Contando e Cantando (Volume 2)

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Vencedor do Pulitzer, Colson Whitehead diz que se tornou escritor no Brasil

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Escritor afirma que racismo, linchamento e violência policial são faces do cativeiro contemporâneo

Publicado no UAI

Escritor lança o livro 'The underground railroad: Os caminhos para a liberdade'. (foto: Odd Andersen/AFP)

Escritor lança o livro ‘The underground railroad: Os caminhos para a liberdade’. (foto: Odd Andersen/AFP)

Colson Whitehead já era escritor conhecido nos EUA quando lançou, em agosto de 2016, o romance The underground railroad, que, no Brasil, ganhou o subtítulo Os caminhos para a liberdade (Harper Collins). O sucesso absoluto de crítica e de público o projetou globalmente – foi #1 na lista de mais vendidos do The New York Times depois de recomendações públicas de Barack Obama e Oprah Winfrey. O livro deu a Colon o prêmio Pulitzer de ficção deste ano.

O romance usa uma estrutura que se move no tempo e no espaço para descrever o caminho de Cora, escrava que o leitor conhece numa fazenda da Georgia, estado norte-americano notadamente escravocrata e de farta produção de algodão no século 19.

A “ferrovia subterrânea” – denominação para a rede de pessoas que ajudavam escravos a fugir do Sul dos EUA, historicamente real – assume um caráter mágico, de realismo mágico. E os trens, na ficção, realmente viajam debaixo da terra.

Curiosamente, Whitehead diz ter se tornado escritor de ficção numa viagem ao Brasil, em 1994, quando tinha 24 anos. “Fui um cara de 20 e poucos anos quebrado e deprimido. Voltei (do Brasil) um cara de 20 e poucos anos quebrado e deprimido trabalhando num romance”, comenta, aos risos, nesta entrevista.

O que era “ferrovia subterrânea” da vida real?
Uma rede de pessoas que ajudavam escravos a escapar para o Norte. Gente que escondia escravos nos vagões, em celeiros. Na época, os trens estavam transformando os Estados Unidos, eram algo poderoso.

Como você fez o equilíbrio entre a realidade histórica e o realismo mágico do século 21?
O primeiro capítulo, na Georgia, na plantação, é realista. Antes de começar a brincar com a história, eu queria acertar. Quando Cora toma o trem, entramos no reino da fantasia. Um dos marcos do realismo mágico é manter uma cara séria, um tom prosaico, entre realidade e fantasia.

Você menciona o trabalho de Gabriel García Márquez em várias entrevistas. Como é sua relação com os livros dele?
Ele foi definitivamente importante quando eu era mais jovem. Comecei a querer ser escritor lendo ficção científica, fantasia e terror. Então, usar fantasia sempre me pareceu uma ferramenta natural para contar histórias. Li Cem anos de solidão quando tinha 17 anos. Li muito depois também e, quando estava tentando descobrir a voz de meu livro, pareceu que o realismo mágico era o jeito de prosseguir.

Até que ponto uma pessoa consegue ler e pensar sobre a história da escravidão e não ficar desesperada com a raça humana?
Foi muito difícil escrever. Na pesquisa, pensar nisso como um adulto era muito difícil. Tenho filhos. Não posso imaginar ver essas crianças torturadas ou vendidas. De vários jeitos, nem deveria estar aqui. É um milagre meus antepassados não terem morrido. “Eis uma ilusão: não podemos escapar da escravidão. Não podemos. As cicatrizes da escravidão nunca desaparecerão”, diz um personagem do romance.

Quanto dos Estados Unidos contemporâneo é resultado direto da escravidão?
O país se forma no século 19 a partir da escravidão, da exportação e do dinheiro que veio disso. Houve leis que regularam isso, mas depois os meios de controle se deram por outros jeitos, como a segregação, o racismo, o linchamento. Nos dias atuais, ainda temos uma polícia branca que pode ser muito racista e agressiva contra pessoas negras. Temos senadores e políticos que pensam em novos jeitos de privar eleitores negros do direito ao voto. Temos a revogação de leis de direitos civis e proteções no Departamento de Justiça. A escravidão acabou, mas há novos jeitos de colocar as pessoas negras em “seu lugar”.

