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Exposição apresenta fotos de escritores feitas por Daniel Mordzinski em hotéis

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Entre os retratados na mostra que tem entrada gratuita estão Vargas Llosa, Borges, Saramago e Verissimo; veja galeria de imagens

Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

Mario Vargas Llosa deitado fazendo anotações. Agustina Bessa-Luís passando batom no banheiro. José Eduardo Agualusa sentado na cama, com a mala pronta. Salman Rushdie dentro da banheira, de roupa e comendo frutas. Essas cenas foram presenciadas, ou montadas, pelo fotógrafo Daniel Mordzinski ao longo de sua trajetória profissional – recheada de encontros com célebres escritores.

Uma exposição em São Paulo vai apresentar cerca de 50 fotografias tiradas por ele exclusivamente em hotéis. Quartos de Escrita – Retrato de Escritores em Hotel, que já passou pelo festival Fliaraxá em 2014, fica em cartaz no Sesc Bom Retiro até o dia 8 de março. A curadoria é de Afonso Borges, idealizador do Sempre um Papo – série de encontros realizados com escritores em Belo Horizonte e também em São Paulo.

EXPOSIÇÃO QUARTOS DE ESCRITA – RETRATO DE ESCRITORES EM HOTEL

Daniel Mordzinski/Divulgação > O escritor Mario Vargas Llosa, colaborador do Estado, foi agraciado com o Nobel em 2010

Daniel Mordzinski/Divulgação
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O escritor Mario Vargas Llosa, colaborador do Estado, foi agraciado com o Nobel em 2010

Daniel Mordzinski/Divulgação > O escritor argentino Jorge Luis Borges; livros escritos por ele com o amigo Adolfo Bioy Casares acabam de chegar às livrarias brasileiras

Daniel Mordzinski/Divulgação
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O escritor argentino Jorge Luis Borges; livros escritos por ele com o amigo Adolfo Bioy Casares acabam de chegar às livrarias brasileiras

Daniel Mordzinski/Divulgação > Prêmio Nobel de 1998, José Saramago deixou um romance inacabado ao morrer, em 2010; Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas foi publicado no Brasil em 2014

Daniel Mordzinski/Divulgação
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Prêmio Nobel de 1998, José Saramago deixou um romance inacabado ao morrer, em 2010; Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas foi publicado no Brasil em 2014

Daniel Mordzinski/Divulgação > Cronista do Caderno 2, o escritor Luis Fernando Verissimo é um dos brasileiros retratados por Daniel Mordzinski

Daniel Mordzinski/Divulgação
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Cronista do Caderno 2, o escritor Luis Fernando Verissimo é um dos brasileiros retratados por Daniel Mordzinski

Daniel Mordzinski/Divulgação > O angolano José Eduardo Agualusa é autor de Nação Crioula, entre outras obras; A Rainha Ginga, seu mais recente trabalho, será lançado no Brasil em abril

Daniel Mordzinski/Divulgação
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O angolano José Eduardo Agualusa é autor de Nação Crioula, entre outras obras; A Rainha Ginga, seu mais recente trabalho, será lançado no Brasil em abril

Daniel Mordzinski/Divulgação > Salman Rushdie, autor de Versos Satânicos, que lhe rendeu uma ameaça de morte e anos de reclusão

Daniel Mordzinski/Divulgação
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Salman Rushdie, autor de Versos Satânicos, que lhe rendeu uma ameaça de morte e anos de reclusão

Daniel Mordzinski/Divulgação > Um dos principais nomes da literatura portuguesa, Agustina Bessa-Luís é tema de outra exposição em São Paulo; até março, sua vida e obra estão em destaque no Museu da Língua Portuguesa

Daniel Mordzinski/Divulgação
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Um dos principais nomes da literatura portuguesa, Agustina Bessa-Luís é tema de outra exposição em São Paulo; até março, sua vida e obra estão em destaque no Museu da Língua Portuguesa

Daniel Mordzinski/Divulgação > A reclusa escritora Herta Müller, romena homenageada com o Nobel em 2009

Daniel Mordzinski/Divulgação
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A reclusa escritora Herta Müller, romena homenageada com o Nobel em 2009

Há retratos, ainda, de Eric Hobsbawm, Nadine Gordimer, Umberto Eco, Jorge Luis Borges, José Saramago, Gabriel García Márquez, Eduardo Galeano, Herta Müller e de brasileiros, como Luis Fernando Verissimo, cronista do Caderno 2, e João Paulo Cuenca, entre outros autores.

