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Há livros que podem nos fazer mal?

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Desenvolvemos a linguagem se pensarmos, e se tivermos uma linguagem rica também pensamos melhor. Há um empobrecimento do vocabulário e um empobrecimento do pensamento.” Manuela Correia Foto: Rui Gaudêncio

 

Há um movimento de estudantes universitários norte-americanos a pedir que os protejam dos conteúdos de alguns livros que consideram perigosos. Em causa estão sobretudo clássicos da literatura grega e romana. A psiquiatra Manuela Correia fala em “infantilização” da sociedade.

Isabel Lucas, no Público

Em Lisístrata, comédia do ano 411 a.C., o dramaturgo grego Aristófanes põe na voz de uma mulher um apelo à paz: enquanto durar a guerra entre Atenas e Esparta, as atenienses recusam ter sexo com os seus maridos. O livro seria pouco depois proibido naquela que é uma das primeiras censuras literárias do Ocidente. Perigoso por propor uma alteração à norma de comportamento.

Muitos séculos depois, noutro país também do Ocidente, um grupo de estudantes universitários pede para que alguns clássicos da literatura, sobretudo da antiguidade grega e romana, que fazem parte dos programas curriculares, surjam com uma advertência na capa, chamando a atenção para o “perigo” para o “bem-estar mental” que representam os seus conteúdos, potencialmente causadores de sofrimento, trauma ou angústia.

Metamorfoses, do poeta latino Ovídio, é uma das obras que esses estudantes consideram conter “matéria perigosa”. O poema dividido em 15 livros é tido como um dos livros mais influentes da cultura e civilização ocidentais, e narra a transformação exercida pelo tempo no homem e na sua história, cruzando ficção e realidade, e apresentando os mitos como essenciais na evolução humana. Deuses, homens, plantas, animais, elementos convivem fantasiosamente em histórias de amor, traição, incesto, punição, violência, morte, redenção, sem qualquer tipo de apreciação moral. Entre estes “interditos, está a descrição do rapto de Prosérpina, mulher de Plutão e filha de Deméter, que Ovídio começa a narrar assim: “Um dia colhia violetas e brancos lírios, e ia enchendo, com entusiasmo juvenil, cestas e o regaço, à compita com as amigas a ver que colhia mais, quando Dite a viu e, quase em simultâneo, se enamora e rapta-a: tão precipitado era o seu amor. Aterrada, desata a deusa a chamar, com voz desolada, pela mãe e as companheiras, sobretudo pela mãe. Rasgando a parte de cima do vestido, a túnica soltou-se e as flores colhidas caíram por terra. E tal era a candura que presidia aos seus anos de menina, que até também a perda das flores consternou a rapariga.” (Cotovia, 2007)

O pedido aconteceu no início do Verão passado, veio dos estudantes da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, uma das mais prestigiadas do país, e foi rejeitado pela direção, mas é simbólico em relação ao que se está a passar em muitas universidades nos Estados Unidos. Em Setembro do ano passado, a revista Atlantic publicava um artigo com o título O afago da mente americana, escrevendo que “em nome do bem-estar emocional, os estudantes universitários exigem uma proteção cada vez maior em relação a palavras e ideias de que não gostam”, o que está, dizem os autores do texto, “a ser desastroso para a educação e para a saúde mental.” E dão mais exemplos. Os estudantes de Direito de Harvard pediram que não fosse ensinada a lei sobre violação. O problema, diziam, estava na palavra violação (rape) que podia reacender o trauma em estudantes que pudessem ter sido vítimas desse tipo de abuso.

