Posts tagged Veja

Jöel Dicker: ‘Diversão combina com literatura’

0
O escritor Joël Dicker (Foto: Divulgação)

O escritor Joël Dicker (Foto: Divulgação)

Simone Costa, na Veja on-line

Após quatro romances rejeitados, o suíço Jöel Dicker, 29 anos, teve seu primeiro livro, Les Derniers Jours de Nos Pères (sem edição no Brasil), publicado em 2012. Em seguida, lançou A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert (Intrínseca), best-seller que já vendeu mais de 2 milhões de cópias no mundo. O segredo do sucesso? Nem o próprio autor sabe explicar. Em sua passagem pela Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Dicker deu a dica de que se existe um ingrediente secreto, talvez seja a diversão. “A literatura francesa passa essa imagem de que não se pode ter diversão durante a leitura porque a literatura é algo sério”, disse em entrevista ao blog VEJA Meus Livros. Enquanto o autor tentava desvendar o mistério, na Livraria da Travessa em Paraty, loja oficial do evento, seu livro era um dos mais procurados pelos visitantes. Resultado: Harry Quebert ficou em décimo lugar entre os mais vendidos da Flip 2014.

Este é o seu segundo livro publicado, mas você escreveu outros quatro romances que foram rejeitados pelas editoras. O que acha que havia de errado com as outras histórias e por que o thriller de Harry Quebert funcionou? Quando eu escrevi meu primeiro livro eu tinha 20 anos. O fato de eu ter tentado uma vez, ter sido rejeitado por todas as editoras, ter tentado novamente e ser rejeitado outras vezes foi algo muito bom, uma lição para trabalhar mais duro, lutar pelo que eu queria e um incentivo para pensar fora da caixa. O que estava errado em meu trabalho? Por que não estava conseguindo atingir os objetivos que tinha, que era ter um livro publicado e que atingisse o público? Se meu primeiro livro não tivesse sido rejeitado, eu nunca teria escrito Harry Quebert. O primeiro tinha um estilo muito francês, pequeno, meio autoficcional. Ter esse livro rejeitado me fez pensar em outras saídas. Eu percebi que o que queria era contar uma boa história.

Qual o segredo do sucesso de Harry Quebert? Gostaria de ter uma receita para usá-la no próximo livro. No início de 2012, lancei Les Derniers Jours de Nos Pères. Seis meses depois, publiquei Harry Quebert.  Meu editor leu o original e me disse que queria publicá-lo logo na sequência porque acreditava no sucesso do enredo. Como o mesmo editor, a mesma empresa, no mesmo ano decide publicar um livro de um autor que tinha acabado de lançar outro sem muita repercussão? O primeiro vendeu 1.000 cópias. O segundo vendeu naquele ano 1,5 milhão de exemplares. Então, não tenho resposta para essa pergunta. É muito impressionante para mim. Posso dizer que um escritor não tem de escrever um best-seller. Tem de escrever um livro. São os leitores, os jornalistas, os críticos que fazem o trabalho se tornar conhecido e se transformar em um sucesso.

Marcus Goldman, protagonista do seu livro, é um autor jovem, que tem a sua idade e fez um sucesso enorme com o primeiro livro. Virou uma celebridade. Foi um tipo de premonição? Na verdade, eu queria fazer algo distinto porque já temos muitas histórias em que os autores são retratados em sua miséria humana, infelizes, divorciados, alcoólatras. Quis criar um escritor de sucesso, um cara feliz. Não estava tentando imaginar minha vida ou quanto de sucesso eu atingiria. Nós vivemos em um mundo em que há problemas econômicos, terrorismo, poluição. Vemos isso nos jornais todas as manhãs. Por que não um livro com um cara que curte seu trabalho e se sai bem nele. Pode parecer estúpido, mas queria uma atmosfera bacana para meu personagem, a despeito do que acontece a sua volta, como a suspeita de assassinato que recai sobre seu amigo.

