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Sebos: uma paixão que vai além dos livros e revistas usados

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Não são apenas livros: para sobreviver, sebos comercializam até brinquedos vintage (Foto: Franklin de Freitas)

Rodolfo Luis Kowalski, no Bem Paraná

Numa década marcada por especulações no mundo do livro, com o fechamento de grandes redes livreiras Brasil afora nos últimos anos, os tradicionais sebos, um dos lugares mais familiares para os apaixonados pela leitura, sobrevivem. Na contramão da era digital, esses estabelecimentos se apoiam no apelo ao tradicional, na paixão pelo livro físico, para resistir aos maus agouros. Além disso, também trataram de diversificar o leque de produtos ofertados e uniram forças.

Há poucos anos, a maioria dos alfarrábios (outro nome pelos quais são conhecidos os sebos) se limitavam a vender livros, gibis e revistas. Com o tempo, a música e o cinema passaram a dividir o espaço com as letras, com o comércio de CDs, discos de vinil e DVDs. Mais recentemente, apostas mais ousadas foram feitas.

Localizada no Largo da Ordem (Rua São Francisco, número 308), a Sebomania Toys é um exemplo dessa diversificação de produtos. Desde 2000 trabalhando com livros usados, a loja passou a vender em 2010 brinquedos, focando no apelo ao nostálgico e ao colecionismo. Deu tão certo que a parte “toys” é responsável por metade do faturamento mensal da empresa.

“A parte de brinquedos hoje é o nosso carro-chefe e o diferencial. O colecionismo é muito forte no setor e o material que temos foge do que se encontra nessas lojas tradicionais, contando com um forte apelo nostálgico”, comenta Adriano Flausino, proprietário da Sebomania Toys. “Com a entrada da internet, livros digitais, se não abrir o leque, trabalhar com outros materiais, vai ficar complicado. Piazada é tecnologia”, emenda.

Para o futuro, ele pretende apostar na parte de bebidas, montando um buffet de sorvetes dentro da loja. “O ponto favorece isso”, explica o empresário, que não pretende deixar os livros de lado. “Minha aposta para o futuro é trabalhar só com clássicos, como Dostoiévski, e obras especializadas.”

Já no Sebo Kapricho, que conta com duas lojas em Curitiba (ambas na região central), a literatura ainda é o carro-chefe dos negócios. CDs e discos de vinil também têm boa procura, seguidos pelas histórias em quadrinhos (HQs). “O que está mais devagar é DVD”, aponta Simone Campos de Oliveira, gerente comercial da empresa.

De acordo com ela, após alguns anos de aperto por conta da crise econômica, que corroeu o poder de compra da população, o setor começa a dar sinais de recuperação em 2019. “Ano passado enxugamos o número de funcionários para poder continuar, foi um ano mais difícil. Mas sentimos que começou a dar uma reagida, tanto na loja física como na virtual. E já sentimos essa melhora desde o começo do ano”, diz Simone.

Vida longa ou vida curta? Empresários divergem

Questionados sobre o futuro dos sebos, Adriano Flausino, da Sebomania Toys, e Simone Campos de Oliveira, da Sebo Kapricho, apresentam opiniões divergentes. Para ele, a tendência é que o mercado de livros usados acabe sendo atropelado por conta da era digital, dos livros digitais. Ela, por sua vez, aposta em vida longa ao setor, apoiando-se na paixão dos leitores pelo livro físico.

“Acho que vão ter poucos sebos (no futuro próximo), com um grande volume de livros para os clientes que gostam de livro físico, o que deve cair muito. Acredito que Curitiba vai perder muitos sebos nos próximos anos”, opina Flausino.

Já Simone acredita que o setor resistirá ao mundo digital. “Eu vejo vida longa. O sebo tem aquele contato com o papel, o garimpo, vemos também pais trazendo os filhos para passar o dia com a gente… O livro em si vai longe e muita gente ainda não consegue se adaptar a essa modernidade, acham cansativo (livros digitais) e gostam de ter o livro (físico), poder fazer marcações…”

“Não somos concorrentes. Somos todos colegas”, diz idealizador de guia
Recentemente, os sebos de Curitiba resolveram se unir para incentivar nos curitibanos a paixão pelo garimpo. Numa iniciativa idealizada por Adriano Flausino e apoiada por pelo menos 22 sebos ou editoras, foi criado o Guia dos Sebos, disponível gratuitamente nos principais estabelecimentos da cidade e que ainda traz um mapa mostrando a localização de cada um deles. “O guia foi ideia minha. Se o cliente vai nos sebos, tem esse guia gratuito e pode fazer a pesquisa (de onde estão os sebos). Vem mapa junto, bem prático para ele (cliente) poder pesquisar”, diz Flausino. “Não somos concorrentes. Somos todos colegas”, complementa.

