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Posts tagged Verbo

Panfleto oficial do Ministério da Agricultura entregue na alfândega tem erro de português

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Mensagem em panfleto trocou o verbo "traz" pela preposição "trás" e ficou sem sentido Foto: Divulgação

Mensagem em panfleto trocou o verbo “traz” pela preposição “trás” e ficou sem sentido Foto: Divulgação

Breno Boechat, no Extra

Um panfleto entregue pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento na alfândega de aeroportos brasileiros contém um erro de português no texto. No informe, a mensagem alertando turistas e viajantes que desembarcam sobre os produtos cuja entrada é proibida no país apresenta, em vez de “traz”, do verbo “trazer”, a preposição “trás”, que tem significado totalmente diferente do desejado. “Cuidado com o que você trás para nosso país”, diz a mensagem. A gafe chamou atenção da professora Valéria Freitas de Figueiredo, do Instituto Federal do Rio de Janeiro, que recebeu o documento do filho, que voltava da Europa, na última segunda-feira, quando recebeu o aviso.

— Meu filho estava voltando de viagem e foi parado na alfândega porque estava trazendo patê de foie gras, sem saber que não era permitido. Foi quando entregaram pra ele esse aviso, com um erro crasso de português. É um erro que depõe contra o próprio país, já que é um documento oficial entregue na porta de entrada do país, onde chegam todas as pessoas que vêm de avião — comenta Valéria, que chegou a tentar contato com autoridades responsáveis, mas não teve sucesso.

O EXTRA entrou em contato com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para esclarecer a situação. A assessoria de imprensa do órgão federal, no entanto, não soube informar a procedência do informe e disse apenas que iria contactar o departamento de marketing. Até a publicação dessa reportagem, o ministério não se posicionou sobre o caso.

O problema não é você, são seus erros de português

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Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. A produção deste texto não é uma vivência específica, mas a soma de experiências próprias, bem como a de pessoas próximas levemente exigentes e com esperanças de encontrar um eu que conjugue o verbo amar.

Luana Peres, no Obvious

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Toda relação é idealizada e, antes que se concretize, algumas expectativas, inevitavelmente, são criadas. Eu, bem como algumas amigas, sempre fui muito exigente. Imaginava e listava uma série de adjetivos que a pessoa perfeita deveria ter. Inteligência, bom humor, beleza, integridade, ambição, romantismo, sensibilidade, coragem, determinação, bom gosto e algumas semelhanças políticas e ideológicas.

Acontece que, conforme o tempo passa e você envelhece, percebe que estas exigências são muito altas.
(Até porque, nem você mesma as atinge)

Logo, os critérios para um suposto envolvimento vão ficando menores e chega um momento que você pensa: Tem todos os dentes na boca? Toma banho? Cursou o ensino fundamental?

Se respondeu SIM para, pelo menos, duas destas questões, tem chances!

(ATENÇÃO: não se empolguem! Este é o último estágio e envolve desespero exacerbado e um medo irracional de ficar sozinha para sempre)

Obviamente, não estou neste estágio e ainda tenho esperança de atingir parcialmente o meu ideal. Portanto, minha lista permanece com algumas exigências básicas. Partindo deste princípio, eu posso tolerar bermuda com meias, um gosto musical duvidoso, manias estranhas e até a escolha de um candidato que detesto. Eu compreendo um leve fanatismo por futebol, algum exagero alcoólico e uma péssima memória para datas importantes.

Agora, o que não dá para aceitar, de jeito nenhum, é uma pessoa que não sabe, minimamente, escrever. E não estou falando de erros bobos cometidos por todos nós e totalmente aceitáveis.

(Aposto que pessoas mais exigentes que eu devem estar, neste momento, buscando falhas neste texto e, já adianto, vão encontrar muitas. Eu encontro uma dezena cada vez que releio algo que escrevi)
Enfim, estou falando de N antes de P e B, de nome próprio com letra minúscula e de verbo que não acompanha o sujeito. Eu até queria relevar seu estado ANCIOSO, o MENAS, o ESTEJE e o SEJE que você soltou. Eu poderia tolerar um MAIS ao invés de MAS e até algumas abreviações excessivas desta linguagem cibernética. O problema é que o seu AGENTE (e não estou falando do agente da lei) não me deu chances. Você se perdia nos porquês, no onde e no aonde. Colocava um Ç no lugar de um (ou dois) S e um S no lugar de um Z!

Quantos Rs comidos? Quantos Ls substituindo Us de forma indevida?

