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12 livros úteis para momentos de crise

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Quando você não sabe o que fazer, talvez seja a hora de procurar sabedoria em outros lugares.

Nivaldo Gomes, no Papo de Homem

Essa história começa algum tempo atrás.

Quando 2017 chegou, eu estava crente que superaria todos os meus limites e seria o melhor ano da minha vida. Estava concentrado em todas as minhas metas e onde queria chegar. Parecia o começo de um filme dramático onde o mocinho está feliz mas quem está assistindo sabe que em qualquer momento o jogo vai virar.

Em menos de um mês eu vi minhas finanças ficando em um estado deplorável. O negócio que eu tinha montado não dava resultado, minha alimentação e saúde indo pro saco, meu cachorro ficando doente e falecendo em seguida. Assim, entrei em uma crise.

Não foi fácil.

Sem muita opção, a primeira coisa que fiz foi aceitar o que estava acontecendo. A segunda foi buscar forças em livros para aprender como viver e sair dela.

Dentre os livros que li, estes foram os que mais me ajudaram.

A sutil arte de ligar o foda-se (Mark Manson)

Por mais que você esteja passando por um momento difícil, lembre de uma coisa … você não é especial. Nesta obra Mark Manson se figura como um amigo sincero e mostra, de uma forma bem bacana, que a vida é uma sequência interminável de problemas e o máximo que você pode fazer é preenchê-la com problemas que valem a pena.

Através do livro comecei a perceber que às vezes acabava me irritando com coisas que eu não tinha controle, como o ônibus que não parava para eu subir, o uber que demorava para chegar enquanto eu estava atrasado para algum compromisso.

O ponto final do autor não é que você ligue o foda-se para tudo, mas que remova tudo que não vai trazer retorno e foque no que realmente importa para a sua vida.

Em um momento de crise como o que eu vivia, esta foi a melhor coisa a ser feita.

Em busca de sentido (Viktor Frankl)

Viktor foi um psiquiatra austríaco que viveu na pele o terror causado pelos Nazistas. Foi no campo de concentração que ele teve que colocar em prática toda a sua filosofia de vida.

Esse livro é o encontro da teoria com a prática vivenciada pelo próprio autor.

É dividido em duas partes. Na primeira, Viktor mostra o que viveu em um campo de concentração e mostra tanto o ponto de vista dele quanto dos seus amigos. Na segunda parte ele fala sobre a Logoterapia, uma psicoterapia fundada pelo próprio autor, que teve seus trabalhos interrompidos durante a prisão mas que retomou após a liberdade.

Esse foi o primeiro livro que li quando fechei a minha startup e me senti sem rumo.

O obstáculo é o caminho (Ryan Holiday)

Esse livro foi o meu portão de entrada para o estoicismo. Ryan Holiday demonstra uma forma diferente de encarar os nossos problemas do dia a dia e como eles podem nos alavancar. O livro é dividido em três partes: percepção, ação e vontade.

No momento em que li este livro, estava enfrentando vários problemas, tanto profissionais quanto pessoais e acabei começando a culpar tudo. A obra me mostrou uma perspectiva diferente de como enxergar os problemas logo nos primeiros capítulos.

Um fato interessante é como o autor exemplifica seus argumentos através de grandes nomes da história como Marco Aurélio.

Além desse, também indico o Ego é Seu Inimigo, do mesmo autor.

Se por um lado o livro “O Obstáculo é o Caminho” mostra como encarar problemas entre você e o mundo, o Ego é Seu Inimigo mostra como encarar problemas que surgem entre você e você. Novamente, o autor divide o livro em 3 partes, aspiração, sucesso e fracasso, e mostra o quanto o ego aparecer em cada um destes momentos.

Eu comecei a ver várias atitudes minhas que batiam com algumas descrições e o quanto aquilo estava me prejudicando—principalmente na parte de fracasso.

Sobre a brevidade da vida (Sêneca)

Geralmente em momentos tensos, você começa a refletir sobre o que está fazendo com a sua vida. Foi dessa forma que achei esse livro. Simples, pequeno e incrivelmente rico.

A obra se trata de cartas escritas por Sêneca e dirigidas a Paulino. Além de ser um dos maiores nomes do estoicismo, Sêneca demonstra como acabamos encurtando a vida com futilidades, e como ela pode ser não só mais longa mas também mais rica.

O livro é bem curtinho e pode ser lido em uma tarde.

