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“É uma possibilidade”, diz produtor sobre novos filmes da Saga Crepúsculo

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Marco Antonio, no Pizza de Ontem

Desde que a Saga Crepúsculo teve seu último filme lançado em 2012, os fãs ficaram órfãos de novidades sobre novas futuras adaptações e só o que tinham era uma versão nova do livro com o gênero dos protagonistas invertidos. Mas agora, dando uma esperança, um produtor da Lionsgate disso que ainda há possibilidade de novos filmes.

Patrick Wachsberger deu entrevista para o Screen Daily e confirmou que o estúdio não enterrou de vez a saga:

É uma possibilidade. Não é certeza, mas é possível. Tudo depende da Stephanie Meyer [autora dos livros]. Se ela quiser contar uma história relacionada àqueles personagens, nós estaremos aqui esperando!”, disse.

O mais legal disso tudo é que os protagonistas dos longas Robert Pattinson e Kristen Stweart já revelaram em entrevistas antigas que ainda têm interesse em voltar em novas produções da saga. Ou seja, só depende da Stephanie escrever novas histórias, porque o elenco original já está pronto!

Relembre o último longa com o trailer abaixo:

8 capítulos deletados que mudariam radicalmente o desfecho de grandes obras

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Guilherme Carmona, no Literatortura

Às vezes não é necessário mais que uma frase para mudar drasticamente o desfecho de um livro. Tirar um trecho do contexto geral de uma obra literária pode danificá-la de forma radical, de certa forma desvirtuando o significado original com que a obra foi concebida. Mas também é possível imaginar que, se alguns capítulos de algumas obras não houvessem sido omitidos, talvez certos livros nunca tivessem chegado às mãos do público. Segue abaixo uma lista de obras famosas que, de uma maneira ou de outra, não são a idealização original de seus criadores.

8 – O Drácula de Bram Stoker

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Se há um livro que influenciou radicalmente o gênero de terror e tornou-se referência para gerações de escritores e leitores, muito provavelmente este livro é O Drácula de Bram Stoker. O livro conta a história da tentativa de Drácula de se mudar da Transilvânia para a Inglaterra e sua batalha com um grupo liderado por Abraham Van Helsing. Bram Stoker pode não ter sido o idealizador dos vampiros, mas definitivamente definiu o estilo de vampiro moderno.

O capítulo deletado:

O castelo do Drácula desmorona e ele morre, de modo a esconder o fato de que algum dia um vampiro viveu ali. Mas, talvez na intenção de escrever uma sequência para o livro ou estar preocupado em fazer um final muito semelhante ao de A Queda da Casa de Usher, de Edgar Allan Poe, Stoker cortou a cena.

Se não fosse deletado…

É muito provável que perdesse o caráter original e toda a importância da obra passasse despercebida por seu capítulo final ser demasiado semelhante ao de A Queda da Casa de Usher. Ou seja, Stoker seria mais um escritor que copiou Poe e jamais teria entrado para a história.

7 – O Retrato de Dorian Gray

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O Retrato de Dorian Gray é a obra mais conhecida do escritor irlandês Oscar Wilde e é considerada um dos clássicos modernos da Literatura Ocidental. O livro conta a história de um jovem de rara beleza que tem seu retrato pintado e se deslumbra com a própria imagem. Apavorado com a efemeridade de sua beleza e seduzido pela possibilidade de uma vida guiada pelo prazer, Dorian então “vende” a alma para que o quadro possa envelhecer em seu lugar. Além de uma reflexão magistral sobre a juventude, o prazer e a suposta oposição entre beleza e inteligência, o livro é uma crítica mordaz aos costumes da Inglaterra Vitoriana do fim do séc. XIX.

