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Casas em que viveram grandes 14 escritores hoje são museus

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Quem é apaixonado por livros não pode perder esse rolê literário, de Cora Coralina a Ernest Hemingway

Ludmila Balduino, no Viagem e Turismo

Livros de grandes escritores nos levam a viajar. E nos fazem pensar sobre o contexto em que foram escritos. Para um leitor-viajante, nada é mais satisfatório do que descobrir detalhes sobre o seu autor favorito e a sua história de vida. Entender as motivações que o levaram a escrever obras tão fascinantes.

E quem é um verdadeiro leitor-viajante vai adorar passear por essas 15 casas de grandes escritores da história da humanidade. Nem que seja apenas admirando as fotos dos casarões abaixo.

1. Casa e museu de Mark Twain em Hartford, Connecticut, nos Estados Unidos


Mark Twain (Hartford, Connecticut, Estados Unidos) O autor de “As Aventuras de Tom Sawyer” nasceu no Mississippi e passou a viver em Hartford em 1874, após se casar com Olivia Clemens. Com ajuda de um arquiteto, os dois planejaram todos os detalhes da casa, que demorou três anos para ficar pronta – e, segundo o próprio Twain, perfeita para abrigar a família do escritor norte-americano. Apesar de parte da história de Sawyer se passar na terra natal de Twain, foi nessa casa em Connecticut que ele escreveu a obra que o tornou famoso no mundo inteiro

Mark Twain (Hartford, Connecticut, Estados Unidos) O autor de “As Aventuras de Tom Sawyer” nasceu no Mississippi e passou a viver em Hartford em 1874, após se casar com Olivia Clemens. Com ajuda de um arquiteto, os dois planejaram todos os detalhes da casa, que demorou três anos para ficar pronta – e, segundo o próprio Twain, perfeita para abrigar a família do escritor norte-americano. Apesar de parte da história de Sawyer se passar na terra natal de Twain, foi nessa casa em Connecticut que ele escreveu a obra que o tornou famoso no mundo inteiro

2. La Sebastiana, casa de Pablo Neruda em Valparaíso, Chile


Pablo Neruda (Valparaíso, Chile) O poeta chileno, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1971, mantinha três casas em seu país de origem: La Chascona, em Santiago; Isla Negra, na cidade costeira homônima, a 96 km de Santiago; e La Sebastiana (foto), em Valparaíso. As três construções têm arquiteturas interessantíssimas, dignas de um poeta tão criativo como ele foi – e são obrigatórias para quem é apaixonado pelos versos sonoros e que relatam tão profundamente a sociedade e a natureza do Chile

Pablo Neruda (Valparaíso, Chile) O poeta chileno, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1971, mantinha três casas em seu país de origem: La Chascona, em Santiago; Isla Negra, na cidade costeira homônima, a 96 km de Santiago; e La Sebastiana (foto), em Valparaíso. As três construções têm arquiteturas interessantíssimas, dignas de um poeta tão criativo como ele foi – e são obrigatórias para quem é apaixonado pelos versos sonoros e que relatam tão profundamente a sociedade e a natureza do Chile

3. The Fitzgerald Museum, casa dos Fitzgerald, em Montgomery, Alabama, Estados Unidos


F. Scott Fitzgerald (Montgomery, Alabama, Estados Unidos) O autor do clássico “O Grande Gatsby” viveu nessa casa no Alabama, Estados Unidos, com a esposa Zelda, entre o outono de 1931 e a primavera de 1932. Apesar de ficarem ali por pouco tempo (principalmente por causa da vida boêmia de Scott e da internação de Zelda em um hospício), o museu que a casa abriga conta a história completa do casal, da época em que viviam, e mostram aos fãs como os escritos de Fitzgerald reproduziram tão fielmente a cultura norte-americana do momento

