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5 motivos para você ler o livro sobre o universo de ‘Stranger Things’

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Fernando Gomes, no M de Mulher

A terceira temporada de ‘Stranger Things‘ está prestes a ser lançada pela Netflix e os fãs estão doidos para ver esses novos episódios. Conforme mostra o mais recente trailer, a trupe de Hawkins presenciará grandes mudanças em suas vidas – e conhecerá novos inimigos também.

E essa não é a única novidade acerca da série. ‘Stranger Things: Raízes do Mal‘ é o novo livro sobre o universo da trama – e conta detalhes interessantes do passado de Terry Ives, a mãe da Eleven.

Escrito por Gwenda Bond, a história gira em torno de Terry e seu envolvimento com os experimentos mirabolantes de Dr. Martin Brenner, responsável posteriormente pelos testes em Eleven. Entre diálogos e acontecimentos envolvendo os personagens, a obra consegue explorar o terror do Laboratório de Hawkins e sustenta-se como um spin-off de boa qualidade da série.

A gente já devorou o livro e listamos aqui cinco razões para apostar nessa leitura.

1- A narrativa é envolvente

Assim como na série, o leitor é completamente abraçado pela narrativa da obra. Entre diálogos e passagens de tempo, ‘Raízes do Mal’ tem o dom de prender o leitor em uma história que entretém e surpreende em diversos momentos.

O envolvimento da protagonista com os assuntos confidenciais e muitos suspeitos do governo ligados ao Laboratório de Hawkins criam uma teia de aranha instigante. A leitura é leve e divertida. Você se importa com as personagens e se vê ali, sentindo com elas as mesmas aflições contadas.

E é importante o leitor se sentir confortável com a história, principalmente se ele nunca tiver assistido à produção antes. Aqui, os leigos de ‘Stranger Things’ serão igualmente muito bem acolhidos.

2- Você entende basicamente toda a motivação da série

Agora, se você é fã, com certeza o livro irá te agregar muito. Por ser uma história antes dos eventos da série, a gente pensa que não haverá nenhuma conexão com ela – isso, claro, além do fato de que a mãe de Eleven é o centro das atenções neste contexto. Mas existem ganchos bem pertinentes aos mistérios de Hawkins retratados na série.

Assim que Terry começa a adentrar no mundo sombrio de Brenner, tomamos conhecimento sobre todo o projeto por trás da criação de Eleven. Isto é, as motivações, a organização e o poder de chefia dos líderes. Parte disso é introduzida na primeira temporada da série, mas aqui temos uma visão mais panorâmica do que realmente levou ao treinamento de crianças superdotadas como armas de guerra.

3- Conhecemos o primeiro time de voluntários de Hawkins

Além de Terry, outros personagens integram o primeiro time de voluntários dos experimentos super secretos. Alice, Ken e Glória rapidamente dominam as páginas com suas vivências, opiniões e desventuras durante o processo de Brenner.

Em linhas gerais, esta é a trupe original de Hawkins, equivalente ao grupo de Eleven no momento atual da série. Esse olhar sobre a primeira leva de pessoas é importante porque detalha alguns procedimentos realizados no Laboratório que não são muito aprofundados na produção em si.

Até mesmo reconhecemos alguns métodos reproduzidos em Eleven que foram originados lá atrás, quando esses personagens se propuseram a desvendar o porquê de tudo aquilo estar acontecendo.

4- A obra assinala a questão dos monstros da série

O mais próximo do que veio a ser chamado de Demogorgon na série teve sua primeira aparição durante os experimentos com o grupo de Terry. Uma das personagens começa a descrever visões de criaturas com “cabeça de flor” medonhas, o que significa muita coisa para a narrativa da história.

Um outro ponto positivo para a sua leitura é que você entenderá melhor como eles surgiram para as cobaias e qual é a mecânica por trás dessas visões.