Como você vê a discussão contemporânea sobre o racismo e suas origens, presentes, hoje em dia, nas artes?
Há mais artistas negros fazendo arte. Não estou certo sobre os resultados disso. A escravidão é pouco discutida nas escolas e a arte não deveria substituir a boa educação. Não temos uma exploração histórica sustentada na América, seja sobre o genocídio dos nativos, seja sobre a escravidão africana.

O narrador fala de um “imperativo” americano: “Se conseguir ficar com ele, é seu. Sua propriedade, escravo ou continente”. Esse imperativo segue vivo?
Nosso país é movido pelo capitalismo. Nós ainda temos interesse em exportadores de petróleo. Sim, os EUA passam muito tempo garantindo que os ricos permaneçam ricos.

A protagonista de seu romance aprende a ler. Você pensou na metáfora em que isso representa um tipo de liberdade?
Sim, claro, como é para qualquer um. Especialmente para pessoas que se alfabetizam mais tarde na vida. Nas narrativas de escravidão, esse é um grande momento, quando eles escapam, chegam ao Norte e aprendem a ler. De repente, todo um mundo se abre para eles. Queria isso para Cora. Ela começa como um objeto, sem conhecimento do mundo. Assim que aprende a ler, pode viajar além da sua localidade.

Esta é uma das partes mais interessantes do livro: como escravos eram punidos se fossem vistos lendo.
Em muitos estados, era ilegal ensinar escravos a ler. Uma vez que você lê, já não está completamente escravizado.

O protagonista era homem quando você teve a ideia do livro. Por que a mudança?
Isso foi antes de começar a escrever. Vinha de uma série de narradores masculinos e não quero fazer a mesma merda o tempo inteiro. Há uma escritora, Harriet Jacobs, que escreveu de maneira atraente sobre a escravidão, sobre como uma garota se torna mulher numa plantação e fica subjugada pelos desejos dos mestres – e então tem filhos. São dilemas diferentes dos de um homem.

Qual é a sua opinião sobre o primeiro ano de administração Donald Trump?
Ninguém, incluindo Trump, pensava que ele venceria. Era uma ideia para ganhar dinheiro na campanha, mas aí muitas coisas deram errado no mundo (risos). E agora é um período muito obscuro. A cada dia surge uma nova atrocidade perpetrada por ele ou por sua administração. Há um empurra-empurra entre direita e esquerda, democratas e republicanos. Se a gente não morrer num holocausto nuclear, alguma parte do dano que ele está fazendo será desfeita, mas no meio tempo muita gente vai se machucar, muita gente vai morrer e o prejuízo será da sociedade americana e das nossas relações pelo mundo. Para dizer o mínimo.

Pais: Parem de educar seus filhos para serem campeões olímpicos

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Track Champions

Track Champions

Barbara Semerene, no Brasil Post

Não me surpreende que o Brasil esteja ganhando menos medalhas do que o esperado nos Jogos Olímpicos Rio 2016. A meu ver, a expectativa era “fantasiosa”. Ganhar uma competição olímpica depende de muito mais do que esforço individual: é resultado de todo um aparato econômico-histórico-cultural que confere poder, autoestima, apoio afetivo e financeiro ao atleta, desde bem antes de ele ter nascido.

Historicamente, faz bem pouco tempo que o governo brasileiro investe em políticas públicas no esporte, comparado com países ricos e desenvolvidos, que tradicionalmente se destacam como campeões. O resultado das Olimpíadas sempre foi reflexo da geopolítica mundial, com raras exceções. Em geral, são mais bem sucedidos os “filhos” de países hegemônicos no mundo. Um ou outro “guerreiro” escapa ileso deste jogo de poder simbólico.

Pelo mesmo motivo, não é surpresa o show que os times femininos estão dando em diversos esportes, e o fato de ter o maior número de atletas assumidamente LGBTT. Mais uma vez: as Olimpíadas são reflexo da nossa cultura.

O que mais tem me chamado a atenção nestes Jogos Olímpicos é a reação de alguns atletas ao perder uma competição. Um judoca brasileiro, ao ser desclassificado por um golpe proibido, se nega a sair do tatame, discute com o juiz e fica gritando em direção aos mesários. Depois de alguns minutos, decide deixar a área de luta e abandona o ginásio chorando. Ele alega ter sido roubado, acusa a arbitragem internacional de persegui-lo e sempre prejudicá-lo no circuito mundial.

