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Marta Suplicy e José Castilho comentam os novos rumos das políticas de livro e leitura

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Raquel Cozer, no A Biblioteca de Raquel

As políticas de livro e leitura do país deixarão de ser atribuição da Fundação Biblioteca Nacional (FBN) e voltarão à estrutura do Ministério da Cultura, em Brasília.

A decisão da ministra Marta Suplicy, ainda não divulgada oficialmente, foi consolidada na última segunda-feira, quando José Castilho Marques Neto, presidente da Editora Unesp, aceitou o convite para voltar ao cargo de secretário-executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), com mais responsabilidades do que tinha de 2006 a 2011.

A reportagem de capa da “Ilustrada” de hoje traz a explicação dessa novela toda (que venho acompanhando há dois anos, mas que começou nos tempos de Monteiro Lobato).

Abaixo, minhas entrevistas com Marta Suplicy e com José Castilho Marques Neto –concedidas respectivamentes por e-mail (via assessoria de imprensa) e telefone apenas após conclusão da edição de hoje, ontem à tarde. Falei ainda com Ana de Hollanda, citada na reportagem. Galeno Amorim, ex-presidente da FBN, a quem liguei e escrevi desde terça, não foi localizado.

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Marta na Comissão de Cultura da Câmara, em foto de Joel Rodrigues/Folhapress

Marta na Comissão de Cultura da Câmara, em foto de Joel Rodrigues/Folhapress

Pouco após assumir o MinC, no fim do ano passado, a sra. disse à Folha estar estudando a volta das políticas de livro e leitura para Brasília. Qual sua avaliação do desempenho da Biblioteca Nacional nesse setor e por que resolveu dissociar a área dela?
Marta: A ida da Diretoria de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (DLLLB) para a FBN incumbiu e priorizou ações para a FBN que atrapalharam a sua função principal e desvirtuou o processo que estava sendo implantado de formação de leitores a partir dos eixos do Plano Nacional do Livro e Leitura – PNLL.

Quais as prioridades da área de livro e leitura em sua gestão como ministra?
Marta: Retomar a centralidade do PNLL na condução da política pública do ministério para a área. Trabalhar fortemente na institucionalização de uma política de Estado para o livro, a leitura, a literatura e as bibliotecas buscando torná-la perene, supragovernamental e que não sofra processo de descontinuidade na troca democrática de governos. E também não deixar de focar na formação de leitores, na modernização de bibliotecas publicas que precisam ser centros culturais de inclusão e no incentivo aos mediadores de leitura.

A gestão de Galeno Amorim priorizou a compra de acervo para bibliotecas, com um programa de aquisição de livros a preços baixos. A primeira fase do programa foi encerrada sem ser finalizada, já que intermediários, como editores e pontos de venda, não entregaram todos os livros pedidos pelas bibliotecas. Galeno previa para junho um segundo edital, que corrigiria problemas do primeiro e no qual bibliotecas que não receberam livros na primeira fase teriam créditos. Esse edital será lançado?
Marta: Não. A necessária política de acervo para as bibliotecas públicas será reavaliada pelos novos responsáveis com a diretriz de valorizar o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas e a construção de um verdadeiro sistema de bibliotecas que atenda o leitor do século 21.

Quem ficará responsável pela participação do Brasil na feira de Frankfurt e pelas políticas de internacionalização da literatura brasileira?
Marta: A Fundação Biblioteca Nacional, tendo Renato Lessa como responsável.

Tive a informação de que a sra. nomeará José Castilho Marques Neto para comandar essas políticas. Essa informação procede? Por que o escolheu?
Marta: Sim, porque ele é um excelente quadro propulsor do melhor programa de política de livros e leitura que já tivemos.

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José Castilho Marques Neto, em foto de José Carlos Barretta/Folhapress

José Castilho Marques Neto, em foto de José Carlos Barretta/Folhapress

Você foi secretário-executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura de 2006 a 2011. Sua função agora será a mesma?
Castilho: O enfoque do PNLL é o mesmo, mas seu papel na estrutura do ministério será mais preponderante. Será um papel não apenas de conselheiro, mas de coordenação das políticas implementadas de livro, leitura, literatura e biblioteca. O PNLL antes só chegava nas bordas.