Eu queria muito fechar os olhos (ou os ouvidos), mas te ouvir dizendo que iria SE arrumar para sair era DE MAIS para mim. Aliás, o seu mim conjugava tanto verbo que eu sentia que estava me relacionando com um índio. Percebi que ter concluído o ensino básico, passado no vestibular e entrado para um curso superior não significava absolutamente nada, ortograficamente e coerentemente falando.

“Não te amo mais”, “Estou te traindo com sua melhor amiga”, “Sou um psicopata”, “você está gorda”!
Não, nada disso foi dito!

As palavras que me penetraram o ouvido, olhos e coração foram:
ENQUANDO, DENOVO, DEREPENTE, EM FIM, NÓIS, FELIS e CONCERTEZA!

Bem, eu queria fugir das frases clichês para explicar o motivo de não ter dado certo, mas preciso dizer…

O problema não é você, são seus erros de português.

Obs.: Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. A produção deste texto não é uma vivência específica, mas a soma de experiências próprias, bem como a de pessoas próximas levemente exigentes e um tanto esperançosas.

O ‘pollo’ pulou no poleiro: tudo em casa

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Sérgio Rodrigues, na Veja

“A palavra puleiro – apoio de galinhas no galinheiro ou de aves em suas gaiolas – tem algo a ver com ‘pular’ ou é derivada do espanhol ‘pollo’ (galinha)?” (Kirsten Woltmann)

A consulta de Kirsten é tão boa que acerta até quando erra a ortografia: a palavra é “poleiro”, mas existe mesmo certo grau de parentesco entre ela e o verbo pular. Assim como entre ela e o pollo (“frango”) da língua espanhola e outras palavras que à primeira vista nada deveriam ter a ver com isso – como pimpolho e repolho.

Repolho? Sim, quem diria: frango com repolho pode ser ou não ser um bom prato, mas é certo que guarda uma medida de redundância etimológica.

O que todos esses vocábulos têm em comum é um ancestral latino de grande fecundidade: o substantivo pullus, “cria, rebento”, palavra que a princípio era usada para designar tanto “criança queridinha, galantinha, bochechuda, gordinha” quanto “burrico, jumentinho” e “pintainho, patinho, filhinho de águia”, nas palavras do dicionário Saraiva. Filhotes de espécies variadas, como se vê.

De todas as acepções clássicas, é legítimo supor que a de filhote de ave – em especial de galinha – fosse a que se conservava mais viva no latim vulgar, pois foi ela que passou às línguas neolatinas: além do já citado pollo espanhol, existe o poule francês (“galinha”) e o “pôlo” português, regionalismo açoriano que o Houaiss registra com o sentido de “falcão ou gavião com menos de um ano”.

Mas o velho pullus não se contentou com esses descendentes diretos. Também cresceu para os lados e, ainda no latim, deu origem ao verbo pullare, “brotar, germinar”, matriz do nosso pular, “saltar”. O que a princípio parece estranho, mas só até pensarmos na explicação oferecida pelo filólogo brasileiro Antenor Nascentes: ora, a planta que germina salta para fora da terra, não?

Estendida ao reino vegetal a ideia original de pullus, “rebento”, por tal caminho se fizeram em espanhol dois termos que o português importou: repollo e pimpollo, este destinado a retornar ao reino animal na acepção figurada de “criança pequena”.

Manifestantes escorregam no português em cartazes de protesto pelo Brasil

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Nas últimas semanas, manifestantes de todo o país saíram às ruas com cartazes e pedidos de mudança. Alguns pecaram no português (de propósito ou não): esqueceram crases, não conferiram a grafia correta de algumas palavras ou erraram a concordância. Os amigos se prepararam para a manifestação, mas esqueceram de consultar o dicionário antes de sair para a rua. Veja a seguir os erros (ou sátiras) e as suas devidas correções (Arte/UOL)

(Arte/UOL)

Publicado por UOL

Nas últimas semanas, manifestantes de todo o país saíram às ruas com cartazes e pedidos de mudança. Alguns pecaram no português (de propósito ou não): esqueceram crases, não conferiram a grafia correta de algumas palavras ou erraram a concordância. Os amigos se prepararam para a manifestação, mas esqueceram de consultar o dicionário antes de sair para a rua.

Veja a seguir os erros (ou sátiras) e as suas devidas correções.

Você Manda/Gledystone Samuel Lima Ferreira

Você Manda/Gledystone Samuel Lima Ferreira

Na foto, os dois cartazes possuem erros: “investi” e “agente”. No primeiro, deveria ser: “Ela investe em bola e corrupção”. No texto da direta, o correto seria “Feliciano, a gente não te esqueceu”.

