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4 em cada 10 bolsas do Prouni ‘encalham’ na capital paulista

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Imagem: Google

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Flávia Foreque, na Folha de S.Paulo

Apesar da disputa acirrada no Prouni, programa federal que oferece bolsas em universidades privadas, quase 44% vagas em São Paulo não foram ocupadas.

A oferta na capital chegou a 26.811 bolsas, das quais 11.606 permaneceram disponíveis. O percentual está acima da média nacional, na qual 3 de cada 10 bolsas ficaram “encalhadas”.

Lançado há dez anos pelo então presidente Lula, o programa concede a alunos da rede pública benefício total ou parcial (50% da mensalidade) em instituições privadas de ensino superior.

Até o ano passado, cerca de 1,2 milhão de pessoas foram contempladas.

Na última edição, 1,25 milhão de estudantes concorreram a uma das 191,6 mil bolsas -aproximadamente sete candidatos por vaga.

O balanço do programa neste ano no país foi obtido pela Folha por meio da Lei de Acesso à Informação.

Entre as capitais, São Paulo lidera a lista de vagas ociosas, seguida por Curitiba (42,95%) e Recife (31,47%). Nos Estados, o percentual chega a quase 50% em Santa Catarina, seguido de São Paulo (36%) e Paraná (34,9%).

O estudante precisa cumprir alguns pré-requisitos previstos em lei, como ter cursado todo o ensino médio em rede pública (ou ser bolsista integral de escola privada) e ser de família de baixa renda.

“Se o candidato fez um mês de aulas em escola particular, pagando, está fora”, explica Sólon Caldas, diretor-executivo da ABMES (Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior).

Para ele, as próprias regras sobre o histórico escolar e renda do aluno geram a impossibilidade do ingresso de alguns candidatos, barrados pelas instituições ao não comprovarem os critérios.

Isso porque, após inscrição no site, cabe às instituições receber a documentação do estudante e confirmar se ele pode receber o benefício.

Outro cenário possível é o do candidato que se enquadra nos critérios exigidos, mas se inscreveu em curso que não teve turma formada.

Fraudes na Uerj evidenciam falhas do sistema de cotas

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Vanessa Daudt foi aprovada como cotista após se declarar negra ou índia no vestibular de 2013 (Reprodução/MPRJ)

Ministério Público do Rio investiga mais de 60 suspeitos de burlar mecanismo de seleção. Estudantes reclamam de falta de ação da Universidade

Pâmela Oliveira e Daniel Haidar na Revista Veja

A foto de uma jovem em uma praia, publicada no Facebook, motivou o comentário de uma amiga. “Ficou morena?”, perguntou. A menina da foto, para não deixar dúvida sobre como se enxerga, respondeu com um palavrão irreproduzível: “Sou loira, p…” Desde setembro, a jovem da foto, Vanessa Daudt, frequenta o curso de enfermagem na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a Uerj. Para a instituição, no entanto, ela apresentou uma ideia diferente sobre seu tom de pele e sua descendência. Vanessa declarou ser negra ou índia e afirmou ter baixa renda. Conseguiu, assim, ingressar na faculdade apesar de ter ocupado o 122º lugar na classificação geral, para um curso com 80 vagas.

Como cotista, Vanessa disputou 16 vagas com 34 candidatos – 2,19 interessados em cada cadeira. Na seleção normal, a corrida seria bem mais apertada: teria que brigar com 515 vestibulandos por 44 matrículas. O caso de Vanessa é um dos mais de 60 sobre as mesas dos promotores de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio. Desde 2007, denúncias anônimas e dos próprios estudantes avolumam-se em um inquérito de mais de 3.000 páginas dedicado a descobrir se o sistema de cotas na Uerj, que toma previamente 45% das vagas da instituição, é usado como atalho ilegal para estudantes que se aproveitam das fragilidades da lei estadual 5.346 – a que dispõe sobre o sistema de cotas nas universidades estaduais do Rio. Como é sabido por todos os candidatos, basta declarar-se negro ou índio e apresentar comprovantes de baixa renda para ser avaliado como cotista, com absurdas vantagens sobre os demais concorrentes. Apesar da abundância de denúncias e de a lei determinar que “cabe à universidade criar mecanismos de combate à fraude”, a direção da Uerj não está preocupada com os buracos em seu sistema.

