restringir o uso de aparelhos celulares pelos alunos dentro das salas de aula nas escolas públicas e privadas do Piauí. A proposta está sendo analisada e ainda será votada em plenário pelos deputados estaduais.

Em caso de aprovação e sanção do projeto, a utilização de celulares e aparelhos eletrônicos nas salas de aula, bibliotecas e outros espaços de estudo nas instituições de ensino deverá obrigatoriamente ser regulamentada. A proposta prevê que a direção das escolas ficará responsável por definir as normas e punir quem desobedecer a medida.

De acordo com o deputado estadual Francis Lopes (PRP), autor do projeto, o aluno não será proibido de levar o celular para a escola, mas terá o uso do aparelho normatizado no ambiente de estudo. Segundo ele, a medida se faz necessária diante do uso cada vez mais exagerado do celular em pleno horário de aula.

“O Brasil está entre os países do mundo mais indisciplinados durante as aulas. Pesquisas mostram que o professor perde 20% do tempo somente para organizar a sala de aula e poder ensinar. Ao meu modo de ver, a coisa está muito bagunçada e o celular tem contribuído ainda mais para isso”, falou o deputado.

Até mesmo o uso no modo silencioso será restringido, pois, segundo o autor, tira a atenção do estudante. Ainda conforme o parlamentar, o uso poderá ser permitido desde que seja para fins pedagógicos e com a prévia autorização do professor. O projeto prevê ainda a adoção de medidas para conscientizar os estudantes sobre a interferência do telefone celular nas práticas educativas.

Mas a proposta divide opiniões no meio educacional. Ouvida pela reportagem, a especialista em educação Cleire Amaral até reconhece que o uso indevido do celular incomoda na sala de aula, mas diz que não há a necessidade de um projeto externo para mudar a situação. Segundo ela, um ‘contrato didático’ entre professor e turma é sempre a melhor opção.

“É uma questão de indisciplina que não precisa de lei. Cabe à própria escola lidar com esse tipo de problema. O uso do celular na sala de aula não é uma coisa tão grave assim. Tudo tem que ser resolvido de forma pedagógica e se precisar de lei é sinal que a pedagogia falhou”, disse.

A reportagem do G1 foi até uma escola estadual na Zona Sul de Teresina. A diretora adjunta Aldenice Freitas disse que o projeto é muito bem-vindo e que o uso indiscriminado do celular em plena sala de aula compromete bastante a aprendizagem do aluno e também o trabalho do professor.

“Se o professor está numa sala de aula explicando o assunto e um aluno usando celular lá no fundo, com certeza ele não está captando nada. O vício no celular é muito prejudicial e as dificuldades para o professor são imensas. Apenas em alguns casos ele pode ser um aliado”, disse a profissional que atua na área educacional há 28 anos.

Alguns alunos da escola ouvidos pela reportagem também falaram sobre o Projeto de Lei. A estudante Taís Mesquita, 16 anos, disse levar o celular para a escola porque é importante caso precise se comunicar com a família, mas garantiu que não costuma usar durante a aula e concordou com a regulamentação.

“Eu concordo que não se deve permitir, a não ser que seja para fazer uma pesquisa da própria escola. Já para ficar usando na sala de aula eu não acho certo mesmo não”, comentou a estudante.

Ainda não há uma previsão de quando o projeto deve ser votado na Assembleia Legislativa.

Estudo aponta melhora no desempenho de alunos após o banimento de celulares em escolas

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Realizada em colégios ingleses, pesquisa mostra que proibição dos dispositivos na sala de aula melhorou as notas de alguns estudantes em até 6%

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Publicado em O Globo

Um estudo conduzido por pesquisadores das Universidades do Texas e de Louisiana a respeito das políticas de uso de aparelhos celulares em quatro cidades inglesas aponta que as escolas que baniram os dispositivos registraram uma melhora de até 6% nas notas dos seus alunos.

O levantamento batizado de “Tecnologia, distração e o desempenho de estudantes” analisou o desempenho dos estudantes desde 2001, antes e depois da proibição dos aparelhos nas escolas, em Birmingham, Londres, Leicester e Manchester, combinou esses dados com as informações sobre o desempenho dos jovens em exames nacionais externos.

Depois que os celulares foram proibidos, os estudantes na faixa etária de 16 anos tiveram um desempenho 6,4% maior que o desvio padrão, o que, de acordo com os pesquisadores, corresponde à adição de o equivalente a uma hora a mais de estudos na escola por semana, ou “cinco dias de escola por ano”.

De acordo com Richard Murphy, professor assistente de Economia da Universidade do Texas, e Louis-Philippe Beland, professor da Universidade do Estado de Louisiana, autores do estudo, os resultados da pesquisa podem ser semelhantes nos EUA, onde 73% dos adolescentes têm um telefone celular — no Reino Unido, em 2012, esse percentual era de 90,3%. Os pesquisadores, no entanto, fazem uma ressalva quanto às conclusões do estudo.

“É importante notar que esses ganhos (nas notas) são proeminantes entre aqueles que têm notas menores, e que mudanças na política que permite celulares em escolas tem o potencial de exacerbar as desigualdades de aprendizagem”, escreveram eles em um artigo no site The Conversation.

Eles afirmam que, enquanto o ganho observado em estudantes com notas menores foi o dobro do que aqueles com notas médias, o banimento de celulares não teve nenhum efeito entre os estudantes com notas maiores, e nem nos alunos na faixa etária de 14 anos — que tendem a usar menos os celulares.

Em 2001, quando o estudo foi iniciado, nenhuma das escolas analisadas havia banido aparelhos celulares das salas de aula. No entanto, em 2007, as instituições que passaram a proibir os dispositivos aumentou para 50% e, em 2012, para 98%.

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