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O mundo da literatura em 2012

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Publicado por Zero Hora

Veja os fatos que marcaram o ano no mundo dos livros

Cinquenta Tons de Cinza, livro mais comentado do ano Foto: Divulgação / Divulgação

Cinza foi a cor da estação no mundo literário em 2012. Seja pela sobriedade das telas dos e-readers, cada vez mais acessíveis e disputanto as atenções dos leitores, seja pela trilogia Cinquenta Tons de Cinza, best-seller erótico (e onipresente) que se grudou como carrapato no topo das listas de mais vendidos.

Prazer milionário
O livro-fenômeno de 2012 começou como uma ficção de fã com os personagens da saga Crepúsculo, de Stephenie Meyer, e depois varreu o planeta, trazendo sexo sadomasô para a receita mais ou menos uniforme dos best-sellers românticos açucarados. O livro da executiva de TV inglesa E.L. James vendeu mais de 40 milhões de exemplares ao redor do mundo

Saiu de cena
Philip Roth, autor de obras-primas como Complexo de Portnoy e O Teatro de Sabbath e considerado por muitos o maior escritor americano vivo, declarou em uma entrevista, em novembro, que não vai mais escrever. Nêmesis, romance de 2010, foi seu último trabalho.

– A batalha com a escrita terminou – disse.

Os ausentes
Ano de grandes perdas, algumas delas gigantescas. Foi-se, em março, uma das mais radicais e irreventes inteligências brasileiras, Millôr Fernandes. Em agosto, calou-se outro intelectual de verve crítica indomável, o patrício das letras americanas, Gore Vidal. Outros ausentes incluem o romancista mineiro Autran Dourado, o ex-diretor do Instituto Estadual do Livro,Arnaldo Campos (ambos em setembro), o autor e diretor Alcione Araújo (novembro) e o poeta e ensaísta Décio Pignatari (dezembro).

Leitura digital
O mercado brasileiro de potenciais leitores digitais tornou-se cobiçado. A Livraria Cultura lançou seu modelo de leitor eletrônico, o Kobo. A gigante Amazon estreou versão nacional de seu site de vendas e baixou o preço do Kindle. A Apple lançou no Brasil sua livraria virtual – com e-books nacionais.

Susto Verissimo
O maior susto na literatura brasileira foi aplicado por uma gripe. Depois de contrair uma gripe comum, Luis Fernando Verissimo desenvolveu uma infecção generalizada e ficou 23 dias hospitalizado, 12 deles no Centro de Tratamento Intensivo do Hospital Moinhos de Vento. O criador d’A Família Brasil recebeu alta no dia 14 de dezembro e agora se dedica à recuperação.

Jabuti polêmico
Um dos jurados do Jabuti na categoria romance, Rodrigo Gurgel, resolveu alavancar as chances dos livros que apreciou, dando notas muito baixas aos demais. Acabou decidindo o prêmio praticamente sozinho. O romance Nihonjin, de Oscar Nakasato, foi o surpreendente vencedor.

Nobel silencioso
Mo Yan, autor de mais de 30 romances, nenhum deles editado no Brasil, foi agraciado com o Nobel de Literatura. O pseudônimo Mo Yan significa”Não Fale”. A premiação, a primeira a um chinês não exilado ou perseguido, provocou polêmica.

Tradutor maluco
Caetano W. Galindo tira de letra desafios de enlouquecer um tradutor. Em 2012, foram publicadas suas versões para Ulysses, de James Joyce, e Contra o Dia, de Thomas Pynchon (1.080 p.). Ele traduz agora Infinite Jest, de David Foster Wallace (1.090 p.).

Faltou um
Um capítulo inteiro desapareceu da edição em papel de A Dança dos Dragões, quinto episódio da série Crônicas de Gelo e Fogo, de George R.R. Martin.A editora Leya precisou recolher e reimprimir uma edição de 150 mil exemplares.

Os livros do ano
>Solidão Continental, de João Gilberto Noll: Uma jornada em busca do outro, qualquer outro.
>Contra o Dia, de Thomas Pynchon: Paranoia, aventura e vaudeville em mil páginas.
>O Céu dos Suicidas, de Ricardo Lísias: A busca pelo sentido de um suicídio.
>O Sentido de um Fim, de Julian Barnes: A busca pelo sentido de outro suicídio.
>1Q84, de Haruki Murakami: Mundo paralelo em bestseller japonês.
>Os Enamoramentos, de Javier Marías: De perto, nenhum casamento é normal.
>Barba Ensopada de Sangue, de Daniel Galera: Jovem busca sua identidade no destino de seu avô.
>Tigres no Espelho, de George Steiner: Ensaios iluminados.
>O Espírito da Prosa, de Cristóvão Tezza: Misto de ensaio e biografia.
>Ficando Longe do Fato de Já Estar Meio que Longe de Tudo, de David Foster Wallace: Belos ensaios
prolixos.

dica do Jarbas Aragão

‘Fui corneado por meu fígado’, diz cartunista Jaguar

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O cartunista Jaguar, 80, em sua casa, no Leblon, no Rio de Janeiro

Marco Aurélio Canônico, na Folha de S.Paulo

Pouco depois de completar 80 anos, em fevereiro desse ano, Sérgio Jaguaribe, o popular Jaguar, recebeu a notícia: ao fim de seis décadas tendo bebido o equivalente a “uma piscina olímpica” de álcool, seu fígado sucumbira à uma cirrose avançada, acompanhada de câncer.

