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Saraiva passa a vender livros dentro da Amazon

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Livraria enfrenta recuperação judicial com mais de R$ 675 milhões em dívidas; mais de 3.900 livros da Saraiva estão na Amazon

Lucas Braga, no Tecnoblog

Existe aquele ditado clichê que diz “se não pode vencer o inimigo, junte-se a ele”, que sintetiza a nova estratégia da Saraiva. Sem alarde, a livraria passou a vender seus produtos através do marketplace da Amazon brasileira. Ao todo são mais de 3.900 livros vendidos e entregues pela Saraiva que se somam ao catálogo da empresa concorrente, que recentemente passou a oferecer o Amazon Prime no país.

A novidade foi revelada pelo site especializado no mercado editorial PublishNews. A assessoria de imprensa da Saraiva informou que a empresa atua no marketplace das lojas da B2W (Submarino, Americanas e Shoptime), Mercado Livre e Magazine Luiza. O PublishNews efetuou a compra de um exemplar de O Conto da Aia na Amazon, que foi entregue com embalagem da Saraiva e nota fiscal com o CNPJ da empresa.

Na própria Amazon é possível encontrar livros vendidos pela Saraiva sem muito esforço. A empresa usa a alcunha Livraria Siciliano, nome da antiga livraria que foi adquirida pela Saraiva em 2008. O site da Amazon diz que a empresa “começou recentemente” e ainda não possui avaliações de compradores. O catálogo inclui livros de editoras como Sextante, Intrínseca, Best Seller e LP&M. Vários dos livros também são vendidos e entregues pela própria Amazon, criando uma concorrência interna.

A situação da Saraiva não é das melhores. Com o mercado editorial em crise, a empresa fechou 20 lojas no ano passado, inclusive todas as unidades da iTown, que era revendedora autorizada da Apple. Um mês depois, fez o pedido de recuperação judicial após acumular mais de R$ 675 milhões em dívidas.

A concorrente Livraria Cultura também não está nas melhores condições: a empresa também passa por recuperação judicial com dívidas na casa de R$ 285 milhões, pouco tempo depois de ter comprado e encerrado as atividades da Fnac do Brasil.

Estudante cria ‘sebo solidário’ para vender livros e arrecadar dinheiro para cursar faculdade no interior de SP

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Estudante de Itapetininga (SP) criou ‘sebo solidário’ para arrecadar dinheiro com a venda de livros doados — Foto: Thiago Pires Fotografia/Divulgação

Juliana de Albuquerque Marçal, moradora de Itapetininga (SP), vende livros a baixo custo pela internet para incentivar a leitura.

Nicole Annunciato, no G1

Com a paixão pela leitura e o sonho de cursar medicina veterinária, uma adolescente de Itapetininga (SP) criou um “sebo solidário”. Ela recebe doações de livros, os vende pela internet e o dinheiro arrecadado é destinado ao “porquinho” da faculdade.

Em entrevista ao G1, Juliana de Albuquerque Marçal, conta que começou a juntar dinheiro com a venda de roupas e jogos que não usava. Quando as peças acabaram, ela teve a ideia de vender os livros que tinha em casa pela internet.

“Eram dez livros e acabei vendendo todos em um dia. No mesmo dia consegui doações e quando o sebo completou uma semana, terminei com mais de 100 títulos. Hoje estou com quase 400.”

A estudante vende de 20 a 30 livros por mês e eles custam entre R$ 0,50 e R$ 15 para que todos tenham a oportunidade de ler.

“A ideia do sebo é também promover a leitura a baixo custo para aqueles que não têm condições de comprar livros novos. Os livros que não saem eu faço doação para pessoas que tem algum projeto. Nenhum livro é dispersado”, afirma.

Juliana tem o sonho de estudar medicina veterinária e arrecada dinheiro com a venda de livros em ‘sebo solidário’ — Foto: Thiago Pires Fotografia/Divulgação

A família de Juliana também a apoia com o projeto: a mãe dela vende roupas para pets feitas com crochê, o pai dela a ajuda com as entregas dos livros e a irmã os cataloga. “A família toda me apoia e me dá muito amor.”