Absurdo? Os pedidos de protecção “literária” sucedem-se. Pouco tempo depois, a Aeon publicava um ensaio, partindo do facto de que a ideia de que os livros são perigosos é tão antiga quanto a literatura. “Não se fala tanto de ‘perigo’ político, mas moral ou mental. O romance de Chinua Achebe, Quando Tudo se Desmorona (1958) está também entre os problemáticos por poder despertar instintos racistas ou reavivar o sofrimento de quem foi alvo de racismo; O Grande Gatsby, por estimular violência doméstica; Mrs Dalloway, de Virginia Woolf, por poder levar ao suicídio, assim como A Piada Infinita, de David Foster Wallace por narrar os sintomas da depressão crónica experimentada pelo autor e que o levaria a suicidar-se em 2006, dez anos após a publicação do livro. Fala de uma sensação que “é o motivo pelo qual quero morrer”. E define-a assim: “é como se não fosse capaz de encontrar nada fora dessa sensação e por isso não sei que nome lhe posso dar. É mais horror que tristeza. É mais horror. É como se uma coisa horrorosa estivesse prestes a acontecer, a coisa mais horrível que se possa imaginar, não, pior do que se possa imaginar porque há também a sensação de que é preciso fazer qualquer coisa de imediato para se deter aquilo mas não se sabe o que se deve fazer e de repente está a acontecer, durante o tempo todo, está prestes a acontecer e ao mesmo tempo está a acontecer.” (Quetzal, 2012)

Os campus universitários americanos parecem viver no pânico do trauma, na obsessão da linguagem politicamente correcta, de tal forma que — e lembra ainda o artigo da Atlantic — humoristas como Jerry Seinfeld estão a recusar dar espectáculos nas universidades, alegando que os estudantes “não são capazes de suportar uma piada”.

“Infantilização” da sociedade

“Estamos perante uma excessiva psiquiatrização da sociedade”, afirma Manuela Correia, psiquiatra, psicoterapeuta, com um vasto trabalho e investigação desenvolvidos na área do suicídio na adolescência e juventude, e uma leitora voraz. Conhece todas as obras aqui apontadas como “perigosas” e tenta responder a uma questão muito simples: há livros que nos fazem mal? Ou — recuperando a terminologia usada por quem pede protecção — há livros “perigosos”? E a outra pergunta que pode precisar de resposta mais complexa: o que é que este medo pode representar, não apenas para quem dele padece, mas para a sociedade que o alimenta e dele parece alimentar-se?

“Pode falar-se em três categorias de interditos: o político, o religioso e o moral. E no moral está o uso de drogas, o apelo à violência, a sexualidade, o incesto, a prostituição, os termos impróprios. E parece ser aqui que estamos neste momento”, diz, remetendo para um termo que vem da sociologia, e que no seu entender está a regressar: anomia social.

O conceito desenvolvido por Émile Durkheim no final do século XIX no livro O Suicídio (1897) refere-se à ausência ou falta de normas ou regras numa estrutura ou grupo social. “Foi criado numa altura em que por diminuição (mais…)

5 vantagens de escrever com frequência

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Fonte: Shutterstock

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Conheça os benefícios que a escrita pode trazer para a sua vida

Publicado no Universia Brasil

A escrita é uma atividade presente no cotidiano de praticamente todos os profissionais, seja no momento de redigir um e-mail ou um texto importante solicitado pelo chefe. No entanto, muitos funcionários, além de não terem facilidade para escrever, não gostam da prática. Para que você comece a escrever mais, confira quais são os benefícios:

1 – Você será mais organizado

À medida que você se identificar com a escrita, irá querer praticá-la cada vez mais. Por isso, você organizará melhor os seus compromissos para que tenha tempo de exercer uma atividade que se tornou um hobby ao longo do tempo.

2 – Você terá um vocabulário melhor

Quanto mais você escreve, mais cria um estilo próprio de texto, ampliando consideravelmente o seu potencial. Pela necessidade de encontrar sinônimos para expressar as ideias que deseja, você começará a entrar em contato com palavras até então desconhecidas do seu vocabulário. Assim, ele será ampliado, trazendo benefícios para sua própria escrita.

3 – Você falará melhor

A escrita faz com que o pensamento flua de maneira mais coesa e concisa. Por isso, você perceberá mudanças positivas na forma como fala e se comunica com os outros. Assim, sua autoconfiança ao falar com alguém será muito maior.