F. Scott Fitzgerald (Montgomery, Alabama, Estados Unidos) O autor do clássico “O Grande Gatsby” viveu nessa casa no Alabama, Estados Unidos, com a esposa Zelda, entre o outono de 1931 e a primavera de 1932. Apesar de ficarem ali por pouco tempo (principalmente por causa da vida boêmia de Scott e da internação de Zelda em um hospício), o museu que a casa abriga conta a história completa do casal, da época em que viviam, e mostram aos fãs como os escritos de Fitzgerald reproduziram tão fielmente a cultura norte-americana do momento

4. Casa de William Faulkner em Oxford, Mississippi, Estados Unidos


William Faulkner (Oxford, Mississippi, Estados Unidos) Construída em 1844, a casa – que fica em uma fazenda e é cercada por carvalhos gigantescos – foi o local preferido de Faulkner para escrever sua extensa obra que o levou a receber o Prêmio Nobel de Literatura em 1949. Ele e sua família mudaram-se para esse casarão em 1930, e ali Faulkner viveu até o fim de sua vida, em 1962

William Faulkner (Oxford, Mississippi, Estados Unidos) Construída em 1844, a casa – que fica em uma fazenda e é cercada por carvalhos gigantescos – foi o local preferido de Faulkner para escrever sua extensa obra que o levou a receber o Prêmio Nobel de Literatura em 1949. Ele e sua família mudaram-se para esse casarão em 1930, e ali Faulkner viveu até o fim de sua vida, em 1962

5. Casa da escritora Pearl S. Buck, na Pensilvânia, Estados Unidos


Pearl S. Buck (Dublin, Pensilvânia, Estados Unidos) Foi nessa casa no subúrbio da Filadélfia que a escritora Pearl S. Buck criou um de seus livros mais famosos, “A Boa Terra”, que relata o dia-a-dia de uma família na China rural. A norte-americana conquistou o Prêmio Nobel de literatura em 1938 e foi uma grande ativista sobre os direitos das mulheres e dos descendentes de asiáticos nos Estados Unidos. No casarão em que viveu por 40 anos, é possível encontrar objetos da época em que morou na China, e até presentes de Dalai Lama e do ex-presidente dos EUA, Richard Nixon. Seu túmulo fica no terreno da casa, e também é muito visitado

Pearl S. Buck (Dublin, Pensilvânia, Estados Unidos) Foi nessa casa no subúrbio da Filadélfia que a escritora Pearl S. Buck criou um de seus livros mais famosos, “A Boa Terra”, que relata o dia-a-dia de uma família na China rural. A norte-americana conquistou o Prêmio Nobel de literatura em 1938 e foi uma grande ativista sobre os direitos das mulheres e dos descendentes de asiáticos nos Estados Unidos. No casarão em que viveu por 40 anos, é possível encontrar objetos da época em que morou na China, e até presentes de Dalai Lama e do ex-presidente dos EUA, Richard Nixon. Seu túmulo fica no terreno da casa, e também é muito visitado

6. Casa de Fernando Pessoa em Lisboa, Portugal


Fernando Pessoa (Lisboa, Portugal) É nesta casa em Campo de Ourique que o poeta português passou os últimos 15 anos de sua vida. Além de atividades culturais, a Casa Fernando Pessoa expõe o quarto em que ele morou, decorado como se ele ainda vivesse ali, junto com algumas relíquias, como o óculos de armação arrendodada, o bloco de anotações, e a máquina de escrever. Diz a lenda que foi naquele quartinho que ele escreveu, na noite de 8 de março de 1914, três dos seus poemas mais famosos: “O Guardador de Rebanhos”, “A Chuva Oblíqua” e “Ode Triunfal”

Fernando Pessoa (Lisboa, Portugal) É nesta casa em Campo de Ourique que o poeta português passou os últimos 15 anos de sua vida. Além de atividades culturais, a Casa Fernando Pessoa expõe o quarto em que ele morou, decorado como se ele ainda vivesse ali, junto com algumas relíquias, como o óculos de armação arredondada, o bloco de anotações, e a máquina de escrever. Diz a lenda que foi naquele quartinho que ele escreveu, na noite de 8 de março de 1914, três dos seus poemas mais famosos: “O Guardador de Rebanhos”, “A Chuva Oblíqua” e “Ode Triunfal”

