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Educadores podem levar suas turmas a visitas ao Memorial da Resistência

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Aulas sobre a Ditadura Militar podem ficar mais interessantes na antiga sede do Deops-SP

Memorial da Resistência fica no antigo Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops) / divulgação

Memorial da Resistência fica no antigo Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops) / divulgação

Publicado por Catraca Livre

Se o período da Ditadura Militar brasileira continua vivo na memória dos que sofreram com os abusos do regime, para as novas gerações, esta fase da história do país tende a perder importância conforme novos acontecimentos viram notícia.

Por isso, é papel dos educadores ensinar aos mais jovens sobre o assunto. Conhecer a história é necessário para eliminar os resquícios do autoritarismo militar e evitar que ele se repita.

Para tornar mais vivas as aulas sobre o Regime Militar, o Memorial da Resistência convida professores e outros profissionais da educação a levarem suas turmas para visitas guiadas pelo local. O museu está localizado no antigo espaço carcerário do Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops-SP), onde eram mantidos presos políticos.

Lá estão expostos conceitos e manifestações de controle, repressão e resistência política que marcaram a época da Ditadura Militar (1964 a 1985). Também é explorado o período autoritário do Estado Novo (1937 a 1945).

Gratuitas, as visitas acontecem de terça-feira a domingo, das 10h às 17h30, e podem ser agendadas a pelos telefones (11) 3324-0943/0944. Os grupos são conduzidos por profissionais do Memorial.

No Memorial estão expostos detalhes sobre o período da Ditadura Militar / divulgação

No Memorial estão expostos detalhes sobre o período da Ditadura Militar / divulgação

Autonomia e controle nas escolas; online e offline

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Alexandre Le Voci Sayad. no Estadãoblognasaladeaula

Uma dualidade clássica acompanha pensamentos e práticas educativas: se a escola indubitavelmente almeja a construção de autonomia no estudante, porque costuma exercer controle no seu dia a dia. Ora, a escola é um espaço de muito mais restrições que liberdades – seja na vida acadêmica ou pessoal do estudante.

Esta é uma questão que ultrapassa os limites e percepções entre progressistas e conservadores, esquerdistas ou liberais; se arraiga na estrutura mínima do “educar” e paira como uma grande esfinge sobre diretores de escola e gestores de políticas.

As recentes experiências que levaram a comunicação e a arte para dentro do ambiente escolar esbarram na dicotomia diariamente. O diretor deve ou não ler jornal criado pelos alunos antes de ser publicado? E a peça de teatro do grupo artístico, passa por algum crivo? Até onde o professor deve acompanhar um estudante de ensino fundamental, por exemplo,  na elaboração de um trabalho fora dos muros da instituição, ou mesmo estimular que os pais o façam? Criatividade tem limites?

Hoje, essa delicada e imbricada situação esbarra também na ampliação do espaço e tempo escolares: a internet. Autonomia e controle devem ser consideradas hoje num mundo físico (offline) e também virtual (online). Quem imagina o segundo como um espaço mais livre, pode estar enganado.

Segundo o jornal The New York Times, os professores particulares ganharam recentemente uma nova tarefa pela qual têm sido muito bem remunerados: acompanhar o cotidiano de seus estudantes, e auxiliá-los, quando estes mudam de cidade para estudar. Os “tutores”, na tradução livre desse tipo de profissional, assumem agora o sentido pleno de seu ofício. Por trás disso, há pais preocupados e escolas ávidas por organização na vida dos estudantes em novas cidades: um exemplo vivo de controle no mundo real.

No mundo virtual não tem sido muito diferente. Colleges gastaram milhões de dólares em 2012 em serviços como o Brand Youself (brandyourself.com) que funcionam como uma espécie de queima de arquivo virtual: o site apaga imagens comprometedoras de estudantes (festas, brincadeiras, bebidas ou cigarro), bem como prioriza as melhores informações no topo da busca do Google. Um gasto que garante melhores empregos aos egressos,  prova de forma cabal como a vida dos jovens é controlada no ciberespaço pelas próprias instituições de ensino.

Por outro lado, usando como exemplo o Brasil, sites como o Descomplica (de aulas em vídeo) são cada vez mais reconhecidos como ferramentas online válidas e eficientes pelas instituições de ensino – cena inimaginável há alguns anos.  Os games seguem pelo caminho de passarem de bandidos a mocinhos em uma educação que parece valorizar cada mais a autonomia do aluno em aprender na internet paralelamente à sala de aula. O livro didático vai lentamente deixando de ser fonte única sob a ótica da escola.

Longe de um consenso ou mesmo de uma solução, o quanto de autonomia o estudante irá adquirir “oficialmente” pela escola que frequenta irá direcionar investidores para o campo da educação online e fazer essa fatia crescer como grande parceira do aprendizado nos próximos anos.

O próprio Descomplica acabou de receber um investimento significativo para subir de 2 mil para 10  mil aulas para que estudantes – encorajados na sua independência -, aprendam na internet.