Ou operava e parava de beber para sempre ou morreria.

“Eu tinha tanto orgulho do meu fígado, me senti hepaticamente corneado”, diz o cartunista, tão célebre pelo humor implacável quanto por sua paixão por um boteco e um trago –não por acaso, um de seus livros chama-se “Confesso que Bebi – Memórias de um Amnésico Alcoólico” (Record, R$ 29,90, 160 págs.).

Jaguar recebeu a Folha no apartamento em que vive com sua mulher, a médica Célia Pierantoni, no Leblon, sentado ao redor de uma mesa que comprou para o boteco que nunca abriu. Nas paredes, desenhos feitos por ele e por vários colegas famosos.

Recusando-se a ser chamado de “senhor”, falou sobre sua nova rotina sem o álcool, seus planos e suas histórias, sempre com a verve afiada que usa tanto para falar de si mesmo quanto dos outros.

Lembrou ainda de episódios marcantes deste ano, como as mortes de dois companheiros de “O Pasquim” (Millôr Fernandes e Ivan Lessa) e o aniversário de 80 anos de outro (Ziraldo).

Ao fim das mais de duas horas de conversa abaixo resumidas, fez apenas um pedido: ser fotografado com um copo de cerveja –sem álcool– na mão. “Senão o pessoal não me reconhece.”

*

Folha – Como está sua saúde?
Jaguar – Em vez de morrer até o fim do mês, talvez eu tenha mais uns seis meses (risos). Eu estou com cirrose e mais uns três ou quatro tumores foram extirpados. Fiz um exame na semana passada que mostrou que eu estou como o Brasil: parado. Não melhorou nem piorou.

A notícia pegou todo mundo de surpresa, não?
Inclusive eu. Andei fraco, me sentindo pesado, e meu médico me mandou ir a São Paulo fazer exames. Tudo apoiado por minha mulher, que é médica. Foi a maior burrice que já fiz. Eu não saberia até hoje que estava doente, estaria tomando minha birita.

Eu fui ao Sírio Libanês, me enfiaram naquele canudo que faz uns barulhos estranhíssimos, você tem de ficar imóvel. Esse exame exige nervos de aço, depois dele você pode ouvir o relator do mensalão por 12 horas seguidas sem mostrar sinais de tédio.

E o mensalão tem rendido muito tema para charge?
Isso aí é até covardia, né, rapaz? Os humoristas não podem se queixar. Se tivesse de fazer, faria três por dia, as ideias vão aparecendo sem o menor esforço. Profissionalmente, vou te contar, sou muito bom nisso. Sou metódico, acordo e leio todos os jornais. E, desde que comecei nessa profissão, nunca parei.

Nem pretende?
Não. Vou fazer o quê com as piadas que eu bolo? Acho ótimo, é uma maneira de eu sacanear os caras, né?

Tem vítimas preferenciais?
O poder. “Hay gobierno [soy contra]…” Isso é batata. Conheci o Lula quando o Henfil o levou para o “Pasquim”, eu era amigo dele, mas depois que virou poder…

Como vai a vida sem álcool?
Estou fazendo experiências, drinques para abstêmios. Faço um Bloody Mary com o suco de tomate temperado com tabasco, limão, pimenta em pó. E cerveja sem álcool. Porque, ao contrário de muita gente, eu gosto da cerveja pelo sabor. Para ficar de porre, eu tomava coisas mais expressivas.

Foi uma adaptação difícil?
Como dizia Dostoiévski, e o Zé Keti também, o homem se acostuma com tudo. Eu bebia porque gostava de ficar bêbado. O grande problema é que eu posso beber o quanto quiser que não fico bêbado.

Fiz uns cálculos: a quantidade de cerveja que bebi nos últimos 50 anos dá para encher um carro-pipa. Bebi quase uma piscina olímpica. Entre cinco e dez cervejas por dia. Fora Steinhäger, cachaça, tudo que você pode imaginar.

Eu me sinto corneado pelo meu fígado. Eu tinha um orgulho dele, rapaz. Eu não tenho sinais de cirrose, mas a redundância magnética [risos] me entregou. Eu sou o pé na cova com o aspecto mais saudável que eu conheço. (mais…)

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