Em outro episódio, o treinador do atleta francês que fica atrás do brasileiro no salto de vara diz que o Brasil é um país bizarro. Um outro francês, desta vez na modalidade vôlei, justifica sua derrota acusando os colegas de doping.

Apesar de aparentemente inusitadas para um adulto, tais reações “exageradas” diante de uma frustração tampouco deveriam nos surpreender. Aliás, elas poderiam ser até mais comuns, considerando o mundo hipercompetitivo em que vivemos, onde não há espaço para perdedores. Um mundo onde as frustrações afetivas, desde a mais tenra idade, são tamponadas pelo consumismo, por recompensas materiais de pais que estão no mercado de trabalho ocupados demais tentando “vencer na vida”, sem tempo para dar amor e companhia para seus filhos.

Antes mesmo de o bebê sair da barriga, os pais planejam tudo para que ele seja um “vencedor”.

Estamos colocando nossos filhos no curso de inglês, no judô, na natação, no Kumon, no mandarim, na aula de música aos 2 anos de idade pra que ele seja bastante estimulado e consiga competir no mercado de trabalho. E pouco importa se já tem maturidade emocional para dar conta de uma agenda tão cheia.

Assim vamos educando crianças que nunca tiveram a oportunidade de brincar. Desde que nascem, jogar é obrigação, é treino, é competição.

Começamos na mais tenra idade a “treinar” nossos filhos para sobreviver neste mundo por meio de uma educação baseada em “punições e recompensas”. Reforçamos comportamentos positivos com “medalhas afetivas” ou materiais, e punimos na mesma moeda quando eles não são bem-sucedidos em comportamentos que julgamos “incorretos” ou aquém do esperado.

Simbolicamente, estamos o tempo todo dizendo para nossas crianças que elas só terão valor e só serão amadas se forem “campeãs” e atingirem as metas e objetivos que nós estipulamos.

O sistema escolar segue a mesma linha: avalia todos os alunos por meio de notas padronizadas e jamais dá retornos individuais considerando as singularidades do aprendizado e autenticidade das respostas de cada aluno.

Somos todos tratados como números. E queremos todos ser o número 10. E, quem não quer, é considerado um loser, ainda que seja um poeta ou gente finíssima.

O especialista em educação americano Alfie Kohn, em seu livro Unconditional Parenting (Paternidade e Maternidade Incondicionais, em tradução livre), critica esse modelo amplamente utilizado mundo afora de educação baseada no castigo e recompensa. Diz que os pais deveriam se perguntar menos “como fazer meu filho agir como quero?” e se questionar mais “do que meu filho precisa e como posso dar a ele o que ele precisa?”.

Segundo Kohn, é equivocada a visão de que somos pais permissivos e vivemos numa sociedade centrada na criança. “Não é verdade. As crianças vivem frustradas, porque seus pontos de vista não são levados a sério. Muitos pais tratam os filhos como irritantes desconhecidos. Os pais não precisam ser mais rígidos com os filhos, mas, sim, passar mais tempo com eles, para dar a eles mais orientação e tratá-los com mais respeito.”

Kohn defende uma educação menos voltada a estratégias que façam as crianças agirem conforme queremos no curto prazo. “Se você não comer tudo, não ganha sobremesa.” “Se você passar no vestibular, te dou um carro”, “se você correr na escada, vai ficar de castigo”. Às vezes, até renegando amor: o filho fica de recuperação e o pai fecha a cara e dá um gelo nele.

Vira e mexe me vejo fazendo este tipo de coisa com o meu filho de 4 anos. Às vezes até estimulo descaradamente a competitividade. Para fazê-lo ir logo escovar os dentes antes de sairmos para a escola, proponho: “vamos ver quem chega primeiro no banheiro?”.

Mas ando mais atenta às mensagens que estou transmitindo e que crianças registram para a vida toda: “competir é legal”, “só me amam quando faço exatamente o que o outro quer”, “para conseguir o que se quer, ameace e coloque medo”.

Segundo Kohn, quanto mais usamos a punição como conduta, mais criamos pessoas que pensam em como as consequências de suas ações afetarão elas próprias e não os outros… Crianças autocentradas.