O MP, diante do volume de denúncias, faz o que a instituição já deveria ter feito: evitar a farra que subverteu não só os critérios de meritocracia para ingresso na universidade, mas a própria lógica das cotas. Os “espertos” conseguem, com notas bem mais baixas, passar na frente de gente que estudou e recusou-se a recorrer ao caminho da fraude. O descaso da universidade consegue algo inédito, que é unir gente a favor e contra as cotas. Afinal, um sistema de cotas raciais que não barra os falsos cotistas prejudica a todos, e não somente aos que, por lei – por pior que ela seja – teriam acesso legítimo ao benefício.

Reprodução/MPRJ Vanessa Daudt foi aprovada como cotista após se declarar negra ou índia no vestibular de 2013. Classificada na 122ª posição geral entre os vestibulandos de enfermagem, a loira de olhos azuis não teria conseguido uma das 80 vagas do curso se não tivesse concorrido às vagas destinadas a cotistas

Reprodução/MPRJ
Vanessa Daudt foi aprovada como cotista após se declarar negra ou índia no vestibular de 2013. Classificada na 122ª posição geral entre os vestibulandos de enfermagem, a loira de olhos azuis não teria conseguido uma das 80 vagas do curso se não tivesse concorrido às vagas destinadas a cotistas

 

O caminho da investigação será longo. Os promotores tentarão, no âmbito criminal, encontrar uma saída para um problema criado por uma política equivocada, que classifica pessoas segundo critérios raciais. Pesquisa do geneticista Sérgio Danilo Pena, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), identificou que 60% dos brasileiros que se julgam “brancos” têm sangue africano ou indígena nas veias. O caso do sambista Luiz Antônio Feliciano Marcondes, o Neguinho da Beija-Flor, é simbólico. Exame feito pelo laboratório de Pena identificou que ele tem 67,1% dos genes de origem na Europa e apenas 31,5% da África.

Na sexta-feira, no intervalo de uma das aulas do curso de enfermagem da Uerj, Vanessa, a estudante loira que abre este texto, defendeu seu direito ao benefício. Vanessa disse que sua documentação foi aceita, e que é “carente”. Como não existe cota para quem é branco e carente, declarou-se “negra ou índia”. “Digo que sou da cor que eu quiser”, afirmou. Ela acertou em cheio a origem do problema do sistema das políticas raciais.

Vale, para os efeitos legais, a autodeclaração da cor da pele. De acordo com a legislação brasileira, não é função do Estado determinar a raça de uma pessoa. Ou seja: é negro ou índio quem decidir assim se classificar perante a instituição. Quando a universidade tenta interferir, a confusão é imensa, como provou o caso dos gêmeos univitelinos Alex e Alan Teixeira da Cunha – o primeiro classificado como branco e, o segundo, como negro pela Universidade de Brasília (UnB). O disparate no enquadramento de pessoas geneticamente idênticas levou a UnB a modificar o ingresso dos cotistas. Em vez da simples declaração do estudante, há uma entrevista pessoal com o candidato – algo que, obviamente, não corrige uma política torta, mas afugenta quem tenta se aproveitar de brechas legais.

Para o sociólogo Demétrio Magnoli, do Grupo de Análises de Conjuntura Internacional (Gacint) da USP, são claros os sinais de que os critérios raciais são um erro, e não atendem o objetivo de promover igualdade. “Polícias raciais dividem o país em grupos e produzem atritos, o que é perigosíssimo em qualquer sociedade. É preciso abolir o princípio da autodeclaração, para o bem do funcionamento do sistema”, alerta.

Reprodução/MPRJ Dianne Leite foi a 266ª colocada na classificação geral de jornalismo no vestibular 2013. Ela não conseguiria uma das 50 vagas da graduação de jornalismo se não tivesse concorrido como cotista

Reprodução/MPRJ
Dianne Leite foi a 266ª colocada na classificação geral de jornalismo no vestibular 2013. Ela não conseguiria uma das 50 vagas da graduação de jornalismo se não tivesse concorrido como cotista

O sociólogo Simon Schwartzman, um dos autores do livro Divisões Perigosas: Políticas Raciais no Brasil Contemporâneo (Editora Record/Civilização Brasileira), avalia que os critérios de cotas dificilmente serão ajustados simplesmente por um aperto no controle. O mais adequado, afirma, seria que as instituições de ensino originassem soluções para privilegiar alunos carentes, em vez de tentar uma segregação. “O sistema inteiro de cotas tem problemas. Todos os critérios são muito grosseiros. A solução não é apertar o controle, mas uma política mais inteligente de preferências, que amplie o sistema de apoio para quem realmente precisa”, afirma Schwartzman.