Tony Admond/Vc Manda

Tony Admond/Vc Manda

Na foto acima, o autor do cartaz deixou de usar a crase antes de PEC (Proposta de Emenda à Constituição). O correto seria “Diga não à PEC”.

Gero/Futura Press

Gero/Futura Press

Nesta foto, o manifestante criticou a verba destinada aos estádios da Copa do Mundo, mas pecou na concordância verbal. O correto seria: “Não se fazem hospitais com Copa do Mundo”.

Raul Golinelli/Futura Press

Raul Golinelli/Futura Press

No cartaz, o manifestante errou a concordância verbal. O correto seria usar o verbo “acordar” no plural. “Foram os disparos em São Paulo que acordaram o povo em todo o Brasil”.

ERBS JR./Frame/Estadão Conteúdo

ERBS JR./Frame/Estadão Conteúdo

Nesta foto, a ideia era criticar a educação brasileira com um cartaz cheio de erros de português. Se o objetivo fosse escrever corretamente, seria melhor da seguinte forma: “Nós viemos protestar por uma educação melhor”.

AgNews

AgNews

Enquanto alguns manifestantes esqueceram de colocar a crase, aqui o erro foi usá-la antes de uma palavra masculina. O certo seria: “O governo deve estar a serviço das necessidades do povo”.

Luiz Claudio Barbosa/Futura Press

Luiz Claudio Barbosa/Futura Press

No cartaz, o manifestante erra ao esquecer do “R” em “abaixar” e ao escrever “agente” (segundo o dicionário, “uma pessoa encarregada da direção de uma agência”). O correto seria a gente (separado), no sentido de uma multidão de pessoas.

Você manda/Alan Collet

Você manda/Alan Collet

Ao questionar as condições do transporte público, a manifestante escorregou no português. O correto seria usar “por que” (separado), já que se trata de uma pergunta: “Se é perigoso ficar sem cinto no carro, por que temos que andar em pé no ônibus?”.

Reprodução/Instagram @kmoraes_

Reprodução/Instagram @kmoraes_

Aqui, o pecado da faixa foi a concordância. O autor deveria usar “doentes”, “desabrigados” e “vão” (no plural), já que o texto se refere ao prefeito e ao governador do Rio de Janeiro.

Uarlen Valerio/O Tempo/Futura Press

Uarlen Valerio/O Tempo/Futura Press

Durante os protestos, o dono de um bar localizado na praça Sete, em Belo Horizonte, colou um cartaz informando a cobrança de taxas para a permanência no local. O texto, porém, tem um grave erro de português: o correto é “imprensa” e não “imprença”.

Reprodução/Instagram @barbarakremer

Reprodução/Instagram @barbarakremer

No cartaz acima, o autor trocou o “mas” pelo “mais”. O correto seria da seguinte maneira: “Esse protesto não é contra a seleção, mas sim contra a corrupção”

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Dario Oliveira/Futura Press

Na foto, os manifestantes fizeram confusão entre câmera e câmara. Na faixa, o correto seria “fim do voto secreto na Câmara e no Senado”.

O suborno ornamental

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Sérgio Rodrigues, na Veja

O verbo “ornar” está longe de ter caído em desuso, mas também não tem sido visto com muita frequência ornando o discurso dos brasileiros. Tem origem no latim ornare (“fornecer, equipar, armar, aparelhar, preparar, embelezar”), mas foi apenas na última dessas acepções, e portanto como sinônimo de “enfeitar”, que chegou ao português no século XIV. Seus parentes etimológicos adornar e ornamentar também carregam o mesmo sentido.

A curiosidade desta semana não está tanto no verbo ornar, mas em seu primo subornar – que, acredito, dispense definições. Mais precisamente, no fato mesmo de haver tal parentesco entre um vocábulo inocente, ligado ao aprimoramento estético, e um culpado até a medula, que designa o ato de dar propina, corromper, comprar os favores de alguém para obter uma vantagem ilícita. Entre uma ação executada para que todos vejam e outra que vive nas sombras. Que relação poderia haver entre ornar e subornar?

Subornar, palavra do século XVI, também veio do latim: subornare é apenas o verbo ornare adornado pelo prefixo sub, que no caso indica algo que se passa às escondidas, de forma oculta ou furtiva – o mesmo papel que desempenha no adjetivo sub-reptício e no verbo surrupiar (ou surripiar), em que o prefixo perde o b, mas está lá.

Conclui-se de tudo isso que subornar é, em sua raiz, simplesmente o ato de “fornecer, equipar, armar, aparelhar, preparar, embelezar” – mas por baixo do pano, às escondidas. Serve dinheiro vivo, claro.

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