Quais serão as prioridades na sua gestão?
Castilho: Temos uma pauta que foi consenso no Congresso Nacional de Cultura, em 2010, e que precisa ser implementada. Essa pauta prevê principalmente a formação de uma política de Estado da cultura, ou seja, uma institucionalização dessas políticas. Esse é o ponto inicial de uma ação do PNLL, que está na proposta que estou levando ao ministério.

O primeiro ponto é a institucionalização do PNLL em lei, porque precisamos de um plano nacional de longo prazo. O PNLL tem de ser elevado do patamar de decreto em que se encontra agora. A segunda questão é criar um organismo representativo e que tenha autoridade em financiamento para tratar dessa política. Isso seria o Instituto Nacional de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas. Terceiro, temos que finalmente projetar e instituir o Fundo Setorial Pró-Leitura.

Esse fundo foi pensado como fruto da desoneração de 2004 [quando a cadeia produtiva do livro deixou de pagar PIS/COFINS, que chegava a 9% do faturamento, e se comprometeu a pagar 1% do faturamento para estimular políticas de livro e leitura], que até hoje não foi regulamentado. Isso é importante para criar um recurso permanente para o Instituto Nacional do Livro.

De quanto seria a arrecadação desse fundo e por que a ideia não avançou?
Castilho: A estimativa em 2010 era que com o fundo se arrecadasse R$ 50 milhões por ano. Com a desoneração, o governo deixou de arrecadar R$ 500 milhões ao ano. Não foi para a frente porque não houve ação incisiva do governo e porque o setor empresarial não tocou voluntariamente nessa questão.

E como acha que a cadeia produtiva receberá o retorno dessa discussão?
Castilho: Acho que as editoras entendem a importância de um fundo para estimular ações de livro e leitura, embora, obviamente, como faz muito tempo que o assunto não vem à tona, possa render alguma polêmica. É importante registrar que, durante esse período, até 2009, o setor privado, até como resposta à questão da desoneração, criou o Instituto Pró-Livro, com apoio da Câmara Brasileira do Livro, do Sindicato dos Editores de Livros, da Abrelivros, e fez ações importantes em parceria com o governo, como a pesquisa Retratos da Leitura.

O setor privado não se furtou a contribuir para o desenvolvimento do plano e também deu uma resposta à questão da desoneração. Mas o investimento ainda é muito aquém do que foi acordado, que era de 1%. Hoje essa contribuição é voluntária, então não chega a 1% do faturamento do setor.

Qual é hoje o orçamento do PNLL? Durante a última gestão, foram anunciados R$ 373 milhões sob o guarda-chuva do PNLL, mas abrangendo ações externas ao MinC.
Castilho: Não sei como está isso exatamente agora. Combinei com a ministra de, nos próximos 15 dias, fazer um levantamento do que é tudo isso, qual o orçamento, onde está, o que está comprometido, o que ainda vai entrar.

Como era o orçamento do PNLL até 2011, quando você ainda estava lá?
Castilho: Trabalhamos de 2008 a 2010 com média de R$ 90 milhões para o fomento à leitura, modernização de bibliotecas, dentro do orçamento do programa Mais Cultura, do MinC. Até 2006, a média era de R$ 6 milhões, então houve de fato um interesse do governo. Quando começou a implementação do plano, que incluía a formação de agentes de leitura, compra de livros para bibliotecas, esse arcabouço passou de R$ 6 milhões para R$ 90 milhões.

Esse foi o patamar possível naquele momento para as ações de implementação dos quatro eixos do plano. Na ocasião, o dinheiro foi dirigido para os dois primeiros eixos, democratização de acesso e formação de mediadores. Os outros dois são a economia do livro, que foi basicamente o que aconteceu na gestão do Galeno, e a ampliação da comunicação sobre a importância do livro e da leitura, com campanhas. Isso fizemos muito pouco.

O Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas foi criado, nos anos 90, dentro da Fundação Biblioteca Nacional. Ele irá para Brasília, também, assim como o Proler?
Castilho: Aí é uma questão da história do livro e da leitura no MinC. Toda a política de formação de bibliotecas, a própria ideia de um Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, residia até o governo FHC na Secretaria do Livro, no MinC. No primeiro governo Lula, essa secretaria foi extinta e as atribuições passaram para a FBN, que tinha a Diretoria do Livro e o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, dando a normatização, acompanhamento técnico, fazendo compras para bibliotecas, os famosos kits.