5- Uma personagem da série tem um melhor aproveitamento no livro

No 7º episódio da segunda temporada da série, “A Irmã Perdida“, descobrimos pela primeira vez que existia uma garota parecida com Eleven, uma outra menina com poderes que cresceu sob os efeitos dos experimentos de Brenner. No livro, essa mesma personagens reaparece, ou melhor, aparece pela primeira vez.

Kali – batizada como Eight – foi uma das garotas que vivenciaram as mesmas bizarrices que Eleven. E isso desde pequena. Na época que em Terry entrou para os estudos de Hawkins, Eight era controlada por Brenner para que fizesse exatamente aquilo que ele havia planejado: ser uma evolução da raça humana e usar seus poderes em benefício do governo.

Felizmente, a forma como esta figura é apresentada é muito eficiente, ao contrário do que foi feito na série. Conhecemos como tudo começou com ela e temos uma visão mais aprofundada do que sabemos dela a partir daquele episódio da produção.

Uma bela dica é reassistir ao episódio após ler ‘Raízes do Mal’, pois tudo fica mais claro e a confusão causada pelos roteiristas da série é, portanto, desfeita.

De fato, este livro acrescenta não só ao entretenimento e prazer da leitura, mas também aos acontecimentos que série – que, às vezes indiretamente, estão interligados. Se você estava procurando um título para ler, agora você já sabe em qual deve apostar.

Da Inglaterra, professora cria curso de inglês de graça para crianças e adultos do Alemão, no Rio

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Turmas para crianças também estão disponíveis em curso gratuito de inglês no Alemão (Foto: Reprodução / Redes Sociais)

Com boa vontade, algum dinheiro e ajuda das redes sociais, professora brasileira mobilizou voluntários, conseguiu doações e montou curso que já tem 5 turmas funcionando.

Bruno Albernaz e Carlos Brito, no G1

ara tirar do papel um projeto social que ensina inglês, de graça, para moradores do Complexo do Alemão, no Rio, a professora carioca Cláudia Bellizzi precisou basicamente de três coisas: boa vontade (que ela e muitos voluntários parecem ter de sobra), algum dinheiro e redes sociais.

Lá da Inglaterra, onde mora há cinco anos, ela criou um curso batizado de The English Club Alemão. As aulas começaram em fevereiro com três turmas de 15 alunos cada uma – duas de crianças e uma de adultos. Neste sábado (14), tiveram início mais duas novas turmas, cada uma com mais 20 crianças da comunidade, que fica na Zona Norte do Rio. Tudo é gratuito, incluindo o material didático.

“Desde que me mudei para a Inglaterra, passei a ter uma visão ainda mais crítica sobre os problemas sociais do Brasil. A vontade de contribuir de alguma maneira, mesmo de longe, era grande. Fiquei triste ao ver quantas pessoas perdiam oportunidades de crescer profissionalmente por não serem fluentes em inglês”, conta ao G1 a criadora do curso, que é professora de inglês há mais de 20 anos.

“Aí, pensei: vou dar um jeito de oferecer aulas de inglês gratuitas e de qualidade para os moradores de alguma comunidade.”

O curso começou na cabeça e no bolso de Cláudia, mas ela foi logo encontrando parceiros e voluntários. “É muito recompensador ver que uma ideia bacana que eu tive e que está dando supercerto, está tendo uma resposta muito boa da comunidade, está também provocando outras ondas positivas”, diz.

Professora da comunidade

Cláudia Bellizzi diz que foi pela internet que estreitou laços com moradores do Alemão, especialmente através de Renê Silva, criador do jornal “Voz das Comunidades”. Ele a ajudou a montar o curso e acabou, inclusive, virando aluno.

Claudia Bellizzi criou curso de inglês para ajudar moradores carentes do Alemão (Foto: Reprodução / Redes Sociais)

Também do Alemão é a estudante de letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Nathalia Nascimento, contratada para dar as aulas no curso – é Cláudia quem banca os salários da professora.

“A escolha de Nathalia foi feita dentro do conceito que norteou o projeto desde o início: dar vez a pessoas que tenham laços com a comunidade. A Nathalia tem raízes na comunidade, tem enorme carinho pelo Alemão”, diz a criadora do curso.

