Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged vinho

Quem é o novo assassino de ‘Game of thrones’? (spoiler)

5

Publicado em O Globo

Quem leu os livros que inspiram a série ‘Game of thrones’ já sabia que o desprezível rei Joffrey Baratheon morreria, mas poucos esperavam que acontecesse tão cedo na temporada, ainda no segundo episódio (apesar da distância entre os dois casamentos fatais no livro ser de menos de 100 páginas).

Joffrey morreu, envenenado pelo vinho ou pela torta, em sua festa de casamento com Margaery Tyrell, no episódio que foi ao ar neste domingo. Na festa que deveria selar a paz em todo o reino de Westeros ficou claro que a guerra ainda está longe de acabar.

Logo após a morte do filho, a rainha-regente Cersei Lannister não teve dúvidas e mandou prender o irmão Tyrion pelo assassinato. Mas entre os espectadores a culpa do anão está longe de ser uma certeza. Então, quem matou Joffrey Baratheon?

1. Tyrion Lannister

A relação entre Tyrion e Joffrey nunca foi boa. Apesar do comportamento hedonista, Tyrion sempre foi muito mais rígido com o sobrinho do que os pais dele. Durante o casamento, Joffrey faz tudo o que pode para humilhar o tio, incluindo um show de comédia de anões na cerimônia e até mesmo derramando vinho na cabeça dele. No fim, exige que o tio lhe sirva o vinho que pode ter causado a sua morte.

O vídeo acima é da primeira temporada, quando Tyrion já tentava ensinar modos ao ainda príncipe Joffrey. O tapa no rosto acabou virando meme.

2. Oberyn Martell

1

A Víbora Vermelha de Dorne entrou para a série nesta temporada e já no primeiro episódio deixou claro que está na cidade para matar Lannisters. O príncipe de Dorne quer vingar a morte de sua irmã, Elia. Ela era a mulher do príncipe Rhaegar, morto durante a rebelião de Robert Baratheon, que teve em Tywin Lannister um dos principais aliados.

3. Petyr Baelish, o Mindinho

1

‘O caos é uma escada’, ele disse na terceira temporada. E poucas coisas desestabilizam mais que o assassinato de um rei. Um dos principais conselheiros do rei, Mindinho não estava no casamento, o que torna tudo ainda mais suspeito. Ou não?

4. Varys

1

Mais um que age nos subterrânos do poder. Curiosamente, a câmera foca nele em vários momentos do casamento, o que pode ser uma tentativa do diretor de sugerir uma ligação dele com o assassinato ou de desviar a atenção para os verdadeiros culpados. De qualquer forma, Varys sempre gosta de reforçar que nada acontece na corte sem que ele saiba.

5. Dontos Hollard

1

O bobo da corte era uma das vítimas favoritas das humilhações impostas por Joffrey a todos a sua volta. Ele pode não ser culpado, mas estava pelo menos informado de que algo iria acontecer, pois aparece muito rápido para tirar Sansa de cena, sabendo dos riscos que ela corria.

6. Sansa Stark

1

Desde a primeira temporada, quando Joffrey mandou executar Ned Stark, o pai de Sansa, ninguém tem mais motivos para querer matá-lo do que ela. Depois do assassinato, o rei ainda se dedicou a humilhar e agredir a ex-noiva sempre que podia. Mas uma atitude tão drástica não parece fazer parte do tempramento de Sansa, sempre passiva e subserviente.

7. Olenna e Margaery Tyrell

1

Ao chegar a Porto Real, com a neta Margaery já prometida em casamento a Joffrey, a senhora Olenna Tyrell pergunta a ex-noiva Sansa como é o comportamento do rei. “Ele é um monstro”, é a resposta nada tranquilizadora. A morte poderia ser uma tentativa de proteger a neta, mas a escolha do momento não parece adequada. Afinal, Margaery sequer consumou o casamento e não tem direito de sucessão com a morte de Joffrey.

8. Melisandre

1

Na última temporada, a sacerdotisa jogou três sanguessugas no fogo, representando os três reis que desafiavam Stannis Baratheon. Robb Stark e Joffrey já se foram. Se Balon Greyjoy morrer nos próximos episódios, será difícil questionar os poderes do deus de Melisandre.

A vitória e os segredos dos livros proibidos

0

De Virgílio a Rushdie, a história está repleta de ataques à liberdade de expressão

Winston Manrique Sabogal no El País

Integrantes do partido nazista durante um saqueio de livros em 1933. / rba

Integrantes do partido nazista durante um saqueio de livros em 1933. / rba

Muitas vezes o fogo ficou órfão, para alegria da eternidade. Estão aí a Eneida e Lolita, separadas por mais de 20 séculos, mas irmanadas, mais além de sua beleza literária, pelas chamas infrutíferas que seus próprios autores lhes prometeram e com aquelas com que ameaçaram alguns autonomeados guardiões das ideias políticas, religiosas, sociais, éticas ou morais.