A lei estadual fluminense que instituiu o sistema de cotas exige que pelo menos duas condições estejam atendidas. Baixa renda é o critério indispensável. A segunda condição pode ser raça (declarar-se indígena ou negro), ser filho de policiais mortos em serviço ou inválidos ou, ainda, tratar-se de pessoa com deficiência física. O problema é que o critério de renda é facilmente burlável. O candidato cotista deve comprovar renda familiar per capita bruta de até 960 reais.

Curso mais disputado da Uerj, com 135 candidatos por vaga (para não cotistas) em 2013, a graduação em medicina concentra o maior número de denúncias sobre irregularidades. A primeira denúncia do inquérito civil instaurado pelo Ministério Público é referente à fraude no concurso de 2004 para a graduação – um curso no qual cada estudante custa aos cofres públicos 54.300 reais por ano. Na lista com nove suspeitos de fraudes havia moradores de áreas nobres do Rio, como o bairro da Lagoa.

Em janeiro do ano passado, o MP recebeu outra denúncia anônima com 41 nomes de aprovados em 2013 que teriam fraudade os critérios estipulados pela lei 5.346. A denúncia foi entregue em um CD com notas e imagens dos universitários que não aparentam pertencer à raça declarada na inscrição do vestibular. Quatro dos universitários citados são estudantes de medicina: de pele clara, com cabelo liso, João Pedro Galiza Xavier é um dos apontados no material. Classificado na 542ª posição entre os vestibulandos de medicina, não teria garantido uma das 94 vagas da graduação se não tivesse disputado como cotista negro ou índio. Na internet, Galiza, que estudou no GPI (curso pré-vestibular particular no Rio de Janeiro) agradece aos professores do curso pela aprovação. “Sou eternamente grato a alguns professores. Todos são responsáveis pela minha conquista. Continuem sendo professores maravilhosos, que tornam sonhos que parecem impossíveis em realidade”. O curso GPI, frequentado por Galiza, tem mensalidade integral de 1.082,40 reais.

Reprodução/MPRJ Vitor Paulo de Souza Gilard foi aprovado como cotista após se declarar negro ou índio no vestibular de 2013 da Uerj. Classificado na 166ª posição geral entre os vestibulandos de jornalismo, Gilard não teria conseguido uma das 50 vagas do curso em 2013 se não tivesse concorrido às vagas destinadas a cotistas

Reprodução/MPRJ
Vitor Paulo de Souza Gilard foi aprovado como cotista após se declarar negro ou índio no vestibular de 2013 da Uerj. Classificado na 166ª posição geral entre os vestibulandos de jornalismo, Gilard não teria conseguido uma das 50 vagas do curso em 2013 se não tivesse concorrido às vagas destinadas a cotistas

Na hora de comprovar a renda familiar, pode-se simplesmente omitir o rendimento de um ou mais integrantes da família. A lei 5.346 prevê um mecanismo para garantir que haja, pelo menos, algum controle sobre o que declara o candidato. O parágrafo 3º  do artigo 1º estabelece  que as universidades devem “criar mecanismos de combate à fraude”. De fato, existe na instituição uma Comissão de Análise Socioeconômica, formada por três servidoras públicas e 28 assistentes sociais. Após a análise da documentação, a comissão realiza, segundo a universidade, “visitas domiciliares a alguns candidatos para dirimir dúvidas”. Em 2010, foram 14 dessas visitas, segundo documento da Uerj enviado ao MP. Em 2011, foram três. Segundo declaração de Lena Medeiro de Menezes, sub-reitora de graduação, não são feitas visitas fora do Estado do Rio. Ou seja, morar fora do território fluminense é garantia de que não haverá confirmação dos dados apresentados.

Investigação – Os casos investigados agora pelo MP envolvem 15 cursos de graduação. Estudante de direito, Thatyane Alecrim Azeredo tem cabelo liso e olhos claros – no Facebook, amigos discutem se são azuis ou verdes. Classificada na 871º colocação geral do curso de direito, Thatyane estaria longe das 312 vagas disponíveis para o curso em 2013. Mas, como declarou-se negra ou indígena, em vez de disputar uma vaga com outros 28,95 vestibulandos não cotistas, concorreu com 3,67 candidatos por vaga. Na página de relacionamentos, Thatyane publicou, no dia 19 de setembro, uma foto com a turma no hall da Uerj. “Felicidade após trote”, escreveu. Outra aluna aprovada no vestibular de 2013 como cotista é Dianne Leite da Silva. Branca, com cabelos e olhos claros, ela foi classificada na 266ª posição geral para o curso de jornalismo – longe das 50 vagas oferecidas pelo curso.