Lá da Inglaterra, Cláudia treinou Nathália no conceito pedagógico e, com ela, acompanha à distância as aulas e os alunos.

“Eu me sinto extremamente feliz e realizada em participar desse projeto. Eu e Cláudia temos reuniões semanais via Skype e nos falamos diariamente pelo WhatsApp. Além de discutir questões administrativas, nós preparamos, juntas, as aulas de todas as turmas, e avaliamos continuamente como está sendo o andamento do curso”, diz Nathália.

Para quem faz o curso, como a esteticista Géssica Maria Machado, de 28 anos, o projeto é uma maneira de motivar os moradores da comunidade.

“Tudo isso é uma forma de incentivo para as pessoas não deixarem de acreditar que é possível a gente alcançar nossos sonhos – e que está tendo oportunidades para isso.”

“Já há muito tempo é fundamental que qualquer profissional, seja lá de que área for, tenha um conhecimento razoável da língua inglesa. O curso é importante demais e o fato de ser muito voltado à conversação torna a experiência ainda mais rica”, diz Géssica.

A aluna comemora: “Recebemos a visita de americanos e ingleses e ficamos felizes quando percebemos que podíamos conversar no idioma deles. De certa forma, isso muda nossas vidas”.

Material didático da Inglaterra

Para as primeiras turmas do curso, quem bancou o material didático, todo vindo da Inglaterra, foi a própria Cláudia. Mas a “onda positiva” que, como diz Cláudia, vai se espalhando, trouxe uma parceria ao projeto, a Cambridge University Press, editora voltada a projetos educacionais, que já começou a fornecer livros e cadernos. O curso também tem recebido doações de cadernos, lápis, canetinhas e outros materiais. As aulas são dadas em uma sala cedida pela Igreja Batista Filha de Sião.

Crianças recebem livros didáticos comprados pela professora radicada na Inglaterra (Foto: Reprodução / Redes Sociais)

“Para mim, os projetos sociais são extremamente relevantes, pois ajudam a mudar a realidade, muitas vezes precária, de um conjunto de pessoas. Criam uma grande onda do bem e ajudam a espalhar esse sentimento por vários lugares”, diz Nathália.

Professora voluntária

A iniciativa tomada por Cláudia do outro lado do Atlântico acabou motivando também gente de fora da comunidade do Alemão, como a professora Elvira Souza, que ficou sabendo do curso por uma reportagem de jornal.

“Não sei bem explicar o motivo, mas aquilo mexeu comigo. Tive certeza de que precisava participar daquele iniciativa”, relembra. Veterana de outros programas sociais, decidiu naquele mesmo dia procurar por Cláudia para se oferecer como voluntária. Depois de encontrá-la nas redes sociais, de longas conversas e de um treinamento, tornou-se professora do curso.

O resultado do empenho começou a ser visto neste sábado, quando Elvira assumiu duas turmas do English Club Alemão – ao todo serão 35 alunos, cujas idades variam entre 9 e 12 anos. Um número que, segundo ela, poderá aumentar em pouco tempo.

Moradores do Complexo do Alemão recebem as primeiras aulas de inglês dentro da comunidade (Foto: Reprodução / Redes Sociais)

“Quando traziam os filhos para serem matriculados no curso, as pessoas da comunidade perguntavam se não poderiam estudar também. Para mim, é bem claro que elas querem aprender, crescer. Conhecer um outro idioma, sobretudo o inglês, faz uma diferença imensa na vida de qualquer pessoa”, afirma Elvira, feliz ao já ser chamada de “teacher Vivi” pelos alunos.

Professor gringo

O americano Timothy Cunningham, o Tim, tem um canal no YouTube em que ensina inglês. Amigo de Renê Silva (“conheci no churrasco”, diz), ele soube do English Club Alemão, recebeu um convite para visitar a comunidade e acabou dando uma aula.

