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Posts tagged Victor Hugo

Casas de escritores franceses que você pode visitar

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Fabio Mourão, no Dito pelo Maldito

Após realizarmos um ‘tour digital’ em que conhecemos as casas de alguns escritores clássicos da língua inglesa através do Google Street View, descobrimos que aparentemente a França ostenta cerca de 250 casas e museus abertos a visitação pública dedicados a diferentes escritores que viveram no país, ou que produziram conteúdo em francês. Ou assim afirma o Rimbaud Museum. Você conseguiria pensar em pelo menos meia dúzia de lugares semelhantes aqui no Brasil?… Creio que não.

A verdade é que a França sempre foi um eixo fundamental na formação literária da cultura mundial, de modo que o número de centros culturais espalhados em seu território convida qualquer um a fazer um auspicioso turismo literário.
Para enriquecer o seu roteiro de viagem, hoje resolvemos selecionar algumas casas de escritores franceses que você não pode deixar de visitar quando estiver por lá.

Victor Hugo, em Paris
A casa parisiense de Victor Hugo está localizada em pleno Place des Vosges, um dos pontos turísticos mais populares de Paris. Não é a única casa dedicada a um escritor que a cidade possui, mas, possivelmente, é a casa mais visitada da Cidade Luz. Victor Hugo viveu no lugar entre 1832 e 1848, e é citada em várias memórias de família do escritor.

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Honoré de Balzac, em Paris
Embora seja menos popular que a casa de Victor Hugo, talvez pela sua localização mais afastada do centro, ainda em Paris temos a casa de Honoré de Balzac para visitar. A entrada é gratuita e só é necessário pegar o metrô para chegar até lá. Toda a casa é um museu. Ele viveu lá entre 1840 e 1847 e foi onde terminou a obra ‘A Comédia Humana’, e escreveu alguns dos seus romances mais famosos.

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A sala de Marcel Proust, em Paris
Não é exatamente um museu ou casa, mas vale a pena a visita se pensarmos que em seus últimos anos de vida, enquanto escrevia sua última obra, Marcel Proust não deixou sua casa e se trancou em seu quarto, onde sua governanta, Madame Céleste, alimentou-o com café e croissants. Uma vez que morreu e tornou-se um famoso escritor, o museu Carnavalet reconstruiu os elementos do seu quarto, reproduzindo as três únicas salas diferentes que o escritor ocupou até a sua morte.

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Arthur Rimbaud, em Charleville
Quando criança, Rimbaud viveu com sua mãe e seus irmãos no primeiro andar de uma casa em Charleville, no norte da França. Hoje é um dos dois espaços da cidade dedicado ao autor, embora seja mais como um lugar dedicado a preservar sua memória, do que um museu ou uma reprodução do que outrora foi seu lar.

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Jules Verne, em Amiens
Jules Verne e sua esposa, Honorine, mudaram para esta casa em 1882 e viveram lá até 1900. A ideia é preservar a história do lugar mantendo exatamente igual ao período em que foi habitado pelo escritor. Você pode contar com um guia que te conduz por todos os ambientes da casa durante a visita.

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Gustave Flaubert, em Rouen
Este é um museu especial que ocupa o lugar de nascimento do escritor, mas não é exatamente um museu exclusivamente sobre o autor. Seu nome, Musee Flaubert et d’Histoire de la Médecine, deixa claro: o museu é uma homenagem tanto para a juventude do autor, quanto uma ode a medicina no século XIX.

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5 livros para compreender a miséria humana

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Autores como Fiódor Dostoievski, José Saramago, Graciliano Ramos, Victor Hugo e Paulina Chiziane escreveram obras fundamentais para entendermos tragédias que se abateram (e ainda se abatem) sobre a humanidade

Marcelo Hailer na Revista Forum

A classificação de um produto cultural enquanto “clássico” não se dá à toa. Uma série de fatores estão envolvidos em torno da obra que fazem dela atemporal e fundamental para se compreender eventos, trágicos ou não, que aconteceram durante a história. No momento presente vivemos uma série de acontecimentos que são alvos de inúmeras análises – jornalísticas, sociológicas e históricas – tais como os novos conflitos de guerra, seca no Brasil, grupos políticos da extrema esquerda e direita que disputam a narrativa político-social e, claro, a concentração de riqueza e a miséria inerentes ao sistema capitalista.