Daniel Mordzinski, também conhecido como o fotógrafo dos escritores, nasceu em Buenos Aires, mas vive em Paris há quase quatro décadas. Suas fotos já foram publicadas em veículos como Le Monde e El País e foram tema de exposição na Itália, Espanha, Portugal, Alemanha, Inglaterra, Grécia, França, México, Colômbia, Argentina e outros países.

Exposição – Quartos de Escrita – Retrato de Escritores em Hotel
Sesc Bom Retiro ( Alameda Nothmann, 185, tel. 3332- 3600)
Até 8 de março
De terça a sexta, das 9h às 20h30; sábados e domingos, a partir das 10h
Grátis

“Um e-book nunca vai atingir o nível de romantismo que tem o papel”

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el escritor en su paraiso

El escritor en su paraíso, uma viagem através da vida de escritores famosos que foram bibliotecários. O prefácio é de Vargas Llosa.

Rodney Eloy,  no Pesquisa Mundi

 

Antonio Cervera | Granada hoy
Tradução livre

Conhecimento, não existe melhor lugar para isso do que a biblioteca. Livros, histórias, contos e outras maravilhas nascidos do poder da imaginação em conjunto com a escrita preenchem as prateleiras destes santuários da cultura. Stephen King, Lewis Carroll, Gloria Fuertes e Borges são conhecidos em todo o mundo em seu papel como escritores, mas poucas pessoas sabem que antes de se tornar autores aclamados foram também bibliotecários. Estes são apenas uma pequena parte de tantos escritores que passaram horas de trabalho e leitura em bibliotecas, por uma razão ou outra. El escritor en su paraíso: treinta grandes escritores que fueron bibliotecarios de Ángel Esteban revela a relação com as prateleiras de trinta escritores reconhecidos que, em algum momento de sua vida, exerceram a função de bibliotecários, realizando uma viagem por suas vidas, consagradas à literatura e à sua divulgação.

Como surgiu a ideia de explorar a faceta de bibliotecário de escritores famosos?

“Eu já havia publicado na revista Mi biblioteca uma série de gravuras sobre pequenas anedotas sobre escritores que haviam sido bibliotecários. Por isso, demorou apenas considerar um projeto maior, e o livro nasceu. No entanto, o meu interesse neste mundo não é novo. Eu sempre fui um homem de biblioteca, como os meus estudos me obrigou a estar constantemente em contato com esses lugares. Lembro-me de ser surpreendido pela Biblioteca da Universidade de Illinois, que tinha mais livros de quando visitei a Biblioteca Nacional da Espanha. Eu também visitei as coleções pessoais de diferentes escritores para um livro que desenvolvi há dez anos. Me encantou, por exemplo, Vargas Llosa, que transportava seus livros por todo o mundo, a cada nova casa, para não se separar deles.

Falando de Vargas Llosa, como se sente ao ter o prefácio de um prêmio Nobel?

Para mim é uma honra ter a sua cooperação, e eu sei que o seu nome é um endosso para o meu livro. Ele é um amante de bibliotecas. Toda sua vida ele tem continuamente trabalhado como um bibliotecário, além de escrever. Eu sabia que ele iria amar a questão e quando eu propus, não hesitou em me apoiar.

Estamos diante de um problema que pode ser um pouco denso. É um livro para todos os públicos?

Absolutamente. Primeiro, é um livro informativo, escrito em narrativa. O público em geral pode desfrutar. Embora tenha havido uma grande pesquisa e documentação, é um livro de biografias, de histórias interessantes. Os capítulos são curtos e podem ser lidos de forma independente, como uma fada que escolhe uma compilação dos Irmãos Grimm (estes, aliás, um dos capítulos). Descrevo o trabalho destes escritores-bibliotecários e me pergunto como isso influenciou a literatura.