“Ele me deu um tour no complexo. Dei aula para as crianças, foi muito legal. Acho que era o primeiro gringo que a maioria conheceu. Fui com meu irmão, que não fala português. Eles são muito interessados”, lembra Tim, que mora em Nova Jersey, nos EUA, e diz ter aprendido português com amigos brasileiros.

“Pode mudar sua vida se você falar um inglês fluente. Sei que só era uma aula, mas só com uma aula você mudar o caminho da sua vida, ficar muito mais interessado. É uma coisa que, mesmo sendo pequena, eu posso ajudar pessoas que não têm tantas oportunidades.”

Imagina as oportunidades

Cláudia e Renê Silva notaram que muitos moradores do Alemão já sabiam um pouquinho da língua e queriam avançar. “Percebemos juntos que a maior necessidade das pessoas adultas era de um nível intermediário em vez de iniciante. Geralmente estudamos na escola ou já fizemos algum outro cursinho, então vimos que era importante ter uma continuação para avançar no inglês dessa galera”, explica Renê.

“A Géssica é um exemplo dessa situação. Ela já tinha um conhecimento básico do idioma e agora poderá ir mais longe. Imagine quantas oportunidades profissionais irão surgir para ela e todos que participam do curso. Não dá nem para medir o quanto de benefícios essa iniciativa já começou a trazer para o Alemão”, conclui.

Serviço

O curso é voltado para alunos da comunidade. Quem quiser saber mais sobre a iniciativa – para ajudar ou tentar participar de eventuais classes futuras – deve acessar a página do ‘The English Club Alemão’ no Facebook.

Projeto Redigir

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Projeto Redigir: comunicação, cidadania e amor na USP. Inscreva-se!

Heloísa Iaconis, no Literatortura

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Há um ano e meio, entrei na USP e, desde o meu primeiro semestre, faço parte de um projeto lindo cuja alcunha é Redigir. Das belíssimas coisas que a universidade tem me proporcionado, o Redigir é, sem dúvidas, uma das melhores. Trata-se, sucintamente, de um curso, semestral e gratuito, baseado na Comunicação e na Cidadania, utilizando ferramentas da Língua Portuguesa. O objetivo essencial é fazer com que os educandos melhorem a sua comunicação, escrita e/ou falada, e contextualizem os instrumentos comunicacionais em prol do exercício – diário! – cidadão. As aulas apresentam conceitos de gramática e redação, além de debates sobre temais atuais. Os encontros ocorrem na universidade, semanalmente, na Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA). O curso é voltado para jovens e adultos, os quais tenham concluído o Ensino Fundamental e não tenham estudado em universidades públicas. Um detalhe importante: o candidato tem que ter, no mínimo, 16 anos e não há idade limite. A seleção é feita levando em consideração critérios socioeconômicos. A partir do dia 17 de julho, as inscrições para o próximo semestre estão abertas!

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Histórico do projeto

O Redigir é um projeto de extensão da Universidade de São Paulo. Foi idealizado em 1999 por alunos da graduação de jornalismo da ECA. Em um primeiro momento, era direcionado às formalidades da língua portuguesa e à redação para o vestibular. Com o passar do tempo, a proposta transformou-se e adquiriu um caráter mais amplo. Atualmente, alunos voluntários de diversos cursos da ECA (Jornalismo, Educomunicação, Turismo, Publicidade e Propaganda, por exemplo) atuam como professores. O foco é a comunicabilidade e a compreensão da língua como um mecanismo vivo. O projeto tem como professor responsável o docente Thiago Salla e possui o apoio do Fundo de Fomento às Iniciativas de Cultura e Extensão da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da USP.