Goldman, depois do primeiro sucesso, passa por um sério bloqueio criativo. Você escreveu seis livros em menos de uma década. Tem medo de sofrer desse mal um dia? Eu tenho bloqueios frequentemente. Mas é algo bom, não é algo que me paralisa completamente como acontece com meu personagem. Eu paro e me questiono sobre a qualidade do meu trabalho ou se eu estou indo na direção correta, se o enredo está se desenrolando bem. Todas essas questões são importantes. São bloqueios que me ajudam a parar para refletir e ver o progresso do que estou fazendo. Todos os obstáculos que você enfrenta, faz você aprender algo.

Por que decidiu ambientar a história em uma cidade dos Estados Unidos. Não é mais difícil criar um enredo em um ambiente que não é o seu? Há duas razões para isso. A primeira é que é um lugar que eu conheço bem porque já passei muito tempo lá. Sei como é a atmosfera daquele lugar. Mas o mais importante é que esse é meu sexto romance, mas é o primeiro em que uso a primeira pessoa. Eu pensei: como posso garantir que os leitores não me confundam com Marcus? Havia certo medo em mim de que as pessoas criassem links entre o personagem e o autor. Não queria que o leitor pensasse que o lugar onde Marcus toma seu café é o mesmo aonde eu vou todas as manhãs, por exemplo.

Não tem nenhuma relação com um alter-ego então? Somos ambos autores, somos da mesma geração, nascemos nos anos 1980. Para mim, ainda é difícil, talvez ainda tenha de aprimorar minha escrita para conseguir escrever na primeira pessoa sobre um personagem muito distinto de mim, uma mulher idosa, vamos supor, e fazê-lo crível. Sei que ao escrever na primeira pessoa sobre um homem que nasceu nos anos 1980 me faz ser mais real porque é o que sou.

Em uma entrevista à The New Yorker, você afirma que a literatura francesa é chata. Por quê? É engraçado porque tive uma conversa com a repórter da revista fora do contexto do que foi publicado depois. O que eu quis dizer foi outra coisa. Aqui no Brasil, vejo que as editoras de livros estão a todo vapor. Na Europa, o mercado editorial vai mal e isso é preocupante. Minha questão é sobre como podemos fazer as pessoas lerem mais. Temos de mostrar às pessoas que ler pode ser divertido, prazeroso. Como podemos fazer isso se sempre dizemos a elas que diversão não combina com literatura, que é proibido se entreter lendo um livro. A literatura francesa passa essa imagem de que não se pode ter diversão durante a leitura porque a literatura é algo sério. Claro que é algo sério, mas também pode se trazer algum entretenimento. Falta história na literatura francesa e o resultado é que o cinema tirou os leitores dos livros. Com isso, as livrarias estão sendo fechadas, o mercado editorial está morrendo. É um desastre.

Li também que você considera um elogio e não uma crítica quando alguém diz que seu livro é do tipo que se lê rápido. Um page-turner (virador de página, em tradução literal). Quando o livro foi lançado na edição em francês, a primeira crítica que tive foi algo do tipo “ah, esse livro é um page-turner”. Perguntei a mim mesmo para que serviria um livro que não tivesse as páginas viradas pelos leitores? Então é isso: se ninguém ler significa que é um bom livro? E é o que estávamos falando antes: para a literatura francesa, um livro agradável, que o leitor queira ler rapidamente, é algo ruim. Isso é preocupante e é uma péssima mensagem enviada aos jovens, aos estudantes. Como vamos fazer os jovens lerem mais se damos a eles livros que eles não gostam de ler? Se eles perceberem que podem se divertir lendo, lerão mais e vão começar a perceber o que gostam e escolher o tipo de livro que querem.  Eles lerão livros de mistério, suspense, mas também chegarão aos clássicos como Melville e vão gostar de Moby Dick e assim vão ler outros autores.