A Guerra Da Arte (Steven Pressfield)

Todo mundo já teve ou tem dificuldade de iniciar algo novo. Steven Pressfield afirma que essa dificuldade é causada pelo nosso maior inimigo, a Resistência, que se encontra no meio das nossas duas vidas, aquela que vivemos e aquela que não é vivida por nós.

Ele divide o livro em 3 partes. A primeira foca em detalhar mais a Resistência, a segunda parte aborda como combatê-la e a terceira mostra o que acontece quando vencemos.

Personificar todos os meus bloqueios através da Resistência e criar este combate dentro da minha cabeça foi de grande ajuda para sair da inércia e começar a campanha contra a crise.

Not caring what other people think is a super power (Ed Latimore)

Se você quer saber como dar a voltar por cima e quer usar alguém como espelho, Ed Latimore pode ser a pessoa que vocês procura. Ele cresceu em um “ghetto”, onde crime e violência era companheiras do seu dia a dia. Conseguiu achar no boxe uma saída, mas teve problemas com álcool. Hoje ele é um veterano militar, escritor e graduando em física.

O que me chamou atenção no Ed, é que além de ser bem transparente, ao ponto de falar sobre o nocaute que sofreu em rede nacional, a sua escrita é simples porém repleta de riqueza. Infelizmente, seu livro não tem versão em português, mas não precisa ter o inglês tão afiado para apreciar a obra.

Antifrágil (Nassim Taleb)

A fragilidade faz não só pessoas entrarem em crise, mas sistemas e grande corporações, uma vez que é impossível prever todos os cenários. Mas mesmo sem tal poder, podemos nos preparar para as consequências dos seus efeitos. Isto que diferencia o frágil do antifrágil, o primeiro pode ser destruído com o caos, o outro se beneficia dele.

Sem sombra de dúvidas, foi um dos livros mais bem escritos e densos que já li. Ele não só vai ajudar você a ter uma visão melhor do mundo como vai preparar para qualquer crise futura que venha a acontecer.

Maestria (Robert Greene)

Em momentos difíceis é fácil nos sentimos inferiores e começarmos a nos comparar com os outros. Acabamos idolatrando e colocando essas pessoas em lugares de Deuses, por achar que elas são mais bem sucedidas que nós. Porém, além de serem humanos como nós, eles tiveram uma longa jornada para chegar em sua melhor versão.

Esse livro, de Robert Greene, demonstra os passos para alcançar a maestria por meio do exemplo de grandes nomes como Mozart, Newton, Paul Graham e outros.

Minha Luta, Sua Luta (Ronda Rousey)

A Ronda, além de me chamar atenção em suas lutas, me chamou mais atenção sobre a maneira que ela vê o mundo. Sua carreira teve muitos altos e baixos e ela faz questão de mostrar isso, desde o suicídio do pai, até ser a primeira mulher a ir para o UFC.

Muitos acham a Ronda um pouco arrogante e, graças a isso, se recusam a ler o livro. Eu penso que se uma mulher fez história no judô e no UFC (onde o presidente falou que nunca teria uma mulher lutando na sua organização), ela deve ser estudada. Apenas acho que o livro tenha saído cedo demais e não cobriu a parte da queda dela no UFC, mas é mais uma obra que mostra o lado humano de um campeão.

Escolha Você (James Altucher)

Você está em um momento de crise e se depara com o James, descobrindo que ele já escreveu vários livros e fundou algumas empresas. Porém, não é isso que chama mais atenção. O impressionante é que ele foi milionário, quebrou e perdeu tudo. Depois, se tornou milionário novamente e (adivinha?) perdeu tudo mais uma vez. Não sem se recuperar de novo.

Acho que não preciso falar mais nada, se isso não fizer você ler este livro, eu não sei o que mais vai te convencer.

Meditações (Marco Aurélio)

Marco Aurélio foi simplesmente o homem mais poderoso do seu tempo. Certamente, tinha que administrar várias crises, tanto dele quanto do seu império. Ao ler este livro, você tem um dos um dos grandes imperadores romanos ensinando como viver e se livrar das dores do mundo material.

Não importa a crise que você esteja passado, se é amorosa, financeira, profissional ou todas juntas, você vai encontrar algo que vai ajudar.

O melhor dessa obra é que ela não foi feita com o objetivo de ser publicada e, pra mim, é um dos melhores livros que já li e continuo relendo.

Para você, qual foi o livro que mais ajudou em um momento difícil?

