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Crise argentina impacta com força mercado literário

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A livraria El Ateneo, um dos hits turísticos de Buenos Aires (Foto Divulgação)

Sylvia Colombo, na Folha de S.Paulo

Buenos Aires é conhecida como uma das capitais latino-americanas do livro e, a Argentina, um dos países com maior índice de leitura proporcionalmente à sua população no continente. Com 3 milhões de habitantes em sua capital (sem contar a Grande Buenos Aires), possui 750 livrarias, o que dá mais ou menos 25 para cada 100 mil habitantes. Quanto a títulos publicados, nos últimos anos, o país vinha editando quase a metade do Brasil, mas aí conta a proporção. A Argentina tem 42 milhões de habitantes, o Brasil, 207 milhões. Ou seja, o índice de leitura sempre foi maior do lado de cá do Río da Prata.

A crise econômica que o país enfrenta, porém, vem mudando este mapa e causando certo desespero nas editoras locais. A inflação, mais o aumento do dólar _o papel usado nos livros não é importado, mas sim indexado segundo o dólar_ está levando os preços de livros às alturas. Nos últimos meses, o preço do papel para livros subiu 75%, enquanto o do papel-cartão para as capas, 165%.

“Nós fazemos o possível para não transferir esse custo ao consumidor, mas chega um momento em que é impossível”, diz Leonora Djament, da renomada editora e livraria Eterna Cadencia.

As editoras consideradas de autor e as independentes vêm encontrando uma saída em editar junto e usar espaços comuns para vendas de livros de muito baixas tiragens. É o caso das 24 editoras que formam La Coop, uma espécie de cooperativa que tenta usar gráficas comuns, fazer eventos em que cada um aporta um pouco, propagandear umas às outras, fazer livros sob encomenda ou sob medida, e, assim, ir apostando em livros que, de repente, podem virar um êxito e acabar bancando outros.

Mas as maiores sofreram ainda um novo baque. O governo deixou, praticamente, de comprar livros. A porcentagem de compras do Estado foi de 14% do que produziam as editoras, em 2016, para 1% em 2017, e para praticamente zero neste ano. “É o primeiro ano em que o Estado não compra quase nada. Nunca foi o essencial para nossa produção, mas garantia uma entrada segura, com a qual contávamos”, diz Carlos Díaz, da Siglo 21. E acrescenta: “Nós víamos essa situação vir piorando nos últimos anos, mas nos últimos três meses (que corresponde à disparada da inflação e o aumento do dólar), essa queda se pronunciou muito.”

Djament acrescenta que a situação é alarmante por se tratar de uma área essencial para a sociedade. “Pensar que não se repõem livros em bibliotecas públicas, de universidades, é de temer por nosso futuro”. Díaz explica que os livros didáticos ainda vendem bem, mas estes são na maioria importados ou editados aqui, mas por matrizes espanholas. Ou seja, não alimenta o mercado local.

Para Diaz, isso não significa que o argentino se desinteressou da leitura completamente. “Você vai aos eventos, às feiras, às palestras, e elas estão cheias. Eu creio que há demanda. Mas, quando a pessoa precisa escolher entre pagar as tarifas de gás e eletricidade (que perderam subsídios), comprar comida ou comprar livros, obviamente ela vai deixar o livro para comprar depois, quando, e se, a situação melhorar.”

Biografias puxam recuperação do mercado de livros em 2017

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(iStock/iStock)

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Vendas crescem 5,47% em volume e 6,59% em faturamento nos primeiros sete meses do ano em relação a 2016; sozinho, gênero biográfico subiu 12,18%

Publicado na Veja

Depois de um 2016 muito difícil, devido à crise econômica que inibe o consumidor, o mercado de livros segue respirando melhor em 2017, graças, principalmente, aos títulos do segmento de não ficção, entre os quais estão incluídas as biografias. Os dados são de pesquisa do Snel, o Sindicato Nacional dos Editores de Livros, em parceria com a Nielsen.