Gustavo Ioschpe derruba 12 mitos da educação brasileira

0
Gustavo Ioschpe: "No dia em que a má qualidade do ensino tirar votos, teremos uma mudança verdadeira no país." (Heitor Feitosa/VEJA.com)

Gustavo Ioschpe: “No dia em que a má qualidade do ensino tirar votos, teremos uma mudança verdadeira no país.” (Heitor Feitosa/VEJA.com)

Professor ganha pouco, universidade pública deve ser gratuita… O economista desconstrói versões predominantes sobre a realidade e os desafios do ensino nacional. Leia também: trecho inédito do novo livro do colunista de VEJA

Bianca Bibiano, na Veja

No início de 2013, Israel Lelis (PP), prefeito de Ibipeba, cidade de 17.000 habitantes no interior da Bahia, teve uma atitude bastante incomum: deu a todos os 200 professores da rede municipal de ensino local um exemplar do livro O Que o Brasil Quer Ser Quando Crescer?”, de Gustavo Ioschpe, economista e colunista de VEJA. “Pensamos que era uma piada de mau gosto”, conta Cleide Lelis, secretária de Educação da cidade. “Os professores que não conheciam o autor acharam que se tratava de um pseudônimo criado pelo prefeito para criticar nosso trabalho.” Esclarecida a situação, os docentes organizaram um evento para discutir os artigos do livro, publicados originalmente em VEJA. “Os textos falam do que ninguém quer ouvir e fazem questionamentos que enriqueceram o debate sobre o que fazer para melhorar a qualidade da educação”, diz a secretária.

O Que o Brasil Quer Ser Quando Crescer? (Editora Objetiva; 254 páginas; 36,90 reais). Divulgação/ Ed. Objetiva

O Que o Brasil Quer Ser Quando Crescer? (Editora Objetiva; 254 páginas; 36,90 reais). Divulgação/ Ed. Objetiva

Sim, falar de temas espinhosos, questionar versões consagradas e derrubar mitos sobre a educação brasileira (leia na lista abaixo) é uma especialidade de Ioschpe, de 37 anos. Apoiado em rigor metodológico e na análise minuciosa de pesquisas nacionais e internacionais, o economista desconstrói discursos que se tornaram predominantes entre professores, pais, políticos e quase toda a sociedade para explicar a funesta situação do ensino nacional e seus desafios. Ioschpe volta à carga em novo livro, uma edição ampliada de “O Que o Brasil Quer Ser Quando Crescer?”, que chega às livrarias no dia 1º de agosto e reúne 40 artigos publicados em VEJA entre 2006 e 2013. Os textos tratam de questões como financiamento da educação, participação dos pais e propostas de melhoria do ensino. O volume traz ainda um extenso material produzido após uma viagem do autor à China, em 2011, para investigar as causas do recente e acelerado avanço da educação no país asiático. Parte da apuração foi publicada à época em VEJA, mas parte permanecia inédita até agora (leia capítulo na íntegra).

A bagagem que permite ao economista fazer afirmações incisivas, que destoam da maioria — como a de que o Brasil não gasta pouco em educação e de que os professores não ganham mal —, foi acumulada ao longo de mais de 15 anos de pesquisas. “Eu não escrevo para mostrar minha opinião. Escrevo como pesquisador, apoiado em literatura empírica”, diz Ioschpe. O gaúcho de Porto Alegre começou a escrever quando cursava o ensino médio e se preparava para o vestibular. “Sempre gostei de escrever e resolvi fazer um livro com dicas para vestibulandos que, assim como eu, precisavam aguentar a pressão dos exames.” A repercussão do livro rendeu um convite para se tornar colunista do jornal Folha de S.Paulo, em 1996. No mesmo ano, foi aprovado na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, onde estudou administração, economia e ciências políticas.

O interesse pela educação brasileira nasceu com a repercussão de um artigo que defendia a cobrança de mensalidade nas universidades públicas. “Foi a primeira vez que recebi uma resposta agressiva dos leitores”, diz. Para compreender o que causava tantas queixas, decidiu aprofundar a discussão em uma pesquisa científica. O resultado do trabalho ganhou forma em sua tese de graduação e foi aprofundado no curso de mestrado em desenvolvimento econômico na Universidade de Yale, onde ele mergulhou no estudo da economia da educação.

“Minha pesquisa me deixou chocado. Àquela altura, o Brasil ganhava visibilidade internacional com a promessa de um forte crescimento econômico, mas sofria com um problema seriíssimo de falta de capital humano, que atrapalhava o crescimento da nação e persiste até hoje. Para piorar, a discussão a respeito era irrelevante. O debate se resumia ao financiamento da educação e ao salário dos professores.”