Por mais que os temas acima citados sejam contemporâneos, eles são recorrentes na história do mund, seja no Ocidente, na Ásia ou na África. E todos eles já foram fontes de inspiração para obras primas que nos trazem algum entendimento das atitudes dos considerados “humanos” e que, inevitavelmente, levam à tragédia. Para tanto, selecionamos cinco autores e uma obra respectiva que trata de questões presentes no cotidiano, seja ele político, jornalístico ou social.

1 – Os Demônios, de Fiódor Dostoiévski

Obra fundamental para quem deseja compreender e acompanhar os resultados de quando duas figuras ávidas pelo poder travam uma disputa na qual as pessoas são meramente instrumentos para tal objetivo. De acordo com especialistas na obra de Dostoiévski, Os Demônios é uma das poucas, senão a única obra do escritor russo que teve como ponto de partida uma tragédia real: o assassinato do estudante Ivanov por um grupo de niilistas liderados Nietcháiev, em 1869.

Todo o ambiente político de então é recriado por Doistoiévski de maneira magistral e, a partir dos personagens Kirilov, Chigalióv e Piotr Stiepánovitch, temos a representação do intelectual pessimista e dos fanatismos políticos perpetrados pelos grupos de Chigalióv e Stiepánovitch. Temas como fundamentalismo religioso, fanatismo político e terror se fazem presente nesta obra prima. As análises críticas sobre o humano e a sua busca pelo poder são de uma atualidade perturbadora. Para historiadores, ao construir as personagens de Chigalióv e Stiepánovitch, Dostoiévski foi profético a respeito dos horrores cometidos em nome de Hitler e Stálin.

Os Demônios, de Fiódor Dostoiévski
2 – Os Miseráveis, de Victor Hugo

Esta obra monumental do escritor francês Victor Hugo é fundamental não apenas para se compreender a questão da miséria humana, mas também para quem deseja ter acesso a críticas e percepções do período revolucionário que resultou na fundação do Estado francês. Inúmeras críticas tecidas pelo escritor podem ser muito bem adaptadas e trazidas para o atual contexto político, principalmente quando pensamos na atual fase da Europa e dos novos movimentos revolucionários.

Os Miseráveis não chamou apenas a atenção, à época, por conta de seu teor crítico, mas, principalmente, por ter como protagonistas um presidiário (Jean ValJean), uma prostituta (Fantine) e uma criança explorada por adultos (Cosette). Tal escolha de personagens foi considerado um escândalo, pois, à época, os romances apenas retratavam o cotidiano da realeza e da burguesia.

A partir da narrativa de Jean, Fantine e Cosette, Victor Hugo mergulha na hipocrisia humana e como está dividida entre “ambiciosos” e “invejosos” e que tal divisão é parte da cultura e, portanto, presente desde a educação infantil. Ao mesmo tempo em que o autor desnuda a “sociedade de bem”, ele dá voz aos sujeitos subalternos que passam ao largo da Revolução Francesa.

Os Miseráveis, de Victor Hugo

3 – Vidas Secas, de Graciliano Ramos

Considerada a obra mais importante do movimento realista da literatura brasileira, Vidas Secas nunca esteve tão atual, principalmente quando pensamos que nos dias atuais o que mudou foi o mapa geográfico da seca retratado na obra. Se antes eram exôdos rurais, hoje o Brasil vive na iminência de um êxodo urbano.

Empurrados pela seca, a família de Sinhá Vitória e Fabiano empenha uma jornada em busca de meios à sobrevivência. Na obra, o que chama atenção é que, a única personagem humanizada e com sentimentos é a cachorra Baleia e também é a única que possui um nome. As outras personagens são referidas pelos cargos que ocupam ou posição genética na família, tais como filho mais novo.

Vidas Secas é um mergulho profundo na miséria humana no que diz respeito a explorar o próximo em situações de calamidade, tal como a seca. O que impressiona é a crítica de Graciliano Ramos: profética e atual.