4 – Você lerá mais

O gosto pela escrita desperta também o gosto pela leitura. Possivelmente você se sentirá mais conectado com os livros e passará mais tempo do seu dia lendo notícias, textos e qualquer outro material que seja do seu interesse. Consequentemente sua bagagem cultural será ampliada.

5 – Você pode escolher sua carreira

Muitas vezes a escrita é algo tão importante na sua vida que pode levá-lo a escolher uma carreira em que ela seja essencial. Você pode optar pela carreira de escritor, de jornalista ou qualquer outra em que você acredite precisar das palavras com frequência.

8 motivos para NUNCA abandonar a leitura

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Saiba por que cultivar o hábito de ler é essencial para a sua vida

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Publicado no Universia Brasil

A leitura traz uma série de benefícios. Além de estimular a busca pelo conhecimento e pela criatividade, essa atividade também é capaz de aliviar os sintomas de estresse. Por isso, cultivar esse hábito é essencial para enriquecer não só o repertório cultural, como também o próprio desenvolvimento emocional.

Muitos profissionais sentem-se desmotivados a ler diariamente, principalmente devido ao cansaço e à falta de tempo. Pensando nisso, a seguir listamos 8 benefícios proporcionados pelos livros que irão resgatar a sua motivação, mesmo em meio à rotina corrida. Confira:

1 – Estímulo mental
Ler é um ótimo exercício para estimular o cérebro mantendo o pensamento crítico sempre ativo.

 

2 – Diminuição do estresse
A leitura é capaz de relaxar e acalmar. Muitas pessoas, inclusive, cultivam o hábito de ler um pouco antes de dormir.


3 – Expansão do conhecimento

Está comprovado que os livros são capazes de gerar conhecimento ampliando o repertório cultural do leitor. Ler é sempre uma ótima oportunidade para aprender algo novo.


4 – Desenvolvimento do vocabulário

Muitas vezes, o leitor entra em contato com palavras desconhecidas durante a leitura e, dessa forma, consegue ampliar o seu vocabulário buscando o significado dessas expressões.


5 – Desenvolvimento da capacidade de memorização

Ler permite o desenvolvimento da memória. Muitas vezes, o leitor tem que se lembrar de um episódio que ocorreu no começo do livro, por exemplo. Isso é uma ótima atividade para treinar a capacidade de fixação de conteúdos.

 

6 – Estímulo ao desenvolvimento da escrita
Ao ampliar o vocabulário, a leitura também traz a oportunidade para melhorar as habilidades de escrita.

 

7 – Aumento da capacidade analítica e do pensamento crítico
Em geral, os livros permitem uma reflexão sobre diferentes assuntos. Muitas narrativas podem gerar debates inteligentes propondo pesquisas, discussões e análises críticas sobre determinado tema.

 

8 – Aumento da concentração
Ler também é um bom um exercício para manter o foco e a concentração porque exige muita atenção, sobretudo quando o conteúdo é mais complexo.

Dothraki, Klingon ou Élfico, escolha a sua língua favorita

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Publicado por Revista Bang!

Com a recente notícia do lançamento de uma aplicação no iTunes para aprender a língua Dothraki, decidimos fazer uma breve pesquisa ao maravilhoso mundo das línguas inventadas de fantasia e saber o que tem sido feito em interação com a tecnologia das aplicações.

Khal Drogo e Daenerys Targaryen na série “Guerra dos Tronos” (HBO)

Khal Drogo e Daenerys Targaryen na série “Guerra dos Tronos” (HBO)

Na verdade, George R. R. Martin não desenvolveu grandemente a língua Dothraki (ou mesmo a Valiriana). Criou algumas palavras, mas deixou ao linguista norte-americano David J. Peterson a tarefa de desenvolver a sintaxe, semântica e vocabulário da tribo dos cavaleiros nómadas. Graças a essa nova aplicação, é possível aceder a jogos interativos, 300 fichas de vocabulário, resumos de gramática, dicas sobre a cultura dos cavaleiros e sugestões de diálogos para treinar o idioma.