Interesse pela leitura

Juliana pegou gosto pelos livros quando leu a saga de Harry Potter. “Eu tenho síndrome do pânico e nunca tive paciência para pegar um livro e ler. Pode parecer exagero, mas quando li os primeiros livros da saga, minha vida mudou.”

A estudante passou a frequentar a biblioteca semanalmente e em meio às páginas, encontrou livros que foram os alicerces para que ela tivesse a iniciativa de juntar dinheiro para realizar o sonho de estudar medicina veterinária.

“Um dos livros que vi dizia que quem luta pela lenda pessoal, o universo conspira para que ela se realize. O outro afirmada que nunca devemos dizer que não temos dinheiro para comprar algo porque nosso cérebro vai trabalhar para que acreditemos nisso. A partir daí, me dei uma chance”, diz.

Além de batalhar pelo objetivo, Juliana afirma que os livros a ajudaram a vencer as crises de pânico.

“As pessoas me abraçam quando eu entrego um livro. Elas sorriem e dizem que acreditam em mim. Isso me ajudou. Os livros me transformaram.”

Amigas criam sebo online para vender livros e ajudar animais abandonados em Teresina

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Amigas criam sebos online para ajudar no resgate de animais abandonados em Teresina — Foto: Gilcilene Araújo/G1

A “feira” de livros usados e virtual. Elas postam fotos diariamente de livros adquiridos através de doação, colocam à venda e o dinheiro arrecadado é encaminhado para a conta das organizações.

 

Gilcilene Araújo, no G1

O amor pelos animais e o desejo de transformar a vida dos pets foram os responsáveis pela decisão de três amigas de organizar uma feira de livros usados e doar o dinheiro arrecadado para instituições que trabalham no resgate de bichinhos abandonados em Teresina.

As advogadas e amigas Bruna Campos, Stefanne Alencar e Helayne Sabrine decidiram em uma noite que não ficariam de braços cruzados com a situação dos animais abandonados na capital. Então, resolveram unir duas paixões que elas têm: livros e bichinhos, criando o sebo literário Amor de Patas.

A feira de livros usados acontece no Instagram. Diariamente, elas postam fotos de livros adquiridos através de doação e colocam a venda ao preço de R$ 5 e R$ 10. Os compradores escolhem o exemplar que desejam adquirir e a instituição que pretendem apoiar. Para receber os livros, o comprador envia o comprovante de depósito ou de transferência para a conta da instituição.

“Nós amamos animais, durante uma noite de sábado, conversando com a Bruna, eu disse que tínhamos que fazer algo para ajudar as organizações nos resgates de bichinhos. Então pensei e criei na mesma noite o Instagram ‘sebo literário amor de patas’. Comecei colocando disponível uma coleção de livros que tinha e enquanto eu disponibilizava outros exemplares, a Bruna falava com as organizações para fechar a parceria”, lembra Stefanne Alencar.

O Instagram começou com poucos seguidores, elas compartilharam a página com os amigos e logo houve uma corrente e em poucos horas elas já tinham milhares de seguidores.

“Foi uma corrente do bem. Nós não só tínhamos seguidores, mas pessoas que também acreditavam em nossa causa e queriam mudar a vida de muitos cães e gatos”, afirmou Bruna Campos.

Parte dos livros que são comercializados no sebo literário em Teresina — Foto: Giicilene Araújo/G1

Transparência

Para dar lisura à transação, as advogadas decidiram que não iriam ficar com o dinheiro e, por isso, quem compra os livros deve fazer o pagamento direto na conta das instituições que trabalham no resgate dos animais. Elas apoiam nove organizações.

“As pessoas decidem quem vai receber o dinheiro porque todas elas precisam comprar alimentação para os animais, produtos de higiene e custear as despesas com tratamento de saúde. Logo, não achamos justo indicar só uma que mereça receber esta doação”, explicou Helayne Sabrine.

A arquiteta Roxane Firmeza Rocha foi umas das primeiras pessoas que abraçaram a causa das meninas e doou livros para serem comercializados.

