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Bienal do Livro do Ceará terá Valter Hugo Mãe e outros escritores

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divulgação

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Publicado em O Povo

A organização da XII Bienal Internacional do Livro do Ceará anunciou em coletiva nesta segunda-feira, 31, os nomes dos primeiros autores convidados para o evento, que acontece entre 14 e 23 de abril de 2017, no Centro de Eventos do Ceará e em múltiplos espaços de Fortaleza.

Um dos nomes de destaque é o escritor angolano Valter Hugo Mãe, autor de “Máquina de Fazer Espanhóis” e “O Filho de Mil Homens”, entre outros. Também foram anunciados: Antônio Prata, Cristovão Tezza, Daniel Galera, Ignácio de Loyola Brandão, Márcia Tiburi, Leonardo Sakamoto, Mary del Priori e Marcelino Freire. Acrescente à lista, a cearense Natércia Pontes, autora de “Copacabana Dreams”.

A Bienal foi transferida para 2017 devido ao período eleitoral, e a escolha pelo mês de abril foi simbólica. O período situa o evento entre datas que celebram a importância da literatura, como o nascimento de Monteiro Lobato, em 18 de abril, quando se comemora o Dia do Livro Infantil, e 23 de abril, o Dia Mundial do Livro, que marcará o encerramento do evento.

‘As pessoas que mais nos acompanham na vida são os livros’, diz Valter Hugo Mãe

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Sylvia Colombo, na Folha de S.Paulo

Livros podem ser como pessoas. Apesar de achar a própria ideia “ousada”, é sobre essa possibilidade que o escritor português Valter Hugo Mãe, 45, discorrerá em suas palestras em São Paulo (31 de agosto) e em Salvador (5 de setembro), dentro do ciclo de conferências “Fronteiras do Pensamento”, evento do qual a Folha é parceira.

O autor de “A Máquina de Fazer Espanhóis” e “O Filho de Mil Homens”, cuja obra no Brasil era editada pela Cosac Naify, agora terá seus livros publicados pela Biblioteca Azul.

Em entrevista à Folha, por Skype, o escritor falou de sua relação com os livros e do novo romance, que se passa no Japão antigo.

*

Folha – Como serão suas palestras no Brasil?

Valter Hugo Mãe – Partirei da presença de um livro na minha infância para refletir sobre o que penso a respeito da felicidade, que é um tema recorrente nos meus livros. A felicidade não existe sem conter a tristeza.

Quero contar minha experiência enquanto autor na busca de uma espécie de redenção, de salvação, a partir da literatura. E questionar até que ponto os livros não são, eles próprios, motivações para a felicidade.

Talvez eu vá dizer que os livros de alguma forma representam pessoas e, enquanto estivermos dentro de um espaço carregado de livros, estaremos na verdade no meio de uma multidão.

Por que talvez?

Porque que vou dizer, mas considero ousado (risos). Vou citar alguns autores de que gosto, mas obviamente pressupor que as pessoas entendam que estou falando de estar cercado apenas de bons livros. O foco será nessa honesta sensação que tenho de que, com o tempo, as pessoas que mais nos acompanham na vida talvez sejam livros. No meu caso, as pessoas que mais demoram na minha vida são mesmo feitas de papel.

O escritor português Valter Hugo Mãe em Sabatina Folha no ano passado - Eduardo Anizelli/Folhapress

O escritor português Valter Hugo Mãe em Sabatina Folha no ano passado – Eduardo Anizelli/Folhapress

 

Você acaba de terminar mais um romance. Pode falar um pouco dele?

Terminei, mas ainda não entreguei. Estou dando a última leitura para mandar hoje mesmo. Neste momento, estou na página 59 (risos). Esse processo é patológico. Estou naquela fase em que começa a depressão pós-escritura. A gente fica tanto tempo meditando sobre um texto que, quando entrega, é quase como sofrer um ato de violência.


Por quê?

Não é porque eu não queira compartilhar, fico ansioso para que as pessoas leiam e me digam o que pensam, fazendo com que eu aprenda algo mais sobre o livro que eu jamais saberia sozinho.

Mas essa hora de entregar é uma coisa horrenda (risos), porque nós vínhamos juntos há tanto tempo, e de repente o autor fica para trás.

O livro vai e eu fico com aquela angústia porque, obviamente, não posso disciplinar o leitor, então não sei o que vai acontecer. Se o leitor vai ler o livro distraído, ou rapidamente, ou interromper a leitura onde eu acho que não deveria. E ele pode, inclusive, ser burro, e não saber coisas elementares que eu acho fundamentais que um ser humano saiba.

Enfim, talvez seja também a minha burrice de autor que está em causa. Fico sem saber se expliquei o suficiente. É uma mistura de insegurança com tristeza. E eu sempre sofro isso de modo performático, então preciso criar uns rituais.

Como assim, pode dar um exemplo?

Ah, eu tenho umas superstições, umas coisas que sempre repito a cada livro. Por exemplo, logo que termino, eu imprimo tudo e coloco essa impressão debaixo de um Galo de Barcelos. O Galo de Barcelos, como você sabe, é um objeto de artesanato tão famoso que simboliza Portugal, uma coisa muito antiga, folclórica.