Mas não é só o Dothraki que se encontra disponível em aplicação. Há muito que os amantes de literatura fantástica sabem que uma das línguas mais interessantes desenvolvidas nos reinos de fantasia é a linguagem élfica de J. R. R. Tolkien. Tendo o autor sido um professor de Filologia e amante das línguas, devotou muito do seu tempo livre à criação do Quenya, a língua primordial dos elfos (mais tarde surgiu a variante do Sindarin). Foi do seu intenso amor por línguas que nasceu depois a mitologia que deu origem à Terra Média e a Valinor. Não podia faltar uma aplicação gratuita de Elvenspeak, um guia para a cultura e língua Quenya; contém um dicionário Inglês-Quenya, curso de língua, alfabeto, vocabulário, lições e tudo o necessário para aprender a ter uma conversa em élfico.

“Morgoth e Fingolfin” de John Howe

“Morgoth e Fingolfin” de John Howe

Mas a linguagem ficcional mais popular do mundo não é o élfico nem dothraki. Essa honra cabe à língua Klingon, do universo de ficção científica Star Trek. Os Klingon são uma raça extraterrestre com uma cultura guerreira e códigos de conduta marciais. A língua criada por Marc Okrand já está desenvolvida o suficiente para permitir uma tradução de Hamlet de Shakespeare para Klingon (!) ou do clássico universal Gilgamesh. Não se surpreendam por saber que existe um Instituto de Língua Klingon e muitos fãs dedicados estudam a língua e desenvolvem-na em comunidade.

Avatar de James Cameron foi um sucesso tão esmagador, com a promessa de mais filmes nos próximos anos, que os fãs ganharam a oportunidade de aprender melhor a linguagem Na’vi, falada pelo povo que habita a lua Pandora. Paul Frommer começou a criá-la em 2005 e esta constitui parte essencial do enredo do filme. O Avatar de Jake Sully é levado por Neytiri ao seu clã Na’vi, sendo forçado a aprender a língua e os costumes.

Avatar de James Cameron

Avatar de James Cameron

Para os interessados em aprender um pouco mais sobre a criação fascinante destas quatro línguas artificiais, sugerimos a visualização do vídeo “Serão o Élfico, Klingon e Na’vi línguas verdadeiras?”

Conheça a casa onde Ariano Suassuna morou

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O universo mágico dos livros de Ariano Suassuna permeia toda a casa onde o escritor morou com a mulher durante 55 anos, no Recife

Rogério Maranhão/ Casa Cláudia - Casa de Ariano Suassuna: escritor viveu durante 55 anos cercado de tudo o que mais amava

Rogério Maranhão/ Casa Cláudia – Casa de Ariano Suassuna: escritor viveu durante 55 anos cercado de tudo o que mais amava

Rosele Matins, na Revista Exame

São Paulo – Assassinado por um cangaceiro, João Grilo, protagonista da peça Auto da Compadecida (1955), recebe autorização para ressuscitar. Mas o perdão não vem facilmente: como havia ludibriado seu algoz, além do padre, do sacristão, do bispo e do padeiro da cidade com mentiras, o personagem precisou enfrentar um julgamento, no qual Jesus, na fgura de um homem negro, e o Diabo, vestido de vaqueiro, disputam sua alma.

Não fosse a intercessão da Virgem, o herói malandro (autodenominado “um amarelo muito safado”) padeceria no fogo eterno. Já no Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (1971), o fidalgo dom Pedro Dinis Ferreira-Quaderna narra sangrentas e mirabolantes epopeias medievais, ocorridas em pleno sertão, com vocabulário pitoresco, em que onças, anjos e caboclos dividem as páginas com bestas marinhas e menções aos escritores Homero e Euclides da Cunha.