Com a “pretensão da juventude”, como ele mesmo define, Ioschpe pensou que poderia mudar o eixo central do debate usando argumentos de sua tese de mestrado, publicada em 2002. “Eu queria mostrar que soluções comprovadamente eficazes para alavancar a aprendizagem, como cobrar diariamente o dever de casa, não envolviam recursos financeiros. Mas ninguém quer ouvir sobre soluções que deem mais trabalho aos professores. A educação nacional era e continua um desastre.”

O receio de que o atraso educacional aniquilasse as chances de o Brasil se tornar um país desenvolvido motivou Ioschpe a seguir escrevendo — ele é colunista de VEJA desde 2006. “O maior elogio que posso receber é uma crítica pessoal. Se os comentários apontassem fraquezas nos dados que apresento, eu me importaria de verdade. Quando elas vem recheadas de xingamentos, vejo apenas que faltaram argumentos consistentes aos meus interlocutores.” Com poucos interlocutores nessa seara dispostos a debater, o economista mirou outro alvo. “Antes, eu acreditava que poderia interferir no debate educacional mostrando que o problema é de má gestão e não de falta de recursos financeiros ou tecnológicos. Recentemente, concluí que discutir com esses grupos não adianta: a mudança só vai acontecer quando a população passar a cobrar melhorias.”

 

1 -“O Brasil investe pouco em educação”

lista-educacao-20101118-004-size-620

“Se um médico prescreve um remédio para uma doença e ele não surte efeito, a primeira opção é aumentar a dosagem. Se o problema persistir, provavelmente o médico tentará outro medicamento. Quando o assunto é educação, a lógica segue o caminho oposto: a solução para todos os problemas é sempre aumentar a dosagem do que se considera o único remédio, ou seja, o dinheiro. Os defensores desse tratamento desconsideram o fato de que repasses de verba cada vez maiores já foram anunciados por programas como Fundef e Fundeb sem melhorar a qualidade da educação. Apesar disso, o Plano Nacional de Educação, recém-sancionado pela presidente Dilma Rousseff, prevê que, até 2024, 10% do PIB brasileiro deve ir para o setor. Segundo a Unesco, países como Finlândia, China, Irlanda e Coreia do Sul, que apresentam os melhores índices educacionais do mundo, gastam até 5,7% do PIB com educação. Em contraponto, nações como Quênia, Namíbia, Armênia e Mongólia despendem entre 7% e 12,9% do PIB no setor: mesmo assim, não conseguiram solucionar o problema da baixa qualidade do ensino.”

 

2 -“Os professores são mal remunerados”

brasil-protesto-educacao-professores-sp-20140530-002-size-620

“No Brasil, o salário da maioria dos profissionais, como médicos, engenheiros, artistas e professores, é em média 3,5 vezes inferior ao pago a profissionais das mesmas categorias nos Estados Unidos. A diferença salarial é explicada pelo PIB per capita de cada país. O professor ganha pouco por ser brasileiro, não por ser professor. O argumento comum, porém, é de que se o Brasil quiser atingir o patamar educacional de países desenvolvidos, como os próprios Estados Unidos, deve pagar o mesmo a seus docentes. Isso desconsidera o fato de que quase 80% do gasto com educação aqui são destinados a pagar salários de professores e funcionários. Se pagarmos aos docentes brasileiros, em termos nominais, o mesmo que os americanos recebem, eles seriam a única categoria a atingir esse patamar salarial no Brasil. Os demais profissionais, contudo, continuariam a ganhar 3,5 vezes menos.”

 

3 -“Ganhando mais, os professores vão ensinar mais”

lista-educacao-20140723-005-size-620

“Não há, na literatura empírica nacional e internacional, provas de que salários mais altos influenciam a melhora na qualidade do ensino. Uma simples constatação disso é que os sucessivos aumentos no piso salarial dos docentes brasileiros até hoje não tiveram reflexos nos índices educacionais e também não solucionaram os problemas das greves, que continuam a acontecer todos os anos. O sistema educacional é perverso: se o professor faz mal o seu trabalho e ainda assim ganha mais, por que lutar para fazer um trabalho melhor que não trará mais ganhos?”