Kohn argumenta que a punição impede a reflexão moral. Além disso, estimular a competitividade leva a criança a ver cada colega como potencial obstáculo para o seu sucesso. Os resultados previsíveis são: alienação, agressividade, inveja.

O escritor americano afirma que quando o seu senso de competência depende de triunfar sobre os outros, você irá, na melhor das hipóteses, se sentir seguro só de vez em quando, porque nem todos podem ganhar.

A competitividade torna a autoestima condicionada e precária e tem efeito sobre campeões e perdedores. Ele conclui: evite posicionar seu filho no mundo como superior aos outros. E aconselha: seja mais acolhedor e apoiador do que controlador; evite atrelar sua própria identidade às conquistas do seu filho.

Nada contra ser orgulhoso das conquistas dele, mas quando contar vantagem sobre o filho é algo que se faz com frequência e muito entusiasmo, é possível que se esteja confundindo sua identidade com a dele.

Lá em casa, faço questão de não deixar o meu filho de 4 anos ganhar todas as vezes em um jogo ou brincadeira. E nem fazer elogios do tipo “nossa, como você está bonito, vai ser o menino mais bonito da festa” ou “você é o melhor jogador de futebol do mundo”.

Durante muito tempo, ao não acertar no gol ou ao sair perdendo no dominó, meu pequeno agia de forma bem parecida àquele judoca brasileiro: dava piti, se jogava no chão, dizia que não tinha valido.

Aos poucos, eu tenho contado pra ele que o legal é jogar pra se divertir, não para ganhar. E divertido é quando cada hora um ganha. Se ele sempre ganhar, o outro sempre vai perder, o que, além de ser sem graça, não é justo que só um fique feliz e outro sempre triste. E digo que o amo quando ele perde ou ganha. Quero que ele se sinta amado só por existir.

O Brasil não está precisando de mais campeões olímpicos. O que o Brasil e o resto do mundo precisam é de bons perdedores.

Campeão diz que parou de ficar de recuperação por causa do cubo mágico

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Para Christian de Sena, o cubo mágico ajudou em sua capacidade de raciocínio (Foto: Luís Broleze/Oficina do Estudante)

Para Christian de Sena, o cubo mágico ajudou em sua capacidade de raciocínio (Foto: Luís Broleze/Oficina do Estudante)

Thiago Varella, no UOL

Nesse mês, 62 pessoas se reuniram em um colégio na cidade de Campinas (SP) para participar de um dos principais campeonatos de cubo mágico do país, o Open Cubo Mágico Oficina 2015. No total, foram disputadas 18 categorias diferentes. O campeão na principal delas, a 3x3x3, que consiste em determinar quem resolve um cubo mágico de três fileiras e três colunas no menor tempo, foi o catarinense Christian de Sena, de 18 anos.

Engana-se quem pensa que o rapaz faz o estilo nerd, de óculos de aro grosso e boletim repleto de notas dez. Sena não era da turma da frente no colégio. Muito pelo contrário, tinha uma dificuldade tremenda em acompanhar a turma. Tanto que no 2º ano, ficou de recuperação final em seis disciplinas.

Por coincidência, foi neste ano que o jovem começou a participar de competições de cubo mágico. Aos poucos, conforme ia se apaixonando pela atividade, Sena foi melhorando na escola. Se livrou de repetir de ano e ingressou no 3º e último ano. Ao final de 2014, o rapaz já era um dos melhores do país no cubo mágico e acabou ficando de exame em apenas uma matéria, segundo ele, “do professor mais rigoroso de todos”.

“Sem dúvida, o cubo mágico ajudou minha capacidade de raciocínio. Gradualmente, conforme fui ficando melhor no cubo, fui melhorando minha performance na escola”, contou. “Mas, não sou o típico participante de campeonatos de cubo mágico. Até que me dou bem em matemática, mas não gosto. Não é minha praia. Sou mais fã de biologia e sociologia”, completou.

Agora, Sena trabalha como assistente operacional em uma empresa têxtil de Blumenau (SC), onde vive. Ele sonha em estudar comércio exterior na universidade. Como, onde ele mora, o curso só está disponível em faculdades privadas, o rapaz ainda precisa juntar dinheiro para ser capaz de pagar todo o estudo. Enquanto isso, segue trabalhando e se dedicando ao cubo mágico.