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O Redigir é amor

Permita-me tecer umas pequenas digressões e, de memórias em memórias, contar um pouco dos motivos que me fazem amar tanto o Redigir. Como já pontuei, faço parte do projeto desde que comecei a estudar na ECA, no início do ano passado. Lembro-me que fiquei encantada com as propostas que sustentam o Redigir. “Paixão à primeira vista”, “bateu, grudou”, sabe como é? Pois bem. Sempre gostei da língua portuguesa e, graças aos professores maravilhosos que tive ao longo do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, desenvolvi uma paixão pelo português que, atualmente, determina muitos dos caminhos que sigo. Todavia, não é de hoje que sei da precariedade que assola a educação em grande parte do Brasil e tenho consciência da sorte que tive por ter encontrado educadores que colocaram disposição e amor em seu trabalho (e, certamente, eles continuam utilizando a mesma receita). Infelizmente, uma minoria possui a mesma oportunidade que pontuou o meu processo de formação. Então, logo que me foi apresentado o projeto, tive a certeza de que, em meio a tantas outras entidades e grupos no âmbito universitário, tinha achado o meu lugar (além da graduação em si).

No primeiro semestre de 2014, monitorei os encontros de uma turma. Nova ainda no projeto, a cada aula crescia a minha convicção de querer ser educadora e a sensação de pertencimento perante ideias que me são tão caras. Até que, no segundo semestre, assumi, ao lado de um amigo, uma sala. A partir desse momento, não consegui mais imaginar a minha vida na ECA sem estar dando aula no Redigir. Dessa forma, imersa em uma eterna luta para conciliar as inúmeras tarefas que tenho, agora caminho para a minha terceira turma nesse próximo semestre. Ironicamente, apesar de tratar-se de um curso de comunicação, falta-me palavras para expressar quantas alegrias o Redigir me traz. Situações que, aos olhos de muitos podem parecer banais, fazem o meu dia: quando percebi que um aluno entendeu a aula e acertou, por exemplo, os exercícios sobre crase; quando um educando que, outrora mal lia, diz que devorou, entendeu e amou “Vidas Secas”; quando uma aluna, no fim do encontro, pediu emprestado um livro da Clarice Lispector; quando os educandos criaram os seus próprios poemas e se abriram para a poesia. Os meus sábados de manhã tornaram-se bem melhores. Acredite, eu poderia, facilmente, ficar horas relatando vários causos que me alegram demais envolvendo participantes do curso.

Creio ser de importância ímpar salientar a troca de saberes entre alunos e educadores. Para mim, é enriquecedor ter contato com pessoas tão diferentes. Digo sempre aos que foram meus educandos o quanto aprendo com eles. Exercito pontos como responsabilidade, paciência e desenvolvo a minha formação como ser humano. O ambiente em sala de aula é elaborado a partir de princípios de igualdade entre professores e alunos, em uma esfera na qual todos possuem a palavra e são parte do diálogo proposto. Mais do que regras gramaticais, os envolvidos mergulham em universos como o da literatura, relacionando o português com diversas vertentes da arte e com os seus mundos particulares. Debatendo questões como língua viva, preconceito linguístico e variantes linguísticas, além de fomentar discussões críticas acerca de assuntos em voga, cria-se um quadro no qual o educando possa olhar a si mesmo como um sujeito da própria língua (e de sua pátria) e, portanto, capaz de se comunicar para reivindicar, protestar, construir e transformar a sua realidade, tornando-se um indivíduo multiplicador de conhecimentos. Em suma, é claro que em apenas um semestre não é possível ensinar tudo o que há na língua portuguesa (até porque os educadores são universitários e, não professores formados); o Redigir almeja ser um pontapé para que o interesse pelo português, pela leitura e pela escrita floresça em cada um que passar pelo curso.

Ademais, deixo aqui o meu sincero agradecimento aos membros do projeto: os que não fazem mais parte, os que eu só conheço por nome, os que me receberam quando entrei, os que iniciaram essa caminhada junto comigo, aos que acabaram de ingressar. Obrigada por tentarmos levar o conhecimento para fora dos muros da universidade. Muito obrigada. Agradeço também aos educandos incríveis que tive, os quais extraíram de mim sorrisos e lágrimas de emoção. Gratidão. Um dia, ouvi a seguinte sentença: “o Redigir é amor”. Na ocasião, pensei: “o que será que isso exatamente quer dizer?”. Um ano e meio depois, tenho a alegria de compreender, de compartilhar de sentimento semelhante e de acreditar demais em tudo que faço no projeto. De fato, o Redigir é amor.