Situações insólitas como essas, repletas de fantasia e elementos da cultura regional (a exemplo da literatura de cordel e de versos dos repentistas), caracterizam os textos de Ariano Suassuna (1927-2014), o Imperador da Pedra do Reino – a nobre condecoração ele recebeu dos organizadores de uma cavalgada que acontece anualmente em São José do Belmonte, no interior pernambucano, inspirada em lendas locais e em seu livro mais famoso.

Assim como as demais, a obra foi escrita à mão, no gabinete da casa na qual esse paraibano, radicado no Recife desde a adolescência, morou por mais de cinco décadas com a parceira de toda a vida, Zélia Andrade Lima.

“Ele era muito rigoroso e disciplinado. Acordava cedo e trabalhava de domingo adomingo. Só interrompia o ofício para ler”, conta um de seus genros, o artista plástico Alexandre Nóbrega, braço direito na tarefa de migrar o conteúdo manuscrito para o computador.

Uma espreguiçadeira – gênero de móvel pelo qual Ariano tinha especial predileção – deixada na sala de jantar era sua companhia na leitura do jornal, logo após o café da manhã.

No ambiente, decorado com móveis de jacarandá do século 19, piso de ladrilhos hidráulicos também antigos e um belo painel de azulejos, presenteado pelo amigo Francisco Brennand, o autor de Uma Mulher Vestida de Sol (1947) e O Santo e a Porca (1964) saboreava almoços com os seis filhos e os 15 netos aos domingos.

Mantê-los por perto, aliás, era uma de suas grandes alegrias. Tanto que vários integrantes da família moram neste mesmo lote, em outras construções, e se visitam cotidianamente. “Sou patriarcal”, declarou Ariano na reportagem publicada por CASA CLAUDIA em 1997.

Quando não estava lendo ou escrevendo, exercia outra atividade: ministrava aulas-espetáculo sobre a cultura popular brasileira, acompanhado de músicos e bailarinos. A última delas ocorreu cinco dias antes de encontrar Caetana, como se referia à morte, parafraseando um termo comum no sertão da Paraíba e de Pernambuco.

O ritmo das saídas, no entanto, diminuiu desde o ano passado, quando ficou hospitalizado para tratar dois infartos e um aneurisma cerebral. Mais recolhido, pôde concluir o livro O Jumento Sedutor, que vinha preparando há 33 anos, com previsão de lançamento ainda para 2014.

“Fiz um pacto com Deus. Se ele achasse que o romance tinha algo de sacrílego ou de desrespeitoso, que o interrompesse pela morte”, disse o escritor numa entrevista concedida em dezembro último ao jornal Folha de S.Paulo. Pelo jeito, o interesse em ver a obra pronta não era apenas terreno.

Refúgio povoado de lembranças carinhosas

O endereço eleito por Ariano, ao qual o escritor se referia como “minha fortaleza, um marco de resistência da cultura brasileira”, só poderia ser peculiar, a exemplo das histórias que ele imaginou.

Erguida em 1870, a construção (cuja fachada foi revestida de azulejos criados por Brennand) fica na Casa Forte, bairro de atmosfera bucólica na Zona Norte do Recife, às margens do rio Capibaribe.

Do portão, já se avistam esculturas de contornos oníricos moldadas por Zélia, painéis cerâmicos e mosaicos que reverenciam a religiosidade e o legado do ilustre morador, que, apesar de conhecido pelo talento com as letras, flertava com as artes plásticas – alguns de seus livros trazem ilustrações que ele mesmo desenhou.

Lá dentro, móveis herdados, lembranças da infância e muitos presentes, dados por filhos e amigos, preenchem os ambientes, que expressam um registro mantido com afeto na memória do autor.

“Assim como eu, Zélia também cresceu num engenho, em Tapera, na zona da mata pernambucana. Talvez por isso, tenhamos escolhido uma casa assim, com ar de fazenda”, afirmou ele, imperador em São José do Belmonte e aqui, em seu reino, onde viveu durante 55 anos cercado de tudo o que mais amava.

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Imagens: Rogério Maranhão/Casa Cláudia

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