Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Virou Mania

Alunos de Oxford pedem readmissão de bibliotecário após ‘Harlem Shake’

0

Um grupo de estudantes da Universidade de Oxford está pedindo a readmissão de um bibliotecário que teria sido demitido após a gravação de um vídeo no estilo “Harlem Shake”.

Estudantes fazem sua versão de Harlem Shake em biblioteca

Estudantes fazem sua versão de Harlem Shake em biblioteca

Cerca de 30 estudantes participaram de uma versão da dança, que virou mania na internet, gravada na biblioteca do Saint Hilda College, que faz parte da universidade. O vídeo teve mais de 5 mil visualizações no You Tube.

O Saint Hilda’s Junior Common Room, uma espécie de entidade que representa estudantes da instituição, aprovou uma moção em que pede que o bibliotecário seja reintegrado.

Um porta-voz da Universidade de Oxford disse que a entidade não vai fazer nenhum comentário sobre o assunto.

A presidente da associação dos estudantes, Esther Gosling, disse que o bibliotecário foi demitido e cinco estudantes multados em quantias entre 30 e 60 libras (cerca de R$ 90 a R$ 180) depois que o vídeo foi postado na internet, em fevereiro.

Gosling acrecentou que a gravação ocorreu na biblioteca pouco antes da meia-noite. Ela insistiu que o bibliotecário não estava envolvido na organização e “não poderia ter evitado o ocorrido”.

“Não queremos julgar as autoridades da faculdade ou as decisões que elas tomam, mas, neste caso, acho que a reação foi excessiva, e a demissão é injusta”, completou.

Gosling disse ainda que a faculdade respondeu à associação de alunos que não poderia comentar assuntos de seu departamento pessoal.

Pedras da Memória

0
Fotos: reprodução

Fotos: reprodução

Alguns netsuquês da coleção de Edmund de Waal, tema do livro.

Cláudia Laitano, no Mundo Livro

Estudos recentes mostram que a memória não é como os filmes, que são sempre iguais. Nossas lembranças assemelham-se mais a uma peça de teatro: parecem sempre as mesmas, mas cada vez que são evocadas são reconstruídas do zero – eventualmente incorporando alguns detalhes e abandonando outros. O livro A Lebre com Olhos de Âmbar (Tradução de Alexandre Barbosa de Souza. Editora Intrínseca, 318 páginas), escrito por Edmund de Waal, mostra que a memória também pode ser lapidada com a sutileza e riqueza de detalhes de um artesão que talha peças de marfim do tamanho de uma caixa de fósforos.

De Waal é um ceramista célebre no Reino Unido. Durante cinco anos, colocou seu trabalho em segundo plano para dedicar-se a investigar a história da família e de uma magnífica coleção de 264 netsuquês (pequenas esculturas japonesas, talhadas em madeira ou marfim, como na imagem que ilustra o post), adquirida por um antepassado no final do século 19 – quando o orientalismo virou mania entre artistas e colecionadores.

Com formação em literatura em Cambridge, o autor construiu um livro extraordinário, que combina relatos de viagens (visitou todas as cidades que hospedaram a coleção da família ao longo de mais de cem anos), reportagem, história (a narrativa acompanha desdobramentos de episódios como o Caso Dreyfus, na França, e a I e a II Guerras, além de mencionar figuras como Renoir, Proust e Rilke) e ensaio cultural. “Eu quero saber qual a relação entre esse objeto de madeira que giro entre meus dedos – duro, surpreendente e japonês – e os lugares onde esteve. Quero ser capaz de entrar em cada cômodo onde este objeto viveu, de sentir o volume do espaço, de conhecer os quadros nas paredes, de saber como era a luz que vinha das janelas. E quero saber em quais mãos esteve”, anuncia no prefácio do livro.

A narrativa se inicia na Paris de 1871, onde o milionário Charles Ephrussi (1849 – 1905), judeu de origem russa, compra a coleção de netsuquês de uma só vez. Ephrussi era amigo dos impressionistas e comprava seus quadros antes mesmo de serem pintados. Sob sua encomenda, Manet pintou o quadro  Une Botte d’Asperges, e Renoir chegou a incluí-lo no fundo de uma pintura, O Almoço dos Remadores, na qual aparece de cartola. Dândi sofisticado, impressionou tanto o jovem Marcel Proust que se tornou uma das fontes de inspiração para o Charles Swann de Em Busca do Tempo Perdido.

De Paris, a coleção migra para um palacete da Viena do começo do século 20, como presente de casamento do tio Charles para o sobrinho Viktor Ephrussi (1860 – 1945). Ali a coleção é instalada em um quarto de vestir, já que os netsuquês já não estão tão na moda assim, e viram brinquedo nas mãos dos filhos de Viktor. Ao longo dos anos, a poderosa família judia vê o antissemitismo ganhar forças lentamente até tornar-se uma ameaça terrivelmente concreta. Com a anexação da Áustria pela Alemanha, em 1938, Viktor e a mulher são obrigados a deixar tudo que têm para trás, inclusive a preciosa coleção de esculturas – e a forma como ela é resgatada para a próxima geração é uma das encantadoras surpresas do livro que não vale a pena estragar aqui. Um dos filhos de Viktor, Ignace (1906 – 1994), tio de De Waal, é o próximo herdeiro da coleção, que leva consigo para o Japão, onde fixa residência depois do final da II Guerra. É em Tóquio que o autor do livro vai encontrar a coleção de netsuquês pela primeira vez, durante uma temporada de estudos nos anos 1990.

De Waal (1964) é o atual guardião da coleção. Os objetos foram instalados em sua casa em Londres – em uma estante de bronze com prateleiras de vidro e portas sempre destrancadas, para que seus filhos possam brincar com as estatuetas. A história da coleção continua. Esse delicado e precioso livro, narrado com elegância e riqueza de detalhes, terá igualmente longa sobrevida na memória dos leitores – muito além da última página.

1

dica do Tom Fernandes

Go to Top