Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged vida

Curiosidades e esquisitices da palavra são tema de painel na Fliporto

0

Humberto Werneck e J. Rentes de Carvalho, com mediação de Silio Boccanera (Foto: Reprodução/TV Globo)


Gabriela Alcântara, no G1

Saudade, amor, palavra, conhecimento, vida, pernambucana, amizade, essência, miscigenação e tolerância. Essas foram as dez palavras mais bonitas segundo os visitantes da Festa Literária de Pernambuco (Fliporto) 2012, que se encerra neste domingo. O anúncio foi feito durante o painel “Palavras: as implicâncias, as preferências e as esquisitices”, que contou com a participação de Humberto Werneck, J. Rentes de Carvalho e Silio Boccanera como mediador.

Amantes da palavra, os debatedores logo assumiram o hábito de leitura do dicionário. “Eu tenho uma relação com ligeiros toques de tara com a palavra. Amo as palavras, gosto do tamanho físico da palavra, da sonoridade. Até hoje sei palavras que nunca usei, só conheço porque vi no dicionário. Como ‘alpondra’, que são aquelas pedras que tem no rio e permitem atravessá-lo a pé”, afirmou Werneck.

O escritor e jornalista afirmou ainda que a constante leitura do dicionário não é para o uso descontrolado, mas pelo puro prazer do conhecimento. “Não tenho medo das palavras. É paupérrima a lista de palavras que se pode usar na imprensa brasileira hoje, eu sou contra isso, as palavras estão aí para serem usadas”, explicou.

Português que mora na Holanda há anos, J. Rentes de Carvalho também confessou a paixão pela leitura dos dicionários. Ao falar sobre a diferença entre a o português de Portugal e o brasileiro, ele afirmou que a língua-mãe começa a ficar ultrapassada: “Em Portugal temos a ideia de que a língua brasileira é um pouco infantil. O português tem essa ideia tola, de que a língua brasileira não é afinada. É uma tolice, porque não há línguas infantis, todas elas tem o mesmo valor. O que nós temos é uma arrogância de velhos, que não aceitamos neologismos, variações. Tenho a impressão de que o futuro da língua portuguesa está no Brasil. E nós vamos ser o museu, talvez o cofre ou a biblioteca onde as pessoas guardam as coisas preciosas”.

Em uma conversa divertida e apaixonada sobre as palavras das mais diversas línguas, os escritores debateram ainda sobre a ausência de algumas palavras com significados específicos.

“Segundo o Houaiss, a língua portuguesa tem 400 mil palavras. Em todas elas, não encontrei algo que designasse minha posição como avô. Existe para pai e mãe, mas não há para avô e avó”, comentou Werneck. O trio falou ainda sobre palavras que acham curiosas. Para os visitantes da Fliporto 2012, as três mais curiosas seriam procrastinação, idiossincrasia e oligofrênico.

Livros que andam por aí

0

Maicon Arruda, há sete meses voluntário na Biblioteca Comunitária da Vila das Torres: os livros ainda chegam no lixo


Diego Antonelli e José Carlos Fernandes, na Gazeta do Povo

Aconteceu em 2009. Um grupo de moradores da Vila das Torres, zona de ocupação das mais antigas de Curitiba, se deu conta da quantidade de livros encontrados no lixo recolhido pelos carrinheiros. Estima-se que a reciclagem ocupe 30% dos cerca de 8 mil habitantes do local. Foi essa gente, a seu modo, que reuniu o primeiro milheiro de títulos, colocou numa sala emprestada por José Francisco Sanches, o Baleia, chamou as crianças para ver e se tornou um assunto sem fronteiras. A Biblioteca Comunitária da Vila das Torres virou um símbolo da cidade.

Pudera. Nesses tempos velozes em que muitos adiantaram que os livros de papel morreriam, os mesmos livros chamaram atenção para uma vila mais conhecida pelo noticiário policial. Comovidos, muitos levam cestas de romances e gibis até lá, engrossando o acervo que beira os 2,5 mil exemplares. A turma da Torres não ficou imune ao acontecido. Fala com orgulho da biblioteca.