O capítulo deletado:

A publicação do livro, em 1890, causou rebuliço entre os editores devido às diversas passagens onde eram descritas cenas sensuais entre homens. A homossexualidade estava longe de ser uma prática aceitável entre os ingleses da era Vitoriana, e a sugestão que Wilde recebeu de seu editor foi “diluir” o conteúdo homossexual em sete novos capítulos. Passagens com conteúdo mais explícito foram cortadas de vez e o livro foi um estouro. Wilde, porém, foi mandado para a prisão por sua preferência sexual.

Se não fosse deletado…

O mérito de O Retrato de Dorian Gray é ter sido o primeiro livro a falar de homossexualidade, ainda que não explicitamente, e ter uma repercussão gigantesca. Levando em conta que mesmo após a edição do livro Wilde foi acusado de pederastia, talvez fosse esse o caso de ignorar algumas sugestões do editor. Se o livro não houvesse sido tão brutalmente editado, poderia ter pavimentado o caminho para tolerância e aceitação mais cedo na história.

6 – Grandes Esperanças

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Grandes Esperanças é um clássico da literatura Vitoriana que descreve, em primeira pessoa, a trajetória pessoal de Pip, um rapaz órfão que vive na primeira metade do século XIX. Pip recebe o privilégio de uma fortuna e torna-se membro da aristocracia sem, por um momento sequer, passar por trabalho duro. Ele conhece e liberta o fugitivo Abel Magwitch, que lhe retribui em dinheiro após ser deportado, porém sem que Pip tome conhecimento do fato. A realidade de Magwitch, marginalizado, preso e doente, vai em sentido contrario à de Pip. Grandes Esperanças é considerado por Dickens o seu melhor trabalho, e se foca na relação entre a sociedade e os homens.

O capítulo deletado:

O autor havia originalmente imaginado um final onde Pip encontra-se com sua amada, exausta e deprimida. Ela havia perdido o marido recentemente, e Pip estava sem um tostão. Pip diz que nunca poderia tê-la para si e que ele sabe que ambos têm corações imersos em trevas. A separação, nessa versão, não é nada amigável.

Se não fosse deletado…

Ao mostrar essa versão a alguns amigos, Dickens obteve a resposta de que ela era demasiado deprimente, de modo que acabou trocando-a por algo mais alegre. Enquanto alguns vêem o final feliz como uma recompensa pelo crescimento do caráter de Pip, outros, como o escritor George Bernard Shaw, apontaram o final original como mais coerente com a ideia geral do livro. Atualmente a crítica é dividida neste aspecto.

5 – Harry Potter e as Relíquias da Morte

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A famosa saga escrita por J.K. Rowling entre 1997 e 2007 conta as aventuras do bruxo Harry Potter e seus amigos Rony Weasley e Hermione Granger na escola de Hogwarts, assim como sua missão de derrotar o bruxo das trevas Lorde Voldemort. Trata-se simplesmente da saga que mais vendeu na história, tendo vendido cerca de 450 milhões de exemplares e sido traduzida para 67 línguas diferentes, sendo que os últimos 4 livros estabeleceram recordes como livros mais rapidamente vendidos na história. Indiscutivelmente foi a série de literatura infanto-juvenil que mais marcou a geração de leitores nascidos nos anos 90.

O capítulo deletado:

Um jornalista, único amigo da autora que sabia do final alternativo, vazou a informação. Dois finais foram considerados pela autora J.K. Rowling para Harry Potter e as Relíquias da Morte. Ela escolheu a versão hoje conhecida: Voldemort morre e Harry salva a todos. O final alternativo não foi tão feliz. Na verdade, ele dá a entender que Voldemort passou a viver como uma estátua em Hogwarts.

Se não fosse deletado…

Rowling não queria que a informação fosse a público, mas podemos agradecer a seu amigo por fornecer uma alternativa a quem não se contentou com o final “felizes para sempre”. Além do fato de Voldemort poder ser uma estátua nos arredores de Hogwarts, Harry, agora o diretor e um homem velho, apaga as memórias de todos sobre Voldemort. Também é dado a entender que o próprio bisneto haveria de se tornar o próximo bruxo das trevas. Um final controverso, mas também prato cheio para quem ansiava por uma sequência para a saga.