Tudo isso o SNBP fez até agora. Mesmo durante o PNLL, mesmo com o surgimento da Diretoria do Livro e Leitura em 2008 no Minc, essas funções eram primeiro pensadas no PNLL, equacionadas e orçadas e planejadas na Diretoria do Livro e Leitura e executadas pelo SNBP.

Agora, qual a lógica disso tudo? Você tem uma segmentação em vários níveis de instâncias de decisão e encaminhamento, e acabam caindo gerenciamento e execução num órgão que não deve fazer isso, a Biblioteca Nacional. Isso é política pública voltada para os municípios, não para a Biblioteca Nacional. A própria Elisa Machado [que coordenava o SNBP na gestão Galeno Amorim] defendia que o sistema deveria ser sediado no MinC dentro de um órgão específico.

Se essas atribuições foram alocadas na Biblioteca Nacional, foi porque houve um desmanche institucional [no governo Collor, quando o Instituto Nacional do Livro foi esvaziado e virou departamento da FBN]. Minha divergência com a política implementada pelo Galeno é que caminhávamos para a institucionalização em Brasília e daí ele levou tudo para o Rio.

Você comentou que no primeiro governo Lula as políticas também tinham voltado para o Rio. Não se perde muito com essas idas e vindas?
Castilho: Foi um redesenho do MinC na gestão inicial do Gil, quando entenderam que a Secretaria Nacional do Livro não teria espaço em Brasília. Na época não participei da discussão. E ela foi extinta. Segundo me disse o último secretário nacional do livro do FHC, Ottaviano de Fiore, essa era uma proposta deles também. Naquele tempo, a secretaria ficou muito restrita à distribuição de kits para bibliotecas. Não havia formação de mediadores, incentivo.

Então veio o PNLL, em 2006, que costurou e deu um sentido aos investimentos públicos na área de desenvolvimento de formação leitora. O que se esperava a partir de 2010 é que fizéssemos essa transformação em uma política de Estado permanente, em vez de ficar só distribuição de livros. Que o apoio não parasse aí, mas que formasse mediadores que, por sua vez, de fato formassem leitores. Que trabalhasse no nível da comunicação e finalmente no mecanismo de incentivo da indústria. Fecharíamos toda a cadeia, da criativa à distributiva e leitora.

Embora tenha sido criticado por partir de uma lista criada por editoras, dando margem a um desencalhe de livros de pouca qualidade, o programa de aquisição de acervos para bibliotecas proposto por Galeno Amorim [com a participação de toda a cadeia produtiva e com livros comprados a R$ 10 pelas bibliotecas] distribuiu mais livros que a média dos anos anteriores. Que regularidade tinha esse trabalho antes?
Castilho: A distribuição de kits nunca foi algo dirigido dentro de um projeto coerente e de uma proposta de biblioteca. Isso começou em 2009, dentro do Mais Cultura, quando instituímos no PNLL o conceito de Biblioteca Viva, que não é só um acervo de livros, mas é dinâmica, de eventos culturais, um pólo aglutinador digital. Dentro dessa lógica começamos a fornecer também a complementalão de acervos de bibliotecas públicas.

O programa proposto pelo Galeno permitu, pela primeira vez, aos bibliotecários a escolha de seus acervos, em vez de centralizar as escolhas na FBN, que antes não levava em conta as especificidades locais. Foi um avanço, não foi?
Castilho: Sim, com certeza, não só a escolha como a compra direta pelos bibliotecários. Um dos programas que quero discutir com a ministra é um que existe já com êxito no Ministério da Educação, que é o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE). Uma das propostas é verificar a viabilidade do Dinheiro Direto na Biblioteca Pública. Nada melhor que a biblioteca, que conhece seus usuários e seus leitores, faça a compra direta a partir de um dinheiro recebido diretamente. Isso é um ponto positivo do programa do Galeno e é uma discussão antiga e que acompanhou os debates do PNLL, assim como a compra direto pelas livrarias nas cidades em que as bibliotecas estão. Isso é perfeitamente coerente com o espírito do plano.