Atualmente, Sena é o 2º melhor competidor sul-americano na categoria 4x4x4 (de cubos de quatro fileiras e quatro colunas) e está na 83ª posição do ranking mundial. Para melhorar sua posição, disputa campeonatos por todo o país. Em Campinas, para gastar o menos possível, contou com a ajuda de amigos.

“No total, desembolsei R$ 450. Mas fiquei na casa de um dos vários amigos que fiz neste universo do cubo mágico. O bom é que sempre uma pessoa ajuda a outra. Somos unidos”, contou.

Começo

O campeão começou a resolver cubo mágico por causa de um colega de escola. Um dia, o amigo levou o brinquedo para a escola e desafiou Sena. “Eu só sabia resolver uma face e achava impossível completar o cubo todo. Meu amigo resolveu em apenas cinco minutos e me ensinou o básico. Baseado nisso, fui atrás de tutoriais na internet”, explicou.

Em uma pesquisa na internet, Sena descobriu a WCA (World Cube Association), o órgão internacional que regulamenta os campeonatos de cubo mágico em todo o mundo. Finalmente, em outubro de 2013, o jovem tomou coragem, chamou o irmão e encarou uma viagem de carro para Novo Hamburgo (RS) para disputar seu primeiro campeonato. Ganhou duas medalhas e nunca mais parou.

“Desde então fui participar dos torneios mais importantes. Neste ano, vou disputar o mundial, em São Paulo e, em 2017, pretendo sair do país para disputar o outro mundial”, afirmou.

O Campeonato Mundial de Cubo Mágico, diferentemente da Copa do Mundo de futebol, é organizado de dois em dois anos. Em comum com o torneio mais popular do planeta é que o Brasil vai sediar o campeonato de 17 a 19 de julho, no Colégio Etapa, em São Paulo. Outra infeliz coincidência é que aqui os alemães também são excelentes. Assim como os asiáticos e norte-americanos. Mas o 7 a 1, ufa, deve passar longe desta vez.

Sucesso

Segundo Rafael Cinoto, um dos organizadores do torneio de Campinas, o Open Cubo Mágico Oficina 2015 foi um sucesso. O campeonato reuniu aficionados por cubo mágico de todo o país e até uma estrangeira, que veio da Colômbia participar.

“O torneio superou minhas expectativas, nunca teve tanta gente de longe participando, veio gente do Ceará, Goiás, Santa Catarina e gente do interior de São Paulo até bem distante, como São José do Rio Preto. A disputa na final foi muito boa, não só da categoria principal, mas em várias categorias, como por exemplo na categoria em que um competidor tentou e acertou a resolução de nove cubos de olhos vendados em apenas 50 minutos”, contou.

Os próximos campeonatos podem ser acompanhados no site da Associação Mundial de Cubo Mágico (https://www.worldcubeassociation.org). Antes do Mundial, ainda serão realizados um campeonato em Brasília (DF) (22 a 24 de maio), um em Santarém (PA) (20 de junho) e mais um em São Paulo (4 e 5 de julho).

“Este último terá a maior premiação em dinheiro da história dos campeonatos brasileiros, com mais de R$ 2.000 em prêmios para os campeões e recordistas”, afirmou Cinoto.

Sérgio Rodrigues vence Prêmio Portugal Telecom de Literatura

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Publicado por Folha de S.Paulo

O escritor e jornalista Sérgio Rodrigues, 52, foi o maior vencedor da 12ª edição do Prêmio Portugal Telecom de Literatura. Pelo livro “O Drible” (Companhia das Letras), o mineiro radicado no Rio ganhou duas categorias: romance e grande prêmio do ano. No total, receberá R$ 100 mil (R$ 50 mil por cada prêmio).

O resultado do Portugal Telecom foi anunciado em cerimônia no Rio, na noite desta segunda (8).

“O Drible” retrata, com pano de fundo futebolístico, a relação conflituosa entre um cronista esportivo aposentado e seu filho, um revisor de livros de autoajuda.

Lançado em setembro de 2013, o livro colheu vastos elogios da crítica e foi finalista dos prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura.

