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25 livros indispensáveis para qualquer estudante

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Fonte: Shutterstock      Existem grandes obras da literatura que são indispensáveis para qualquer estudante

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Existem grandes obras da literatura que são indispensáveis para qualquer estudante

Conheça a lista e entenda a importância de ler tais livros para a sua vida

Publicado no Universia Brasil

Durante o período de férias, os estudantes tendem a se distanciar um pouco das leituras, até mesmo para relaxar por algumas semanas antes de voltar para a rotina de estudos. No entanto, existem grandes obras da literatura que são indispensáveis para qualquer estudante pois, além de ampliarem os conhecimentos, são também grandes fontes de entretenimento.

Pensando nisso, a Universia Brasil preparou uma lista com 25 obras que não podem faltar na sua estante nessas férias. Aproveite seus momentos de descanso e leia!

1. Freedom – Jonathan Franzen

Este livro narra a história de uma família norte-americana e suas desventuras durante o século 20. É interessante observar as diversas mudanças de pontos de vista e da sociedade com o passar dos anos.

2. Este Lado do Paraíso – F. Scott Fitzgerald

Trata-se do primeiro romance do escritor de O Grande Gatsby. Assim como ele, é uma grande crítica a sociedade (especialmente aos jovens) dos Estados Unidos do período da Primeira Guerra Mundial. Um dos pontos interessantes do livro é o forte cunho autobiográfico, especialmente no que diz respeito ao protagonista, Amory Blaine, um aspirante a escritor.

3. Norwegian Wood – Haruki Murakami

Batizado em homenagem a uma canção dos Beatles, o livro se passa no Japão, na década de 60. O personagem principal, Toru Watanabe vive um dilema ao se dividir entre dois amores e enfrentar as descobertas da faculdade em uma época conturbada.

4 . 1984 – George Orwell

Uma das obras mais famosas do gênero da distopia, 1984 é um livro de forte cunho político, que debate questões éticas sobre a individualidade das pessoas e até que ponto o controle do Estado é válido. É fundamental para a formação do senso crítico de qualquer estudante.

5. Crime e Castigo – Fiódor Dostoievski

Uma das obras primas da literatura russa, Crime e Castigo foi publicado no século XIX, mas sua discussão sobre os valores morais permanece atual. Permeado por influências filosóficas, o livro narra a história de um estudante, Rodion Rasólnikov, que não consegue lidar com sua própria consciência após cometer um assassinato.

6. Admirável Mundo Novo – Audous Huxley

Outro clássico das distopias, Admirável Mundo Novo, lida com questões muito pertinentes, como a chamada “ditadura da felicidade” – na qual todos teriam que estar sempre felizes, não importam os meios necessários para atingir esse estado – e a alienação. Embora se passe em um mundo imaginário, a história tem muitos elementos que fazem repensar as atitudes e pensamentos das pessoas na atualidade.

7. Cem Anos de Solidão – Gabriel García Marquez
Escrita pelo vencedor do Prêmio Nobel, Cem Anos de Solidão é uma obra essencial para compreender o realismo mágico da literatura latino-americana. Ao narrar todas as desventuras de gerações da família Buendía, o escritor expande os limites da linguagem e discorre, também, sobre aspectos da história da América do Sul. Tudo isso com o grande mote da solidão humana como plano de fundo na trama.

8. Lolita – Vladimir Nabokov

Mais um tesouro da literatura russa, Lolita é um clássico que lida com sentimentos profundos e controversos como a paixão, além de polêmicas éticas e morais. Trata-se da história de Humbert, um homem casado que se apaixona pela enteada, Dolores (Lolita), de maneira obsessiva.

9. O Grande Gatsby – F. Scott Fitzgerald

Ambientado na década de 1920, O Grande Gatsby é uma crítica ácida ao consumismo e a frivolidade da classe alta americana da época. Além de tratar sobre temas como o egoísmo e a ambição, é um livro indispensável para aqueles que buscam compreender o “American Way of Life”.

