Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged voluntários

Uma pequena biblioteca está fazendo a diferença em Granada

0
West Indian Stories. Foto do usuário do Flickr coconinoco. CC BY-NC-ND 2.0

West Indian Stories. Foto do usuário do Flickr coconinoco. CC BY-NC-ND 2.0

Lú Sampaio, no Global Voices

Existe uma biblioteca em Granada fora do comum. Foi fundada por um escritor, um grupo da igreja e por um grupo de ação social chamado Groundation GrenadaMt. Zion é uma pequena biblioteca que está promovendo a cultura do voluntariado, o que não é comum no Caribe, incentivando a juventude não apenas a se envolver, mas também a aprender a gostar de ler.

O foco do projeto são os jovens, o que é especialmente importante após o relatório sobre desenvolvimento humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento,de 2009, mostrar que Granada possui a mais alta taxa de pobreza dos países ingleses do Caribe. A juventude é a mais prejudicada, a situação econômica afeta sua escolaridade e empregabilidade. A taxa de desemprego no país, atualmente, está em torno de 40%.

A Mt. Zion está transformando os serviços bibliotecários em uma opção de carreira viável e sendo o bônus uma nova geração que está se apaixonando pela leitura.

Groundation Grenada compartilha um exemplo: Alesia Aird, 20 anos, cantora e artista que não se parece em nada com uma bibliotecária convencional. Ela escuta o ícone do reggae jamaicano Peter Tosh e sua música consciente e se parece mais com a Lauryn Hill do que com a Nancy Pearl. No entanto, ela passa a maior parte de seu tempo livre voluntariando na biblioteca e se apaixonou por literatura indiana contemporânea e por obras de ficção científica.

Groundation explica:

Alesia nem sempre foi leitora. Na verdade, ela relembra que a leitura parecia uma punição, algo que era forçada a fazer. Descreve sua experiência na escola sendo similar a ensinar um peixe a subir em uma árvore, já que o sistema escolar não conseguiu reconhecer e aplicar diferentes estilos e ritmos de aprendizagem.

Então, como um não leitor se candidata a voluntário de uma biblioteca? Pouco a pouco, como se vê. Um amigo pediu-lhe para ajudá-lo na classificação de alguns livros. Ela concordou e se deixou levar pela “boa vibração” do que dizem as pessoas envolvidas no projeto. Diz que o que a fez ficar foi “o sorriso dos leitores que se converteram depois da leitura de um livro de que gostaram”.

Aird está convencida que a biblioteca Mt. Zion é especial, não apenas pela paixão dos voluntários, mas também pela “sua localização [no coração de St. George] e sua origem, que dão à biblioteca características únicas e pouco convencionais”.

A popularidade da Mt. Zion continua crescendo – dois novos membros se registram por dia – especialmente os mais jovens, que lá encontram um espaço de apoio, onde podem trocar ideias e serem eles mesmos.

dica do Tom Fernandes

Ler um livro pode mudar seu cérebro – pelo menos por um tempo

0

1

Ana Prado, no Guia do Estudante

Uma das coisas mais legais de se mergulhar em um livro é a sensação de sair da sua realidade e se colocar no corpo de outra pessoa. Mas isso não acontece só no sentido figurado – pode acontecer num sentido biológico também. Cientistas da Universidade Emory, nos Estados Unidos, descobriram que ler pode afetar nosso cérebro por dias, como se realmente tivéssemos vivenciado os eventos sobre o qual estamos lendo.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram os efeitos da leitura sobre redes cerebrais usando ressonância magnética funcional (fMRI). Até então, os estudos já feitos só focavam os efeitos imediatos da leitura, com voluntários lendo histórias curtas dentro do scanner. Desta vez, foram analisados os efeitos posteriores. Para isso, 21 estudantes da universidade participaram do experimento por 19 dias consecutivos. Todos eles tiveram de ler “Pompeia”, livro de 2003 escrito por Robert Harris e baseado na erupção real do Monte Vesúvio na Itália antiga.

“A história segue um protagonista, que está fora da cidade de Pompéia e percebe vapor e coisas estranhas acontecendo ao redor do vulcão”, diz o neurocientista Gregory Berns, principal autor do estudo. “Ele tenta voltar para lá a tempo de salvar a mulher que ama. Enquanto isso, o vulcão continua e ninguém na cidade reconhece os sinais”. Segundo ele, o livro foi escolhido por ter uma forte linha narrativa e ser emocionante e cheio de suspense, o que era importante para que os leitores pudessem realmente se envolver com a história.