Brasileira transforma história de Van Gogh em quadrinhos

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A HQ narra os principais momentos da vida de Van Gogh. Foto: Editora Nemo/Divulgação

A HQ narra os principais momentos da vida de Van Gogh. Foto: Editora Nemo/Divulgação

 

A artista plástica Mirella Spinell também produziu O Diário de Anne Frank e Leonardo Da Vinci em HQs

Publicado no Diário de Pernambuco

A complexa e agitada vida do holandês Van Gogh virou tema de mais uma HQ. O pintor (que já foi inspiração para filmes, livros e outras publicações) agora é retratado pela ótica da artista plástica mineira Mirella Spinelli, também autora de O diário de Anne Frank em quadrinhos e Leonardo Da Vinci. Publicado pela editora Nemo, Vincent Van Gogh apresenta a imprevisível trajetória do holandês em quadrinhos.

Para a autora Mirella Spinelli, a maior dificuldade na produção da obra foi resumir a vida do pintor. “Apesar de ter vivido uma vida curtíssima, ele era extremamente inquieto e imprevisível. Em um curto espaço de meses era possível que ele mudasse de cidade, iniciasse uma nova atividade, brigasse com alguém e idealizasse um projeto novo”, explica.

Ela aponta também que a vida do pintor foi marcada pelas dificuldades emocionais e pelas atitudes inesperadas. “Foi uma vida intensa e dinâmica, repleta de dificuldades físicas. A instabilidade emocional dele tornou-se um tormento, levando-o a atitudes imprevisíveis e, algumas vezes, torturantes para seu dedicado irmão, Theo”, conta.

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Para a identidade gráfica do livro, Mirella optou por usar cores que remetem ao trabalho de Van Gogh, de maneira que as fases e emoções do pintor pudessem se refletir na escolha delas. “A infância, um período repleto de cores, a irritabilidade de tons avermelhados na fase adulta, os tons ocres coincidindo com o período em que no trabalho dele também eram os tons predominantes e, finalmente, a explosão de cores no período do sul da França. Os dois últimos anos tormentosos até sua morte em cinza”, relata.

Ela revela, porém, que considera a escrita do roteiro a parte mais complexa da produção de uma HQ. “Tratando-se de um tema verídico, uma biografia, além da fase das pesquisas e leituras, o ponto principal é selecionar os momentos-chave, as passagens mais determinantes e como ‘equacionar’ tudo para que o leitor compreenda. Naturalmente, toda essa fase é uma seleção sob a ótica do autor, no caso, a minha”, comenta.

A HQ faz parte da coleção Mestres da arte em quadrinhos, produzida por Mirella e publicada pela editora Nemo. Antes de Van Gogh, uma biografia de Leonardo Da Vinci havia sido publicada. O próximo será uma obra sobre Michelangelo Buonarroti. “Um artista que teve uma vida longa, morreu aos 89 anos e sua vida se confundiu muito com as oscilações políticas de Florença e os diversos papas que exigiam a presença dele em Roma”, destaca.

Depois, a ideia é dar diversidade aos artistas selecionados, revela a autora. “Em seguida, faremos quadrinhos também de artistas mulheres que tenham se destacado, bem como de brasileiros. Esperamos assim abarcar um leque diversificado”.

Por: Pedro Galvão – Estado de Minas

Ler regularmente aumenta sua expectativa de vida, diz estudo

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Publicado na Revista Pazes

Para manter a saúde, algumas medidas óbvias são essenciais: não fumar, fazer exercícios e ter uma boa dieta, por exemplo. Mas um novo estudo publicado no periódico Social Science and Medicine descobriu uma alternativa mais incomum. Segundo os pesquisadores, quem lê livros regularmente consegue viver por muito mais tempo.

Com testes envolvendo mais de 3 mil pessoas, eles perceberam que aqueles que dedicam mais tempo à leitura — cerca de 3 horas por semana — tendem a viver pelo menos dois anos a mais do que os participantes que não costumam ler. O resultado parece ter relação principal com a melhoria cognitiva adquirida durante a leitura. Outros fatores, como idade, sexo e nível de escolaridade, não representaram mudanças na pesquisa.

Durante 12 anos, o grupo dividiu os participantes em três grupos: quem nunca lia nada, quem lia por até 3,5 horas semanais ou menos e aqueles que liam por mais de 3,5 horas toda semana.

Mesmo no segundo grupo, a probabilidade dos leitores ocasionais morrerem nos anos seguintes já era 17% menor do que entre aqueles que não costumavam ler.

“Ao ler livros, parece que criamos uma vantagem de sobrevivência maior do que entre aqueles que não dedicam tempo a esse tipo de atividade”, observaram os cientistas. “A leitura envolve processos cognitivos que promovem a inteligência emocional, empatia e percepção social, características que sempre favoreceram a longevidade e sobrevivência humana.”

O estudo ainda ressalta que, por alguma razão, revistas e jornais não apresentaram os mesmos avanços cognitivos capazes de prolongar os anos de vida do leitor.

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