Publicado no G1.

‘Muito feliz’, diz João Vitor Brito, que começou a estudar no dia 16 de outubro.
Estudante cursava medicina há dois anos em uma faculdade da Bolívia.

joao_001

Acreano João Vitor Brito começou a cursar medicina na Rússia em 16 de outubro (Foto: Arquivo pessoal)

Selecionado por um programa estudantil internacional, o acreano João Vitor Brito, de 19 anos, iniciou as aulas de medicina na Universidade Estatal de Kursk, localizada a 500 km da capital russa, Moscou, no dia 16 de outubro.
Nascido em Rio Branco, o acadêmico abandonou os dois anos de faculdade na Bolívia e se mudou sozinho para o país europeu.
Brito conta que participou do processo de seleção em setembro, conseguindo a bolsa de transferência. Por morar, desde os 16 anos, fora do estado onde nasceu, o processo de mudança e adaptação não foi difícil.
“A transferência foi porque eu já cursava medicina na Bolívia e foram abertas 12 vagas. Tive que fazer uma entrevista, na qual eles perguntavam coisas diferentes para cada pessoa. Pra mim, perguntaram se já tinha morado fora e se eu me considerava preparado. E mostrou uma espécie de currículo”, afirma.
O dia a dia na universidade nova é bem corrido, segundo o estudante. As aulas são ministradas em inglês, idioma que Brito não se preocupa, por dominá-lo. A dificuldade maior com a comunicação surge fora da universidade.

Acreano estuda na Universidade Estatal de Kursk, localizada a 500 km da capital russa, Moscou (Foto: Arquivo pessoal)

Acreano estuda na Universidade Estatal de Kursk, localizada a 500 km da capital russa, Moscou (Foto: Arquivo pessoal)

“Costumo dizer que sou um camaleão na questão da adaptação. Nunca tive problema, desde que sai de casa. Aqui, uso os dois idiomas: inglês e russo. Só tive dificuldade fora da faculdade, pois ainda não sou fluente em russo, mas já consigo falar algumas palavras”, fala.
O sonho de cursar medicina surgiu ainda na infância, quando costumava fazer exames nos familiares. “Desde criança, eu sonhava com a medicina e já fazia laudos médicos para minha família em folhas de papel A4. Eu também brincava com um kit de enfermagem da minha avó materna, que era chefe de enfermagem”, lembra.

O estudante acrescenta que a oportunidade de realizar o curso na Europa é muito gratificante. Na época que recebeu a resposta que foi aceito no programa, Brito diz que foi uma “felicidade tremenda” e, atualmente, tudo está indo bem.
“Me sinto muito feliz com a oportunidade que estou tendo. Sou muito grato a Deus e aos meus pais, que me apoiaram. Na época que fui escolhido foi uma felicidade tremenda. Agora que vivo aqui, está tudo muito bom. Amo o clima, a cidade, a cultura. Eu amo a Rússia”, diz.
Sobre o futuro, Brito já tem tudo praticamente organizado. Depois de formado, o acreano diz que não pretende retornar ao Brasil, mas quer exercer a medicina na Europa.
“Sem perder tempo, quero fazer especialização de neurocirurgia e ser um excelente médico. Quero trabalhar aqui depois de me especializar. Não pretendo voltar ao Brasil, espero trabalhar pela Europa em algum dos países”, finaliza.