Entre as trinta histórias que compõem o livro, são muitos tipos de bibliotecários. Tanto como personalidades?

Sim, mas, mesmo assim, de uma maneira geral, existem quatro principais classes de escritores que foram bibliotecários. Em primeiro lugar, há aqueles para os quais antes é um prazer que um trabalho. Este é o caso de Borges e Vargas Llosa, que amam os livros, possuindo-os e organizando-os. Outros, como, por exemplo, os irmãos Grimm, foram colocados para trabalhar entre as prateleiras para recolher material para suas obras literárias. Nada do que eles escreveram era novo, tudo veio da tradição popular. Em terceiro lugar, estão aqueles que descobriram a literatura em bibliotecas. Este é o caso do cubano Reynaldo Arenas, que era pobre, e por acidente obteve um cargo de bibliotecário e teve seu encontro com as letras. Descobriu os clássicos, e desenvolveu um trabalho brilhante como Celestino antes del alba. Finalmente, há alguns que odiaram seu trabalho, se envolveram com bibliotecas porque eram pessoas difíceis. Marcel Proust, foi enviado por seu pai e obrigado a trabalhar na Biblioteca Mazarine, escapava sempre que podia, e fazia um trabalho ruim de propósito. Ele disse que o pó dos livros lhe causou asma.

Entre muitos escritores do sexo masculino, encontramos alguma bibliotecária?

Um dos capítulos é dedicado a grande Gloria Fuertes. Ao mesmo tempo que trabalhou na Biblioteca do Instituto Internacional de Madrid, se dedicou a ajudar aqueles que foram estudar lá. Em relação a algumas perguntas sobre os gostos e interesses sempre recomendava livro. Em suma, estava preocupado como estes leitores. Embora mais mulheres têm sido importantes e têm desempenhado um papel nas bibliotecas, como María Moliner, a importância dos outros autores obrigou-me a deixar Gloria Fuertes como a única representante do sexo feminino.

Diz-se que o conhecimento é poder. Nenhum dos escritores do seu livro flertou com o poder político e econômico para realizar seu trabalho de bibliotecário?

São vários os casos de escritores que tiveram energia quando trabalham nas bibliotecas. Este é o caso de Goethe, que exerceu toda a sua vontade política e poder social para levar a Biblioteca de Weimar a um apogeu cultural impressionante, cheia de encontros, leituras e palestras de filósofos. O peruano Ricardo Palma recebeu a missão de seu governo para reconstruir em 1879, a Biblioteca Nacional depois da guerra com o Chile. Ele usou todo o seu poder para encontrar livros perdidos, recomprá-los e até mesmo pedir a colegas escritores. Isso lhe rendeu o apelido de “o bibliotecário mendigo”. No caso espanhol, encontramos Benito Arias Montano, que trabalhou para Felipe II. O rei lhe disse, “sua viagem será paga pela coroa para comprar os melhores livros, sejam manuscritos ou impressos”. E ele fez isso, foi um projeto tão ambicioso que veio a competir em magnitude com a Biblioteca do Vaticano. Existiram escritores-bibliotecários que também usaram seu poder para censurar ou promover ideologias, mas no meu caso eu selecionei exemplos de autores que trabalharam em favor de livros, bibliotecas e leitores.

Com a crescente digitalização, o conceito de biblioteca está condenado a desaparecer, se não se reinventar. Você poderia escrever um livro, com escritores que trabalharam com e-books?