7. Casa de Ernest Hemingway na Flórida, Estados Unidos


Ernest Hemingway (Key West, Flórida, Estados Unidos) O casarão ensolarado, de janelas amplas e piscina, fica na pontinha sul da Flórida. A casa em que o norte-americano viveu entre 1931 e 1940 com a ex-mulher, Pauline, e dois filhos, mantém a mobília original e objetos que Pauline trouxe da França. As dezenas de gatos que vivem por ali também são uma atração: dizem que eles são descendentes dos gatos que Hemingway e a família criaram. O autor ficou famoso por obras como “O Velho e o Mar”, “O Sol Também se Levanta” e “Por Quem os Sinos Dobram”

Ernest Hemingway (Key West, Flórida, Estados Unidos) O casarão ensolarado, de janelas amplas e piscina, fica na pontinha sul da Flórida. A casa em que o norte-americano viveu entre 1931 e 1940 com a ex-mulher, Pauline, e dois filhos, mantém a mobília original e objetos que Pauline trouxe da França. As dezenas de gatos que vivem por ali também são uma atração: dizem que eles são descendentes dos gatos que Hemingway e a família criaram. O autor ficou famoso por obras como “O Velho e o Mar”, “O Sol Também se Levanta” e “Por Quem os Sinos Dobram”

8. Casa de Shakespeare no Reino Unido


William Shakespeare (Stratford-upon-Avon, Reino Unido) Há cinco casas no Reino Unido que contam a história do maior escritor inglês de todos os tempos. Uma delas é a da foto acima: foi nessa casa que ele nasceu e viveu até por volta dos seus 20 anos, quando casou-se e mudou-se para o seu segundo lar (que também pode ser visitado). Dentro da casa, é possível descobrir detalhes sobre como a personalidade do escritor foi moldada – o local era agitado, sempre cheio de gente (Foto: David Iliff) + Doze melhores destinos no Reino Unido, a partir de Londres

William Shakespeare (Stratford-upon-Avon, Reino Unido) Há cinco casas no Reino Unido que contam a história do maior escritor inglês de todos os tempos. Uma delas é a da foto acima: foi nessa casa que ele nasceu e viveu até por volta dos seus 20 anos, quando casou-se e mudou-se para o seu segundo lar (que também pode ser visitado). Dentro da casa, é possível descobrir detalhes sobre como a personalidade do escritor foi moldada – o local era agitado, sempre cheio de gente (Foto: David Iliff) + Doze melhores destinos no Reino Unido, a partir de Londres

9. Casa de Carlos Drummond de Andrade em Itabira, Minas Gerais


Carlos Drummond de Andrade (Itabira, Minas Gerais)Foi neste sobrado do século 19 que Carlos Drummond de Andrade morou dos 2 aos 13 anos. Foi um período marcante na vida e na obra do poeta: vários poemas escritos por Drummond relembram o tempo em que ele morou no casarão. Depois que foi transformada em museu, a casa expõe objetos pessoais do brasileiro, como a sua primeira máquina de escrever, cartas, fotografias e prêmios literários

Carlos Drummond de Andrade (Itabira, Minas Gerais)Foi neste sobrado do século 19 que Carlos Drummond de Andrade morou dos 2 aos 13 anos. Foi um período marcante na vida e na obra do poeta: vários poemas escritos por Drummond relembram o tempo em que ele morou no casarão. Depois que foi transformada em museu, a casa expõe objetos pessoais do brasileiro, como a sua primeira máquina de escrever, cartas, fotografias e prêmios literários (Divulgação/Divulgação)