* ALEXANDRE LE VOCI SAYAD É JORNALISTA E EDUCADOR. DESENVOLVE PROJETOS INTERDISCIPLINARES COMO FOCO EM EDUCAÇÃO PARA ESCOLAS, GOVERNOS E EMPRESAS. é AUTOR DO LIVRO IDADE MÍDIA: A COMUNICAÇÃO REINVENTADA NA ESCOLA, PUBLICADO PELA EDITORA ALEPH.

imagem: Internet

Sujeito que apelidou Brasil de “país do futuro” se matou, diz autor

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Publicado na Folha de S.Paulo

Ioschpe traça um panorama sobre o sistema educacional brasileiro

Em “O Que o Brasil Quer Ser Quando Crescer?”, Gustavo Ioschpe afirma que, graças às condições atuais da educação, “o sujeito que apelidou o Brasil de ‘país do futuro’ se suicidou”.

A edição reúne artigos publicados na revista “Veja”, entre julho de 2006 e setembro de 2012, que apresentam o que o autor considera uma crise no sistema educacional brasileiro, tanto público quanto privado.

Segundo ele, salário de professores ou volume de investimento em educação não levará a uma melhora da qualidade do ensino no país.

Ioschpe deixa de lado as discussões filosóficas e ideológicas e foca em práticas e resultados.

Abaixo, leia um trecho de “O Que o Brasil Quer Ser Quando Crescer?”.

1. A falência da educação brasileira

O sujeito que apelidou o Brasil de “país do futuro” se suicidou. Não é uma condenação, mas não deixa de ser um indício. Se Stefan Zweig estivesse vivo hoje, provavelmente se mataria de novo ao notar quão distante da realização sua profecia se encontra, mais de sessenta anos depois. Nosso futuro está penhorado porque não cuidamos do patrimônio mais importante que um país tem: sua gente. Se dependermos da qualificação dela para avançarmos, tudo leva a crer que continuaremos vendo os países desenvolvidos de longe e que, assim como a geração anterior viu o Brasil ser ultrapassado pelos tigres asiáticos, a nossa irá testemunhar a passagem de China, Índia e outros países menores. Enquanto os países de ponta chegam perto da clonagem humana, nós ainda não conseguimos alfabetizar nossas crianças.

Não é exagero, infelizmente. O último levantamento do Inaf (Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional realizado pelo Instituto Paulo Montenegro) mostrou que apenas 26% da população brasileira de 15 a 64 anos é plenamente alfabetizada. Deixe-me repetir: três quartos da nossa população não seria capaz de ler e compreender um texto como este. Na outra grande área do conhecimento, a Matemática, a situação é igualmente desoladora: só 23%, segundo o mesmo Inaf, consegue resolver um problema matemático que envolva mais de uma operação, e apenas esse mesmo grupo tem capacidade para entender gráficos e tabelas.

Esses indicadores são o produto final de um sistema de educação que apresenta deficiências, de modo geral, em todas as etapas do ensino, em todo o país (ainda que as tradicionais diferenças regionais também se manifestem na área educacional) e tanto nas escolas públicas como nas privadas. É um quadro que não pode ser creditado ao nosso subdesenvolvimento, pois países muito mais pobres tiveram (Coreia) e têm atualmente (China) desempenhos muito melhores que os nossos. Na área da educação, especialmente de ensino básico, nossos pares são os países falidos da África subsaariana.

O exemplo mais claro dessa falência é também o mais preocupante, por estar na origem de todo o sistema: o nosso índice de repetência nos primeiros anos. Segundo os dados mais recentes da Unesco, 31% de nossos alunos da primeira série do ensino fundamental são repetentes. Na nossa frente, apenas as seguintes “potências”: Gabão, Guiné, Nepal, Ruanda, Madagascar, Laos e São Tomé e Príncipe. A taxa da Argentina é de 10%, a da China e da Rússia de 1%, a da Índia de 3,5% e de praticamente zero nos países industrializados da OCDE.

Na segunda série, temos mais 20% de repetentes. É possível, portanto, que metade dos alunos que adentram nossas escolas tenha repetido uma série já no segundo ano de ensino. Isso não é apenas preocupante pelo efeito que a repetência tem na autoestima dos alunos, nem pelo custo bilionário a mais gerado por eles. O que mais inquieta é: imagine a qualidade de um sistema de ensino que reprova a metade dos seus alunos justamente na fase onde se transmite o conhecimento mais básico, de ler e escrever; que torna eliminatório um período que é meramente um rito de passagem nos outros países.

Se não conseguimos alfabetizar, conseguiremos ensinar Matemática, Química, Geografia? Conseguiremos ensinar nosso aluno a pensar? Conseguiremos torná-lo um cidadão consciente? Claro que não. Não conseguimos nem mantê-lo na escola até o seu término. A má qualidade perpassa todo o sistema. (mais…)

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