O jornalista, pesquisador e escritor Sérgio Rodrigues / Rafael Andrade/Folhapress

O jornalista, pesquisador e escritor Sérgio Rodrigues / Rafael Andrade/Folhapress

Originalmente concebido como um conto, o romance levou 20 anos para ser concluído. É uma espécie de tributo aos irmãos Mario Filho (autor do clássico “O Negro no Futebol Brasileiro”) e Nelson Rodrigues, ambos personagens de “O Drible”.

No Portugal Telecom, o livro concorria com os romances “A Cidade, o Inquisidor e os Ordinários” (Companhia das Letras), de Carlos de Brito e Mello, “Matteo Perdeu o Emprego” (Foz Editorial), de Gonçalo M. Tavares, e “Opisanie Swiata” (Cosac Naify), de Verônica Stigger.

Além dos quatro finalistas na categoria romance, concorriam ao grande prêmio do ano outros quatro finalistas em contos e crônicas e quatro em poesia. Essas duas categorias também tiveram um livro premiado, cujos autores receberão R$ 50 mil cada um.

Entre os poetas, o vencedor foi o português Gastão Cruz, por “Observação do Verão seguido de Fogo” (Móbile Editorial). Concorria com “Brasa Enganosa” (Patuá), de Guilherme Gontijo Flores, “Ximerix” (Cosac Naify), de Zuca Sardan, e “Vozes”(Iluminuras), de Ana Luísa Amaral.

Já na categoria conto ou crônica o ganhador foi o cearense Everardo Norões, por “Entre Moscas” (Confraria do Vento). Também concorriam com ele “Nu, de Botas” (Companhia das Letras), do colunista da Folha Antonio Prata, “Asa de Sereia” (Arquipélago Editorial), de Luís Henrique Pellanda, e “Viva México” (Tinta da China), de Alexandra Lucas Coelho.

O Portugal Telecom é o segundo prêmio literário que mais distribui dinheiro no Brasil (R$ 200 mil), só perdendo para o São Paulo de Literatura (R$ 400 mil).

A curadoria ficou sob responsabilidade de Selma Caetano (coordenadora), a escritora Cintia Moscovitch (contos e crônicas), o poeta Sérgio Medeiros (poesia) e o crítico Lourival Holanda (romance).

Editora Móbile Quanto R$ 32 (80 págs.) CONTO OU CRÔNICA “Entre Moscas” Autor Everardo Norões Editora Confraria do Vento Quanto R$ 37 (180 págs.)

OS PREMIADOS

Grande Prêmio
“O Drible”
Autor Sérgio Rodrigues
Editora Companhia das Letras
Quanto R$ 38 (224 págs.)

Romance
“O Drible”

Poesia
“Observação do Verão seguido de Fogo”
Autor Gastão Cruz
Editora Móbile
Quanto R$ 32 (80 págs.)

Conto ou crônica
“Entre Moscas”
Autor Everardo Norões
Editora Confraria do Vento
Quanto R$ 37 (180 págs.)

Escritor francês Patrick Modiano vence Nobel de Literatura 2014

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Anúncio foi feito na manhã desta quinta-feira (9) em Estocolmo, na Suécia.
Segundo a academia, ele ‘evoca os destinos humanos mais inapreensíveis’.

Livros do escritor francês Patrick Modiano são disputados em uma livraria em Estocolmo, na Suécia, minutos após anúncio do Nobel de Literatura (Foto: REUTERS/Henrik Montgomery/TT News Agency)

Livros do escritor francês Patrick Modiano são disputados em uma livraria em Estocolmo, na Suécia, minutos após anúncio do Nobel de Literatura (Foto: REUTERS/Henrik Montgomery/TT News Agency)

Publicado no G1

O escritor francês Patrick Modiano, de 69 anos, foi anunciado na manhã desta quinta-feira (9) vencedor do Nobel de Literatura 2014. A escolha foi divulgada em um evento na cidade de Estocolmo, na Suécia. Além do título, o escritor ganha 8 milhões de coroas suecas (R$ 2,66 milhões).

Segundo o comitê da premiação, Mondiano foi escolhido por conta “da arte da memória com a qual evocou os destinos humanos mais inapreensíveis e jogou luz sobre a vida durante a ocupação”.