Uma aura de cinzas parece ter sido a sina de muitos livros ao longo dos 35 séculos da criação da escrita. O autor e crítico literário alemão Werner Fuld segue esse rastro vergonhoso do ser humano para relatar a história das obras que foram salvas da censura e perseguição, em Breve historia de los libros prohibidos (RBA). Um livro de arena de todos os tempos e as civilizações, sobre os obstáculos e armadilhas à criação literária que se converte em uma chama que traz à tona a necessidade de estarmos sempre alertas para a perpétua tentação de vigilantes e inquisidores com listas de livros proibidos e um fósforo na mão.

“Não há como negar que a maior parte da literatura universal estimula o pensamento próprio. No interesse da paz social, essa perturbação é intolerável”, afirma em tom irônico Werner Fuld, recordando a crítica de Ray Bradbury em Fahrenheit 451.

As páginas iluminam as passagens que possibilitaram o milagre de podermos desfrutar desses textos “suspeitos” e de escritores salvos quando balançavam à beira do abismo, além de outros que chegaram a cair ou os que foram resgatados, como Jonas da baleia.

Virgilio, Diderot, Dos Passos, Voltaire, Zola, Nabokov, Ovídio, Rousseau, Sartre, Hemingway, Balzac, Faulkner, Gorki, Kant, Melville, Hammett, Joyce, Descartes, Proust, Quialong, Beauvoir, Cleland, Goethe, Wilde, Genet, Solzhenitsyn, Kafka, Flaubert, Lorca, Zweig, Baudelaire, Lawrence, Mandelstam, Sade, Sagan, Ibsen, Hernández, Ginzburg, Bulgákov, Rushdie…

Existem várias classes de mortes, proibições e ressurreições literárias: a dos livros dos quais, depois de criados, seu próprio autor se arrepende, não mais querendo lhes dar vida; a dos livros que querem viver e cujo autor busca isso a todo custo, mas alguém, um editor ou um amigo, se nega a lhes dar esse direito; e há os livros que uma pessoa mais poderosa, desde um governante até uma instituição religiosa, ou em nome da sociedade, procura eliminar.

“Saber ler (e escrever) é um ato de apropriação do mundo. Aquele que aprende a ler algumas quantas palavras ‘em pouco tempo poderá ler todas as palavras’, como diz Alberto Manguel. E, se compreende que com uma frase se apropriou de uma parte do mundo, não se dará por satisfeito com uma frase apenas”, explica Fuld em seu ensaio. Uma celebração da maneira em que a criação burlou o destino.

E um brinde àqueles que não deram ouvidos aos derradeiros desejos de muitos escritores de não deixar vestígios de seus textos. Um dos primeiros foi Virgílio. Não se sabe por que, em seu testamento ele ordenou que fosse queimada a Eneida. Por sorte, porém, o imperador Augusto ignorou sua última vontade. Vinte séculos após os fatos que permitiram que o mundo lesse a Eneida, Franz Kafka queimou manuscritos que não lhe agradavam. Mais tarde, porém, o executor de seu testamento, Max Brod, não respeitou sua vontade, e o mundo pôde ler O castelo e O processo.

Um caso em que se juntam no autor o impulso de eliminar primeiro e de publicar depois é o de Vladimir Nabokov com Lolita, clássico do século XX que, quando ainda era um rascunho intitulado O feiticeiro, Nabokov quis queimar e sua esposa Vera resgatou das chamas. Até que, em 6 de dezembro de 1953, o autor o concluiu, iniciando uma via sacra em que foi rejeitado por quatro editoras que consideraram a obra “imoral” e muitas coisas mais, até que, dois anos mais tarde, conseguiu publicá-la em Paris pela editoria Olympia Press, especializada em obras eróticas. Lolita saiu nos Estados Unidos apenas em 1958, após uma batalha judicial.

 

A esses fogos individuais somam-se as fogueiras que já acenderam ou quiseram acender governantes de todos os níveis e instituições religiosas ou outras, em nome do bem comum. Desde o mesmo Augusto, que em um dia feliz salvou a Eneida e em outro dia lamentável ordenou a primeira queima maciça de livros em Roma por razões religiosas, até o nazismo, os regimes chineses ou os conflitos nos Bálcas, no Iraque e Irã. A própria Espanha sofreu decisões desse tipo com Francisco Franco, quando em 1939, recém-chegado ao poder que ocuparia por 36 anos, ele ordenou a retirada das obras de autores ditos “degenerados” das bibliotecas. “Franco era católico”, recorda Fuld. “Poderia ter tomado o Index romano como referência, mas a verdade é que não aparecem nesse catálogo nem Goethe nem Ibsen, que faziam parte da lista espanhola.”

São episódios sombrios e assombrosos que têm um capítulo na literatura, porque vários escritores já incluíram essas experiências em seus romances. Entre os casos mais recentes estão Balzac e a costureirinha chinesa, de Dai Sijie, O livreiro de Cabul, de Asne Seierstad, e Lendo Lolita em Teerã, de Azar Nafisi.

