Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged viver da escrita

Uma campanha chocante para denunciar o quão pouco ganham os escritores

0

Fabio Mourão, no Dito pelo Maldito

Você pode ficar rico com a literatura? É bem provável que não. Embora as manchetes destaquem escritores que ganham milhões com seus livros, sabemos bem que isso não é o que acontece com a maioria dos autores. De acordo com um estudo britânico recente, apenas um em cada dez escritores conseguem viver apenas do que escrevem. Na verdade, o mesmo estudo conclui que apenas uma elite de 5% de escritores dominam 42,4% de toda a receita gerada pelos livros.

Infelizmente essa realidade é ignorada por parte dos leitores que, de forma contraditória, continuam pirateando PDFs de autores que dizem admirar. Para elucidar essa discrepância, uma associação francesa que representa escritores e ilustradores, lançou uma campanha que nos convida a pensar sobre o caso.

As imagens ilustram a situação econômica dos autores, mostrando o número de livros vendidos necessários para se conseguir comprar coisas básicas do nosso dia a dia.

Confira abaixo:

530 livros para comprar um óculos novo

530 livros para comprar um óculos novo

 

13 livros para comprar um livro de bolso

13 livros para comprar um livro de bolso

 

2.646 para comprar um notebook

2.646 para comprar um notebook

 

2 livros para comprar uma bisnaga

2 livros para comprar uma bisnaga

 

7 livros para comprar um pacote de café

7 livros para comprar um pacote de café

 

4 livros para uma caixa de paracetamol

4 livros para uma caixa de paracetamol

Escritor recebe mensagem aconselhando a fazer “stand up” durante palestra

0

standup

Rodrigo Casarin, no UOL

O escritor Rafael Gallo passou por uma situação bastante inusitada na noite de ontem, quinta-feira. A palestra sobre “viver de escrita” que ministrava na Bienal do Livro de Alagoas, que acontece em Maceió, pelo visto desagradou um grupo de jovens que não esperou a apresentação acabar para deixar o salão. Antes disso, no entanto, um deles Gallo-200x300entregou um bilhete ao autor de “Rebentar” e vencedor do Prêmio Sesc de 2011/2012. “Um pouco de stand up seria legal para te soltar mais no começo da palestra”, aconselhava a mensagem.

A inusitada dica evidentemente surpreendeu Rafael. “Eu falei um pouco sobre o universo profissional dos escritores, como funcionam as editoras grandes, as pequenas, quais são as possibilidades profissionais, as relações com agentes literários… Uma espécie de apresentação do mundo do lado de cá do balcão, para quem se interessa por escrever e quer publicar um livro, enfim. Quando recebi o bilhete fiquei um pouco desconcertado, mas agradeci e segui em frente”, lembra.

A mensagem deixada pelo jovem, no entanto, vai ao encontro de uma discussão recorrente no meio literário: qual é exatamente o papel do escritor na hora de divulgar sua obra? Além de escrever, quais outras habilidades ele precisa ter? Além de seus livros, o que mais as pessoas devem esperar de um autor?

“Achei muito engraçado porque essa é uma discussão que se vem tendo há tempos. Apesar de serem legais em vários aspectos, esses eventos têm esse lado de colocar o escritor em outro papel, o de falar com uma plateia, ser uma ‘atração’ de palco e ser julgado por isso, inclusive. Quase sempre que se fala nisso, menciona-se que estamos beirando nos tornarmos comediantes de stand up”, diz Rafael. “Dessa vez, alguém do público teve o pensamento contrário: em vez de achar que é um problema estar perto de fazer stand up, achou que o problema era não chegar a se tornar isso”, completa, rindo, o autor.

Sim, é possível viver como escritor no Brasil

0
1

Imagem: Google

 

Raphael Draccon, no Observatório da Imprensa

Meu pai foi a primeira pessoa a quem revelei que seria escritor e a primeira que disse que eu morreria de fome. Ele viu meu primeiro livro ser publicado, mas morreu sem saber que eu ganharia com livros mais do que ele juntou a vida inteira como corretor de imóveis. Faz sete anos que ele morreu, mas o mantra ainda é repetido a qualquer um que queira viver da escrita.

É positivo se revisar esse discurso para não restar apenas a impressão de que o autor brasileiro está destinado a viver um fardo. Para isso, é preciso concordar, antes de mais nada, que escrever é uma profissão.

Outro ponto é que na literatura ainda existe o mito de que um escritor deveria ter receio do sucesso comercial.

Encontraremos autores que preferem “ser lidos”, mas “não vender muito” ou “ganhar dinheiro”. É um relato curioso. Quanto mais lido um autor for, mais livros venderá, mais dinheiro ganhará e mais tranquilidade terá para viver da escrita.

Além disso, existe o velho discurso de que a “boa literatura” e a “literatura comercial” não podem andar de mãos dadas. Esse argumento atravanca o crescimento do mercado editorial, ao contrário de outros nos quais tal raciocínio foi superado, como o de cinema e de games.

A diferença

Ter a escrita como profissão envolve disciplina e paciência. Não se vive de literatura de um dia para o outro, como em qualquer profissão. Demora-se anos e várias obras. Para cada jogador de futebol milionário existem centenas ganhando salário mínimo. Mas os holofotes costumam focar os que saíram do nada e venceram. Opta-se pelo exemplo, não pelo desestímulo.

Nas livrarias, brasileiros e estrangeiros disputam o mesmo espaço. O maior obstáculo era o preconceito com o autor nacional. Hoje temos nomes que vão de Eduardo Spohr a Leandro Narloch, de Paula Pimenta a Laurentino Gomes, de Carina Rissi a Isabela Freitas, de Carolina Munhóz a Raphael Montes. Uma geração que se comunica diretamente com seu público e seduz novos leitores. E nem é preciso citar gigantes como Paulo Coelho, Pedro Bandeira, Augusto Cury, Mauricio de Sousa e tantos outros.

Nunca se leu tanto. É pouco ainda para um país gigantesco, mas é mais do que em qualquer época. Olhe ao redor: as pessoas estão obcecadas em telas portáteis, lendo e escrevendo o tempo todo. Leitores acampam na frente de Bienais. Temos algumas das maiores bases mundiais de fãs de sagas literárias, que também se apaixonam por livros brasileiros.

Um escritor brasileiro tem o direito de dizer que não sabe como se comunicar com esse mercado. Mas não que ele ainda não existe.

Recebemos e-mails emocionados, somos parados nas ruas, chegamos às outras mídias e negociamos contratos de seis dígitos. Mas, quando tudo era um sonho, foi preciso desafiar o mantra e descobrir que viver disso é diferente de viver isso. E essa geração hoje vive isso. Por isso, a cada dia mais, ela vive disso.

***

Raphael Draccon, 33, é escritor, autor de “Cemitérios de Dragões” (Rocco) e da série “Dragões de Éter” (Leya), entre outros, e vive de livros

Go to Top