4 – A Máquina do Tempo

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Um dos primeiros romances de ficção científica e responsável pela popularização do conceito de viagem no tempo, a Máquina do Tempo, de H.G. Wells, conta a história de um inglês da era Vitoriana que inventa uma máquina do tempo e viaja 800.000 anos no futuro. Lá, ele conhece a realidade distópica onde convivem dois tipos diferentes de homens: os Eloi, hominídeos medrosos e frágeis que vivem na superfície, e os Morlocks, uma assustadora população relegada a desenvolver-se nas profundezas da terra, produzindo toda a infraestrutura necessária à vida dos Eloi ao longo de centenas de milhares de anos. O autor dá a entender que essas duas evoluções distintas da espécie humana resultam de uma divisão de classes.

O capítulo deletado:

O que poucos sabem é que, durante o estágio de edição do livro, com a intenção de demonstrar “a total degeneração” do homem, o editor de Wells pediu um capítulo extra. Nesta versão, o viajante conhece o futuro ainda mais distante dos Eloi e dos Morlocks. Ele descobre uma forma evoluída dos Eloi, que acaba matando por não tê-la reconhecido.

Se não fosse deletado…

Talvez, se não houvesse sido deletado, este capítulo teria feito o público odiar o livro e, por consequência, todo o gênero de ficção científica que seguiria depois.

3 – Alice através do Espelho

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Nesta sequência de Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll decidiu fazer um livro ainda melhor que o primeiro. O novo livro se focava no jogo de xadrez que ajudou a popularizar Alice no País das Maravilhas, e os obstáculos são colocados como etapas de um jogo de xadrez, com a aparição de personagens marcantes ao longo da trama. Trata-se, em última análise, de uma ode à esperteza infantil e uma crítica à literatura moralista dirigida às crianças da época, desde cedo submissas à lógica aprisionante dos adultos.

O capítulo deletado:

Devido à falta de uma ilustração, um capítulo inteiro da obra foi cortado. O capítulo A wasp in a wig, ou A vespa de peruca, não entrou porque o ilustrador dos livros de Carroll afirmou não ser capaz de desenhá-la, por mais que tentasse.

Se não fosse deletado…

Possivelmente, seria mais um personagem fascinante para o livro, e que, infelizmente, não veio a público. Muitos dos personagens influenciaram a cultura popular (http://en.wikipedia.org/wiki/Category:Music_based_on_Alice_in_Wonderland), a exemplo da música “I am the Walrus”, dos Beatles.

2 – A Autobiografia de Malcolm X

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A autobiografia de Malcolm X foi um dos livros mais importantes do século XX. Lançado em 1965 a partir de um trabalho conjunto de Malcolm X e o jornalista Alex Haley, o livro tem como base uma série de entrevistas conduzidas por Haley entre 1963 e o assassinato de Malcolm X, em 1965. Além do idealismo do orgulho negro e nacionalismo negro e das filosofias pessoais de Malcolm X, o livro se refere também a um processo de amadurecimento espiritual.

O capítulo deletado:

No entanto, curiosamente, três capítulos foram cortados do livro. Justamente estes três capítulos eram considerados os mais impactantes. Foram escritos durante os últimos meses de vida de Malcolm X e mostravam sua desilusão com a luta pelos direitos civis assim como sua batalha pessoal com a depressão. Haley também censurou prontamente material com teor antissemita que se encontrava na obra. Ele também demonstrava estar ciente de que sua própria morte se aproximava.

Se não fosse deletado…

Os capítulos foram removidos, mas, talvez, se houvessem permanecido, o sucesso comercial do livro certamente seria menor. Por consequência, talvez a causa de Malcolm X talvez não tivesse produzido um impacto tão grande na sociedade.