10. Adeus às Armas – Ernest Hemingway

Outra narrativa com cunho autobiográfico, o livro foi baseado nas experiências do escritor e jornalista como motorista de ambulâncias na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial, o que garante a veracidade da ambientação. Além das mazelas da guerra, o leitor também se envolve com a profundidade do trágico amor de Frederic e Catherine.

11. As Vinhas da Ira – John Steinbeck

Também escrita por um vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, esta narrativa é ótima para quem deseja entender um pouco mais do contexto da Grande Depressão nos EUA durante os anos 30. Trata-se da trajetória da família Joad que, após se endividar e perder tudo, enfrentar uma dura jornada em busca de oportunidades na Caifórnia.

12. O Mestre a Margarida – Mikhail Bulgakov

Esse é um caso em que o processo de elaboração da obra é tão interessante quanto sua narrativa em si. Para escrever a história de uma visita do diabo à Moscou dos anos 20, o escritor elaborou 4 manuscritos, ao longo de 12 anos, sendo que a versão final foi concluída por sua esposa, após a morte de Bulgakov. Por seu forte conteúdo crítico sobre a política de a sociedade, O Mestre e a Margarida chegou a ser censurado pelo governo soviético e sua primeira versão integral foi publicada somente em 1973, na Alemanha.

13. A Cabana do Pai Tomás – Harriet Beecher Stowe

Esse livro também tem uma grande importância histórica, pois é considerado por muitos um dos fatores que levou à Guerra de Secessão dos EUA(1861 – 1865). Trata-se de um grande manifesto contra a escravidão, afinal, Tomás, o personagem principal, é um escravo pacifista que acaba sofrendo duramente as condições da escravidão. A história revela o horror dessa prática e deve ser lida por estudantes para que erros como esse não se repitam.

14. O Estrangeiro – Albert Camus

O filósofo argelino Albert Camus mostra em O Estrangeiro, uma de suas obras mais conhecidas, as bases de sua filosofia do absurdo. Ao discorrer sobre a história de Mersault, um homem frio e aparentemente sem sentimentos, o autor buscar entender a relação do homem com o universo e como esse mistério pode apenas não fazer sentido.

15. A Arte da Felicidade – Um Manual para a Vida – Dalai Lama e Howard C. Cutler

Esse livro se baseia em uma série de entrevistas concedidas pelo Dalai Lama ao dr. Howard Cutler. Como o próprio título diz, ele ensina como driblar problemas típicos da vida dos estudantes, como ansiedade, estresse, medo e, ao mesmo tempo, a cultivar sentimentos como a bondade.

16. Fausto – Johann von Goethe

Baseada em uma lenda alemã, a obra prima de Goethe conta a história do médico Fausto, que fez um pacto com o diabo Mefistófeles para obter conhecimento e acaba perdendo a alma, mesmo após apaixonar-se pela doce e pura Margarida. Além de ser um dos clássicos da literatura mundial, Fausto oferece um grande conteúdo histórico para os estudantes.

17. Paraíso Perdido – John Milton

Os versos do poeta britânico fazem referência às obras bíblicas, como o Gênesis. Trata-se de uma releitura da história sobre a perdição de Adão e Eva no Jardim do Éden, que recria o debate sobre os princípios éticos e morais, os conceitos éticos e morais.

18. O Senhor das Moscas – William Golding

A narrativa se passa em uma ilha deserta, após um acidente de avião em que crianças e adolescentes sobrevivem sem a supervisão de nenhum adulto. Para sobreviver, os jovens formam uma comunidade, que acaba tendo um final trágico. O livro representa uma grande crítica ao ideal do “bom selvagem” e também ao comportamento das pessoas na sociedade.

19. O sol é para todos – Harper Lee

Mais uma história que debate um dos maiores problemas da sociedade, o preconceito, O Sol É Para Todos conta a trágica história de um jovem negro que foi acusado injustamente de ter estuprado uma jovem branca. Além de tocar no polêmico tema da violência sexual, O Sol É Para Todos aborda a injustiça racial e se tornou uma das obras que embasaram o movimento pelos Direitos Civis nos EUA nos anos 60.