Amigas criam sebos online para ajudar no resgate de animais abandonados em Teresina — Foto: Reprodução/Instagram

“Eu decidi participar do projeto porque minha mãe já ajuda em muitas causas animais e eu admiro demais quem ajuda os bichinhos a encontrarem um lar, dar cuidados, vacinas, tirá-los das ruas, etc. E eu já tinha separado muitos livros pra doar, antes mesmo de conhecer o sebo, mas que por falta de tempo, nunca fui atrás de um local que recebesse, porque a maioria dos meus livros era de ficção ou sagas, então não sabia se bibliotecas locais aceitariam, e foi aí que eu conheci o Sebo Amor de Patas, minha mãe me mandou a página e no dia seguinte já levei todos os livros para a Sthefanne”, contou.

Benefício se estende para outras pessoas

O Sebo Amor de Patas foi criado para ajudar animais maltratados em Teresina, mas com o decorrer do tempo, Bruna Campos, Stefanne Alencar e Helayne Sabrinem perceberam que também estavam ajudando os estudantes universitários a adquirir livros por preços bem acessíveis.

“Descobrimos que podemos ajudar em mais uma vertente, já que recebemos muitos livros acadêmicos que são vendidos a preço altos e eles conseguem com o sebo a um valor mais em conta. Além disso, ajudamos a Associação do Cegos do Piauí – ACEP. Eles recebem doações de papéis para reciclagem e o dinheiro da venda desse material é revertido para melhoria da instituição. Assim, alguns dos livros que estamos recebendo nas doações serão destinados a esta associação, seja porque estão muito desatualizados, como dos livros de direito anteriores a 2014, seja porque estão muito danificados ou que de alguma forma não servem para venda”, afirmou Stefanne Alencar.

Para elas, “é uma forma de sempre ter os livros bacanas para serem vendidos e ajudar os animais e ao mesmo tempo ajudar o meio ambiente, evitando que os papéis sejam descartados de forma inadequada”, destacou Bruna Campos.

A loja dos livros impossíveis

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Conhecida como a ‘loja dos livros impossíveis’ a Livraria Simples, em SP, quer ser um ponto de cultura e é a segunda da série ‘Livrarias do Brasil’

Talita Facchini, no Publishnews

Na segunda matéria da série Livrarias do Brasil, que quer mapear e apresentar iniciativas de livrarias independentes Brasil adentro, o PublishNews foi conhecer de perto a Livraria Simples, a “loja dos livros impossíveis” e que tem como objetivo ser um ponto de cultura e causar impacto social.

Localizada na Bela Vista (Rua Rocha, 259), bairro da região central de São Paulo, a história da livraria começou mesmo na Mooca, em 2016, quando dois amigos, Adalberto Ribeiro e Felipe Faya, juntaram seus acervos e começaram a vender livros para os amigos. Meses depois, a livraria mudou de lugar e tomou os cômodos de uma casa na Bela Vista, com livros do chão ao teto, um ar intimista e um jardim para quem quiser ler um livro ou apenas passar o tempo.

“Fizemos 80% da mudança em um fusca, o resto foi com o carro emprestado da mãe do Felipe, ou seja, fizemos tudo com um Fusca e um Corsa”, conta Adalberto, que trabalha com livros desde os 16 anos. O visual da livraria também foi construído aos poucos e com a ajuda de vários amigos: móveis usados, estantes de madeira reutilizadas, muito garimpo, cada item veio de um lugar diferente e ajudou a construir um ambiente aconchegante e que pudesse acolher o leitor.

Na casa, junto com a livraria funcionam dois outros projetos: uma tabacaria – a Marajó Tabaco – e o acervo do artista Otavio Roth, por isso a ideia de ser mais que uma simples livraria e se tornar um ponto de cultura.

Já o acervo começou com 900 livros – 700 de Adalberto e outros 200 de Felipe – e agora já conta com 11 mil exemplares. Segundo Adalberto, ele continua crescendo e se modificando todos dias. “Nosso acervo se move muito com base na demanda que recebemos, se qualquer pessoa vier aqui e perguntar se temos um livro específico, sistematicamente vamos responder que não, mas que podemos conseguir. Independente do livro que seja, se está esgotado há muito tempo, se é um livro de outro país, um livro em japonês, dificilmente vamos falar que não temos e ficar por isso mesmo”, explica deixando claro o porquê da alcunha de “loja dos livros impossíveis”.