1 – A Fantástica Fábrica de Chocolate

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O livro, do escritor britânico Roald Dahl, retrata as aventuras do jovem Charlie Bucket na fábrica de chocolate do excêntrico Willy Wonka. O livro nasceu com base nas experiências de Dahl em seus dias de escola, quando uma grande fábrica de chocolate enviava pacotes para testar a aprovação das crianças durante a década de 1920. A existência de uma fábrica rival e a possibilidade de espionagem da fabricação de produtos criou um sistema de segurança em ambas as fábricas, o que colaborou com o surgimento do mistério envolvendo a produção dos chocolates.

O capítulo deletado:

A versão original de A Fantástica Fábrica de Chocolate tinha um número maior de crianças em sua trama (na versão atual, são apenas cinco ganhadores), e um capítulo destinado ao último personagem deletado. O capítulo apresenta a filha de um diretor de escola que é muito dedicada aos estudos. A garota e seus pais ficam sabendo da existência de uma máquina que mistura cereais cuja ingestão causa pontos vermelhos no rosto da criança por uma hora, de modo que ela possa faltar à aula. A revolta é tanta que os personagens tentam sabotar a máquina.

Se não fosse deletado…

Talvez Dahl tenha considerado o desfecho sombrio demais para um livro infantil. Após descobrir o plano da família, Wonka diz, com seu humor característico, que eles próprios farão parte da mistura. Ele logo emenda dizendo que é apenas uma brincadeira, e que os Oompa-Loompas acompanharão a família para a saída. Mas pouco tempo depois os Oompa-Loompas voltam cantando sobre como os amigos de Miranda vão apreciar seu sabor lá na escola…

dica do Sidnei Carvalho de Souza

Autora da lucrativa saga “Crepúsculo” planeja nova trilogia

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Imagem: Google

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Publicado por Valor Econômico

O livro “A Hospedeira”, de Stephenie Meyer, tem pouco a ver com a famosa tetralogia “Crepúsculo”, mas compartilha o mesmo potencial para se converter em uma lucrativa série de filmes. A autora está trabalhando na continuação do romance, lançado em 2008 e que nasceu da tentativa de Stephenie de escapar um pouco do processo de edição de “Eclipse”, terceiro livro da saga “Crepúsculo”. E agora que “A Hospedeira” está a prestes a estrear no cinema, ela tem mais romances em mente. “Uma vez que você cria personagens que têm vida própria, sabe para onde vão suas histórias, a menos que mate todos eles. Você sempre está consciente do que ocorre depois”, disse a escritora à Associated Press. “Tenho as tramas dos próximos livros. Espero que seja uma trilogia, mas veremos.”

Em “A Hospedeira”, Stephenie troca os vampiros e lobisomens de seus livros anteriores por alienígenas. Uma raça extraterrestre se apodera da mente dos seres humanos, com o intuito de aperfeiçoar o planeta. Porém uma jovem, chamada Melanie Stryder, se nega a ter sua mente invadida. A atriz Saoirse Ronan interpreta a personagem, que é disputada por dois rapazes, vividos por Max Irons e Jake Abel. “Crepúsculo” também tinha seu triângulo amoroso, formado por Bella, o vampiro Edward e o lobisomen Jake, vividos no cinema por Kristen Stewart, Robert Pattinson e Taylor Lautner – os cinco filmes baseados na saga arrecadaram mais de US$ 1,3 bilhão ao redor do mundo.

O relacionamento amoroso não deve ser, porém, foco do novo romance, diz Stephenie. A autora também espera que “A Hospedeira” atraia um público mais velho que o de sua popular tetralogia e considera a história mais acessível ao público masculino, por explorar laços que vão além do amor romântico. “Sem mencionar todas as explosões e disparos”, disse o ator Jake Abel, que interpreta Ian O’Shea, um dos humanos rebeldes da história.

“A Hospedeira” tem estreia mundial em 29 de março.