O segundo edital proposto pela FBN tinha melhorias em relação ao primeiro, como o fato de as bibliotecas apresentarem suas sugestões de livros antes de as editoras serem convidadas a participar. Esse edital deveria sair em breve, beneficiando inclusive bibliotecas que, por problemas na primeira fase, não receberam os livros. Ele será lançado?
Castilho: Isso vai ser analisado, tem que fazer parte desse diagnóstico. Tem alguma possibilidade de lançar, embora eu entenda que a ótica do incentivo público deve ser mais o fomento, sem interferência no mercado. Acho que o trabalho deve ser mais no sentido de mediar leitores, fazer campanha, promover acesso. Uma coisa é desonerar, tentar algumas facilidades para a comercialização do livro, outra é interferir diretamente na cadeia da comercialização.

Quando você coloca um programa como o do livro popular, do Galeno, no qual o governo compra determinadas quantias de livro a um preço xis com o objetivo de que, além da distribuição em bibliotecas, iniciar um ciclo de vendas do setor editorial, como foi colocado… Porque foi colocado isso, o Programa do Livro Popular ser não só um programa de livros para bibliotecas, mas para estimular a cadeia comercial a lançar mais livros a R$ 10.

Não acho que seja um caminho correto, porque interfere numa atribuição que é própria do mercado, numa dinâmica de mercado. Não precisa o governo colocar verba para esse tipo de atividade. Ele tem que dirigir essa verba para formação de leitores, modernização de bibliotecas, fazer uma ação no sentido de incentivar os negócios, não interferir neles.

De certa maneira, a ideia do Programa do Livro Popular, de livros a até R$ 10, combina com uma das bandeiras da Marta Suplicy no MinC, o Vale-Cultura.
Castilho: O simples fato de o mercado editorial ter um instrumento como o Vale-Cultura vai levá-lo a investir em livros mais baratos. As editoras vão trabalhar com esse novo consumidor, que tem o Vale-Cultura no bolso, em vista. O mercado mesmo vai dar essas soluções. Assim como aconteceu quando, anos atrás, o mercado começou a se especializar em livros de bolso e de baixo custo. Temos exemplos excelentes no Brasil de livros vendidos a R$ 5, R$ 10, R$ 20, por editoras que não recebem nenhum incentivo.

O livro de baixo custo não precisa ser incentivado diretamente pelo governo, ele pode ser incentivado a partir de ações políticas culturais, que abram pontos de cultura, facilitem a divulgação desses livros, em vez de o governo interferir numa ação que o mercado pode resolver sozinho. A garantia de um investimento desses é muito tênue. Você vai colocar nisso um caminhão de dinheiro em detrimento da aplicação de outros programas de maior retorno, como a modernização de bibliotecas, para algo que o governo não domina nem deve dominar.

Quanto custa um fracasso?

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Luiz Schwarcz, no Blog da Companhia

Acabo de voltar de Nova York, onde passei duas semanas encontrando meus colegas da Penguin, além de alguns agentes e editores amigos. Essas paradas, ou interregnos, sempre fazem pensar. Estive lá numa semana particularmente agitada para nós editores, com ao menos dois leilões movimentando o mercado. Eles são confidenciais ainda, o que posso adiantar é que um deles girou em torno de um livro de não-ficção, escrito por uma jornalista da BBC, que a Companhia das Letras havia comprado antes de qualquer outro país, inclusive antes do leilão acontecer. Os números não foram divulgados, mas a editora americana que conseguiu fechar o acordo pagou um valor altíssimo para ter os direitos mundiais do livro; isto é, para ter o direito de revender a obra para outros países e assim recuperar parte do adiantamento pago — felizmente o Brasil já estava de fora, com a nossa compra antecipada. A esperança é que seja um livro importante e forte para o final deste ano. O outro caso é de um autor de qualidade literária que começa a ter alcance comercial. Ele deixou sua editora americana para ir para uma nova, tendo recebido uma oferta de 5,5 milhões de dólares.