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Ficou interessado(a)? Conhece alguém que gostaria de participar do Redigir? Inscreva-se e ajude a divulgar o projeto! Todos os selecionados serão recebidos com carinho, poesia e abraços. Abaixo, as informações necessárias para o processo de inscrição:

Curso GRATUITO de Comunicação e Cidadania: INSCRIÇÕES!

Datas: 17, 18, 24, 25 e 31 de julho; 01 de agosto.
Horários de atendimento: Sextas 9h-14h e 18h-21h; Sábados 9h- 13h.
Endereço: Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes da USP – Avenida Professor Lúcio Martins Rodrigues, 443 – Bloco 2 – Sala 13.
Telefone: (11) 3091-1499 – disponível apenas em horários de atendimento para inscrições.
Documentos: cópia de RG, cópia de comprovante de renda de todos que contribuem financeiramente na casa e cópia de comprovante de escolaridade do último nível cursado (ensino fundamental, médio ou superior, se houver).
Turmas: no ato da inscrição, o candidato pode optar pelos seguintes horários:

  • Terça (noturno) – das 19h30 às 22h30.
  • Quarta (matutino) – das 9h às 12h.
  • Sábado (matutino) – das 9h30 às 12h30.

No nosso site, você encontra uma descrição detalhada do projeto, de nossa filosofia com os conteúdos apresentados durante o curso. Acesse também a página do Redigir no facebook!

Eles vão como voluntários e voltam cheios de histórias

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Cresce a procura por experiências humanitárias em outros países; trabalho enriquece o currículo e pode ajudar a treinar novo idioma

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Publicado em Estadão

As férias de Isabella Cino poderiam ser de compras em Nova York, como o pai sugeriu. Ao contrário, a empresária, de 24 anos, decidiu fazer um roteiro pouco comum: 15 dias de trabalho voluntário com crianças de favelas na África do Sul e outros 15 em um orfanato no Nepal, país atingido em maio por um terremoto. “Não custa sair do conforto da minha cama para ajudar pessoas que nem cama têm”, defende Isabella, acostumada a trabalhos voluntários no Brasil. No Nepal, ela acredita que encontrará um cenário de destruição. “Até terei dias de folga, mas nem sei que turismo vai ser possível fazer lá.”

A procura por oportunidades de intercâmbio para trabalho voluntário cresce entre jovens brasileiros, ansiosos por fazer a diferença e conhecer novas realidades. A experiência, além de ajudar quem precisa, enriquece o currículo e pode valer para treinar outro idioma.

Para a estudante Flávia Ferreira, de 18 anos, que embarcou neste mês para a Cidade do Cabo, na África do Sul, a viagem será um teste para a carreira que pretende seguir. Com o sonho de trabalhar no Médicos sem Fronteiras – organização humanitária internacional -, Flávia faz cursinho atrás de uma vaga em Medicina. No país, trabalhará como voluntária em um hospital infantil por duas semanas. “Espero ver alguns procedimentos médicos e entrar em contato com pacientes.”

A África do Sul é o país mais procurado para esse tipo de intercâmbio e chega a representar até 70% das vendas das agências ouvidas pelo Estado. A região tem projetos diversos, como trabalho voluntário com crianças em creches e hospitais e com animais selvagens em reservas. A possibilidade de ficar afiado no idioma também é um atrativo . “Meu inglês não está tão bom. Acho que consigo me virar, mas será uma boa chance de melhorar”, diz a estudante.

Pela Ásia. Atrás de experiências ainda mais exóticas, os viajantes também buscam países asiáticos. “A Índia chama a atenção pela cultura e a grande quantidade de pessoas que vivem em situação de pobreza”, explica Rosana Lippi, gerente de Produto na Student Travel Bureau (STB), que começou a oferecer pacotes de intercâmbio social neste ano. Segundo ela, localidades que passaram por catástrofes também atraem voluntários.