No acumulado até julho, as vendas de livros cresceram 5,47% em volume e 6,59% em faturamento. Isolado, o segmento chamado de Não Ficção Trade, apresentou um aumento de 12,18% em receita. Com o resultado, a fatia do gênero saltou de 22,52% para 23,70% do total do mercado.

O nicho de livros infantis, juvenis e educacionais, porém, segue na dianteira, inclusive ampliando seu domínio: sua fatia passou de 24,86% em 2016 para 25,23% neste ano.

O desconto, porém, também cresceu 1,3% em 2017, na comparação com o mesmo período de 2016, com destaque para os segmentos infantil, juvenil e educacional, onde subiu 3,3%, não ficção, onde o aumento foi de 2,1%.

Faturamento das vendas de livros cresce pela primeira vez desde 2015

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faungg's photos/Flickr

faungg’s photos/Flickr

Maria Cristina Frias, na Folha de S.Paulo

O mercado livreiro teve alta de faturamento em termos reais no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2016, segundo o Snel (sindicato dos editores).

As vendas foram 6,81% maiores em 2017, e o IPCA nos últimos 12 meses foi de 3%. É a primeira vez desde que a entidade começou a divulgar o desempenho do segmento, em 2015, que há crescimento em termos reais.

O resultado não é igual ao de anos anteriores à crise, segundo Marcos da Veiga Pereira, presidente da Snel, mas a melhora aconteceu durante a recessão, e ele diz esperar que uma retomada dê mais impulso ao setor.

Ao comparar o momento atual de mercado com o anterior à recessão, houve uma concentração em um número menor de títulos. “Os livros mais vendidos ganharam importância maior no total.”

Um segmento teve até mesmo impulso por conta da situação econômica: o de autoajuda, afirma Sonia Jardim. presidente do grupo Record,

“Esses leitores precisam se recolocar, melhorar sua situação ou se sentir mais preparados. São compras viáveis, mais baratas que cursos.”

Livros de ficção foram os que mais perderam fatia de mercado, mas, para os próximos meses, as editoras apostam em lançamentos de autores que costumam ir bem.

Os preços de capa ficaram 1,46% mais caros, portanto, abaixo do índice geral.

Efeito colateral no varejo

O uso de descontos pelas varejistas brasileiras costuma ter um efeito negativo a longo prazo, segundo a consultoria Kantar.

Durante uma promoção, há uma alta de até 32%, por exemplo, nas vendas de iogurte (uma categoria de produto considerada madura pelo mercado, cujo consumo não sofre grandes oscilações), segundo a consultoria.

Quando o período promocional se encerra, no entanto, o volume comercializado retrai para 80% do patamar inicial, afirma Tiago Oliveira, da Kantar Worldpanel.

“Se [o desconto] for aplicado a uma categoria de frequência semanal ou quinzenal, as pessoas basicamente só antecipam as compras. Elas não aumentam o [nível de] consumo”, afirma.

“O grande objetivo das promoções no Brasil tem sido trazer resultados a curto prazo. No exterior, há muitos casos em que essa ação ajuda a construir lealdade à loja ou à marca, mas por aqui há apenas um impacto pontual.”

Crise derrota até Harry Potter e venda de livros cai no Brasil

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Livrarias: para especialistas, ninguém poderia salvar as vendas neste ano, exceto um novo fenômeno como "50 tons de cinza"

Livrarias: para especialistas, ninguém poderia salvar as vendas neste ano, exceto um novo fenômeno como “50 tons de cinza”

 

Nem fenômenos de vendas como Jojo Moyes, padre Marcelo Rossi e J. K. Rowling conseguiram salvar o mercado editorial neste ano

Publicado na Exame

Nem Jojo Moyes, dos best-sellers Como Eu Era Antes de Você e Depois de Você (Intrínseca), nem Padre Marcelo Rossi, tampouco o novo Harry Potter.

Duramente afetado pela crise econômica brasileira, o mercado editorial não teve um fenômeno de vendas em 2016, como acontecera em 2015 com os livros de colorir, e termina o ano sem um final feliz.