20. O Concorrente – Stephen King

Mais um clássico de ficção científica, O Concorrente se passa no ano de 2025, em um cenário nem um pouco animador. É em um mundo dominado pela pobreza e a alienação que Ben Richards, o protagonista, vive. Para conseguir pagar o tratamento de saúde da filha, ele acaba sendo voluntário para participar do programa de TV O Foragido, no qual pessoas perdem a vida na tentativa de ganhar o prêmio, em uma espécie de luta de gladiadores. A história discute os valores morais e sentimentos como a determinação e o respeito pela vida.

21. Laranja Mecânica – Anthony Burgess

Outro clássico das distopias, a Laranja Mecânica é indispensável para entender as raízes da violência. Em uma sociedade do futuro, o jovem Alex é líder de um grupo de adolescentes que cultuam a violência, porém, para interromper seus atos brutais, o governo inglês acaba transformando Alex em uma vítima do próprio conceito que pregava. A história reflete sobre a banalização da violência e suas consequências para a mente humana.

22 – Civilização e seus descontentamentos – Sigmund Freud

O pai da psicanálise aborda nesta obra um tema clássico da psicologia: o dilema entre a vontade individual do ser humano frente ao bem comum. Partindo desse embate, Freud analisa como as pessoas conseguem lidar com a culpa gerada por seus desejos reprimidos pela sociedade, criando novas formas de expressão. Uma boa dica para quem deseja entender o pensamento de Freud, tema de aulas em diversas áreas.

23. Hamlet – William Shakespeare

Considerada uma das melhores tragédias já escritas, a peça de Shakespeare é aclamada por sua trama recheada dos maiores dilemas existenciais da humanidade, que trata de sentimentos universais como a ira e a ambição.

24. A Divina Comédia – Dante

Obra prima do Renascentismo na literatura, A Divina Comédia é uma trilogia de poemas -Inferno, Purgatório e Paraíso – utilizada até hoje para compreender os valores do mundo medieval. Além da beleza poética, seu valor histórico também é imenso, afinal, o livro é considerado o primeiro texto escrito em italiano (o Latim era o idioma utilizado em obras literárias até então).

25. O Rio Que Saía do Éden – Richard Dawkings

Com base na teoria de Charles Darwin, Richard Dawkings explica o surgimento das milhares de espécies de seres vivos do planeta a partir da genética, estabelecendo relações entre eles. Com uma linguagem leve, repleta de metáforas, o cientista consegue desenvolver suas ideias e torna-las compreensíveis para os estudantes, fazendo com que O Rio Que Saía do Éden se torne uma leitura recomendada não apenas para estudiosos da biologia.

A breve infância do pai de Lolita

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Vladimir Nabokov

Publicada pela primeira vez na íntegra, tradução da autobiografia de Vladimir Nabokov mostra como o encerramento de sua juventude aristocrática influenciou na criação do mito do sexo prematuro

Ana Weiss, na IstoÉ

Uma das lembranças mais vívidas do livro de memórias de Vladimir Nabokov é uma borboleta de asas cor de cereja, com um olho de pavão em cada uma delas.

O detalhe tocante, descreve ele em “Fala, Memória”, que sai agora no Brasil com o texto na íntegra, ficou por conta das asas um tanto deformadas do inseto, “porque havia sido retirada da prancha cedo demais, com ansiedade demais”. Os detalhes tocantes da autobiografia, na realidade, são muitos e passam por acontecimentos históricos que vão da década que antecedeu a Revolução Russa, em 1917, à ascensão nazista na Europa, através da lente de um dos maiores nomes da literatura de emigrante. E os pormenores voltam, durante o livro ao mesmo ponto: a beleza precocemente colhida, a infância interrompida antes do tempo, mote de sua personagem mais famosa, Lolita, que o tornou conhecido fora dos círculos literários.