“O mau livro não fica –um romance demanda tempo”, diz Isa Pessoa sobre nacionais

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Raquel Cozer, na A Biblioteca de Raquel

O começo dos anos 2000 não foi bom para autores brasileiros de ficção. No momento em que nosso mercado mais se profissionalizou, com players internacionais comprando nacos de editoras locais, estruturas se tornando menos familiares e livrarias cobrando por espaço, perdeu quem não tinha alto potencial de vendas. No limiar do estereótipo, a disputa entre o vampiro hollywoodiano e o autor brasileiro a gente sabe quem ganhou.

O ano que começa traz indícios de um movimento contrário. Nenhuma grande editora vai desistir de seus best-sellers, mas é digno de nota que mesmo as que faturam bem, obrigada, com a fórmula conhecida queiram ampliar catálogo nacional. Ainda que seja em parte curioso reflexo de anterior interesse internacional. Foi tema de reportagem que fiz para a Ilustrada de hoje.

A Isa Pessoa, diretora editorial e dona da Foz, ficou conhecida, nos anos 90 e 2000, como diretora editorial da Objetiva, justamente pelo investimento em nacionais –especialmente por colocá-los nas listas de mais vendidos, algo que virou exceção da exceção.

Cheguei a mandar perguntas a ela para a reportagem, mas vi as respostas tarde demais. Respostas muito boas, de quem conhece a edição e o mercado. Estão aí.

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Você criou a Foz com foco na produção nacional contemporânea, certo? Que obras ficção de autores em atividade já estão planejados para este ano?
Sim, o foco é esse. Para este ano estão programados o novo romance de Tatiana Salem Levy, “Maranhão”, e o de Paulo Scott, “O Ano em que Vivi Só de Literatura”.

Estão planejados. Todos trabalhando para isso. Mas, se o autor não considerar sua obra suficientemente acabada, para publicarmos com todo cuidado necessário em 2013, não iremos apressar o lançamento em função de uma oportunidade do mercado, para o fim de ano ou alguma feira literária, por exemplo.

Já vi esse filme, não funciona: depois tudo passa, e o mau livro não fica. Um romance demanda tempo para ser escrito, editado, e durar.

Na Objetiva, você era conhecida pelo seu trabalho com autores nacionais. Agora, chega um momento em que outras grandes editoras estão demonstrando mais interesse na produção de ficcionistas contemporâneos. O que aconteceu, de um, dois anos para cá, para levar a esse movimento?
Não consigo imaginar ambição mais bela, como editora brasileira, do que publicar autores nacionais que vendam bem, que cheguem às listas, sejam lidos e queridos pelo público –e pela crítica também, aí a gente chega perto do paraíso.

Foi o que aconteceu, por exemplo, quando publicamos a coleção Plenos Pecados, na Objetiva, e por alguns anos os autores brasileiros ocuparam a lista de ficção, às vezes cinco ao mesmo tempo (Ubaldo, Verissimo, Torero, Noll, Zuenir). Mas isso aconteceu do final dos anos 1990, até 2000. Depois, não me lembro de tantos escritores nacionais irem para a lista ao mesmo tempo.

De dez anos para cá, os estrangeiros passaram a dominar as vendas, como sabemos, os índices de nosso mercado traduzindo o que acontece mundo afora, enfim globalizados “comme il fault”. As tiragens de ficcionistas brasileiros minguando, com exceções louváveis nessa fase comercialmente ingrata para os autores nacionais.

A disputa internacional pelos autores e por séries de sucesso do livro que vira filme esquentou nosso mercado no início do milênio: todo mundo querendo o novo cachorro, o novo vampiro. E o autor brasileiro ofuscado, sem atenção do marketing das editoras, vendendo pouco. Mas um editor também precisa dos prestígio dos prêmios literários, da presença midiática na Flip –o que aguçou nos últimos anos, a meu ver, a busca por brasileiros que ocupassem esse lugar, ampliassem essa pesquisa por ficcionistas talentosos, de preferência jovens.