A ideia da Simples é ser um espaço democrático, um ambiente agradável para dar acesso ao maior número de pessoas. “Nossa ideia foi criar um ambiente em que as pessoas não se sintam acanhadas de entrar. O importante é a nossa marca ficar na cabeça das pessoas e quando elas pensarem em comprar alguma coisa elas venham comprar com a gente”, conta Alberto.

Para ficar na cabeça das pessoas, tem que ser diferente e se fazer presente de alguma maneira. Além do ambiente, a livraria viu nos seus pacotes uma maneira de chamar atenção e ir para a casa do leitor junto com o livro comprado. “Os pacotes começaram desde o início, temos várias empresas parceiras da livraria que fazem as coisas acontecerem e a Veio na Mala é uma delas, que desde o começo fornecem os carimbos pra gente”, explicou. Junto com os pacotes personalizados a Simples acertou também no modo de administrar as redes sociais, e com legendas divertidas e imagens bem feitas, o Instagram da loja já faz sucesso. “Ele é muito divertido e dá muito trabalho, mas daria mais ainda se não fosse do jeito que é”, brinca Adalberto. “Ele tem essa coisa meio “tosca”, mas é divertido, chama atenção e dá um resultado muito legal, acho que conseguimos acertar na verdade”.

Outra ação da livraria são as entrevistas feitas com os moradores do bairro e foi o modo que a Simples encontrou de fazer parte da comunidade. Já passaram por lá o garçom do boteco da esquina, a dona do brechó da rua e até um bailarino poliglota com muita história para contar e cultura para compartilhar. As entrevistas são postadas no Instagram da loja para todo mundo poder acompanhar.

Adalberto Ribeiro, Felipe Faya, Felipe Berigo e Aline Tiemi, os nomes por trás da Simples sabem que têm que fazer muito com pouco se quiserem crescer. “Simples é o contrário do fácil”, lembra Adalberto, e junto com a vontade de fazer mais, surgiu em novembro passado a oportunidade de fazer parte da programação paralela do Sesc Paulista.

A partir daí surgiu a Feira de Trocas que ficou por lá durante dois meses, mas que deu tão certo que os sócios sentiram a necessidade de torna-la recorrente. “Conseguimos ainda juntar a troca de livros com o projeto do Otavio Roth. Quando vivo, ele tinha um projeto que chamava Árvore, em que crianças do mundo inteiro desenhavam em papéis no formato de folhas. A ideia dele era conseguir um milhão de papeizinhos, e com as feiras retomamos esse projeto. Realizamos uma oficina em que as crianças vão lá, desenham nas folhas e ganham um livro”. Para quem quiser ver a exposição, Liberdade para respirar, é só visitar o Sesc Bom Retiro.

Sobre os planos para o futuro, Adalberto não fala em números, para ele, o impacto social que a livraria pode causar é mais importante do que o lucro em si. E sobre sonhos, ele também prefere guardar segredo por enquanto, mas a ideia, é sempre se fazer presente. “‘Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho’, essa frase da Clarice Lispector acho que resume bem, ela combina muito com o nome da livraria e como levamos nosso trabalho”, lembra Adalberto.

A Livraria Simples funciona de segunda a sábado, das 10h às 18h, e de vez em quando aos domingos e feriados, como a própria página da loja já avisa.

Vestido de Batman, jovem vende livros em ônibus para pagar cursinho e se preparar para concursos públicos no AM

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Estudante se veste de Batman em Manaus (Foto: Suelen Gonçalves/G1 AM)

Estudante se veste de Batman em Manaus (Foto: Suelen Gonçalves/G1 AM)

Luciano Neto comercializa exemplares nos ônibus e terminais de Manaus para custear estudos.

Adneison Severiano, no G1

Muitas pessoas que utilizam os ônibus do transporte coletivo de Manaus já se depararam com um “super-herói” entre os passageiros. Luciano Almeida Ferreira Neto, de 28 anos, se fantasia de Batman para vender livros e revistas educativas na capital. Com as vendas, ele custeia os estudos preparatórios para concursos públicos. Por onde passa o estudante ainda deixa pelo caminho mensagens e reflexões sobre a vida.