10. Casa do escritor Victor Hugo em Paris, França


Victor Hugo (Paris, França) Foi neste apartamento, hoje localizado na Place des Vosges, que o escritor francês viveu entre 1832 e 1848. A decoração atual tem vários objetos que pertenciam ao autor de “Os Miseráveis” e “O Corcunda de Notre Dame”, mas os cômodos também contam a história de sua vida. A foto acima, por exemplo, é do quarto chinês, que expõe o período em que ele ficou em exílio, em Guernsey, na Costa da Normandia. A estante de pratos na parede foi uma ideia criativa do escritor, que adorava decoração

Victor Hugo (Paris, França) Foi neste apartamento, hoje localizado na Place des Vosges, que o escritor francês viveu entre 1832 e 1848. A decoração atual tem vários objetos que pertenciam ao autor de “Os Miseráveis” e “O Corcunda de Notre Dame”, mas os cômodos também contam a história de sua vida. A foto acima, por exemplo, é do quarto chinês, que expõe o período em que ele ficou em exílio, em Guernsey, na Costa da Normandia. A estante de pratos na parede foi uma ideia criativa do escritor, que adorava decoração

11. Casa da escritora Agatha Christie, na Inglaterra


Agatha Christie (Devon, Reino Unido) Depois de ficar rica e famosa por causa de sua série de livros de mistério, em 1938 a inglesa Agatha Christie comprou essa casa construída entre os anos 1780 e 1790. Aberta ao público desde 2000, o casarão e seu extenso jardim serviam como refúgio da família da escritora nos feriados. Eles costumavam passar a primavera, o fim do verão e os Natais na tranquilidade do lugar. Durante a visita, é possível encontrar jogos de tabuleiro em frente à lareira, o piano de cauda da escritora, além de de áudios que contam a história de como o lugar é querido pela família

Agatha Christie (Devon, Reino Unido) Depois de ficar rica e famosa por causa de sua série de livros de mistério, em 1938 a inglesa Agatha Christie comprou essa casa construída entre os anos 1780 e 1790. Aberta ao público desde 2000, o casarão e seu extenso jardim serviam como refúgio da família da escritora nos feriados. Eles costumavam passar a primavera, o fim do verão e os Natais na tranquilidade do lugar. Durante a visita, é possível encontrar jogos de tabuleiro em frente à lareira, o piano de cauda da escritora, além de de áudios que contam a história de como o lugar é querido pela família

12. A Casa do Rio Vermelho – Jorge Amado e Zélia Gattai


Jorge Amado (Salvador, Bahia) Além da Fundação Casa de Jorge Amado, no Pelourinho, a cidade de Salvador presta outra grande homenagem ao seu maior escritor: a casa em que ele morou, no bairro do Rio Vermelho, também foi transformada em museu – e tem mais objetos pessoais do baiano que gostava de usar camisas floridas do que em qualquer outro lugar. Ali, é possível voltar ao passado e quase sentir a presença dele e de sua companheira inseparável, Zélia Gattai. Principalmente ao ouvir a voz dele ecoando pelos cômodos cheios de referências aos livros que ele escreveu

Jorge Amado (Salvador, Bahia) Além da Fundação Casa de Jorge Amado, no Pelourinho, a cidade de Salvador presta outra grande homenagem ao seu maior escritor: a casa em que ele morou, no bairro do Rio Vermelho, também foi transformada em museu – e tem mais objetos pessoais do baiano que gostava de usar camisas floridas do que em qualquer outro lugar. Ali, é possível voltar ao passado e quase sentir a presença dele e de sua companheira inseparável, Zélia Gattai. Principalmente ao ouvir a voz dele ecoando pelos cômodos cheios de referências aos livros que ele escreveu (Divulgação/Divulgação)

13. Museu Casa de Cora Coralina, Goiás (GO)


Cora Coralina (Goiás, Goiás) A senhorinha que encantou o Brasil e o mundo com seus poemas singelos, e ao mesmo tempo extremamente fortes, que relatavam o dia a dia de uma menina que morava na casa da ponte, vivia mesmo em um casarão à beira da ponte sobre o Rio Vermelho, em Goiás. Uma das representantes mais famosas da cidade histórica rodeada pela Serra Dourada, no meio do estado de mesmo nome, Cora Coralina precisou fazer doces para vender nos últimos anos de sua vida. Por isso, a cozinha é um dos pontos altos da visita. A casa da ponte – como é carinhosamente chamada pelos visitantes – ainda tem um jardim enorme e florido (tem até uma bica de água fresquinha), conserva as roupas que ela usou, a cama em que dormiu e a sua poltrona preferida, de onde recebia visitas ilustres