Vladimir Nabokov nasceu numa família aristocrática, herdeira de terras em São Petersburgo. Amparados por 50 criados, os Nabokov dividiam o tempo entre suas casas na cidade e no campo, tendo a educação dos filhos delegada a preceptores em línguas diferentes, algo de grande serventia com a chegada da Revolução Russa, a onda que devastou a vida idílica do clã, que nunca mais retornaria à terra natal. “Minha velha (desde 1917) briga com a ditadura soviética não tem qualquer relação com questões de propriedade. É total o meu desprezo pelo emigrado que ‘odeia os vermelhos’ porque eles ‘roubaram’ seu dinheiro e sua terra. A nostalgia que venho alimentando todos esses anos é uma sensação hipertrofiada de infância perdida, não de tristeza por dinheiro perdido”, escreve ele no quinto

Sue Lyon como "Lolita"

NAS TELAS
Sue Lyon como “Lolita”, na versão de 1962 filmada por Stanley Kubrick. A menina
emancipada sexualmente pelo padrasto se tornou a personagem mais
famosa do escritor, que morreu em 1977 na Suíça

Lolita, de Nabokov

 

Não há como ignorar o ressentimento que conduz a narrativa. O autor russo vivia, até a chegada da revolução bolchevique, como um pequeno príncipe bajulado, que se distraía com as joias e as peles da mãe em sua cama “…aquelas tiaras, gargantilhas e anéis cintilantes pareciam para mim dificilmente inferiores em mistério e encantamento à iluminação da cidade durante as festividades imperiais”. Tinha orgulho de um tio materno, general na luta vitoriosa contra Napoleão Bonaparte. E lembrava do pai de farda, muitos anos depois de dispensado do serviço militar, assim vestido para o batizado cristão do primeiro filho. Aos 18 anos, o primogênito, que adoecia facilmente para receber presentes na cama, vivia em Londres distante dos parentes, exilados em Berlim. “As numerosas doenças que experimentei na infância aproximaram ainda mais minha mãe e eu”, conta nos capítulos dedicados às longas férias familiares na propriedade rural em Vyrna, sua “caverna primordial”. “Depois de 1923, quando ela (a mãe de Nabokov) se mudou para Praga e eu morava na Alemanha e na França, não consegui visitá-la com frequência; também não estava com ela quando morreu, o que se deu na véspera da Segunda Guerra Mundial.”

Aos 7 anos com o pai, Vladimir Dmitrievich Nabokov

ÁLBUM
Aos 7 anos com o pai, Vladimir Dmitrievich Nabokov,
filho liberal de uma tradicional família aristocrata

A culpa de Nabokov transcendia a intimidade familiar. Seus romances mais importantes, “A Verdadeira Vida de Sebastian Knight” (1941) e “Lolita” (1955), foram escritos primeiro em inglês e só muito depois traduzidos para sua língua materna. Apesar do sucesso a partir dos anos 50, pagou as contas no estrangeiro ensinando literatura russa, atividade que deixou de exercer bem cedo. Nas suas aulas (leia ao lado) apontava como grande falha de colegas de profissão maiores que ele, como Nikolai Gógol e Fiódor Dostoiévski justamente a falta de conhecimento do povo que deixou para fugir do comunismo. O livro foi publicado pela primeira vez com o título “Prova Conclusiva”, que o autor mudou na edição de 1966 para o atual “Fala, Memória”, também em inglês. A tradução da Alfaguara traz pela primeira vez em português o 16o capítulo, um exercício em que Nabokov resenha o próprio livro como se fosse uma terceira pessoa. Um dos pontos destacados pelo texto crítico é o esclarecimento para os leitores ocidentais de quão livres as ideias e opiniões circulavam até 1917, época em que era possível capturar borboletas-do-pavão, espécie muito rara “em nossas florestas do norte”.