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or oito semanas, o estudante de Administração Renan Gothard, de 21 anos, trocou a sala na Universidade de São Paulo (USP) por uma em Taiwan. Os papéis também se inverteram: de aluno, passou a professor. Ensinou inglês e português para crianças de 6 a 12 anos e, em troca, teve “aulas” de mandarim. Interessados na cultura brasileira, os pequenos aprenderam dribles do futebol e conheceram o brigadeiro.

“Logo que voltei, recebi mais ou menos 500 bilhetinhos das crianças. Muitas falavam que ganharam a vontade de aprender inglês e conhecer o mundo.” O estudante viveu em casas de três famílias taiwanesas: da dona da escola, da diretora e de uma professora. “Me puseram nessas três classes sociais para que eu conhecesse mais a cultura.”

Para ele, a experiência valoriza a formação profissional. “Precisava desenvolver algumas competências relacionadas à comunicação. Quando voltei, percebi que as empresas davam mais atenção para mim por ter um intercâmbio voluntário no currículo.”

Para a presidente da Associação Brasileira de Organizadores de Viagens Educacionais e Culturais (Belta), Maura Leão, o contato com pessoas de diferentes países é uma das vantagens desse tipo de viagem social. “Multinacionais valorizam quem está disposto a conhecer o novo. Isso torna as pessoas mais resilientes e preparadas para mudanças.” Em época de crise, saber lidar com situações extremas também é uma habilidade exigida. “Saem ganhando pessoas que quebram paradigmas e atravessam barreiras.”

Antes de Taiwan, Gothard já havia feito intercâmbio na Alemanha e nos Estados Unidos. Jovens entre 20 e 25 anos que já tiveram alguma experiência internacional são os que mais procuram esse tipo de viagem humanitária.

Para aproveitar a experiência, o intercambista precisa estar disposto a ajudar. “As acomodações são rústicas, e as tarefas, determinadas pelo projeto local”, explica a diretora da agência Roda Mundo, Roberta Gutschow.

Em menor número, pessoas mais velhas e famílias também já se aventuram no voluntariado. “Estamos atendendo uma mãe que quer ir com um filho de 10 anos”, exemplifica Eduardo Frigo, gerente de produtos da CI – Intercâmbio e Viagem. A agência calcula aumento de 20% a 30% nas vendas de intercâmbio social no último ano.

Pacotes de até um mês atraem quem tem menos tempo para viajar. Um intercâmbio de 15 dias na África do Sul, com acomodações e refeições, custa a partir de R$ 3 mil. As passagens aéreas não estão incluídas. Em algumas agências, é possível aliar o trabalho voluntário a cursos de idiomas.

 

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Multicultural. Quando esteve em Medellín, na Colômbia, Marcella Sales, de 21 anos, conheceu muito mais do que um país. Cerca de 40 estrangeiros também atuavam como voluntários em organizações não governamentais e orfanatos da cidade. Nos fins de semana, viajavam juntos. “Conheci um menino da Arábia Saudita. É uma realidade totalmente diferente da nossa”, conta ela, que estuda Ciências Contábeis e foi pela Aiesec, organização estudantil que faz intercâmbios.

No intercâmbio, Marcella teve a chance de ajudar meninas que foram violentadas. “Nunca imaginaria me apegar a pessoas que não conhecia.” A estudante mantém a vontade de voltar a viajar pela América Latina e estudar o espanhol. “Agora tenho um encantamento muito grande pelo idioma.”