Pela disputa afunilada, conquistar uma vaga em uma universidade pública é motivo de orgulho – para os estudantes e para os pais. Ao comemorar a aprovação na Uerj, muitos dos investigados publicaram no Facebook o espelho da classificação, mas com um cuidado: cortaram o trecho que explicita a inscrição como cotista. “Mais um sonho realizado e sem vocês isso não seria possível”, escreveu Vitor Pablo de Souza Gilard, aprovado no vestibular para jornalismo no ano passado. O jovem branco de cabelos escuros omitiu aos amigos da rede social que para ingressar na Uerj se declarou negro ou índio. Procurado pelo site de VEJA, Gilard se recusou a explicar a razão de ter se inscrito como cotista.

Reprodução/MPRJ João Pedro Galiza Xavier foi aprovado como cotista no vestibular de 2013 no curso de medicina. Classificado na 542ª posição geral entre os vestibulandos de medicina, o estudante não teria conseguido uma das 94 vagas do curso naquele ano se não tivesse concorrido às vagas destinadas a cotistas

Reprodução/MPRJ
João Pedro Galiza Xavier foi aprovado como cotista no vestibular de 2013 no curso de medicina. Classificado na 542ª posição geral entre os vestibulandos de medicina, o estudante não teria conseguido uma das 94 vagas do curso naquele ano se não tivesse concorrido às vagas destinadas a cotistas

Indignação dos estudantes – Como mostra a ciência, não é possível classificar a descendência com base na cor da pele. Mas são estes – e os sinais inequívocos de condição social – os critérios que embasam denúncias dos próprios estudantes. A presença de cotistas brancos, com olhos claros, com celulares caros e aparelhos como iPads, tem revoltado universitários que precisaram estudar anos para conseguir uma vaga na Uerj. Alguns chegam a acusar a Uerj de acobertar as fraudes. O baixo número de sindicâncias instauradas é outro motivo de reclamações: foram apenas 17, até agora. “A Uerj está preenchendo vagas com pessoas que se dizem negras ou pobres sem comprovação válida. Apenas com uma declaração”, disse um dos denunciantes, em 2011.

Apesar do elevado número de denúncias, até o momento apenas um estudante foi expulso por ter burlado a reserva de vagas: Bruno Barros Marques, de 29 anos, teve a matrícula cancelada no ano passado. De acordo com investigações da Uerj e do MP, para concorrer a uma vaga de cotista em 2009, Marques se passou por estudante carente e declarou renda de 450 reais, omitindo os comprovantes de rendimento do pai, aposentado da Petrobras e proprietário de uma loja de material hidráulico e elétrico na Tijuca, na Zona Norte do Rio. Além disso, declarou ser negro. Outra investigada pela universidade é Lívia Leba, filha do delegado da Polícia Civil Carlos Augusto Neto Leba, aprovada como cotista na faculdade de medicina. O caso de Lívia corre em segredo de Justiça.

Desde a última segunda-feira, a reportagem do site de VEJA tenta ouvir o reitor da Uerj, Ricardo Vieiralves de Castro, ou um porta-voz da universidade sobre o inquérito civil 118/11, que apura se a Uerj tem um sistema eficiente para prevenir e investigar fraudes no sistema de cotas, como determina a lei, e se há improbidade de servidores públicos responsáveis pela avaliação de documentos e sindicâncias. A Uerj não apresentou nenhum porta-voz. A universidade argumenta, em um documento incluído no inquérito cicil 118/11, que a lei 5.346 estabelece que, para concorrer à vaga de cotista, o candidato pode se autodeclarar negro ou índio e que, portanto, não cabe à instituição investigar ou duvidar de tal declaração. “A Uerj não promove qualquer ‘tribunal de cor’, portanto, seu principal critério é a autodeclaração”, escreveu Vieiralves, em agosto de 2008, em resposta a um pedido do Ministério Público, ignorando que a lei 5.346 determina que as universidades criem mecanismos de combate às fraudes.