 

4 -“As salas de aula têm alunos demais”

lista-educacao-20140724-006-size-620

“Este é um dos mitos comumente relacionados à baixa qualidade do ensino e à necessidade de aumento salarial dos docentes. A relação, porém, não resiste à apuração de pesquisas empíricas. Elas mostram que, em salas com menos de 20 alunos, a turma aprende o mesmo que em uma sala mais cheia. O único fator que faz diferença real é o professor e sua capacidade de gerir uma sala de aula e transmitir conhecimentos para um grupo.”

 

5 -“Escola em tempo integral vai melhorar os índices educacionais”

educacao-novo-horizonte-20130226-07-size-620

“Há evidências de que mais horas-aula melhoram o desempenho acadêmico. O problema é que a carga horária brasileira, que já não é alta, raramente é cumprida, e a maioria dos programas de ensino integral praticados no Brasil oferecem atividades não-acadêmicas, como música e esporte, no contraturno. Nesse modelo, o ensino em tempo integral é um desperdício. A primeira prioridade deveria ser usar o tempo de aula de modo eficiente, pois o Brasil é um dos países que mais desperdiça tempo com atrasos de professores e alunos, anúncios, chamada etc. Quando essa carga horária estiver bem ocupada, e quando os programas no contraturno forem de português, matemática e outras disciplinas, o desempenho dos alunos vai melhorar. Nesse caso, eu seria totalmente favorável à iniciativa.”

 

6 -“A tecnologia vai resolver o atraso escolar”

IPAD-PORTO-SEGURO-20131212-20-Ivan-size-620

“Praticamente toda a pesquisa sobre o assunto, não apenas no Brasil como no exterior, mostra que não há relação entre a presença de computadores na escola e aprendizado. Ainda assim, o Ministério da Educação decidiu em 2012 dar tablets aos professores, um custo de 150 milhões de reais. O fracasso atual das tecnologias em sala de aula não quer dizer que elas não possam dar resultados no futuro. A utilização de softwares específicos para aprendizado tem mostrado resultados positivos, principalmente em matemática. Mas o melhor software educacional disponível hoje é, disparado, o cérebro de um bom professor.”

 

7 -“A escola tem que formar cidadãos críticos e conscientes”

lista-educacao-20140723-001-size-620

“Esse argumento reflete a ideologização do ensino, presente em todas as escolas brasileiras. Pesquisas do Inep (órgão ligado ao MEC responsável por pesquisas educacionais) com professores mostram que nove em cada dez docentes concordam com a afirmação de que ‘o professor deve desenvolver a consciência social e política das novas gerações’. Menos da metade, no entanto, acredita que ‘o professor deve evitar toda forma de militância e compromisso ideológico em sala de aula’. Essa percepção, além de alterar o conteúdo a ser ensinado, afeta a forma como ele chega aos alunos: por isso, trabalhos em grupo passaram a se sobrepor a exercícios individuais, notas e provas passaram a ser vistas com maus olhos e recompensar o mérito acadêmico é equivalente a premiar uma competitividade nefasta. É impossível, porém, medir se essa filosofia está efetivamente criando cidadãos críticos e conscientes ou apenas se sobrepondo ao ensino dos conteúdos.”

 

8 -“Rankings educacionais não levam em consideração a realidade das escolas”

lista-educacao-20140724-005-size-620

“É verdade que os rankings educacionais não consideram fatores socioecômicos. O que se esconde por trás desse mito, contudo, é a ideia de que por causa disso eles não podem ser considerados bons termômetros para a educação, como apontam os críticos das avaliações externas nacionais e internacionais. Os rankings estão certos em não considerar esses fatores, porque eles devem medir o conteúdo que está sendo ensinado em uma determinada etapa de ensino, independente da localidade da escola. Se eles considerassem o fator social, esse serviria apenas de muleta para justificar o fato de que em regiões mais pobres os alunos aprendem menos e não há nada a ser feito. Com os rankings isentos dessas peculiaridades, é possível saber onde está o problema e minimizar fatores externos ao ensino dos conteúdos com uma política educacional específica. Onde há déficit econômico, é preciso haver superávit educacional.”