Uma geração que nasceu com o gene da internet e quer mudar o mundo

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Sempre conectados, integrantes da geração Z sofrem, porém, de um mal: a intolerância

Lucas Alvarenga, em O Tempo

imageAna Catarina Cizilio tem 19 anos, cursa publicidade e propaganda, mantém um blog sobre cabelos cacheados e é voluntária. Rafael Marcos Garófalo tem 21 anos, estuda engenharia elétrica e apoia causas ambientais. Lucas Dal Prá tem 20 anos, é estudante de sistemas de informação e foi gamer profissional. Embora diferentes, eles pertencem a um grupo composto por 25,9% da população mundial: a geração Z. Mais pragmáticos, independentes, engajados e determinados que os jovens da geração Y, os nascidos entre 1994 e 2010 começam a alterar as relações pessoais.

‘Nativos digitais’, eles não conheceram o mundo sem a internet. Em contato com a rede, esses jovens tecem amizades, fazem negócios, expõem opiniões e dissociam cada vez menos o real do virtual. “O meu tempo livre é composto por jogos eletrônicos, músicas em cloud e Facebook. Para ir de carro a qualquer destino, uso o GPS. A tecnologia é uma extensão da minha vida”, avalia Dal Prá.

Entender a geração Z não é uma tarefa fácil. Os nativos desse grupo são fruto de um mundo em crise econômica, atormentado pelo terrorismo e pelos desastres ambientais. Por causa desse contexto, eles cresceram mais realistas e críticos que a geração Y, na análise da mestre em antropologia e professora de Cultura Jovem da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Ana Barbieri. “Os jovens dessa geração são muito bem informados e questionadores. Eles exigem coerência entre o discurso e as atitudes”.

No livro Aprender a Resistir, o psicólogo francês Olivier Houde classifica os jovens da geração Z como mutantes. Diretor do Laboratório de Psicologia do Desenvolvimento e Educação Infantil da Universidade de Sorbonne, na França, ele explica que nossos ‘futuros chefes’ usam mais o córtex pré-frontal, o que acelera a tomada de decisão e a capacidade de cumprir multitarefas. Porém, Houde alerta: o uso excessivo dessa parte do cérebro pode reforçar a intolerância, tão comum nas redes sociais. “A internet nos deu a falsa noção de liberdade de expressão. Só que a minha liberdade acaba quando começa a do outro”, lembra Ana Catarina.

Engajados. Nas mídias sociais, adolescentes e jovens da geração Z organizam manifestações descentralizadas e se mostram inconformados com a política e a religião. “Enquanto os políticos aumentam salários e verbas de campanha, nós vivemos uma crise com demissões, inflação alta e déficit orçamentário”, observa Garófalo. Para o estudante de engenharia elétrica, até as religiões perderam o propósito. “A religião deveria ser um caminho que desse sentido à vida”.

Fora do mundo virtual, a geração Z alimenta o desejo de ‘salvar o mundo’. Como? Segundo a pesquisa Millennial Branding, divulgada no ano passado, 76% dos jovens norte-americanos querem ser voluntários e ajudar em causas ambientais.

Mais exigentes
Os jovens da geração Z exigem mais de um líder da empresa. “Pessoas em cargos de confiança assumem responsabilidades. Por isso, devem inspirar e motivar”, sugere o estudante de engenharia elétrica da PUC Minas, Rafael Garófalo.

Já o estudante de sistemas de informação da PUC Paraná, Lucas Dal Prá, procura certos “requisitos” no local de trabalho. “Só aceito atuar em lugares com uma metodologia de trabalho otimizada, com equipe amigável, que saiba os limites entre o pessoal e o profissional, e tenha uma marca forte e respeitável”, afirma o estudante.

Na internet, só download grátis

As gerações estão ficando cada vez mais parecidas quando o assunto é comprar. É o que garante a especialista em cultura jovem Ana Barbieri (foto). “A geração X tinha receio de comprar pela internet, mas com o tempo seus indivíduos passaram a adquirir uma série de produtos virtualmente”. Para Ana, o que mais difere a geração Z é a disposição em pagar por um objeto ou serviço. “Os jovens da geração Z estão acostumados a fazer o download de músicas, filmes e livros. Eles dificilmente pagam por esses produtos como a geração X, a não ser quando o assunto é moda”.

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