Vidas Secas, de Graciliano Ramos

4 – O Evangelho segundo Jesus Cristo, de José Saramago

Como será que Jesus Cristo narraria a sua trajetória se lhe fosse dada esta oportunidade? É o que faz o escritor José Saramago em O Evangelho segundo Jesus Cristo, onde o Messias é o narrador de sua própria história na qual mitos bíblicos e crenças religiosas são desconstruídos.

Em tempos onde fundamentalistas religiosos ocupam cargos de poder no Brasil e em outros países, resgatar a obra de Saramago é de fundamental importância, principalmente quando lembramos da memorável cena onde Cristo estabelece um diálogo com o Diabo e Deus e fica sabendo do provável acordo entre as duas imagens referências da religião.

Além de toda a crítica à moral religiosa, principalmente a católica, reler O Evangelho… é de suma importância para compreendermos que, entre laicos e fundamentalistas, o acordo político vem antes.

O Evangelho segundo Jesus Cristo, de José Saramago

5 – Ventos do Apocalipse, de Paulina Chiziane

Ventos do Apocalipse, ao lado de Neketcha – Uma história de poligamia, é considerada uma das obras mais controversas de Paulina Chiziane, onde a escritora moçambicana pesa a caneta para retratar os horrores da guerra de civil de Moçambique, que aconteceu entre 1977 e 1992 e onde a escritora atuou como voluntária para ajudar os feridos de guerra.

Na obra, Paulina Chiziane está mais interessada em discutir a relação e a destruição entre os irmãos moçambicanos do que as questões políticas. Ativista da revolução que libertou Moçambique da colonização portuguesa, Chiziane sempre declara que, à época, não se conformava que, depois de tanto lutar contra os colonizadores, moçambicanos iniciassem uma guerra contra… moçambicanos.

Com uma narrativa muito particular, Paulina Chiziane retrata os horrores da guerra civil que, segundo a autora, presenciou durante o conflito. Não existe bem ou mal, apenas guerra e miséria.

Ventos do Apocalipse, de Paulina Chiziane

Ilustração de capa: Emile Bayard (A jovem Cosette)

Sensibilidade, um dom de poucos

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Por que Tolstoi foi Tolstoi? Ou melhor, como Tolstoi conseguiu escrever o que escreveu? Ou então Victor Hugo? Ou então Miguel Cervantes? Ou então Goethe? Ou então Machado de Assis? Ou então Kafka? Como esses sujeitinhos tiveram a capacidade de expressar tantos sentimentos, situações e pensamentos humanos e de maneira tão viva e transformadora?

Tolstoi, autor de Guerra e Paz e de Anna Karenina

Tolstoi, autor de Guerra e Paz e de Anna Karenina

Max Fritz, no Obvious

Victor Hugo, autor de Os Miseráveis

Victor Hugo, autor de Os Miseráveis

Nosso querido Machado de Assis

Nosso querido Machado de Assis

Já busquei a resposta inúmeras vezes. Teriam eles alguma capacidade especial, ou seria apenas fruto de muito trabalho? Um grande amigo certa vez me disse ser a sensibilidade a grande diferença entre os grandes escritores e as pessoas “meramente comuns”. Achei essa resposta bastante convincente.

Pouquíssimas pessoas teriam capacidade de escrever, por exemplo, Grandes Expectativas. Somente um espírito aguçado e extremamente sensível às relações humanas e às formas como as pessoas de realidades sociais distintas interagem como o de Dickens poderia, de forma tão realista, narrar a estória de Pip.

O grande Charles Dickens

O grande Charles Dickens

Há um certo senso comum impregnado em quase todo mundo (suspeito e já ouvi dizer ser decorrência de ideias de Nietzsche, outro com indubitável sensibilidade ao mundo) de que qualquer indivíduo, com empenho e esforço próprio suficiente, poderia chegar aonde quisesse e, por exemplo, escrever um grande clássico. Mas duvido, com todas as forças, que haja 5 vivalmas capazes de escrever um livro do porte e da profundidade sentimental de Crime e Castigo, de Dostoievski.