Claro que não. Um e-book jamais atingirá o nível de romantismo que tem o papel. As histórias que conto foram trabalhados em bibliotecas repletas de prateleiras com livros reais. O que resta é o real, e o que é real é o físico. Não sou contra que existe uma realidade virtual, mas esta pode desaparecer a qualquer momento, e os livros de papel não. Vargas Llosa disse (em tom pessimista, é claro) que algum dia será o fim do papel e as bibliotecas serão museus, como se estivéssemos visitando uma catedral ou o local dos banhos romanos. Eu não compartilho dessa opinião. Temos que lutar, porque o papel não desaparecerá. É compatível com o digital, e aqui a educação tem muito a dizer. A editora do livro (Periférica) aposta muito por esse aspecto, tendo o cuidado para maximizar a apresentação. Seus livros são, em certo sentido, “livros caros”: bom papel, capa dura, arte final cuidadosa… Afinal, tomar em mãos um bom livro é um prazer que acompanha a experiência de leitura : olfato, tato, visão … todos tem. Meu livro é um hino à biblioteca, uma homenagem aos livros e as pessoas que tanto aprendi e desfrutei. A mensagem é clara: você tem que ler livros em papel.

Discreto retorno de Vargas Llosa

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Mario Vargas Llosa

Vargas Llosa: opção por uma peça linear, que tem no suspense seu principal alicerce

Fabricio Vieira, no Valor Econômico

Após um escritor receber o Prêmio Nobel de Literatura, crescem as expectativas em torno de seus próximos livros. Afinal, o premiado passa a fazer parte de uma seleta galeria na qual – ao menos, espera-se – estariam representados os maiores escritores do mundo. No entanto, não é raro que a produção pós-Nobel acabe ficando entre os trabalhos de menor relevância na obra de um autor.

É nesse caso que se enquadra o peruano Mario Vargas Llosa. Ganhador do Nobel em 2010, ele traz a público seu novo romance – infelizmente, um exemplar distante de seus momentos mais inspirados.

“O Herói Discreto” se estrutura a partir de dois núcleos narrativos. No primeiro está Felícito Yanaqué, dono de uma transportadora na cidade de Piura que certo dia recebe uma ameaçadora carta anônima que desestrutura seu cotidiano. Paralelamente, há a história de Ismael Carrera, empresário do ramo de seguros que, octogenário, decide se casar com sua jovem empregada, para escândalo da família e da sociedade de Lima. O autor constrói o romance alternando os dois polos, que apenas se combinarão próximo ao fim do livro.

A recusa de Yanaqué em pagar o suborno exigido na carta anônima para que seus negócios não sejam perturbados desencadeia a ação que forma os capítulos ímpares. Amparado no último conselho dado por seu pai (“Nunca se deixe pisar por ninguém”), Yanaqué não cede à pressão e, como consequência, vê a transportadora ser vítima de um incêndio criminoso e sua amante ser sequestrada: mesmo assim, permanece “heroicamente” firme.

Nos capítulos pares, o enredo se desenvolve a partir do casamento escandaloso de Carrera. Mas quem acaba por se tornar protagonista dessa parte de “O Herói Discreto” é Rigoberto. Funcionário de confiança de Carrera, Rigoberto aceita ser testemunha da união no cartório, passando a ser intimidado pelos filhos do empresário, sedentos pela herança do pai.

A parte centrada em Rigoberto tenta ganhar profundidade com uma pequena trama paralela em torno de Fonchito, seu filho. O adolescente recebe misteriosas visitas de um senhor com ares mefistotélicos, que despertam no jovem devaneios metafísicos, atormentando a paz familiar. Infelizmente, os episódios não conseguem alcançar a intensidade dramática desejada.

Fonchito (de "Elogio da Madrasta").

Fonchito (de “Elogio da Madrasta”).

Aos leitores habituais do romancista peruano, a entrada em cena de antigos personagens pode trazer interesse extra. Um deles é o sargento Lituma (de “Lituma nos Andes”), que surge como um dos policiais que investigam o caso de Yanaqué. Os outros são Rigoberto (de “Cadernos de Don Rigoberto”), sua mulher, Lucrecia, e o filho, Fonchito (de “Elogio da Madrasta”).

Distante da ousadia narrativa que compõe seus melhores escritos, Vargas Llosa opta por uma peça linear, que tem no suspense da trama seu principal alicerce. O resultado é um livro sem maiores desafios estéticos e carente de lampejos de genialidade linguística, no qual a segurança se sobrepõe à inventividade e que se lê até o fim só para conhecer os desdobramentos do enredo – muito pouco quando se pensa em grande literatura.

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