Cora Coralina (Goiás, Goiás) A senhorinha que encantou o Brasil e o mundo com seus poemas singelos, e ao mesmo tempo extremamente fortes, que relatavam o dia a dia de uma menina que morava na casa da ponte, vivia mesmo em um casarão à beira da ponte sobre o Rio Vermelho, em Goiás. Uma das representantes mais famosas da cidade histórica rodeada pela Serra Dourada, no meio do estado de mesmo nome, Cora Coralina precisou fazer doces para vender nos últimos anos de sua vida. Por isso, a cozinha é um dos pontos altos da visita. A casa da ponte – como é carinhosamente chamada pelos visitantes – ainda tem um jardim enorme e florido (tem até uma bica de água fresquinha), conserva as roupas que ela usou, a cama em que dormiu e a sua poltrona preferida, de onde recebia visitas ilustres

14. Casa de Vladimir Nabokov em São Petersburgo, na Rússia


Vladimir Nabokov (São Petersburgo, Rússia) Foi aqui que o escritor russo nasceu, em 1899, e viveu até a adolescência, em 1917. A família fugiu da revolução Russa, esperando passar poucos meses fora do país, mas nunca mais voltou à casa. Nos anos 1990, o térreo foi aberto para expor os objetos pessoais da família, como a extensa coleção de livros – são mais de 10 mil volumes. Também dá para se ter uma ideia da fascinação que Nabokov tinha por borboletas – suas coleções de desenhos de borboletas, e de borboletas que ele caçou, estão entre os pontos altos do museu

Vladimir Nabokov (São Petersburgo, Rússia) Foi aqui que o escritor russo nasceu, em 1899, e viveu até a adolescência, em 1917. A família fugiu da revolução Russa, esperando passar poucos meses fora do país, mas nunca mais voltou à casa. Nos anos 1990, o térreo foi aberto para expor os objetos pessoais da família, como a extensa coleção de livros – são mais de 10 mil volumes. Também dá para se ter uma ideia da fascinação que Nabokov tinha por borboletas – suas coleções de desenhos de borboletas, e de borboletas que ele caçou, estão entre os pontos altos do museu

28 livros que são diamantes para o cérebro de crianças e adolescentes

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Euler de França Belém, no Jornal Opção

Bons livros para crianças e adolescentes — a chamada literatura infanto-juvenil — são eternos e, mais, podem ser lidos por adultos com igual prazer. Muitos livros, mesmo de qualidade mediana, se tornaram clássicos. As obras de Monteiro Lobato, Alexandre Dumas, Irmãos Grimm, Ruth Rocha, Lygia Bojunga, Ana Maria Machado, H. C. Andersen não morrem jamais. São para sempre. “Meninos da Rua Paulo”, de Ferenc Mólnar, para ficar num exemplo, é um clássico universal e atemporal.

“O que me diz, Louise?”, de Slade Morrison e Toni Morrison
O que me diz Louise

Nobel de Literatura, a americana Toni Morrison é uma escritora notável. O livrinho “O Que Me Diz, Louise?” é uma celebração da leitura, da cultura, do aprendizado. Sobretudo, do prazer e não da obrigação de ler. Mesmo num dia chuvoso, Louise sai de casa em busca de um refúgio quase secreto: a biblioteca, espécie de porta aberta para todas as coisas do mundo. A biblioteca, com seus vários livros, transforma os seres humanos e, daí, o mundo. Ah, o livro nada tem de chato. (Glo­binho, 32 páginas, tradução de José Rubens Siqueira, ilustração de Shadra Strickland)

 