Dostoievski, cuja sensibilidade é inigualável

Dostoievski, cuja sensibilidade é inigualável

Trata-se de um dom: o dom da sensibilidade. Pouquíssimos o têm. Parte significativa dos autores destaca-se por uma sensibilidade um pouco maior que a média e por muito esforço. Não se pode negar ser o esforço importante, pois a sensibilidade, sozinha, não leva a lugar nenhum. Mas os grandes autores, os clássicos, aqueles que jamais serão esquecidos, além de esforço, podemos ter certeza de que tinham uma sensibilidade absurda. Pode até ser que muitos deles tenham sido infelizes por esse motivo.

Allan Poe, dono de uma sensibilidade que talvez tenha arruinado sua vida © obvious: http://lounge.obviousmag.org/aqui_e_acola/2014/11/sensibilidade-um-dom-de-poucos.html#ixzz3Kl4KInxM  Follow us: obviousmagazine on Facebook

Allan Poe, dono de uma sensibilidade que talvez tenha arruinado sua vida
© obvious: http://lounge.obviousmag.org/aqui_e_acola/2014/11/sensibilidade-um-dom-de-poucos.html#ixzz3Kl4KInxM
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Muito se diz que essa sensibilidade nasce de uma vida atribulada e cheia de sofrimentos. Salinger, outro com uma sensibilidade descomunal, discorda disso e menciona Walt Withman, talvez o maior poeta norte-americano, como exemplo de vida pacata e comum, mas cujos versos influenciaram e influenciam inúmeros poetas.

Walt Whithman, de Leaves of Grass

Walt Whithman, de Leaves of Grass

A nós, meras pessoas com sensibilidade comum, cabe desfrutar da leitura e dos dons dos grandes escritores.

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8 fatos estranhos da vida dos escritores

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Como todos os seres humanos, os escritores possuem diversificados hábitos e manias, fato esse que se acentua em determinadas situações.

Estátua de Franz Kafka em Praga.

Estátua de Franz Kafka em Praga.

Dayane Manfere, no Homo Literatus

Muitos podem considerar certas manias como loucura, outros não se importam, mas o que impera é a dúvida: o hábito ajudou os escritores ou a escrita influenciou seus hábitos?

Para ilustrar a questão vamos iniciar com Fernando Pessoa, poeta português que viveu alguns anos de sua vida na África do Sul. Era um grande apreciador de horóscopos, e quando Cecilia Meireles marcou um encontro com o poeta enquanto esteve em Portugal, levou um chá de cadeira: passou horas aguardando-o e, decepcionada pela ausência, foi embora. Chegando a seu hotel, recebeu um livro com uma explicação: seu horóscopo informou que aquela manhã não era um bom dia para encontros.

Victor Hugo por sua vez, só escrevia em pé. Por vezes passava quatorze horas seguidas trabalhando e foi justamente assim que produziu sua obra Os Miseráveis.

Já o inglês Lord Byron, um dos maiores poetas europeus e personalidade que mais influenciou no romantismo, tinha gansos como animais de estimação. Eles o acompanham, inclusive, a ida em eventos sociais. Byron tinha também outros fatos e rituais que marcaram sua vida, além de dúvidas até hoje impostas, como o fato de que tinha uma perna torta, mas ninguém sabia qual era e quem dizia saber nunca entrava em um consenso.

Honoré de Balzac amava café. Ingeria cerca de 50 xícaras por dia, e quando não conseguia tomar, ele mesmo moía os grãos e o comia puro.

Já Edgar Allan Poe, enquanto esteve em um internato na Inglaterra, que ficava ao lado de um cemitério, teve aulas de matemática ao lado dos túmulos onde ele e os demais alunos calculavam a idade dos mortos pela data marcada nas lápides. Para os exercícios físicos os alunos abriam as covas onde os mortos da cidade seriam enterrados.

Entre as irmãs Brontë, Emily era a mais excêntrica. A romancista passava horas parada, olhando para a janela, ficava silenciosa contemplando o mundo. Certa vez sua irmã Charlotte a apanhou olhando para a janela e descobriu, horas depois, que as venezianas estavam fechadas, Emily ficou seis horas parada observando as venezianas da janela.