O espaço hoje funciona no Clube de Mães e atraiu um voluntário tão inspirador quanto a biblioteca. Maicon Arruda, tem 21 anos, cursa Odontologia e gasta a maior parte do seu tempo na lida com os livros. É da vila. Calcula ter catalogado 1,5 mil títulos, nas horas vagas, porque nas “horas gordas” o que faz mesmo é ajudar a piazada da região nas lições de Matemática. Também faz contação de histórias. E dá conselhos aos candidatos à literatura.

Ainda chegam livros do lixo – o que explica a excentricidade do acervo. Está ali uma edição de O Capital, de Karl Marx, e a biografia de Obama, escrita por David Remnik. O que não para nas estantes, contudo, é a série Crepúsculo. E o título do coração de Maicon, O segredo, de Rhonda Byrne, que indica sempre que consultado pelos 30 usuários dia que atende. “Tem quem não saiba ler. Com esses eu sento, abro um livro de imagem e vou conversando”, conta o jovem que lembra figuras como Otávio Júnior, criador da “barracoteca” do Morro do Alemão, no Rio de Janeiro.

A Biblioteca Comunitária da Vila das Torres é o exemplar mais famoso de um movimento informal que varre as cidades – o de culto aos espaços alternativos de leitura. São incontáveis. Há quem transforme saletas de prédios em espaços para ler – como o fotógrafo Alberto Viana [assista vídeo]. E quem se ocupe de dividir todas as sobras de livros por lugares onde possam ser reaproveitadas. É o caso de Josiane Mayr Bibas, 52, e Ângela Marques Duarte, 51, há um ano à frente da Freguesia do Livro.

O projeto nasceu por acaso. Depois de 25 anos atuando como fonoaudiólogas, as duas decidiram doar o acervo de livros infantis que guardavam nos consultórios. Desembarcaram com as caixas na Vila Zumbi, em Pinhais. “Tudo cheirozinho e arrumadinho”, como lembra Ângela. Foi quando descobriram que sabiam muito pouco sobre a realidade de lugares em que o livro é um luxo, e que por isso mesmo, sem a ação dos mediadores, estavam muito próximos do lixo. “A primeira experiência foi meio autofágica”, diverte-se.

Ouvi-las falar da aventura que viveram é uma escola. Não pararam mais de reunir exemplares descartados. “Um dia alguém dizia – ‘preciso abrir espaço nesta sala’ – e lá estávamos nós, carregando enciclopédias”, lembram. Josiane teve a ideia de oferecer na internet os livros sob sua custódia. Surpresa. Pensava que viria um pedido do Cajuru, mas recebeu um pedido de Xapuri, no Acre. “Viramos aquelas pessoas que ao saber que alguém vai viajar perguntamos se podem levar uma caixa de livros…”

Não pensem em caixas molambentas, com o fundo caindo. São caixotes reciclados, com a logo da Freguesia. Os livros estão bem apanhados e selecionados, a depender do interesse do freguês. Uma escola de inglês adorou a seleta que a dupla preparou. Do contrário, os livros cairão em desgraça. Alguém quer Dale Car­negie de 30 anos atrás? Elas têm.

Não é difícil prever que a iniciativa toma todas as tardes das idealizadoras. Marcam tudo num mapa. Calculam ter enviado caixas de livros a 50 lugares pelo menos. Planejam agora ir a feiras e praças e pousadas. E seguem com o atendimento ao Eco Cidadão, nos quais instalaram velhas Barsas para carrinheiros. “Quem disse que não servem mais?”, desafiam. Abandonada, só a ideia de comprar um ônibus, enchê-los de livros, levando às últimas instâncias o espírito de Thelma e Louise. De resto, não lhes falta estrada. “Vamos a lugares que sequer imaginávamos existir. A gente liga o GPS e pronto”, conta Josiane.