Existe uma superstição aqui, sobretudo na região norte do país, onde eu vivo (no Porto), que diz que nenhuma casa é feliz se não tiver um Galo de Barcelos. E esse foi minha mãe que me deu.

É uma coisa boba, porque eu não acredito que o galo dê sorte, mas como foi minha mãe que me deu, acho que, se não fizer isso, estarei ofendendo-a, porque ela me deu o galo convicta de ele tomaria conta de mim.

Sobre o que é seu novo romance?

É uma história que acontece no Japão e conta a história de um artesão, um homem humilde que vive no sopé de uma montanha, perto de Kyoto, no Japão antigo.

Tentei buscar um Japão mitológico, não tecnológico e não sofisticado. Esse foi o Japão que me impressionou desde menino, daquele povo esforçado, trabalhador, mas ao mesmo tempo capaz de uma ira, de uma violência.

Conhecer o Japão depois de ter esse Japão mitológico na memória mudou muito sua visão do país?

Sim, acho bonito eles terem conseguido entrar no futuro sem perder a memória. É uma memória endêmica que eles recusam a deixar de lado. Depois de ser um país profundamente bélico, de uma história de agressões, o Japão conseguiu erguer também a sociedade mais cordial do planeta.

Há uma aprendizagem diante dessa passagem de uma violência secular para uma pacificação. Imagine, com essa quantidade de gente que hoje habita a ilha, o país implodiria se eles ainda estivessem com os sabres erguidos a matarem-se uns aos outros (risos).

Você dizia que queria passar um tempo numa cidade pequena do Brasil e escrever um livro. É seu próximo projeto?

Não é pra já, mas tenho essa vontade, que precede a minha aceitação no Brasil como autor. O Brasil é uma atração minha desde a meninice, mas a minha relação com o país tornou-se tão especial que eu não gostaria que um livro que eu escrevesse sobre o Brasil fosse visto como uma espécie de correspondência fútil.

Não quero correr o risco de as pessoas pensarem que escrevi um livro oportunista para que os brasileiros gostem mais de mim.

Então preciso que o livro surja e que seja legítimo. Mas vai acontecer, a não ser que eu morra de um câncer fulminante.

Bom, você conta sempre que tinha a ideia, na infância, de que iria morrer logo, aos 18, e não morreu

Então, depois que isso não aconteceu, agora acho que não vou morrer mais, então vai dar tempo de escrever o livro sobre o Brasil (risos).

Você tinha uma visão muito crítica da União Europeia, achava que Portugal vinha sendo maltratado. O que achou da saída do Reino Unido?

Acho que colocou um freio no continente. Do modo como estava funcionando, era, sim, uma forma de os grandes manipularem os menores.

Mas eu sou um europeísta convicto, e acho que de maneira nenhuma a Europa pode se desfazer. Se isso ocorrer, vai nos enfraquecer ao ponto de nos tornarmos apenas belos museus medievais.

Seremos um continente de museus decrépitos. As pedras, a monumentalidade vai estar toda aí, mas as pessoas não vão ter como viabilizar um futuro, só vai existir o passado. Se nos desagregarmos, os países se transformarão em digníssimos lugarejos.

Valter Hugo Mãe: “Na solidão, não há humanidade”

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Em Porto Alegre, escritor debate sua obra, vê Europa perdida entre guerra e ódio e lastima pobreza do individualismo: “Ninguém encontra justificação para vida dentro de si mesmo”

Katia Marko, no Outras Palavras

Meu primeiro contato com a literatura do escritor português nascido em Angola Valter Hugo Mãe foi em março deste ano, quando li numa sentada O Filho de Mil Homens. Agora, quando tive a oportunidade de vê-lo pessoalmente no Fronteiras do Pensamento, na noite desta segunda-feira (3/8) em Porto Alegre, só reafirmei minha admiração. Tal qual em seus livros, sua fala é carregada de poesia, mas com a força de um punhal.

Valter escreveu um texto inédito para a sua participação no encontro chamado “Síndrome do Bom Rapaz”. A proposta era refletir sobre “Como viver juntos?”. Mais do que isso, o escritor mergulhou em sua vida. Contou passagens da infância, adolescência e momentos importantes que, segundo ele, o transformaram em um bom rapaz. E todas as consequências sofridas com isso. Arrancou risadas da plateia ao dizer que a síndrome do bom rapaz é a sua mais grave patologia, mas também emocionou e, com certeza, tocou o coração de muitos, assim como o meu.

“Tomei nota de umas ideias num texto para esta comunicação inicial. É um texto estranhíssimo e inédito que escrevi para ler hoje e, antes de ler o texto, eu quero dizer algumas coisas: estou muito convencido, e meus livros já têm mostrado isso, de que a justificação para nós está nos outros. Ninguém encontra uma justificação para sua vida dentro de si mesmo. Nós intuímos as coisas em nós mesmos, mas é preciso lembrar que a palavra ‘justificação’ vem de justiça. Justificar significa mostrar porque é justo. Aquilo que faz com que seja justo enfrentarmos a vida são os outros. Precisamos acabar com essa tirania da individualidade.”