Netflix adquire os direitos da adaptação de “Para todos os garotos que já amei”

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Bárbara Allen, no Cabana do Leitor

Já estávamos enlouquecendo sem notícias dessa adaptação, mas agora temos algo muito legal e que vale apena uma comemoração. De acordo com o site Variety, a Netflix, adquiriu os direitos de Para todos os garotos que já amei, e para completar ainda anunciou que o lançamento está previsto para o meio do ano.

O filme é inspirado no livro autora americana Jenny Han e terá no elenco Lana Condor, de X-Men: Apocalipse, e John Corbett, de Casamento grego. Além dos dois, Noah Centineo dará vida ao apaixonante Peter Kavinsky; Janel Parrish será Margot, a irmã mais velha da protagonista; Israel Broussard vai interpretar Josh e Anna Cathcart será Kitty, a fofa irmã mais nova.

Susan Johnson e Matt Kaplan são os diretores do filme, enquanto Brett Bouttier, Robyn Marshall e a própria Jenny Han são produtores executivos.

“Para todos os garotos que já amei” conta a história de Lara Jean, uma garota atrapalhada e ingênua, mas muito forte. Romântica, ela escreve cartas para os garotos por quem se apaixonou. Mas tem um detalhe: nunca as envia. Como nada é perfeito, sua vida sai do controle quando essas cartas de amor são enviadas para cada um dos seus crushs e a vida amorosa da personagem ganha outro rumo.

Já estamos ansiosos para ver como ficou essa adaptação. Vale lembrar que a história faz parte de uma trilogia e que os outros dois livros ainda não têm uma confirmação sobre ter ou não um filme.

Nova biografia de Carolina de Jesus tenta afastá-la do estereótipo de ‘escritora de favela’

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A escritora Carolina Maria de Jesus – Arquivo O Globo

 

Livro sobre autora de ‘Quarto de despejo’ esmiúça sua vida antes do sucesso

Jan Niklas, em O Globo

RIO — Para além das etiquetas que lhe penduraram, “favelada que escreveu um livro” ou “leitora catadora de lixo”, Carolina Maria de Jesus (1914-1977) era uma intelectual, escritora e mulher de personalidade complexa e instigante. Seu livro “Quarto de despejo”, escrito na favela do Canindé em São Paulo em 1960, projetou-a para o mundo e os altos círculos da literatura.

No entanto, antes do boom, ela já era uma autora experiente. E, após o sucesso do livro, o mundo da artes acabou a consumindo, fazendo com que voltasse à pobreza e ao ostracismo no fim da vida. São aspectos de sua vida como esses que o jornalista e crítico literário Tom Farias esmiúça em “Carolina — uma biografia” (editora Malê), novo livro sobre a vida da autora. O lançamento em São Paulo acontece nesta quinta-feira, às 18h, na Casa das Rosas; já no Rio será dia 20, na Travessa de Ipanema, às 19h.

— A intenção era quebrar estereótipos e paradigmas que até hoje acompanham Carolina e sua obra — diz Farias, que durante quatro anos vasculhou jornais antigos e entrevistou familiares e personalidades próximas à autora. — A visão que se tem até hoje da Carolina não é de uma escritora, mas de uma pobre negra e moradora da favela que escrevia livros. Mas Carolina morou apenas alguns anos da vida dela na favela e, a todo momento, demonstra estar de costas para esse espaço, que é alvo de suas mais duras críticas. Tanto que ao deixá-lo foi xingada e apedrejada pelos moradores.

Outro aspecto pouco conhecido da escritora, que faria 104 anos nesta quarta-feira, é sua vida e produção antes de se mudar para o Canindé em 1948.

Muito antes de estourar para o público em uma histórica reportagem de “O Cruzeiro” no fim dos anos 1950, ela já frequentava redações de jornais em busca de divulgação para seus poemas. Apesar de ter cursado apenas dois anos letivos, aquilo foi o suficiente para não largar mais o hábito da escrita e da leitura.

NOVAS DESCOBERTAS NA BIOGRAFIA DA ESCRITORA

Tom Farias lembra o episódio em que, numa de suas incursões aos jornais em 1940, ela foi recebida pelo jornalista da “Folha da Manhã” Willy Aureli, e mostrou seus manuscritos. No entanto, a matéria com foto destacava apenas o caráter “exótico” daquela mulher negra e pobre que escrevia poesias.

Ainda assim, Carolina conseguiu que alguns de seus poemas fossem publicados ao longo das décadas de 1940 e 1950, incluindo os jornais “A Noite” e “O Dia”, do Rio de Janeiro, onde morou por dois anos. A temporada na então capital federal, aliás, é uma descoberta que nem mesmo a família da autora conhecia, segundo Farias.