“O Pequeno Nicolau”, de Sempé-Goscinny

O Pequeno NicolauCom ilustrações de Jean-Jacques Sempé, o livrinho aparentemente despretensioso escrito pelo francês René Gos­cin­ny, criador de Asterix, que viveu em Buenos Aires durante a infância e parte da juventude, narra em primeira pessoa as aventuras do menino Nicolau. Contando suas experiências na escola, em casa com os pais e com os amigos, Nicolau diverte e ao mesmo tempo apresenta uma narrativa de como uma criança percebe o mundo ao seu redor. Para os interessados pela língua francesa, vale a pena ler o livro no original. A prosa da obra é fluente, precisa e acessível (Mar­tins Fontes, 136 páginas).

 

“20 mil léguas submarinas”, de Júlio Verne

20 mil leguas submarinasA edição contém o tex­to integral e 30 ilustrações originais. Um dos criadores da ficção científica, Júlio (Jules) Verne é uma espécie de Nos­tradamus da literatura e, mesmo, da ciência. Invenções às quais não teve acesso, pois morreu em 1905, foram anunciadas em seus livros. Prisioneiro do capitão Nemo, o professor Aronnax e Ned Land vivem a bordo do submarino Náutilus. Sem o didatismo de alguns autores, privilegiando a imaginação, a sua e a dos leitores, Verne mostra a riqueza do mundo marinho. (Zahar, 472 páginas, tradução de André Telles)

 

“O Jardim Secreto”, de Frances Rodgson Burnett

O Jardim SecretoO romance “O Jardim Secreto”, de Frances Rodgson Burnett, é sobre o encontro entre uma menina e um menino, sobretudo é uma celebração da amizade entre dois seres e a descoberta, por assim dizer, do mundo. O garoto vive numa cama, mais morto do que vivo, até a chegada de uma menina esperta que injeta vida em seu ser e o retira do quarto. Juntos, descobrem um jardim secreto e uma história, que, como o belo jardim, não pode mas é devassada. (Há duas traduções de qualidade pela Editora 34, de Marcos Maffei, e pela Companhia das Letras/Penguin, de Sônia Moreira. Há uma bela edição, em pop art, da Publifolha)

 

“4 Contos”, de e. e. cummings

4 ContosNão estranhe: é assim mesmo — e. e. cummings. É como o poeta assinava seus livros, com minúsculas. Todos conhecem cummings como um poeta extra­or­dinário, traduzido no Brasil por Augusto de Campos. No seu único livro para crianças, o bardo mostra que tem a imaginação adequada. Os contos versam sobre nascimento, amor. Quem aprecia Tolkien não se espantará com o elfo criado pelo vate americano. Imagine um elefante que tem carinho por uma borboleta e uma casa, meio solitária, que se declara apaixonada por um passarinho. Há duas meninas, Eu e Você. Lúdico e inteligente. (Cosac Naify, 48 páginas, tradução de Cláudio Alves Marcondes, ilustrações de Eloar Guazzelli)

 

“Vozes no Parque”, de Anthony Browne

Vozes no ParqueAnthony Browne ganhou o prê­mio Hans Chris­­­tian An­dersen, o No­­bel da literatura infanto-juvenil. O li­vro convida o leitor para pensar sobre a diversidade do mundo, sobre a interpretação dos fatos. Um passeio, feito num parque, é relatado por quatro vozes diferentes, com suas nuances. Resulta que um passeio pode ser muitos passeios, ao incorporar vozes diversas. “Um convite para nos colocarmos no lugar do outro, para ampliarmos nosso horizonte e para pensarmos sobre algumas questões como o isolamento, a amizade e as coisas estranhas em meio ao familiar”, segundo a editora. Atente-se para as ilustrações. (Zahar, 32 páginas, tradução de Clarice Duque-Estrada)

 