Já Franz Kafka tinha um complexo enorme sobre seu corpo. Foi adepto de diversas dietas e inclusive por questões de saúde era vegetariano. Na época em que viveu, o nudismo estava em voga e assim como seus demais contemporâneos Kafka frequentava SPA, mas diferente dos demais se recusou a retirar as calças e ficou conhecido como “o homem com calção de banho”.

Pablo Neruda só escrevia com tinta verde. Inclusive certa vez escrevia um poema quanto à tinta se tornou escassa. Quando o estoque voltou ao normal já era tarde, perdeu a inspiração e seu poema ficou inacabado.

Até quanto os hábitos desses e tantos escritores os influenciaram a se tornarem o que são hoje? E você, tem algum hábito que o influencia ou alguma influência que derivou novos hábitos?

Fontes

1 – A vida secreta dos grandes autores. Robert Schnakenberg. Ediouro

2 – Manias e métodos de trabalho de 10 grandes escritores. Revista Bula, por Euler de França Belém (clique aqui)

3 – Costumes e manias dos escritores famosos. Folha de S. Paulo (clique aqui)

4 – As manias mais curiosas dos escritores. Saraiva Conteúdo, por André Bernardo. (clique aqui)

5 – A mania dos escritores. Falando de Literatura, por Fernanda Jimenez. (clique aqui)

Dois livros trazem sugestões de roteiro de espaços literários de SP

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Volumes guiam os leitores por ruas, prédios, casas e eventos

Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

Quem gosta de literatura sempre dá um jeitinho de visitar lugares importantes para seus autores e personagens preferidos quando viaja – a casa de Victor Hugo em Paris, de Charles Dickens em Londres, de Fernando Pessoa em Lisboa, de Pablo Neruda em Santiago, de Anne Frank em Amsterdã; as ruas de Dublin por onde Harold Bloom passa em Ulysses, de James Joyce; os bares em que Ernest Hemingway bebia em Paris e Madri.

Há alguns exemplos aqui também, como as casas de Guimarães Rosa, em Cordisburgo, e a de Cora Coralina, na cidade de Goiás. E há a Casa Guilherme de Almeida, nas colinas de Perdizes, que não deixa nada a desejar aos tantos museus casa espalhados pelo mundo. Muito pelo contrário. Passando de cômodo em cômodo, é possível imaginar como o poeta modernista e sua mulher Baby viviam – eles se mudaram para lá em 1946, quando o bairro ainda era longe de tudo. Estão ali, para quem quiser ver (a visita, gratuita, é guiada), objetos, louças, livros, a arma que usou na Revolução Constitucionalista, os brinquedinhos dos cães, a luneta – e muitos retratos do casal e quadros feitos pelos amigos Di Cavalcanti. Lasar Segall, Tarsila do Amara, Anita Malfatti.

O museu funciona desde 1979, mas nunca foi tão visitado quanto é hoje – pudera, é o único espaço do gênero na cidade e sua existência se deve, na opinião de Marcelo Tápia, diretor da instituição, ao próprio poeta e Baby. Alunos visitam com frequência, mas sua função não se limita à preservação da memória da família. Lá, são realizados cursos e debates, sobretudo na área de tradução.

Se a Casa Guilherme de Almeida é única no quesito museu em São Paulo, como centro cultural e espaço para curtir literatura ela encontra pares de peso. Dois livros lançados recentemente se dedicam a mostrar essa faceta da Cidade. Rotas Literárias de São Paulo, de Goimar Dantas, é uma espécie de grande reportagem sobre o tema. Já São Paulo, Literalmente – Uma Viagem Pela Capital Paulista na Companhia de Grandes Escritores, de João Correia Filho, funciona como um guia, com informações práticas sobre os lugares.

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Os volumes guiam os leitores por ruas, prédios, casas, histórias, livros e eventos, como a Balada Literária, um happening que neste ano será de 19 a 23 de novembro. Estão ali, também, os saraus do Binho e da Cooperifa, que têm chamado a atenção de muitos jovens da periferia e do centro; o Museu da Língua Portuguesa, com suas exposições sobre escritores; o Teatro Municipal, para lembrar da Semana de Arte Moderna; a Mercearia São Pedro, misto de venda, bar e livraria na Vila Madalena; o Cemitério da Consolação e o passeio guiado; as livrarias; as bibliotecas; a Casa das Rosas, na Paulista, que abriga o acervo de Haroldo de Campos e tem uma programação literária intensa; os sebos, etc.