— Carolina escreveu dramas, romances, contos, provérbios e poesias, e letras de músicas também. Dizia que alguns malandros tinha roubado algumas dessas poesias e musicado sem creditar a autora.

Quando se mudou para a comunidade do Canindé, ela estava sem emprego e grávida. Lá, começou a registrar o seu cotidiano e o de seus vizinhos. Até que, em 1958, veio o reconhecimento. Após assinar com a editora Francisco Alves, Carolina Maria de Jesus virou uma espécie de celebridade literária, traduzida em 14 idiomas e vendida em 40 países.

Farias descobriu, na imprensa da época, que, só na noite de lançamento de “Quarto do despejo”, a escritora vendeu 600 exemplares, e consumiu-se 1.400 batidas de limão e coco. O sucesso instantâneo do livro, que vendeu 10 mil cópias na primeira semana (e venderia, segundo dados do biógrafo, outras 300 mil nos anos seguintes), teria enciumado autores consagrados da época.

POEMA DEDICADO POR PABLO NERUDA

Carolina frequentou a casa de famílias importantes, como os Suplicy, e foi recebida por chefes de Estado. O presidente do Uruguai mandou parar tudo durante sua visita, e Pablo Neruda dedicou-lhe um poema (hoje perdido). Mas o êxito não durou. A autora não conseguiu repetir o feito com suas obras posteriores como “Casa de alvenaria” e “Pedaços de fome”. Caiu no ostracismo e perdeu quase tudo o que havia ganhado com o reconhecimento.

Carolina não chegou a passar fome, pois havia comprado um sítio grande onde plantava e criava animais. Mas, segundo o autor, sentia falta dos bens materiais que o dinheiro lhe havia proporcionado nos anos áureos. Farias registra algumas “lendas”, como as idas de Carolina ao Fasano de São Paulo para tomar chá. Ou ainda os vários vestidos de Denner, o estilista da primeira-dama Maria Teresa Goulart, que comprou a 18 mil cruzeiros. Para se ter uma comparação, em sua época de catadora vendia o quilo de papel por um cruzeiro.

— No fim da vida muitos a viam como louca — conta Farias. — Mesmo sem necessitar, ela chegou a voltar a catar papel nas ruas só para chamar a atenção da mídia.

A autora vem passando por um processo de resgate por parte dos pesquisadores, que buscam devolver seu lugar na literatura brasileira. No ano passado, seu “Quarto de despejo” foi um dos dez livros mais vendidos de 2017 no site Estante Virtual. Além disso, no carnaval deste ano ela foi homenageada na Sapucaí, no desfile do Salgueiro cujo enredo “Senhoras do ventre do mundo” exaltava a força das mulheres negras.

— Carolina nunca foi tratada como a uma mulher inteligente e à frente do seu tempo — afirma Farias. — O aspecto da pobreza, da favela, da falta de estudos chamou mais a atenção como produto midiático, de puro marketing. Causou também ciumeira na “classe” literária, muito elitizada: o boicote a Carolina foi feio, sem sentido, colonial e assustador.

As pessoas e seus livros

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Não consigo evitar esse sentimento egoísta de amar prateleiras gorduchas

Rodney Eloy, no Pesquisa Mundi

Texto de Ruth Manus, via O Estado de São Paulo

Lembro que logo que entrei na faculdade de direito, os olhos do meu pai brilhavam ao me ver perambulando com aquelas dezenas de livros que eu mal compreendia. Francesco Carnelutti, Cândido Dinamarco, Maria Helena Diniz, Franco Montoro, Dalmo Dallari. O simples fato de ver os livros ao meu lado já parecia ser quase suficiente para alegrar aqueles olhos de pai professor, que, no fundo, sabia que frequentemente eu lia sobre teoria geral do direito civil pensando seriamente se meu açaí seria com banana ou com morango.

Até que um dia aquele olhar risonho foi tomado por uma nuvem negra e a expressão pacífica do pisciano ganhou ares de assombro. Ele não podia acreditar no que estava vendo. Ele não queria acreditar que a própria filha, tão Manus e tão alérgica a wasabi quanto ele, pudesse estar cometendo tamanha atrocidade. Ele se aproximou lentamente, como quem estica o pescoço assustado para observar uma vítima de acidente ou um animal selvagem, e me perguntou o que eu estava fazendo.