De janeiro a novembro, de acordo com o Painel das Vendas de Livros do Brasil, realizada pela Nielsen BookScan Team sob encomenda do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), a queda no volume de livros vendidos foi de 13,21%, e no faturamento, de 4,78%.

A comparação da lista dos best-sellers de 2016 e 2015 do Publishnews, portal especializado no segmento livreiro, é bastante ilustrativa: de Jardim secreto (Sextante), o campeão de 2015, foram vendidos 719.626 exemplares no ano, mais do que a soma dois primeiros lugares de 2016, Como Eu Era Antes de Você e Ruah (Principium), do Padre Marcelo Rossi.

A diferença no desempenho do religioso, autor cujos números superam 12 milhões, também é significativa: esse ano, foram 225.229 livros com Ruah; em 2015, 446.653 com Philia, que ficara em terceiro lugar no ranking.

“Ninguém seria capaz de reverter os números desse ano. Teria que ser um fenômeno fora da curva, como foi O Código Da Vinci (Sextante, de 2004) ou 50 Tons de Cinza (Intrínseca, de 2011)”, avaliou o presidente do Snel, Marcos da Veiga Pereira, da Sextante.

“O mercado editorial não é algo separado do resto da economia. Mas eu não esperava uma queda tão expressiva no número de exemplares, é isso o que mais chama a atenção. É algo que vem de 2015, só que os livros de colorir compensaram. É uma falácia essa crença de que os livros são um lugar de escape em momentos de crise.”

Lançado em outubro, Harry Potter e a Criança Amaldiçoada (Rocco), que veio para aplacar a saudade dos fãs da saga, melhorou um pouco os resultados do fim de 2016.

Os números podem subir ainda com o impacto da Black Friday, que fez crescer as vendas em 50%, graças a descontos de até 80%, e as compras de Natal.

Mas a recuperação só é esperada para o segundo semestre de 2017 ou em 2018, junto com a da economia brasileira. O Snel vê luz no fim do túnel, com maior adequação das empresas ao panorama de recessão em termos de gestão.

O desejo por ora é que a queda nos números seja estancada, para que o mercado possa voltar a crescer.

“Em 2015, os efeitos já vinham sendo sentidos, não só com a crise, mas também com a diminuição nas vendas para os programas de bibliotecas do governo federal. O que me preocupa é o futuro desse público leitor. O gosto pela leitura e a criação do hábito acontece na escola, desde a alfabetização”, analisou a presidente da Record, Sônia Machado Jardim. A Record teve um ano menos sofrido, por causa dos bem sucedidos títulos de ficção A Garota do Calendário (Audrey Carlan) e A Garota do Trem (Paula Hawkins).

Na Intrínseca, o ano foi “excelente”, disse o editor, Jorge Oakim. Principalmente por conta do sucesso de Jojo Moyes, puxado pelo filme Como Era Antes de Você, fenômeno de bilheterias. A romancista inglesa segue sendo uma aposta para bons resultados em 2017.

“Tivemos o mesmo número de vendas e faturamento em 2016 e em 2015, o que é um super vitória num ano de crise. Se você tem bons livros, você vende”, afirmou Oakim.

A observação da década 2006-2015, foco da pesquisa “Dez anos de Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro”, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP) para o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e divulgada há quatro meses, mostra que as más notícias para o segmento vêm de longe. O preço real no período (descontada a inflação) foi de 36%. O faturamento real caiu de R$ 1,6 bilhão para R$ 1,4 bilhão.

A pesquisa usou dados de 189 das 700 editoras do País. A redução do número de livros comprados pelo governo federal para abastecer o Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) foi outro revés detectado pelo levantamento, assim como a expansão insuficiente do mercado digital.

A mais grave queda no período foi de 2014 para 2015; no entanto, o cenário vem se depreciando desde 2011. De lá para cá, a boa nova foi o crescimento de 20% na categoria CTP (científicos, técnicos e profissionais), consequência do boom do ensino superior vivido na esteira do Programa Universidade para Todos (ProUni), de concessão de bolsas em universidades.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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