Contando e Cantando (Volume 2)

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Encontrado material inédito do poeta chileno Pablo Neruda

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Kelly Lima, no Diário24Horas

2014-06-18-pablo-nerudaO mundo da literatura foi agraciado com um grande achado. Segundo anunciou a editora Seix Barral, nesta quarta-feira (18), cerca de 20 poemas nunca publicados do famoso poeta e ganhador do Nobel de Literatura Pablo Neruda foram encontrados no Chile.

Os poemas somam um total de mil versos e foram descobertos em caixas com manuscritos do poeta durante uma revisão dos arquivos feita pela Fundação Pablo Neruda. A Seix Barral afirma que publicará as poesias até o fim do ano na América Latina e no começo de 2015 na Espanha. A descoberta é tratada como a mais importante nos arquivos do escritor.

A maioria dos poemas falam de amor e já mostram um Neruda na maturidade, uma vez que foram escritos nos anos 1950 e 1960. Seu tamanho é semelhante às poesias de “Vinte poemas de amor e uma canção desesperada” e “Canto geral”, dois dos principais livros do autor. O poeta e editor da Seix Barral Pere Gimferrer se disse surpreso com os novos poemas. “(Os poemas têm) o poder imaginativo, a transbordante plenitude expressiva e o mesmo dom, a paixão erótica ou amorosa. É o mesmo Neruda de ‘Odes elementares’, ‘A barcarola’ e ‘Memorial da ilha negra’”, disse ao El País.

A publicação do material inédito de Neruda vai coincidir com o 110.º aniversário do seu nascimento e o 90.º aniversário da publicação de “Vinte poemas de amor e uma canção desesperada”.

Marca-páginas temáticos fazem as histórias saltarem dos livros

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Marcadores-de-página-20-mil-léguas-submarinas

Publicado no Somente Coisas Legais

Você pode fazer um marca-página de origami, pode usar um desses que ganha em livrarias ou até usar qualquer pedaço de papel para não se perder na leitura. Mas pode também usar um marca-página que tenha a ver com a história dos livros!

Esse foi o conceito utilizado pelo grupo turco Fikr’et para criar seus marcadores. Eles fizeram uma câmera de vigilância para 1984 – de George Orwell, um tentáculo para O Chamado de Cthulhu – de H. P. Lovecraft, a cauda de uma baleia para Moby Dick – de Herman Melville e um periscópio para Vinte mil léguas submarinas – de Júlio Verne.

Infelizmente os criadores dos marca-páginas não disponibilizaram os modelos para download, mas com um pouquinho de capricho é possível fazê-los em casa – inclusive para outras obras. Isso pode servir como um belo estímulo à leitura para os mais novos. Que os exemplos abaixo sirvam de modelo:

Marcadores-de-página-1984

Marcadores-de-página-Moby-Dick

Marcadores-de-página-O-Chamado-de-Cthulhu

 

Marcadores-de-página

 

Vinte livros para ler e ter na sua biblioteca

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Publicado no Café com Jornalista

Marilyn Monroe, 1954, by Eve Arnold (reading series)Aos cansados de tanto receber convites de joguinhos; das postagens de gente reclamando de calor, frio, chuva, sol, lua etc; e de gente que fica te marcando em propagandas; sejam pacientes. No Facebook há boas ideias que ainda fazem valer a pena manter sua conta na rede social. Um desses bons momentos é a corrente em que usuários citam seus livros preferidos e incitam amigos a fazer o mesmo.

A mania pegou. Milhões de pessoas ao redor do mundo fizeram seleções de seus livros favoritos. Agora, o que não faltam são boas sugestões de leitura, para todos os gostos. Em perfis de colaboradores e frequentadores assíduos deste Café, garimpamos alguns dos livros mais indicados por quem curte ler.

Destarte, vejamos a lista de 20 livros para você ler e, se possível, ter na sua biblioteca particular (para emprestar aos amigos).

1- Cem Anos de Solidão (Gabriel García Márquez);
2- O último dia de um condenado à morte (Victor Hugo);
3- Ensaio sobre a Cegueira (José Saramago);
4- Dom Casmurro (Machado de Assis);
5- O Velho e o Mar (Ernest Hemingway); 
6- O Senhor dos Anéis (J. R. R. Tolkien);
7- Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley);
8- A Revolução do Bichos (George Orwell);
9- Vidas Secas (Graciliano Ramos);
10- Ulysses (James Joyce);
11- Matadouro 5 (Kurt Vonnegut);
12- Misto Quente (Charles Bukowski);
13- O Código Da Vinci (Dan Brown);
14-  O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry);
15- A Arte da Guerra (Sun Tzu);
16- O retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde);
17- O Lobo da Estepe (Hermann Hesse);
18- O Estrangeiro (Albert Camus);
19- Persuasão (Jane Austen);
20- Cemitério (Stephen King).

Mais sugestões… escreva uma mensagem!