 

9 -“Divulgar a nota do Ideb na porta das escolas estigmatizaria alunos” (mais…)

3 dicas para ler mais todos os dias

0

Veja como você pode conciliar sua rotina corrida à literatura

Publicado no Universia Brasil

Fonte: Shutterstock     É cada vez mais comum na sua vida abandonar hábitos, como ler um bom livro

Fonte: Shutterstock
É cada vez mais comum na sua vida abandonar hábitos, como ler um bom livro

Vinte e quatro horas não parecem suficientes para dar conta de todas as suas atividades diárias, não é mesmo? E, por isso, torna-se cada vez mais comum na sua vida abandonar algumas atividades que você tanto ama, como ler um bom livro. Pensando nisso, a Universia Brasil reuniu três dicas para que você leia mais, apesar da rotina corrida. Confira-as a seguir:

1 – Se não puder ler, escute

Depois de um longo dia de trabalho é comum você não se sentir motivado para ler um livro ou até você simplesmente não ter tempo para sentar e ler com calma. Por isso, uma boa alternativa são os audiobooks. Seja no carro, no celular ou simplesmente no rádio da sua casa, por meio dos audiobooks, você consegue ouvir a história daquele livro e aproveita-la da mesma forma.

2 – 10 páginas por dia

Se você não é muito fã dos audiobooks, a melhor maneira de ler mais é criar uma rotina regrada de leitura. Estabeleça que você lerá dez páginas todos os dias, por exemplo, e tente cumpri-la. Escolha um número de páginas que sacie sua vontade, mas que também não te sobrecarregue. Assim, você tem o prazer de ler, mas não a dor de cabeça de ficar ainda mais cansado.

3 – Volte aos tempos de criança

Ler em voz alta pode parecer bobo agora que você é mais velho, mas a verdade é que estimula a sua vontade de continuar a leitura. É só você lembrar-se de quando era criança e fazia seus pais lerem a mesma história duas ou três vezes no dia. Por isso, se estiver um pouco desanimado para pegar um livro, tente usar essa técnica. Ela pode te ajudar bastante.

Veja 4 passos para gabaritar a prova de português no Enem 2014

0

Publicado no Universia Brasil

Fonte: Universia Brasil

Fonte: Universia Brasil O aluno deve ficar atento ao enunciado, pois é nele que está a resposta ou o modo de responder a pergunta

A prova de língua portuguesa do Enem causa preocupação em muitos estudantes: formada por longos textos e enunciados, o aluno menos atento pode ter dificuldades em identificar a resposta certa. Para ajudar você a gabaritar a prova de português do Enem 2014, a Universia Brasil conversou com o professor Ronaldo Pileggi, do Cursinho da Poli, que deu dicas valiosas. Veja a seguir:

1 – Leia com atenção a pergunta
Para o professor Pileggi, o aluno deve ficar atento ao enunciado, pois é nele que está a resposta ou o modo de responder a pergunta. Além disso, a pergunta servirá como um ponto de partida para que você faça uma leitura direcionada àquilo que é pedido.

2 – Identifique os elementos importantes

Pergunta, texto e alternativas possuem elementos importantes, como frases e palavras-chave, que serão de grande ajuda na hora de responder corretamente a questão. Assim, o aluno deve identificá-los, pois isso será de extrema importância para a próxima etapa.

3 – Relacione os elementos

Segundo o professor Pileggi, o Enem coloca textos longos em suas provas porque busca avaliar as competências de leitura e raciocínio dos alunos. Esse raciocínio é cobrado justamente buscando que ele relacione os elementos importantes do texto, pois se conseguir estabelecer essas ligações provará que entendeu o contexto e saberá dar a melhor resposta.

4 – Aplicar o conteúdo à questão

Agora que você já leu o texto e identificou seus pontos cruciais, retorne à questão e a releia. De que forma aquilo que você viu no texto a responde? Essa é a hora de ler as alternativas e procurar aquela que melhor resume os pontos que você levantou como sendo importantes.