Tudo isso me fez pensar nas mudanças que vêm ocorrendo no mercado editorial de hoje. Há uma clara globalização do sucesso e do fracasso, tornando o número de livros comercialmente bem-sucedidos menor — ou, se preferirem, os fracassos cada vez mais frequentes e dramáticos —, enquanto os poucos livros bem-sucedidos em termos materiais crescem em número de exemplares vendidos. Talvez eu já tenha tratado desse assunto neste blog, mas hoje a situação é bem mais sensível e traz novas implicações. O que está cada vez mais claro é que, hoje em dia, um livro que vende mal enfrenta uma concorrência enorme: a dos livros bem-sucedidos (que são poucos mas que têm um êxito massificado) e ainda a dos seus inúmeros pares, os outros fracassos comerciais, que crescem com o aumento do número de editoras e livros publicados.

Com a comercialização de espaços nas livrarias, o que chega ao consumidor com destaque é o que em princípio não precisaria de espaço especial: os grandes sucessos que vendem quase que automaticamente. O investimento em exposição mais alentada multiplica a venda dos poucos livros bem-sucedidos, e remete o livro diferenciado, de venda mais lenta, para um exílio incômodo, distante do leitor. Sem exposição, os outros livros, que demoram para deslanchar naturalmente, hoje patinam logo na saída, morrendo mais cedo e de doença mais aguda.

Na Companhia das Letras nunca nos preocupamos muito com os fracassos comercias, por gostarmos demais dos livros que editamos, por acreditarmos que alguns desses fracassos iniciais possam se reverter com o tempo, e por termos nossas contas pagas por livros de longa duração.

O que são livros de longa duração? São aqueles que realizam a verdadeira vocação literária, a de sobreviver ao tempo e de viajar para várias culturas. Assim, no passado, quando livros vendiam de início um terço de uma edição padrão de três mil exemplares, não nos preocupávamos. A situação se mantinha estável, como consequência do nosso esforço bem sucedido para ter nossos autores entrando como leitura obrigatória em inúmeras escolas, além de outras formas que conhecemos de fazer vender lentamente os livros que não têm vocação para best-seller. Em alguns anos a conta fechava. Esses mil exemplares eram um peso que carregávamos com sorriso nos lábios, orgulhosos das edições que atingiam poucos, acreditando que um dia passariam a vender, ou que de toda maneira eram livros tão importantes que valiam por si só.

A situação hoje é distinta. O que passa a ocorrer quando o livro de um jovem autor traduzido, ou mesmo de um eterno candidato ao prêmio Nobel, vende apenas um sexto da edição? Como fechar essa conta quando o prejuízo aumenta? A conta do fracasso começa a ficar mais cara, e o sorriso nos lábios se mistura com uma ponta de preocupação.

O fenômeno é claro e internacional. Mudanças demográficas mundiais trazem um público mais jovem para o mercado, a ponto de o próximo congresso de editores da Penguin — a se realizar em Istambul no mês de abril — ter como tema central a categoria chamada de YA: young adults. A discussão central será sobre livros que atingem um público jovem, da puberdade aos primeiros anos da universidade. No ano passado o tema foi o livro digital.

Como tudo isto afeta o Brasil? As mudanças demográficas aqui têm uma característica particular: estão trazendo ao mercado de livros um público que, além de jovem, começou a subir na pirâmide educacional recentemente — portanto naturalmente com menor bagagem literária.

Mas esse será o assunto da minha próxima crônica. Feliz com o interesse dos que me seguem aqui no blog, fico esperando pela reação de vocês — enquanto penso um pouco mais no que tenho a dizer, e que porventura ainda possa interessá-los.

Alunos são afastados por gravarem Harlem Shake no banheiro da escola

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Lourdes Souza, no UOL

Um vídeo da nova febre da internet, a dança Harlem Shake, gerou confusão para sete alunos da Escola Estadual Miriam Benchimol Ferreira, em Goiânia. A versão gravada dentro do banheiro da unidade escolar foi publicada nas redes sociais na última quinta-feira (28) e provocou o afastamento dos estudantes.

Familiares e estudantes alegam que o grupo foi expulso da escola, mas a diretoria e a Secretaria Estadual de Educação de Goiás negam.

 

A mãe de um estudante de 17 anos, que participou do vídeo, Keila Gonçalves da Silva, 41, diz que a direção da escola a chamou para uma reunião na sexta-feira (1º). “Cheguei para a reunião e havia policiais na sala, que falaram que os meninos não iam mais estudar lá. Eles pediram que a gente assinasse um pedido de transferência porque senão iriam levar os estudantes para a delegacia e depois seriam expulsos”.