Como o escritor destacou, tendo como ponto de partida a certeza de que não somos gente sem uma imersão no coletivo, respondeu a questão inicial do encontro afirmando que “não há como não viver juntos, não há como ter humanidade na solidão”. Ele trata mais profundamente sobre isso em seu último livro A Desumanização, onde diz que quem opta pela solidão, opta por não ser gente.

Mãe fala em Porto Alegre, no evento “Fronteiras do Pensamento”, em 3 de agosto. Foto: Emílio Speck

Mãe fala em Porto Alegre, no evento “Fronteiras do Pensamento”, em 3 de agosto. Foto: Emílio Speck

Apesar da sua esperança e sua forma de ser, classificada por ele, como uma resistência a que a humanidade termine, Valter fez fortes críticas ao desaparecimento do outro e a individualização extrema. Também lamentou o forte retrocesso vivido na Europa. A retomada de ideias fascistas, nazistas, xenófobas e a perseguição às pessoas diferentes estão acabando com a Europa. “A Europa está outra vez vivendo o ódio. Estamos lembrando porque estávamos sempre em guerra. Se a União Europeia se desfizer, vai ser horrível para os países pequenos, mas acho inevitável. A perseguição à Grécia é inadmissível. A economia não pode decidir que as pessoas vão morrer de fome”, destacou.

O escritor relatou ainda que quando esteve na Grécia a pouco tempo, cerca de 25% da população vivia sem luz e água em casa, porque não tinha como pagar. “Se isso for o resultado, a Europa não pode existir”. Também se mostrou muito incomodado com a publicização das ideias fascistas e nazistas. “Jamais participaria de um debate com alguém da extrema direita. Acredito que tudo que diminui o direito do outro não é possível discutir.”

A naturalização da maldade e das atrocidades foi outra (mais…)

Valter Hugo Mãe pede para ser excluído de livro

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Valter Hugo Mãe, escritor angolano: "não acho o texto excelente e, por isso, não tenho qualquer interesse em republicar, nem em Portugal nem em lugar algum."

Valter Hugo Mãe, escritor angolano: “não acho o texto excelente e, por isso, não tenho qualquer interesse em republicar, nem em Portugal nem em lugar algum.”

Publicado na Exame [via Estadão]

São Paulo – A editora portuguesa Tcharan lançou, em maio, A Inocência das Facas, coletânea com textos de 10 escritores de lá sobre a temática da violência contra crianças.

Os direitos de publicação da obra no Brasil foram oferecidos a Simone Paulino, que estava começando sua editora – a Nós.

Porque gostava do trabalho de muitos dos ilustradores e, claro, da literatura de José Saramago e Valter Hugo Mãe, dois dos autores, ela decidiu publicá-la. A notícia foi antecipada na coluna Babel do dia 11, quando o imbróglio começou.

“Assim que saiu a notícia, recebi um e-mail da agente que intermediou a compra dos direitos. Ela pedia desculpas, e esclarecia que, por conta do contrato de exclusividade que o autor mantinha com outra editora brasileira, ele não poderia autorizar a publicação do texto especificamente no Brasil. Sendo assim, havia solicitado que a Tcharan retirasse o seu conto da coletânea na edição brasileira para não ter problemas com a sua editora”, explicou Simone Paulino.

“A Cosac não contatou o autor para impedir a publicação deste texto”, respondeu Florencia Ferrari, diretora editorial da Cosac Naify, por meio de sua assessoria de imprensa.

Valter Hugo Mãe disse ao jornal O Estado de S.Paulo que foi surpreendido pela notícia da edição brasileira e que não quer o texto publicado por não ter ficado satisfeito com seu trabalho. “O texto em causa foi cedido para o que seria uma edição perfeitamente circunscrita, tive pouquíssimo tempo para o escrever e acedi a publicar porque era para apoiar uma causa em que acredito e porque fui muito pressionado por uma pessoa amiga e responsável pela editora. Eu não acho o texto excelente e, por isso, não tenho qualquer interesse em republicar, nem em Portugal nem em lugar algum.”

Paulino entende. “Mas penso que essa decisão tem que ser tomada na hora da assinatura do contrato. Segundo a editora portuguesa, eles tinham o direito de publicação para o mundo todo”, explicou.

A presença de Hugo Mãe na coletânea pesou na decisão de Simone Paulino de incluir a obra, que, em Portugal, teve o apoio da Cruz Vermelha, em seu catálogo que já conta com A Divina Jogada, de José Santos e Eloar Guazzelli; Apocalipse Nau, também de Guazzelli; e Eu Sou Favela (vários autores).

“Sou leitora atenta e fiel à obra do Valter. Claro que esse texto não tem a mesma potência criadora de Filho de Mil Homens, A Máquina de Fazer Espanhóis ou A Desumanização, que são os meus preferidos. É um texto mais singelo, curto, rimado, mas há um diálogo perceptível com seus outros livros, sua temática e sua poética. Gosto muito do texto e sinto ter que retirá-lo da coletânea”, comentou.

Seu substituto ainda será anunciado e o livro deve sair em setembro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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