Editor de ‘Harry Potter’ quer publicar livro de escritor ‘mascarado’ brasileiro

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O editor britânico que descobriu Harry Potter, dando à então escritora desconhecida J.K. Rowling a chance de finalmente publicar a primeira obra da saga que vendeu 400 milhões de cópias em todo o mundo, quer publicar o livro de um escritor brasileiro anônimo que vem divulgando partes de sua obra pela internet.

Fernanda Nidecker, na BBC Brasil

ilustração do livro de Dark Writer | Divulgação

Leitores contribuem ativamente criando ilustrações para o livro do autor mascarado

Barry Cunningham, antigo editor da Bloomsbury, disse à BBC Brasil que quer ser o “mentor” do autor misterioso, que não revela seu nome, idade ou gênero ao seu público virtual e carrega apenas o pseudônimo de Dark Writer.

Em seus perfis no Facebook e no Twitter e no site DarkWriterProject, o escritor aparece com uma máscara que ganhou do designer de joias japonês Joji Kojima, que confeccionou máscaras para a cantora Lady Gaga.

“Eu li o primeiro capítulo em inglês pelo Twitter e vi logo que ele tinha talento, mas que precisava aprimorar a estrutura da narrativa”, diz Cunningham, que mantém contatos frequentes com Dark para discutir sobre os avanços do livro de estreia do autor, que deve ter vinte capítulos.

O editor o compara a um “trovador moderno” que tem mostrado que os livros não têm apenas de viver em prateleiras empoeiradas, mas podem florescer no espaço virtual.

“Dark Writer é um dos precursores e um dos melhores escritores até agora a abrir caminho para que suas histórias cresçam online com uma interação direta com seu público”, afirma Cunningham, que hoje comanda a editora Chicken House, que publica a série Túneis, sucesso no Brasil entre o público infanto juvenil.

Dark Writer | Divulgação

Autor ganhou máscara de Joji Kojima, designer de Lady Gaga

Em entrevista à BBC Brasil, Dark Writer explicou que a escolha pelo anonimato foi motivada por uma mistura de timidez e a vontade de brincar com a imaginação das pessoas.

“Fiquei com vontade de ver como reagiriam ao ler algo de alguém que não sabem se é jovem, velho, homem ou mulher”, diz.

“Acho que os leitores muitas vezes se preocupam demais com quem escreveu o livro, em vez de simplesmente mergulhar na história.”

Criaturas medonhas

No livro, Dark Writer conta a história de Mary, uma jovem britânica de 16 anos que durante um ano muito conturbado para todo planeta parte de férias com os pais.

Após vários contratempos que retardam a viagem de verão, entre os quais a queda de um meteorito que levou a torre do Big Ben ao chão, uma forte luz surge na estrada e vira a vida da garota de cabeça para baixo.

Quando abre os olhos, Mary está em um ambiente completamente diferente e não vê seus pais. Ela carrega um estranho medalhão de prata no pescoço e tem de enfrentar criaturas medonhas.

A inspiração para a trama vem da infância, quando Dark gostava de criar mundos alternativos e escrevia pequenos contos usando amigos da escola como personagens.

O primeiro capítulo foi postado em 2010 no Orkut, onde o autor começou a atrair leitores enviando pedidos de amizade com a pergunta “Quer participar da criação de um livro?”

Em 2011 migrou para o Twitter e para o Facebook, onde continuou conquistando adeptos com convites enviados por perfis dos personagens da trama.

A personagem Mary e os demônios | Divulgação

Livro conta a história da jovem Mary, que vive atormentada por criaturas medonhas

Dark chegou a publicar nove capítulos no Twitter e lembra que a grande virada veio quando uma fã brasileira traduziu o primeiro capítulo para o inglês, popularizando a história entre leitores de vários países.

Entre os novos seguidores que adquiriu nas redes sociais – hoje são mais de nove mil -, estava Barry Cunningham.

“Começamos a trocar mensagens em que ele me dava conselhos, até que veio o convite para um café em Londres. Cheguei em janeiro deste ano já de mudança”, conta.

Leitores participativos

Dark considera imprescindível estar na Grã-Bretanha para buscar inspiração para caracterizar melhor seus personagens e retratar de forma mais fiel o cenário onde passa a história.

Para isso, ele conta com o apoio dos leitores, que participam ativamente da criação do livro fazendo ilustrações que são postadas no site DarkWriterProject e nas redes sociais.

autor mascarado e leitores | Divulgação

Dark Writer distribuiu cópias do primeiro capítulo em Londres

O autor mascarado acabou virando ele próprio um integrante da trama, sendo retratado nas ilustrações ao lado dos personagens.

E foi também com doações de seu público virtual que Dark conseguiu imprimir 200 cópias do primeiro capítulo em inglês que foram distribuídas nas ruas de Londres e de Oxford durante o verão.

Por orientação de Cunningham, Dark Writer retirou do ar o que tinha postado até agora, mas ainda é possível baixar o primeiro capítulo em inglês e em português no site Darkwriterproject.com.

Para descobrir o desfecho da história de Mary, o público terá de esperar até o final do ano que vem, quando o livro chegará às livrarias, e também deverá ter fim o mistério que ronda a identidade do autor mascarado.