críticas de Nabokov a outros autores russos

Foto: The Kobal Collection/MGM; Acervo de família

13 famosas rivalidades entre escritores

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Patricia Oliveira, no Literatortura

Se, ao escrever uma crônica, um poema, um livro ou algo do gênero, você recebeu apenas comentários positivos de um público em geral – não apenas de conhecidos -, sem ao menos uma crítica, mesmo que de cunho construtivo, então saiba que tem algo errado: alguém mentiu ou se omitiu. E, caso tenha recebido, não se preocupe, pois não está sozinho. Grandes escritores também estão fadados a receber grandes críticas. E grandes críticos, consequentemente, a ser criticados por sua vez. O problema é quando, além de críticos, são também colegas de profissão. Confira na lista abaixo alguns de nossos escritores favoritos comentando a respeito uns dos outros de uma maneira que poucos iriam imaginar, e veja se algum deles pensa como você:

Evelyn Waugh sobre Marcel Proust:

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“Estou lendo Proust pela primeira vez. É uma coisa muito pobre. Eu acho que ele tinha algum problema mental.”

Virginia Woolf sobre James Joyce:

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Virginia declara após ler um dos romances mais conhecidos do irlandês: “Ulisses é o trabalho de um estudante universitário enjoado coçando as suas espinhas.”.

Oscar Wilde sobre Alexander Pope:

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“Existem duas formas de se odiar poesia: uma delas é não gostar, a outra é ler Pope.”

William Faulkner e Ernest Hemingway:

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O autor de O Som e a Fúria declarou o seguinte: “Hemingway nunca foi conhecido por usar uma palavra que faça o leitor consultar um dicionário”

Ao passo que, quando questionado sobre isso, Ernest diz: “Pobre Faulkner, realmente acredita que grandes emoções vêm de grandes palavras?”.

Fico na dúvida entre Mark Twain ou Vladimir Nabokov para considerar como o Ingmar Bergman da literatura, no que se refere aos inúmeros disparates realizados aos inúmeros colegas de profissão. Veja alguns casos de ambos e tire suas próprias conclusões:

Vladimir Nabokov sobre Joseph Conrad:

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O autor de Lolita declara: “Eu não consigo tolerar o estilo loja de presentes de Conrad e os navios engarrafados e colares de concha de seus clichês românticos.”.

Vladimir Nabokov sobre Sigmund Freud:

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Quando questionado sobre o porquê de tanto odiar o pai da psicanálise, em uma entrevista concedida para o canal de televisão americano National Educational Television, o russo declarou o seguinte: ” Eu acho que ele é grosseiro, eu acho que ele é medieval, e não quero um senhor idoso de Viena com um guarda chuva impondo seus sonhos pra cima de mim. Eu não tenho os sonhos que ele discute nos livros. Eu não vejo guarda-chuvas em meus sonhos. Ou balões.”.

Vladimir Nabokov sobre Fiódor Dostoievski:

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A falta de bom gosto de Dostoievski, seus negócios monótonos com pessoas sofrendo de complexos pré-Freudianos, o jeito que se chafurda nas trágicas desventuras da dignidade humana – tudo isso é difícil de admirar

Mark Twain sobre Jane Austen:

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Twain, após explicar que não se acha no direito de criticar uma obra, a não ser que a odeie, cita Austen e declara: “Cada vez que leio Orgulho e Preconceito tenho vontade de desenterrá-la e golpeá-la no crânio com sua própria tíbia”.

Mark Twain sobre James Fenimore Cooper:

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“A arte de Cooper tem alguns defeitos. Primeiramente, em “Deerslayer”, em um espaço restrito de 2/3 de página, Cooper conseguiu realizar 114 ofensas contra a arte literária, além de uma possível 115ª. Isso bate o recorde.”.

Charles Baudelaire sobre Voltaire:

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“Eu cresci entediado na França. E o maior motivo para isso é que todo mundo aqui me lembra o Voltaire… o rei dos idiotas, o príncipe da superficialidade, o antiartista, o porta-voz das serventes, o papai Gigone dos editores da revista Siecle.”