Reprodução/MPRJ Classificada na 871º posição geral do curso de direito, Thatyane Azeredo não teria conseguido uma das 312 vagas do concurso de 2013 se não tivesse concorrido àquelas destinadas a cotistas. Segundo documento da Uerj, a estudante se declarou negra ou indígena

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Classificada na 871º posição geral do curso de direito, Thatyane Azeredo não teria conseguido uma das 312 vagas do concurso de 2013 se não tivesse concorrido àquelas destinadas a cotistas. Segundo documento da Uerj, a estudante se declarou negra ou indígena

Em maio de 2013, depois de diversas cobranças do MP relacionadas à falta de fiscalização em relação às declarações dos alunos, Valdino de Azevedo, assessor do reitor,  argumentou que a “autodeclaração cria enorme dificuldade para esta entidade de ensino superior”. Azevedo chega a dizer que “o sentido de pertencimento foge aos critérios objetivos de julgamento”.

No Supremo Tribunal Federal (STF), em ação apoiada pelo partido Democratas (DEM), foi questionada a legalidade da política de cotas raciais no processo seletivo da Universidade Nacional de Brasília (UnB). A legalidade foi reconhecida por unanimidade pelos 12 ministros do STF. Autora da ação, a jurista Roberta Fragoso avalia que eventuais acusações de fraude na declaração de raça dificilmente serão reconhecidas na Justiça como crime. Justamente porque não existem no país — felizmente — leis para dividir a identidade da população pela cor da pele. Procuradora do Distrito Federal e autora do livro Ações afirmativas à brasileira: necessidade ou mito? (Editora Livraria do Advogado), Roberta avalia que essa divisão legal seria um retrocesso. “Se o Ministério Público acusar alguém de não ser negro, teria de fazer um exame de DNA de ancestralidade. Não há no Brasil como definir quem é o pardo ou o mestiço. É possível que pessoas de aparência branca tenham descendência africana. Cota racial é uma falácia. Sempre dará ensejo a fraudes”, diz a jurista.

dica da Pri Ferminio

Administração, o curso que todo mundo quer fazer

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Sabine Righetti, na Folha de S.Paulo

Um em cada seis universitários no país está matriculado em um curso de administração.

Em 2012, foram quase 325.000 ingressantes em administração no país. Isso excluindo os cursos tecnólogos. Estou falando só dos bacharelados.

Até a Unicamp, famosa por resistir a cursos “tecnicistas” como direito e jornalismo, abriu um curso de administração no campus de Limeira com 240 vagas  (leia aqui).

O país carece –e muito– de médicos, de engenheiros e até de geólogos. Nessas carreiras, os salários iniciais são bem competitivos. Mas os alunos querem cursar administração.

Por que?

Tenho algumas suspeitas.

Em primeiro lugar, é um curso com amplas possibilidades de emprego. Na prática, um administrador pode trabalhar em qualquer tipo de empresa.

A oferta do curso de administração também é grande.

Sem necessidade de laboratórios ou de instalações complexas, os setores público e privado conseguem oferecer cursos de administração -inclusive noturnos- sem grandes dificuldades.

Já ouvi de um aluno de administração que ele optou pelo curso porque não sabia o que queria, mas sabia o que não queria (medicina e engenharia, por exemplo).

Vale dizer que há também um certo fetiche. Quem administra é quem manda. E todo mundo quer mandar, não?

Administração é, inclusive, uma das poucas áreas do conhecimento no Brasil que conta com uma boa escola privada específica na área, a FGV.

A fundação está lado a lado com a USP na avaliação do RUF 2013 – veja aqui.

Trago para o blog a discussão: por que o curso de administração é tão demandando no Brasil?

Sisu tem disputa maior entre não cotistas

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Na ampla concorrência, cada vaga recebeu 18 inscrições; na rede pública, são 16 candidatos

Paulo Saldaña, no Estadão

O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) tem concorrência 12,5% maior entre os estudantes provenientes de escolas particulares do que entre os alunos cotistas que disputam vagas reservadas para a rede pública. Ontem, eram 18 candidatos por vaga na chamada “ampla concorrência”, ante 16 entre os cotistas.

Os dados de inscrições são os registrados entre anteontem, primeiro dia de seleção do Sisu, e 11 horas de ontem. O sistema do Ministério da Educação (MEC) centraliza as vagas de instituições de ensino público, sobretudo federais, que escolhem seus alunos com base na nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). As inscrições vão até sexta-feira.

Das 171 mil vagas disponíveis no Sisu, 44% são reservadas para estudantes de escola pública (com respeito a critérios raciais e de renda) e para ações afirmativas, como vagas para deficientes. A modalidade de ampla concorrência havia recebido 1,7 milhão de inscrições, enquanto para as vagas reservadas pela Lei de Cotas e para ações afirmativas eram 1,1 milhão – cada candidato pode se inscrever em até dois cursos.