O poder público parece ter passado por febre semelhante à da Freguesia. Há dois anos, a Fundação Cultural de Curitiba criou 15 espaços inusitados de leitura. São o que há. Funcionam em terminais de ônibus e não raro em formatos que afugentam o pior inimigo do livro – a indiferença.

Não é a única qualidade do programa. Os acervos são seletos. E os atendentes – alçados ao status de mediadores de leitura – estudam em universidade e são leitores confessos. “Eu me sinto formando gente para o livro. Mesmo quando ouvi gritos de um passageiro horrorizado com o Caio Fernando Abreu”, lembra a acadêmica da Letras da UFPR Hellen Suzy Santos, 20. Ela atua no Espaço de Leitura do Terminal do Pinheirinho. Inesquecível? O morador de rua que lê para o pai na carreira de rodas. “Ele me vê e grita: ‘Ô moça da leitura’. Quer mais?”

Dica do Jarbas Aragao

Um leitor de mundo

0

Imagem Tumblr

Galeno Amorim, no Blog do Galeno

Desde muito cedo, Luiz começou a dar duro pra ganhar a vida. Aos sete anos já trabalhava como engraxate, depois foi pedreiro. Precisava ajudar nas despesas da casa. Escola que é bom, nada! Que tempo ora o quê pra essas coisas de aprender a ler e a escrever…

Só quando se mudou para Brasília é que foi conseguir um serviço mais maneiro: foi trabalhar como ajudante num açougue da Asa Norte. Luiz tinha, então, 12 anos. Só se alfabetizaria alguns anos mais tarde. Como também vivia num quartinho nos fundos do açougue, logo percebeu que precisava arrumar alguma coisa para matar o tempo e, assim, não se sentir tão só.

Ele achou um livro. E fez dele sua companhia mais presente e permanente.

O primeiro livro que lhe caiu nas mãos foi um gibi. Trazia umas ideias meio estranhas sobre filosofia, mas ele seguiu em frente. Foi até o fim. Não entendeu nada daquilo. Mas adorou!

Depois daquele, vieram outros livros. E muitos outros ainda.

Quinze anos depois, Luiz acabou comprando o açougue onde trabalhava e morava. Resolveu inovar. Junto às carnes, instalou uma prateleira com dez livros em cima. Aos poucos, a coleção cresceu com a chegada de mais exemplares, e deu origem a uma pequena biblioteca no lugar. Enquanto a Vigilância Sanitária deixou, essa biblioteca chegou a ter mais de 10 mil títulos.

Luiz lia sem parar. Com isso, tornava-se mais criativo. As coisas que agora sabia, mais as palavras novas que descobrira nos livros, e, ainda, as histórias e as experiências de vida de personagens do mundo da literatura que desfilaram, nesses anos todos, diante de seus olhos de leitor, o haviam transformado numa pessoa diferente. Mais interessante, no mínimo.

A freguesia de classe média gostava disso. E, de certo modo, invejava um pouco toda aquela sabedoria vinda daquele rapaz tão simplório. E o boca a boca só fazia crescer sua fama de açougueiro dos livros.

Em pouco tempo, a casa de carnes prosperou. A clientela não parava de crescer. Nem por isso o açougueiro-leitor-quase-bibliotecário abandonou sua verve provocadora. Era uma freguesa entrar no seu estabelecimento para o rapaz dar a estocada:

– A madame vai levar meio quilo de Saramago ou uns bifes de Machado de Assis?! – ele brincava.

A coisa pegou. E até hoje ele vive a chamar a atenção para a importância da leitura e ajudando a formar leitores no coração do Brasil. Seu açougue cultural – que já atraiu grandes nomes da MPB e escritores que vão de Ziraldo a Frei Betto – ficou famoso. Dele surgiu uma biblioteca comunitária com mais de 50 mil livros. E ele não para.

Lendo de dez a quinze livros todo mês, Luiz Amorim está o tempo inteiro a ter novas e boas ideias. Foi ele, por exemplo, quem criou, por toda a cidade, a inusitada rede de bibliotecas populares nas paradas de ônibus. São duas ou três estantes de livros espalhadas pelos pontos da cidade. Sem ninguém para ver ou anotar quem pegou ou deixar de pegar o livro.