Dica extra: identifique a fonte do texto

Para ter ainda mais certeza da sua resposta, o professor Pileggi aconselha também que você identifique a fonte do texto – ou seja, o autor. “Quando eu pego uma prova, a fonte do texto é a primeira coisa que eu leio. Isso porque a fonte diz muito sobre o texto em si e no caso de jornais e revistas, por exemplo, permite que saibamos como o autor se posiciona sobre o tema, ajudando a compreender melhor sua posição”, disse.

Como conciliar os estudos com a Copa?

0

desenho-futebol

Eventos como esse podem transformar a preparação para o vestibular em um desafio ainda maior. Veja as nossas dicas para não perder o ritmo sem deixar de torcer!

Ana Lourenço, no Guia do Estudante

Há grandes chances de você estar, como boa parte do mundo, hipnotizado pela euforia que envolve a Copa do Mundo – ainda mais estando no seu país-sede este ano. Desse jeito, fica quase impossível se concentrar em qualquer outra coisa que não os jogos, certo? Errado! Felizmente, há maneiras de conciliar a escola, o cursinho e os estudos com a Copa.

Planejamento e equilíbrio

Planejar bem a rotina de estudos é, como sempre, o mais importante na vida do estudante, e, em tempos de Copa em casa, se torna ainda mais essencial. Afinal, em todas as semanas do evento os horários úteis ficam desregulados por conta dos jogos, e mais ainda se você morar em uma das cidades-sede. Para a diretora de serviços educacionais da editora Saraiva, Francisca Paris, não há necessidade de o vestibulando se isolar da Copa. “Futebol faz parte de nossa identidade, é quase impossível não ficar contagiado com a torcida nos jogos do Brasil. Nessas épocas, é natural que haja algumas alterações no país, mas, com equilíbrio entre jogos e estudo, dá para conciliar tudo”, explica.

Faça escolhas

É importante entender que interromper os estudos para focar nos jogos está fora de questão, mesmo que apenas durante o mês da Copa. Para o professor Eduardo Saneti, da Oficina do Estudante, o vestibulando deve escolher o que assistir. “Se a pessoa gosta muito de futebol, o ideal é escolher alguns jogos específicos que queira muito assistir, e usar as duas horas da partida como período de descanso”, diz. Dessa forma, se em um dia forem transmitidos dois jogos, escolha um deles para acompanhar – e deixe para checar o resultado do outro depois.

Inclua a Copa em seus estudos

Como o maior evento do futebol está sendo sediado no Brasil, é bastante provável que haja alguma questão sobre o assunto no Enem e nos vestibulares. De acordo com o professor Eduardo, há chances de que questões de Geografia que envolvam a Copa sejam cobradas. “Em vários dias, podemos ver seleções jogando em Manaus a 32 ºC, e, no dia seguinte, um jogo em Curitiba a 15 ºC. Dá para explorar a diferença de clima relacionada ao tamanho continental do país, envolvendo tópicos como latitude e vegetação”, explica.

Os jogos em si também podem ser usados para estudar questões históricas e geopolíticas. Segundo Francisca, ”é possível, por exemplo, fazer simulações estatísticas com os resultados, ler geograficamente o campo de futebol e compreender os embates de alguns jogos fora da linha de campo”.

Estudar a configuração política atual dos países que disputaram até agora, tendo sido eliminados ou não, também pode ser uma boa pedida. Além disso, é possível usar algumas partidas como gancho para estudar conflitos históricos. Por exemplo, a vitória do Chile sobre a Espanha, na fase de grupos da Copa, remete à colonização espanhola na América Latina. Um país europeu enfrentando um africano também pode lembrar o neocolonialismo e o imperialismo do século XX. O jogo entre França e Alemanha, que ocorre no dia 4 de julho, relembra as rivalidades entre França e Alemanha no processo da unificação alemã.

Quaisquer que sejam os métodos utilizados para conciliar os estudos com essa grande festa, o importante é não deixar os livros de lado: tenha em mente o objetivo a ser alcançado no fim do ano. Mas, estudos à parte, também não dá para deixar de aproveitar a festa!

Go to Top