Todas as manhãs, nos cinco primeiros dias, os voluntários tiveram seu cérebro analisado em estado de repouso pelo scanner de ressonância magnética. Depois disso, eles passaram a receber diariamente, por nove dias, uma parte do livro com cerca de 30 páginas cada, sempre para ler à noite. Nas manhãs seguintes, depois de passarem por um teste inicial para garantir que haviam terminado a leitura da noite anterior, eles passavam por outro exame de fMRI. Para completar, os participantes ainda passaram por exames adicionais por mais cinco dias depois de completar todas as nove seções do romance.

1

Resultados
Os pesquisadores descobriram que, nas manhãs seguintes às tarefas de leitura, o cérebro dos voluntários mostraram conectividade elevada no córtex temporal esquerdo, uma área associada à receptividade para a linguagem. “Mesmo que os participantes não estivessem realmente lendo o romance enquanto estavam no scanner, eles mantiveram essa conectividade elevada. Chamamos isso de ‘atividade sombra’, quase como uma memória muscular”, diz Berns.

Outra área que apresentou conectividade intensificada estava próxima do sulco central, uma região sensório-motora primária cujos neurônios são associados à representação das sensações para o corpo – o processo que acontece quando pensamos em correr, por exemplo, e ativamos os neurônios associados ao ato físico de correr. Em outras palavras, o cérebro dos leitores estava funcionando como se eles tivessem realizado uma série de atividades físicas que eles não haviam feito – mas o personagem do seu livro, sim.

“As mudanças neurais que encontramos associadas às sensações físicas e sistemas de movimento sugerem que a leitura de um romance pode transportá-lo para dentro do corpo do protagonista”, diz Berns. “Nós já sabíamos que boas histórias podem colocá-lo no lugar do outro em sentido figurado. Agora estamos vendo que alguma coisa pode estar acontecendo também biologicamente”, completa. E é importante notar que essas mudanças neurais não eram apenas reações imediatas já que persistiram não só pela manhã seguinte às leituras, como também durante os cinco dias após os participantes terminarem o romance.

Como o estudo acabou depois desse tempo, não se sabe quanto essas mudanças neurais podem durar. “Mas o fato de que as detectamos por alguns dias para um romance aleatório que as pessoas tiveram de ler sugere que seus livros favoritos certamente podem ter um efeito maior e mais duradouro sobre a biologia do seu cérebro”, conclui Berns.

dica do Jarbas Aragão

Voluntários ajudam o Smithsonian a transcrever mais de 13 mil páginas

0

Seguindo a tendência do ‘crowdsourcing’, o instituto americano de museus e pesquisas testou o novo método no ano passado

1

Publicado em O Globo

RIO – O Smithsonian, complexo de museus e instituto de pesquisas sediado em Washington, EUA, veio a público através de seu site para pedir ajuda na transcrição e tradução de documentos que não podem ser facilmente lidos por computadores. O vasto arquivo contempla milhares de páginas sobre a Guerra Civil americana, etiquetas botânicas e correspondências, entre outros papéis.

Durante a fase de testes do projeto, que foi iniciada em junho de 2013, mais de mil voluntários conseguiram transcrever cerca de 13 mil páginas de documentos arquivados. Contudo, a iniciativa teve um lado negativo: a falha humana. Para evitar erros de digitação ou divergências nos conteúdos, cada lauda foi revisada por outro participante do projeto e depois por um especialista do instituto. Uma vez transcritos, os documentos são liberados para consulta.

Os arquivos da instituição são enormes, e preservar essas coleções em uma era digital é uma tarefa muito complicada, especialmente quando se tratam de documentos escritos à mão. Tinta desaparece com o tempo e rabiscos individuais às vezes se assemelham a hieróglifos. O Smithsonian estimou que sem a ajuda da população levaria décadas para transcrever as milhões de páginas de suas coleções.

Depois do sucesso durante a fase de testes, o instituto emitiu um chamado para que mais voluntários se candidatassem a decifrar de tudo, desde marcas de amostras manuscritas a cartas pessoais de artistas icônicos dos EUA. O instituto espera que o público ajude a transcrever, entre outros projetos, os cadernos de pesquisa de Joseph Henry, físico e um dos primeiros pesquisadores do Smithsonian, e uma coleção de cartas de artistas norte-americanos que será incluída no no livro “The Art of Handwriting”, que será publicado pela instituição.

Go to Top