Truman Capote sobre Jack Kerouac:

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Truman declara, após ler Na Estrada – obra também conhecida como a “Bíblia Hippie” – o seguinte: “Isso não é escrever. Isso é só datilografar.”.

George Moore sobre Gustave Flaubert:

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Sobre o autor de Madame Bovary, o novelista afirma: “Flaubert me entedia. Quantas coisas sem noção falam sobre ele!”.

Henry James sobre Edgar Allan Poe:

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“Entusiasmar-se em relação a Poe é decididamente um sinal de estágio primitivo de reflexão.”
Ao que nosso querido Poe com certeza responderia: “Tenho muita esperança em tolos – autoconfiança é o que meus amigos diriam.”.

‘Não queria fazer carta de amor para Nabokov’, afirma Lila Azam Zanganeh

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Escritora falou sobre ‘entrevista’ com russo: ‘Sonhei várias vezes com ele’.
Francesa foi o centro das atenções de mesa na manhã desta sexta, na Flip.

Candidata a “musa” da Flip a francesa Lila Azam Zanganeh (Foto: Flavio Moraes/G1)

Candidata a “musa” da Flip a francesa Lila Azam Zanganeh (Foto: Flavio Moraes/G1)

Letícia Mendes, no G1

Teses das obras do russo Vladimir Nabokov e do francês Roland Barthes parecem temas menores para uma discussão perto da presença da autora francesa Lila Azam Zanganeh, que participou da mesa “O prazer do texto”, na manhã desta sexta-feira (5), na 11ª Flip, ao lado do brasileiro Francisco Bosco.

O mediador Cassiano Elek Machado apontou as semelhanças entre os dois convidados: “Ambos têm 36 anos, são professores e têm desenvolvido novas formas de praticar o gênero ensaio”, disse. Porém, a franco-iraniana foi o centro das atenções do debate.

Lila é filha de iranianos, mas nasceu em Paris. Quando bebê, durante a Revolução Islâmica de 1979, sua mãe ficou presa em Teerã e quase não conseguiu deixar o país. Aos 20 anos, se mudou para os Estados Unidos e, com 23, já ministrava aulas de literatura e cinema em Harvard.

Ela colaborou com os principais jornais e revistas do mundo e seu livro, “O encantador: Nabokov e a felicidade”, foi elogiado por nomes como Orhan Pamuk e Salman Rushdie. Segundo o mediador, Lila viaja frequentemente a São Paulo, é fã do molho vinagrete, do limão verde, do bar Mercearia São Pedro e seu livro favorito é “Contos de Nabokov”. A escritora ainda é fluente em seis línguas e conversou com o público da Flip em português.

Francisco Bosco participa da mesa denominada 'O prazer do texto' (Foto: Flavio Moraes/G1)

Francisco Bosco participa da mesa denominada ‘O
prazer do texto’ (Foto: Flavio Moraes/G1)

Quando Nabokov morreu, Lila tinha apenas dez meses de idade, mas isso não a impediu de “entrevistá-lo” para seu livro. “Sonhei várias vezes com ele. Ele não era perfeito, tinha muitas ideias erradas, e não gostava de escritoras e tradutoras mulheres. Eu queria falar com ele. Dedicar um livro a um artista que a gente ama não pode ser somente uma carta de amor, como “Nabokov, te adoro”. Eu queria saber como, depois de dois exílios, falecimento do pai e outras tragédias, ele encontrou outra vez a felicidade nos EUA”, afirma.

Lila conta quando teve que ler seu livro para o filho de Nabokov, Dmitri, para que ele pudesse conceder os direitos autorais. “Ele estava muito doente e tive que ler em voz alta. Foi a coisa mais edificante da minha vida. Ele ficou bravo e disse ‘Por que você inventou essa coisa?”, mas no final ele me ajudou”.