“Estudando”, eu respondi, um pouco desconcertada com a existência de dúvida perante uma cena tão autoexplicativa. Então ele disse aos solavancos com os olhos arregalados “VO. CÊ. ES. TÁ. GRI. FAN. DO. O. LI. VRO. COM. CA. NE. TA?”. Eu, cada vez mais desnorteada, respondi que sim, estava grifando com marca texto laranja e fazendo anotações com a caneta azul, afinal, o livro era meu, não era da biblioteca. Certo?

Foi então que eu descobri que as pessoas têm relações absolutamente distintas com seus livros. O que parece normalíssimo para alguns, parece um verdadeiro sacrilégio para outros. Temas como emprestar ou não emprestar, doar ou não doar, anotar ou não anotar, dobrar ou não dobrar, tornam-se dilemas tão shakespearianos quanto ser ou não ser.

Eu confesso que realmente adoro anotar coisas nos meus livros. Puxar setas, grifar frases, colocar asteriscos. E não tenho qualquer problema em fazer isso a caneta. Até com caneta vermelha, se for preciso. Meus livros frequentemente se parecem com a bandeira do orgulho gay. No entanto, tenho a mais profunda aversão a pessoas que dobram a pontinha da página para marcar algo que julguem relevante. Isso sim me tira do sério.

Minha mãe faz algumas anotações, mas sempre a lápis. Meu pai é absolutamente incapaz de interferir nas linhas. Quando muito, coloca seu nome na primeira página. Minha tia compra o livro, lê e doa. Acho a coisa mais linda do mundo. E não tenho a menor capacidade de fazer o mesmo. Preferiria doar dinheiro vivo para bibliotecas públicas do que doar meus livros. Simplesmente não consigo evitar esse sentimento egoísta de amar prateleiras gorduchas.

Outro dia minha irmã me perguntou por que eu não tinha um Kindle. Eu, antes de lembrar daquele aparelho para ler livros digitais, confundi Kindle com kinder e me perguntei por que minha irmã achava que eu deveria ter ovos de chocolate recheados com surpresas nessa fase da vida. Mas depois que entendi, respondi, quase ofendida, “Ué Nina, porque eu gosto de livros!”. Ela me olhou com aquela cara de administradora hi-tech e disse “os livros não deixam de ser livros por serem digitais”. Até hoje não sei bem o que pensar, me mantendo no conservadorismo do papel.

Soma-se a isso a traumática experiência de emprestar livros. Quantos livros foram e não voltaram? Quantos livros ficaram nas nossas prateleiras sem que saibamos exatamente quem nos emprestou? Trata-se de uma prática cujos índices de insucesso rondam os 98%.

Ninguém dá atenção para esse assunto, mas a relação das pessoas com os seus livros é tão íntima quanto uma vida de casal. Há pormenores, traumas, manias. Há sutilezas, pânicos, bloqueios. Prefiro que mexam no meu queijo do que mexam nos meus livros. Eu hein, vai que dobram a pontinha da página.

Imagem: Internet

 

Stephen Chbosky dirigirá cinebiografia sobre a vida do Dr. Seuss

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Célebre autor de livros infantis está em alta, havendo a adaptação de algumas de suas obras para os cinemas atualmente.

Boo Mesquita, no Cinema com Rapadura

De acordo com a Deadline, o célebre autor de obras infantis, Theodor Geisel, mais conhecido como Dr. Seuss, ganhará uma cinebiografia intitulada “Seuss”, que será dirigida por Stephen Chbosky (“Extraordinário“). O longa acompanhará Geisel em 1920 e contará a história de quando ele lutava para encontrar sua voz como escritor, antes de conhecer sua musa e futura esposa, Helen Palmer, que o impulsionaria a se tornar o Dr. Seuss.

Trinta anos mais tarde, uma doença súbita paralisa Helen e a carreira de Dr. Seuss passa por um percalço, até que Helen o inspira a criar o icônico livro infantil “O Gato do Chapéu”. Dr. Seuss criou mais de 60 obras infantis até a sua morte, em 1991, anos 87 anos.

O roteiro do longa ficara a cargo da dupla Jonathan Stewart e Eval Podell (“Carros 3”), e a produção será de Carla Hacken, por meio de sua produtora Paper Pictures. Ainda não há mais detalhes sobre a produção.

Outras obras do famoso autor serão readaptadas em breve para o cinema, como “O Gato do Chapéu“, que já havia ganhado um live-action em 2003, e “O Grinch“, adaptado em 2000.

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