Esculpir um romance

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Obra de Guy Laramee.

Obra de Guy Laramee.

Juan Pablo Villalobos, no Blog da Companhia das Letras

A cena é a seguinte: o romancista está sentado em seu estúdio, há dezessete livros espalhados na mesa, seis cadernos, oito canetas, um lápis, um marca-texto e a caneta-fetiche sem a qual não consegue escrever nada decente. À esquerda descansa uma pasta que contém trezentas ou trezentas e cinquenta folhas: a impressão de trechos das duas versões anteriores do romance, descartadas. Três dos seis cadernos são cadernos-fetiche e estão cheios. O conteúdo dos cadernos é mais ou menos igual ao da pasta. Mas agora nada disso importa: o romancista tem na frente duzentas e duas páginas impressas, as duas primeiras partes da terceira versão do romance. O romance terá três partes, ou provavelmente, quem sabe, quatro. Duzentas e duas páginas que são o trabalho de quase dois meses.

O romancista pega as quatro canetas coloridas para corrigir: vermelha, azul, cinza e verde. Confirma que o computador está desligado. Verifica os níveis de cafeína no sangue. Desativa a internet do celular e baixa o volume do aparelho. Respira fundo. Fixa os olhos na primeira folha. E então acontece. Não é necessário reler as duzentas e duas páginas, não é necessário reler oitenta ou vinte. Acontece no primeiro parágrafo, na primeira frase, é uma decepção fulminante: o romance não funciona.

A aflição é tão grande quanto duas decepções amorosas juntas, como a traição do melhor amigo ou quase como aquela vez que o time de futebol do romancista, que há sessenta e dois anos não é campeão, perdeu a final nos pênaltis.

O que aconteceu entre a tarde de ontem, quando o romancista imprimiu as duzentas e duas páginas em estado de euforia, e a manhã de hoje? O que mudou na percepção do romancista? O romance, com certeza, não mudou. É muito complicado tentar explicar o que aconteceu. Não é possível identificar o problema, não é possível dizer: é a voz narrativa, ou são os personagens, os diálogos, o enredo… A triste epifania desse breve instante de iluminação é que esse não é o romance que ele quer escrever.

O romancista solta a caneta vermelha e sai ao jardim a chutar uma bola. Chutar uma bola ajuda a pensar, a acalmar, a colocar as coisas em perspectiva. Cinco, dez minutos chutando a bola, lutando contra a maldita tristeza, contra o luto do romance que acaba de morrer.

Volta à mesa. Começa de novo, tentando ignorar o que está sentindo, faz um trabalho mecânico de correção, segue em frente, segue em frente, talvez seja possível voltar a acreditar, recuperar a fé no romance.

Merda.

Não. Não é possível.

O romancista pega as duzentas e duas folhas das duas primeiras partes da terceira versão do romance e as coloca na pasta que descansa na parte esquerda da mesa.

Espera aí, pensa o romancista, qual era o livro que eu queria escrever? Olha a estante que está ao lado da mesa com seus livros favoritos. É um momento crítico: o deprimido romancista está tentando recuperar a fé na literatura. Vai pegando livros e lendo trechinhos, uma página, um parágrafo, duas linhas. César Aira, Antonio Di Benedetto, Copi, Juan Emar, Felisberto Hernández, Mario Levrero, Sergio Pitol, Daniel Sada, Francisco Tario, Virgilio Piñera, Osvaldo Lamborghini… Passa uma hora lendo. O romancista recupera, ao menos, o sossego.

A terapia continua com a leitura de uma frase que o romancista encontrou em um belíssimo livrinho de Héctor Libertella: “Reescrever seria a arte de dar naturalidade ao que está muito trabalhado. Algo que tomou muito tempo do escritor, mas que não declara sua idade.”

Logo, no mesmo livro, lê o depoimento de Elie Wiesel:

“Eu gosto de cortar. Reduzi novecentas páginas a cento e sessenta. Mas veja bem, inclusive quando alguém corta, não corta. Escrever não é como pintar, onde você agrega. O que o leitor vê não é o que você coloca na tela. Escrever é mais parecido com a escultura, onde você tira, elimina, para tornar a obra visível. Mas essas páginas que você elimina permanecem de alguma maneira. Há diferenças entre um livro que teve duzentas páginas desde o começo e outro de duzentas que é resultado de um original de oitocentas. Essas seiscentas páginas estão aí. Só que não as vemos.”

Sim, é isso, é isso, se repete o romancista, seguro de que essa pasta lotada de páginas descartadas permanecerá, de alguma maneira, na versão final do romance. O romancista sabe que o uso literal que está fazendo das palavras de Libertella e Wiesel está muito perto da autoajuda ou da lavagem cerebral, mas por enquanto ele precisa acreditar em alguma coisa. Pega um novo caderno-fetiche e a caneta-fetiche e se senta diante da página em branco.

O romancista sabe que passarão dias, talvez semanas, antes de que consiga encontrar o caminho de volta ao romance.

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