Mas este é um assunto vivo, e há sempre alguma novidade, como a primeira estante fixa do projeto Esqueça um Livro, instalada no Rock’n Roll Burguer, na Augusta. Funciona assim: basta ir lá, deixar aquele livro que você não quer mais e pegar outro – se quiser. Essa história de “esquecer um livro” está virando mania na cidade e há pouco foi criado o Leitura no Vagão. Por isso, se encontrar um livro perdido e quiser pegar para ler, é só deixá-lo em algum lugar depois para que outra pessoa também possa usá-lo. E isso vale também para alguns táxis que integram o projeto Bibliotaxi.

Museu. O poeta modernista Guilherme de Almeida deixou sua casa em Perdizes para a posteridade

Museu. O poeta modernista Guilherme de Almeida deixou sua casa em Perdizes para a posteridade

Outra novidade: será inaugurada, entre outubro e novembro, pelo Instituto Brasil Leitor e SPTrans, a primeira biblioteca do programa Leitura no Ponto. Ela ficará no Terminal Pinheiros. Até 2015 serão criadas outras seis e até 2017, mais cinco. Além disso, a Cozinha da Doidivana – Ivana Arruda Leite cozinha enquanto conversa com um escritor -, que fez sucesso no Casarão do Sesc Ipiranga, cuja programação termina em novembro, deve ser levada, no ano que vem, para dentro da unidade da instituição no bairro.

Como os dois livros mostram, há muitas atrações literárias em São Paulo. Basta definir a região e fazer o próprio roteiro, ou escolher um escritor ou uma obra e seguir seus passos. Mas não deixe de visitar as bibliotecas, onde é possível, além de emprestar e consultar livros, participar das intensas programações culturais.

A Biblioteca de São Paulo, onde ficava o Carandiru, não está nos livros, mas é um dos melhores exemplos de transformação do espaço público e a que tem o conceito mais moderno. Uma das mais antigas que foi recentemente restaurada é a Mário de Andrade, na Consolação. A mais nova de todas, a Brasiliana Guia e José Mindlin, na USP, também merece a visita.

Criada em 1936 por Mário de Andrade, a Biblioteca Monteiro Lobato é dedicada à literatura infantojuvenil. Uma exposição em homenagem ao criador de Emília mostra até um pedaço da costela dele. Por falar em Mário, na casa em que ele viveu, na Barra Funda, são realizados cursos na área de literatura. Um piano encostado na recepção foi o que sobrou dos tempos do escritor, mas vale o exercício de imaginação ao andar pela casa, que é aberta ao público – tudo o que pertenceu a ele está no Instituto de Estudos Brasileiros.

E há uma série de encontros nos mais diferentes espaços. Nas unidades do Sesc, por exemplo, as dicas são o Sempre um Papo – a cada 15 dias um escritor participa de bate-papo na Vila Mariana -, o Clube de Leitura no Sesc Carmo – hoje, às 19 h, o tema é Toda Poesia, de Leminski, e o Estante Viva, no Belenzinho – Eliardo França (30/10) e Paloma Vidal (27/11) falam de seus livros fundamentais.

ROTAS LITERÁRIAS DE SÃO PAULO
Autora: Goimar Dantas
Editora: Senac (368 págs.,R$ 59,90)

SÃO PAULO, LITERALMENTE
Autor: João Correia Filho
Editora: Leya(400 págs.,R$ 89,90)

ENDEREÇOS

Casa G. de Almeida
Rua Macapá, 187 – Tel. 3673-1883

Oficina da Palavra (Casa Mário de Andrade)
Rua Lopes Chaves, 546 – Tel. 3666-5803

Biblioteca de São Paulo
Av. Cruzeiro do Sul, 2.630 – Tel. 2089-0800

Biblioteca M. Lobato
Rua General Jardim, 485 – Tel. 3256-4122

Biblioteca M. de Andrade
Rua da Consolação, 94 – Tel. 3256-5270

Esqueça um Livro
Rua Augusta, 538

Sesc (programação e unidades)
www.sescsp.org.br

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