O escritor francês Patrick Modiano em foto de 2003 (Foto: AFP PHOTO/MARTIN BUREAU)

O escritor francês Patrick Modiano em foto de 2003
(Foto: AFP PHOTO/MARTIN BUREAU)

A Academia Sueca, que atribui o Nobel, se referia à ocupação alemã na França durante a Segunda Guerra Mundial. As obras de Modiano são centradas em temas como a memória, o esquecimento, a identidade e o sentimento de culpa. Sobre os contos do autor, o perfil destaca que “são construídos sobre uma base autobiográfica” e que jornais e entrevistas servem como ponto de partida. A cidade de Paris é cenário recorrente em seus romances, quase um personagem.

Mondiano é o 11º autor nascido na França a ser premiado. O mais recente foi Jean-Marie Gustave Le Clézio, em 2008. Antes do anúncio, eram apontados como favoritos nomes como o queniano Ngugi wa Thiong’o, o japonês Haruki Murakami e a bielorrussa Svetlana Aleksijevitj.

Peter Englund, secretário permanente da Academia sueca, afirmou que Modiano é um nome bem conhecido na França, mas não em todos os lugares. Disse que seu livro mais famoso é “Uma rua de Roma”, que conta a história de um detetive que perde a memória. “Você pode ler facilmente um de seus livros à tarde, ir jantar, e ler outro livro à noite”.

A Academia ainda não conseguiu entrar em contato com o autor.

Em 2013, a vencedora do Nobel de Literatura foi a canadense Alice Munro. Ela foi a 13ª mulher a ganhar o prêmio e também foi a primeira vez, em 112 anos, que a Academia premiou um autor que escreve apenas contos.

Público da feira de Frankfurt, na Alemanha, já garante livros do francês Patrick Modiano, vencedor do Nobel 2014 (Foto: REUTERS/Ralph Orlowski)

Público da feira de Frankfurt, na Alemanha, já garante livros do francês Patrick Modiano, vencedor do Nobel 2014 (Foto: REUTERS/Ralph Orlowski)

Biografia
Jean Patrick Modiano nasceu em 30 de julho de 1945 na comuna Boulogne-Billancourt, subúrbio de Paris. É filho de um homem de negócios judeu de Alexandria e da atriz belga Louisa Colpeyn.

Seu primeiro romance, “La place de l’étoile”, foi publicado em 1968. Ao longo de sua carreira, também escreveu roteiros para o cinema. Foi um dos autores do filme “Lacombe Lucien” (1974), dirigido por Louis Malle. O longa ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1975. Em 2000, Modiano integrou o júri do Festival de Cannes.

Antes do Nobel, Modiano já havia recebido os principais prêmios da literatura francesa, como o Grand prix du Roman de l’Académie française em 1972, por “Les boulevards de ceinture”, e o Goncourt em 1978, por “Uma rua de Roma”. Pelo conjunto da obra, recebeu o Grande Prêmio Nacional das Letras, em 1996, e o Prêmio Marguerite Duras em 2011, na França.

Lançamento no Brasil
Modiano teve sete livros publicados no Brasil. Editados pela Rocco, seis deles estão esgotados. São eles “Ronda da noite” (1985), “Uma rua de Roma” (1986), “Vila triste” (1998), “Dora Bruder” (1998), “Do mais longe ao esquecimento” (2000), e “Meninos valentes” (2003). “Filomena firmeza”, com ilustrações de Sempé, saiu pela Cosac Naify neste ano.

Abaixo, veja os vencedores do Nobel de Literatura dos últimos anos:

2013: Alice Munro (Canadá)
2012: Mo Yan (China)
2011: Tomas Tranströmer (Suécia)
2010: Mario Vargas Llosa (Peru)
2009: Herta Müller (Romênia)
2008: Jean-Marie Gustave Le Clézio (França)
2007: Doris Lessing (Reino Unido)
2006: Orhan Pamuk (Turquia)
2005: Harold Pinter (Reino Unido)
2004: Elfriede Jelinek (Áustria)
2003: John Coetzee (África do Sul)

Funcionário de livraria em Tóquio, no Japão, destaca livros do vencedor do Nobel de Literatura, Patrick Modiano, nas prateleiras (Foto: AFP PHOTO/Yoshikazu TSUNO )

Funcionário de livraria em Tóquio, no Japão, destaca livros do vencedor do Nobel de Literatura, Patrick Modiano, nas prateleiras (Foto: AFP PHOTO/Yoshikazu TSUNO )

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