Por sua vez, Bosco, autor de “Alta ajuda”, relacionou o tema da mesa com as manifestações que estão acontecendo pelo país. “Barthes tem uma relação forte com a política. No livro ‘O prazer do texto’, ele declara uma renúncia ao conflito. A linguagem dos protestos é a dos cartazes, com palavras de ordem, e a de Barthes é subversiva e sutil”, disse.

Lila Azam Zanganeh é filha de iranianos, nasceu em Paris e vive agora nos EUA (Foto: Flavio Moraes/G1)

Lila Azam Zanganeh é filha de iranianos, nasceu em Paris e vive agora nos EUA (Foto: Flavio Moraes/G1)

Prostituta se forma em Letras e reclama de salário de professor

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Aluna da UFSCar, Gabriela Natália da Silva diz que é garota de programa por prazer e nunca precisou vender o corpo para pagar os estudos
Enquanto ela cobra R$ 250 a hora, um professor da rede estadual de ensino em início de carreira tira, em média, R$ 15 por hora

Leonardo Vieira, em O Globo

A garota de programa Gabriela Natália da Silva, de 21 anos, formou-se em Letras na UFSCar, mas prefere dar aulas apenas como hobby Divulgação

A garota de programa Gabriela Natália da Silva, de 21 anos, formou-se em Letras na UFSCar, mas prefere dar aulas apenas como hobby Divulgação

RIO – Na turma de recém-graduados em Letras da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), uma das formadas prefere não dar aulas por enquanto, e exerce outra profissão que já é citada inclusive na relação de carreiras do Ministério do Trabalho: garota de programa.

Gabriela Natália da Silva, de 21 anos, formou-se em Português-Espanhol em abril deste ano, mas nunca deixou de trabalhar fazendo programas em São Carlos, interior de São Paulo. Mais conhecida como Lola Benvenutti, nome inspirado no livro “Lolita” do russo Vladimir Nabokov, a profissional do sexo gosta de se diferenciar de outras colegas de profissão que vendem o corpo por dinheiro. Lola afirma com veemência que nunca precisou se prostituir para pagar as contas da faculdade.

— Fiz universidade federal, e meus pais me deram uma boa condição para estudar. Então o que eu faço como garota de programa é por puro prazer. E ninguém tem nada com isso — diz Lola.

No último ano da graduação, Lola começou a escrever um blog, onde fala sobre sexo, levanta bandeiras a favor da regulamentação da prostituição no Brasil e conta experiências com clientes. Tudo no anonimato, e sem cunho pornográfico. Segundo ela, o tema ainda vai lhe render uma pós-graduação na área.

— Vou me inscrever no mestrado de Estudos Culturais na USP e pretendo analisar o mundo da prostituição e do fetiche. Já tenho até orientador — garante a garota de programa, que chegou a ter bolsa de iniciação científica em moda.

Mesmo acostumada a dar aulas de Português e Redação para jovens e adultos, Lola reclama dos baixos salários de professor no país. Enquanto um professor da rede estadual de ensino do Rio, recém-formado em Letras, ganha em média R$ 15 a hora/aula, Lola cobra R$ 250 por hora de programa. E são no mínimo cinco por dia, segundo ela.

Ou seja, para ganhar o mesmo que Lola ganha em um programa, um professor da rede estadual de ensino do Rio precisa dar, no mínimo, 16 aulas. Não é à toa que Lola considera a prática docente, por enquanto, apenas como um hobby.

— No futuro eu até quero dar mais aulas sim. Mas com o salário que o professor ganha no Brasil, eu não conseguiria sobreviver. Professor é um herói — afirma Lola.

A garota de programa garante que nunca escondeu sua real profissão e não sofreu retaliações no meio acadêmico, mas “os olhares desconfiados de alguns colegas são inevitáveis”. Perguntada se algum aluno ou professor já se tornou cliente por um dia, ela primeiro ri da situação, e depois confessa:

— Já sim, é engraçado até. Mas a relação continua sendo estritamente profissional.

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