As ideias políticas, religiosas ou morais com interesses particulares teriam primazia sobre a arte? A história demonstra que o que existe para além do índice acusador é a vitória da beleza proibida. Do recordar a origem quando a palavra era vida, mas não vivia. Era como a luz do vaga-lume, intermitente, volátil, impossível de segurar, até que os sumérios começaram a lhe dar corpo com signos traçados com estilete ou buril sobre tabuletas de argila, pedra, madeira ou qualquer objeto nobre que os recebesse. Assim deram início ao caminho à arte, à eternidade, a viver diante de quem as decifra com sua leitura, e a viver e viver diante de quem as revive em sua boca para lhes dar sons, como estes versos de As flores do mal, de Baudelaire, salvos da inquisição literária:

“Vens do céu profundo ou emerges do abismo,

Ó beleza? Teu olhar, infernal e divino,

Verte confusamente o favor e o crime,

E por isso podemos comparar-te ao vinho.”

Destruições maciças de livros

A primeira destruição maciça de livros ocorreu na Suméria (entre os rios Tigre e Eufrates) cerca de 5.300 anos atrás, por deterioração, desastres e conflitos bélicos.

A primeira queima de livros em Roma foi ordenada por Augusto no século XII a.C. com obras oraculares e proféticas. Ele queria que ninguém questionasse suas ideias políticas.

A biblioteca de Alexandria, fundada no início do século III a.C., terminou por motivos múltiplos: incêndios bélicos, ordem de destruição por parte dos árabes, ataques de cristãos, terremotos e falta de recursos.

No século XVI a Igreja Católica criou o Índice de Livros Proibidos, que teve muitas edições, até ser suprimido, 1m 1966, pelo papa Paulo VI.

Em 1933, na Alemanha, foi promovido o chamado “bibliocausto” nazista, exemplo paradigmático de como a política atenta contra as obras de arte.

Brasil concorre em várias categorias no Cookbooks Awards

0

Publicado no SRZD

O Brasil concorre com suas publicações em diferentes categorias no maior prêmio da literatura de gastronomia mundial, o Gourmand World Cookbooks Awards . Os livros brasileiros lançados em 2012 são os finalistas para a etapa mundial que acontece em 23 de fevereiro em Paris, França.

Na seção Café, tem “Chefs – Café” ( Melhoramentos) organizado por Carlos Andreotti reúne a história e curiosidades sobre o fruto. Na especialidade Vegetariana , Tatiana Cardoso é a finalista pela autoria do “Naturalíssima” (Alaúde). Em Chocolate, concorre “Chocolate com frutas brasileiras” (Sebrae) de Tainá Zanetti e Franz Xavier Odermatt. Para o melhor livro de receitas fáceis, “Sabor do Brasil” ( Senac) da dupla Alice Granato e Sérgio Pagano. “A Cor do Sabor – A Culinária Afetiva de Shin Koike” (Melhoramentos), do arquiteto e produtor cultural, Jo Takahashi, concorre como melhor livro de gastronomia japonesa e melhor livro brasileiro sobre um chef.

No quesito bebidas, tem “Vinho e Território” ( Alinea) de Antonio Cesar Ortega e Daniel Lemos Neziorny na categoria Livro de Vinho para Profissionais e o melhor sobre coquetéis compete o “Ponto Chic” (Senac) de Angelo lacocca.

Agora é só torcer pela equipe de autores gourmands brasileiros.

Mais informações no site Malagueta

Vinho com poesia

0

 

Fernanda Jimenez, no Falando em Literatura

“Os vinhos são como os homens: com o tempo, os maus azedam e os bons apuram” Cícero

Eu sou praticamente leiga em vinhos, sou do tipo que compra pelo rótulo, pela garrafa (os vinhos que têm o fundo côncavo são os melhores, vinhos com denominação de origem certificada, fora os selos que garantem a qualidade), pelo teor alcóolico (procuro sempre os mais baixos) e também pelo nome. E comprando pelo nome, comecei a observar que existem rótulos com títulos bem interessantes, inclusive com poemas:

 

Os vinhos Albariños são da Galícia e os galegos, além do espanhol, falam também o galego- português. Virando a garrafa, olha a surpresa, um poema lírico trovadoresco de Martín Códax, século XIII:

 

Fácil de entender, não? Muito parecido com o português.

Martin Códax foi um trovador galego, escreveu cantigas de amigo, no tempo em que as poesias eram feitas para serem cantadas. Códax provavelmente era de Vigo e nos deixou sete cantigas, que foram encontradas por acaso na biblioteca pessoal de Paulo Vindel, em 1914. O pergaminho estava dentro de um livro do filósofo Cícero. Pouco se sabe quem foi o trovador, mas sua obra lírica galaico- portuguesa é de grande valor histórico. No pergaminho de Codáx, além dos poemas, também estão as partituras musicais. As mesmas notas estão reproduzidas na rolha do vinho Códax:

 

Abaixo uma cantiga de amigo, cantada por um grupo galego que leva o mesmo nome do trovador:

É ou não é um vinho com poesia? Agora falta provar.

Alma do vinho assim cantava na garrafa:
“Homem, ó deserdado amigo, eu te compus,
Nesta prisão de vidro e lacre em que se abafas,
Um cântico em que só há fraternidade e luz!”
(Charles Beaudelaire, do poema L Âme du Vin)

Go to Top