Vale ressaltar, nesse contexto, a compra de livros pelos programas governamentais, incluindo regularmente a ficção brasileira, que passaram a representar uma saída comercial para a publicação de autores nacionais de qualidade.

Em geral, a ficção nacional não entra na lista de mais vendidos. Acha possível, sendo realista, que esse cenário mude nos próximos anos?
A ficção nacional pode atrair mais leitores, sim, não tenho dúvida disso. Quando a editora investe mais na campanha de lançamento de um livro, e esse livro é bom, condição “sine qua non”, ele pode alcançar patamares maiores de venda do que se fosse lançado numa baixa tiragem, sem atenção da mídia, do editor, dos livreiros.

Prêmios literários, presença na Flip etc. são fatores determinantes na divulgação do nome do autor junto ao público, o que contribui para o círculo virtuoso, quando o livreiro dá mais atenção ao livro, e o consumidor também. Mas, se o livro não consegue o bom boca a boca, esqueça. É isso, no frigir dos ovos, que fará o livro vender mesmo, superar uma carreira regular, modesta, e alcançar a lista dos mais vendidos.

Claro que um autor nacional consegue escrever esse livro, por isso precisa de tempo para fazê-lo, de competência, de diálogo com o editor, de condições financeiras para tanto, de divulgação qualificada etc. Isso custa caro, e o editor precisa investir, naturalmente se o livro convencê-lo.

Como você seleciona autores para a Foz? É diferente hoje de como era quando você selecionava autores para a Objetiva, pensando, por exemplo, no maior número de agentes literários hoje em atividade no país?
A oferta é muito grande. Hoje talvez maior ainda, tendo em vista –também– o maior número de agentes literários. Todo dia recebo pelo menos um original novo para avaliar.

São basicamente os mesmos critérios de avaliação, ainda mais rígidos, na verdade, em função de um cronograma enxuto –a qualidade do texto, o potencial do autor, sua disposição em trabalhar junto com o editor, esculpir esse texto, esgotar todas as chances de aprimorá-lo.

Acho que me tornei uma editora mais exigente, sim, em função de um novo projeto profissional.

Vencedor do Prêmio Camões, Dalton Trevisan mantém tradição e não aparece

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Dalton Trevisan posa para o Jornal da Tarde em 1968, época em que dava entrevistas com prazer. (Foto: AE)

Cassiano Elek Machado, na Folha de S.Paulo

Avesso a aparições públicas desde o início de sua carreira, o escritor Dalton Trevisan, 87, honrou sua tradição. O autor curitibano não compareceu nesta quarta (12) ao evento onde receberia a maior distinção literária da língua portuguesa, o Prêmio Camões, dado pelos governos de Portugal e Brasil desde 1988.

A vice-presidente da editora Record Sonia Machado recebeu o prêmio em nome do escritor e leu um fax enviado por ele.

“Os muitos anos, ai de mim, já me impedem de receber pessoalmente o prêmio”, diz Trevisan, em um trecho da carta, que manifestou espanto por receber o que chamou de “o prêmio dos prêmios”, que lhe rendeu 100 mil euros.

Com a ausência do “Vampiro de Curitiba”, como é apelidado, o evento na Biblioteca Nacional, no Rio, foi uma festa da editora Record, que o publica.

O grupo editorial, um dos maiores da América Latina, comemorou na ocasião seus 70 anos.

Além de exibir um vídeo em que várias personalidades da cultura brasileira falavam sobre a Record, foram feitas homenagens a alguns autores da casa, como Marina Colasanti e Eduardo Spohr, que ganharam o prêmio Recordista, dado pela editora aos que vendem mais de 100 mil exemplares por ano.

A editora anunciou no evento a doação de 70 mil livros para a Biblioteca Nacional e algumas ações, como a venda com preços promocionais de 70 livros de sucesso, como “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez.

A Record, que é composta hoje por 13 selos diferentes, fará ainda 70 debates em 7 capitais nacionais.

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