Em 2013, Luciano Neto interrompeu o curso de psicologia que fez por dois anos após ficar desempregado. Sem dinheiro para custear os estudos, Luciano teve a inspiração de vender livros a preços populares ao ver uma jovem comercializando obras em Manaus.

“Eu vi uma moça fazendo esse trabalho e vendendo as revistas educativas no ônibus no horário do almoço. Fiquei impressionado com a habilidade dela de se comunicar com as pessoas e isso me chamou atenção. Perguntei como era esse trabalho e ela explicou. Ela disse onde comprava os livretos e me levou no local onde vendia os materiais”, contou.

Papai Noel

Descaracterizado, as vendas não foram promissoras e Luciano Neto ficou apenas quatro meses comercializando os livretos e revistas. O estudante voltou a ocupar um trabalho formal como operador de máquina em uma fábrica de injeção plástica, mas ficou novamente desempregado em 2016. Ele então passou novamente a vender livretos educativos por apenas R$ 1.

“Pensei em voltar a vender os livros, mas queria uma forma de atrair as pessoas e tive a ideia de me caraterizar com uma fantasia de Papai Noel porque estávamos no Natal. As pessoas gostavam de comprar os materiais, tiravam fotos com Papai Noel e as crianças abraçavam. Vendo os exemplares baratos pois também é uma forma de incentivar as pessoas a buscar conhecimento”, relatou Luciano.

Após o natal e sem dinheiro para comprar indumentárias prontas em lojas, Luciano Neto teve que improvisar uma nova fantasia. Foi fantasiado de Batman que as vendas progrediram e o super-herói passou atrair os clientes.

“Acabou o Natal e precisava de outra fantasia para chamar atenção das pessoas. Como eu estava com pouco recurso tinha que criar uma fantasia de baixo custo. Tive a ideia criar a fantasia do Batman por ser mais acessível. Comprei a máscara no Centro e pedi para uma costureira amiga da família fazer a roupa. O Batman fez mais sucesso e quando eu passo nas ruas as pessoas acenam, tiram fotos, pedem para gravar vídeos para crianças falando para elas comerem”, disse o estudante.

Preparação

Com as vendas das revistas e livretos, Luciano conseguiu recursos para custear o cursinho preparatório online de concursos que custa R$ 590. Percorrendo diariamente ônibus e terminais, o estudante vende até 100 exemplares por dia e tem lucro diário de até R$ 50.

Luciano Neto se veste de Batman para chamar atenção de passageiros em Manaus (Foto: Suelen Gonçalves/G1 AM)

Luciano Neto se veste de Batman para chamar atenção de passageiros em Manaus (Foto: Suelen Gonçalves/G1 AM)

O estudante mora com avó aposentada na comunidade Grande Vitória, na Zona Leste da capital. Mesmo rotina intensa, ele concilia o trabalho informal com os estudos e os primeiros resultados já começaram a surgir.

“Em 2016, eu fui um dos aprovados do concurso da Ufam para auxiliar de administração. Porém, não fiquei entre os classificados. Eram 10 vagas e fiquei em 14º lugar. Eram 800 candidatos para uma vaga a concorrência. No concurso do IBGE de 2016 gabaritei a prova de matemática, acertei todas as questões. Estou esperando para saber se fui aprovado para o cargo de assistente censitário administrativo. Eu comecei estudar para um possível concurso do Tribunal Regional Eleitoral mesmo ainda não tendo edital lançado e estudo para outros concursos à noite, mas quando tem edital aberto estudo também durante o dia. Quero ter um bom cargo e vou fazer concurso até passar. Faço concurso para ter mais qualidade de vida e estabilidade financeira no serviço público”, disse o estudante.

Diariamente, Luciano Neto também leva mensagens motivacionais para pessoas nos ônibus e terminais de Manaus. “Além dos materiais educativos eu levo uma mensagem de motivação para as pessoas, pois motivação tem que ser todo dia para a pessoa se renovar. Eu acredito em sonhos, eu acredito em projetos e ideias. Eu falo com as pessoas e levo elas a refletirem a importância do convívio social entre as pessoas. Abordo assuntos sobre respeito aos mais velhos e gentileza do homem com a mulher. Estamos em uma sociedade que tenta justificar a modernidade para não ser gentis e falo para as pessoas que riqueza não traz felicidade”, afirmou.

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