A diferença na busca por vaga em cada modalidade mostra que os egressos de escolas públicas tiveram menor interesse em tentar uma instituição superior gratuita. No entanto, 80% dos concluintes de ensino médio inscritos no Enem 2013 eram da rede pública.

De acordo com o educador Mateus Prado, especialista em Enem, os dados revelam que, apesar das cotas, a maioria dos alunos estaduais e municipais não acredita que pode chegar à universidade pública. “Esses alunos não têm referência, um amigo ou vizinho, que tenha passado em uma universidade federal”, afirma ele. “Mas tem um monte de vizinho que passou no ProUni (Programa Universidade Para Todos).”

O Enem também é usado para quem concorre a bolsas em instituições particulares pelo ProUni. Em janeiro do ano passado, o programa teve 1,03 milhão de inscritos.

Procura. Mais de 1,6 milhão dos 5 milhões de participantes do Enem já haviam entrado no Sisu até as 18 horas de ontem. Minas Gerais teve o maior número de inscritos – são 199.961. Em seguida, surgem São Paulo (196.116) e Rio (158.614).

Os cursos de Administração, Direito e Medicina eram os mais procurados até ontem. Com dados referentes até as 11 horas, Administração tinha 192.582 inscrições, seguido de Direito, com 191.107. Com 2.925 vagas disponíveis no Sisu, o curso de Medicina era disputado por 176.876 estudantes – 60,47 candidatos por vaga.

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) era a instituição federal com o maior número de inscrições – 140 mil para 3.535 vagas. Uma proporção de 39,66 candidatos por vaga. Depois da UFMG, aparecem entre as mais procuradas a Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rural de Pernambuco (UFRPE) e Federal do Ceará (UFC).

Corte. No fim de cada dia, os candidatos podem verificar a nota de corte de cada curso, por modalidade, calculada a partir da oferta de vagas e pela procura de candidatos. Ontem, a maior nota entre os cursos de Medicina, por exemplo, foi a registrada na Federal do Pará (UFPA) – 869,15. Para candidatos autodeclarados pretos, pardos ou indígenas, com renda familiar per capita igual ou inferior a 1,5 salário mínimo, a nota de corte era menor, de 701,64.

TJ-CE determina ‘cota inversa’ para rede privada em escolas técnicas

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Publicado no G1

Alunos da rede privada têm 20% das vagas em escolas técnicas do Ceará.
Vagas da cota já ofertadas e são ‘bastante concorridas’, diz secretária.

Secretária Izolda Cela se disse surpresa com a decisão da Justiça (Foto: Agência Diário)

Secretária Izolda Cela se disse surpresa com
a decisão da Justiça (Foto: Agência Diário)

O Tribunal de Justiça do Ceará determinou a criação da “cota inversa”, que garante 20% das vagas nas escolas técnicas do estado, destinadas a estudantes oriundos da rede pública, para alunos da rede privada.

A secretária da Educação do Ceará, Izolda Cela, disse que ficou surpresa com a decisão. “quando implantamos a rede de escolas de educação profissional em tempo integral, era muito claro, muito lógico que fosse direcionada aos alunos da rede pública, que viessem com seu processo de escolarização da rede pública. Eu me surpreendi”, disse a secretária, em entrevista à Rádio Globo CBN.

As escolas oferecem o ensino médio integrado à formação técnica, ou seja, o aluno ingressa no 1º ano do ensino médio e faz a opção pelo curso técnico que lhe interessa, entre 25 opções. “Quando ele termina, ele termina cumprindo os conteúdos, as partes gerais do ensino médio, mas tem também tem um certificado técnico”, explica Izolda.

Os cursos ofertados dependem da região do Ceará. “De acordo com os arranjos produtivos locais e perspectivas de inserção no mundo do trabalho que aquela região possa oferecer aos jovens.”

Segundo a secretária, a reserva de 20% para alunos da rede privada não deve prejudicar a oferta para alunos da rede pública. Izolda diz que as vagas da “cota inversa” já são ofertadas, e estão concorridas. “Já tem sido atendido, é até bem concorrido. A maioria das escolas das regiões tem até fila de espera para essa cota. Penso que devemos manter a grande maioria das vagas para a rede pública. Nós atendemos o que é nosso dever sob a ótica do Ministério Público, mas acho que a cota está bem atendida para os da rede privada também.”

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