Segundo Keila, o medo da expulsão fez com que as famílias assinassem o documento. “Depois seria mais difícil conseguir escola para matriculá-los. Achei um absurdo porque o vídeo era uma brincadeira”. O diretor da escola, Francisco Leite, nega que houve coação e os pedidos de transferência foram solicitados pelos pais.

Ele alega que os policiais, que estavam na escola, são do Batalhão Escolar e visitam a unidade diariamente. “Tenho ata que mostra que eles solicitaram a transferência voluntariamente. Os alunos continuam normalmente na escola e toda essa divulgação é só para denegrir o nome da escola”.

O diretor afirma que os estudantes não foram para a aula na sexta-feira porque a escola estava fechada para reunião de planejamento. Segundo ele, a questão está resolvida e os alunos continuam na unidade.

Keila diz que foi chamada novamente à escola na segunda-feira (4) para discutir o retorno dos estudantes. “O meu filho vai voltar para escola, eu queria isso. Achei que a expulsão foi fora do limite. Moro perto da escola e não teria outro lugar para matriculá-lo. Assinamos uma declaração para o retorno dos alunos e ficou combinado que não haverá perseguições, que o retorno será normal”.

‘Está todo mundo fazendo’
O estudante J, de 17 anos, diz que vai voltar tranquilo para a escola. “Eu acho que vai ser normal, eu e meus amigos vamos voltar numa boa”. Ele conta que o grupo só quis fazer uma brincadeira com a gravação. “Está todo mundo fazendo e a gente quis fazer também”.

O jovem afirma que a reação da escola deixou outros estudantes indignados. “Chamaram a polícia e disseram que iriam nos levar presos. Muitos colegas reagiram”.

Em nota, a Secretaria Estadual de Educação de Goiás confirma a versão da direção da unidade afirmando que os alunos não foram expulsos. A nota afirma que “os próprios pais, após reunião com o diretor do colégio, optaram pela transferência por entenderem, de comum acordo, que os filhos ficaram excessivamente expostos por conta do vídeo. E que também seria um meio de afastá-lo de companhias que eles mesmos julgaram como impróprias para os filhos”.

A Secretaria também esclarece que, em nenhum momento, houve algum tipo de impedimento, por parte do diretor, quanto à permanência dos estudantes.

Harlem Shake
Harlem Shake é uma dança surgida nos anos 80, nas ruas do Harlem, um bairro de Manhattan, em Nova Iorque. O ritmo virou febre na internet em agosto do ano passado quando o DJ Baauer fez um remix em casa que chamou de Harlem Shake. Após ser publicado na internet, o vídeo batizado de Harlem Shake Original se espalhou e ganhou versões inusitadas por todos os cantos do mundo.

Jane Fonda inclui o Rio de Janeiro na rota de sessões de autógrafos de seu livro

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Estrela desembarca na cidade no domingo (30) e encontra fãs na Livraria da Travessa, no Leblon.

Heloisa Tolipan no JB

É realmente muito difícil resistir ao charme do Rio de Janeiro. Como contamos na semana passada, Jane Fonda está em São Paulo hoje (27), para participar do Fórum da Longevidade da Bradesco Seguros, mas tratou de incluir uma passagem na Cidade Maravilhosa antes de voltar para casa. Jane chega em terras cariocas no domingo (que promete ser de altas temperaturas na cidade depois de uma semana chuvosa – oba!) e vai direto para a Livraria da Travessa do Shopping Leblon, onde receberá fãs a partir das 14h, na sessão de autógrafos de seu livro ‘Prime time’, lançado em maio nos Estados Unidos.

Jane Fonda passará menos de um dia no Rio de Janeiro, mas pretende encontrar muitos fãs no Leblon

A publicação tem perfume de autoajuda e fala sobre amor, saúde, sexo, boa forma, amizades e dá até conselhos espirituais, seguindo a linha na qual Jane vem apostado em suas incursões literárias. Vale lembrar que a atriz também é ativista política de esquerda e superguru de exercícios físicos, aos 74 anos.

Entre um autógrafo e outro, torcemos para que a loura conte alguns de seus pequenos e valiosos segredinhos para manter a forma e essa pele de dar inveja a muita adolescente por aí…

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