Enquanto aguarda a condução, o candidato a leitor pode folhear à vontade. Se gostou, basta pegar e levar para continuar lendo durante o trajeto. Tanto pode devolver na parada seguinte como levar pra casa e devolver quando bem entender.

Coisa de doido isso?! Ele próprio diz que sim (muito embora o índice de sumiço de livros seja muito baixo…).

Por que ele faz isso? O próprio Luiz Amorim dá a pista:

– Graças aos livros, o mundo mudou pra mim. Em todos os sentidos. Quando você faz uma coisa e se dá muito bem, passa a acreditar que, se as outras pessoas o fizerem, também vão ficar melhores…

Esse é o Luiz, um leitor de mundo.

Escritor curdo volta à Síria e reencontra família após 17 anos de exílio

0

Publicado originalmente no Último Segundo

Uma equipe da BBC acompanhou o retorno à Síria de um escritor curdo que passou 17 anos exilado no Iraque, após sofrer perseguição do regime de Bashar al-Assad.

Nas quase duas décadas que passou longe de sua cidade natal, Dilyar Dereki perdeu a mãe e dois irmãos. Ao chegar, ele foi apresentado às novas gerações de sobrinhos que nunca havia conhecido.

O conflito entre insurgentes e forças do regime de Assad na Síria fez com que o governo central perdesse espaço na região curda, no nordeste do país. Isso permite que os curdos possam ter um pouco de liberdade, após décadas de repressão.

Veja o vídeo:

O vendedor de livros da Livraria Cultura

0
Pedro Herz, dono da Livraria Cultura, na loja do Market Place Shopping Center.

Herz: “As livrarias precisam se adaptar às novas tecnologias, mas o negócio nunca vai morrer”

Carla Aranha, na Exame.com

São Paulo – O paulistano Pedro Herz, de 72 anos, cresceu numa casa cheia de livros. Seus pais – um casal de judeus que deixou a Alemanha pouco antes da Segunda Guerra Mundial – abriram um negócio de aluguel de obras em inglês e alemão para ajudar a pagar as despesas de casa. “Morávamos com meus tios, e não sobrava espaço para mais nada na casa”, diz ele. “Boa parte da clientela eram imigrantes que viviam em São Paulo”.

Foi esse o embrião da Livraria Cultura, um negócio que no ano passado faturou 340 milhões de reais. Herz está à frente da empresa desde a década de 60, quando o negócio passou a se chamar Livraria Cultura. Neste depoimento a Exame PME, ele conta a trajetória de expansão da empresa e quais seus planos para o futuro.

“Nasci em 1940. Sou filho de Eva e Kurt Herz, um casal de judeus alemães que veio para o Brasil em 1938, fugindo da Alemanha nazista. Eles se estabeleceram em São Paulo, onde meu pai ganhou a vida vendendo roupas.

Na minha infância, vivíamos numa pequena casa com uma tia, o marido dela e o filho deles, meu primo. Eram tempos difíceis. Tínhamos pouco dinheiro e era preciso economizar para não passar necessidade.

Havia muitos imigrantes numa situação parecida com a nossa. Eram pessoas cultas, que gostavam de ler, mas não conseguiam comprar muitos livros. Muitos não sabiam português direito, e as obras em alemão ou inglês custavam muito caro.

Foi quando minha mãe teve a ideia de juntar algum dinheiro, comprar livros importados e alugá-los para os amigos. Com isso, ela esperava ganhar uma renda extra para ajudar nas despesas de casa.

O aluguel de livros rapidamente fez sucesso entre os imigrantes. Às vezes, os clientes faziam fila na porta de nossa casa, onde o negócio funcionava.

Em 1953, já não havia mais espaço para guardar livros, e minha mãe mudou o negócio para uma sa­linha na rua Augusta. Muita gente também começou a fazer encomendas e a locadora, aos poucos, se transformou numa livraria.

 

(mais…)

Go to Top