“Huckleberry Finn”, de Mark Twain

Huckleberry FinnPense em Mark Twain como o Mon­teiro Lobato dos Estados Uni­dos, com uma pitada a mais de humor. O menino Huck Finn é esperto, inteligente e até malandrinho. Suas histórias divertidas sempre levam o leitor a sorrir. É quase um romance de formação, preciso e enxuto. O menino amadurece durante suas peripécias. Fica-se com a impressão, às vezes, de que Huck Finn é um menino-adulto ou um adulto-menino. É o mais importante livro da literatura juvenil (ou infanto-juvenil) dos Estados Unidos, inclusive adaptado para o cinema. (L&PM, 320 páginas, tradução de Rosaura Eichenberg. Há outra edição. A leitura em inglês talvez seja mais proveitosa)

 

“As aventuras de Robin Hood”, de Alexandre Dumas

As aventuras de Robin HoodRobin Hood é um clássico da literatura universal (poucas pessoas não sabem quem é). As histórias estabelecidas por Alexandre Dumas são as mais bem cuidadas e são ambientadas nos séculos 12 e 13, sob o reinado de Ricardo Coração de Leão. O criminoso que rouba dos ricos para doar aos pobres é admirador do rei Ricardo e batalha para que volte ao trono. Nas matas de Sherwood e Barnsdale, Robin Hood e seus aliados, como João Pequeno, lutam contra o xerife de Nottingham e os soldados do rei usurpador. Há também a bela Lady Marian, paixão de Robin Hood, e o frei Tuck, seu aliado. (Zahar, 472 páginas, tradução de Jorge Bastos)

 

“Os Meninos da Rua Paulo”, de Ferenc Molnár

os Meninos da Rua PauloO húngaro Ferenc Molnár escreveu um dos mais belos livros juvenis (que todo adulto lê com prazer). Paulo Rónai, húngaro que veio para o Brasil fugindo do nazismo, é o exímio tradutor desta obra-prima. Ele escreveu o prefácio e o poeta e tradutor Nelson Ascher é autor do posfácio e das notas. Brigas de meninos, nas ruas de Budapeste, no século 19, poderiam render uma reportagem de jornal. Nas mãos de Ferenc Molnár resultaram num romance delicioso, escrito com graça e grande compreensão do universo dos garotos. (Cosac Naify, 70 páginas)

 

“Os três mosqueteiros”, de Alexandre Dumas

Os três mosqueteirosUma das graças do livro do escritor francês Alexandre Dumas é saber que os três mosqueteiros são, na verdade, quatro — Athos, Por­thos, Aramis e D’Artagnan. O romance de capa e espada se tornou universal. A versão brasileira, integral, contém mais de 100 ilustrações originais. A editora disponibiliza duas edições — uma mais barata e outra mais sofisticada. Os quatro heróis permanecem encantando os leitores. Não só. A história, levada ao cinema, encanta os espectadores. (Zahar, 688 páginas, tradução de André Telles e Rodrigo Lacerda)

 

“O Pequeno Príncipe”, Saint-Exupéry

O Pequeno PrincipeHá um preconceito intelectual contra este belo livro, so­bretudo no Bra­sil. Crianças e adolescentes (se não tiverem ab­sorvido a ranzinzice dos adultos) podem lê-lo com proveito. As mensagens podem soar piegas, num mundo feito de racionalismo consumista e sempre apressado, mas a história, com suas frases (dizem que moralistas), é bonita. Vale ler a tradução, mais madura e precisa, de Ferreira Gullar. O livro, na pena do maior poeta brasileiro vivo, ficou mais adulto. (Agir, 96 páginas)

 

“Grande Sertão: Veredas”/graphic novel, de Guimarães Rosa

42749000“Grande Sertão: Veredas, dirão, não é romance para crianças e adolescentes. De fato, não é. Porém, “Grande Sertão: Ve­redas”/graphic novel, de tão bem adaptado e, até, facilitado, pode ser lido por jovens atentos. O roteiro é de Eloar Guazzelli e a arte, de Rodrigo Rosa. O livro de Guimarães Rosa é uma das obras realmente imperdíveis da literatura brasileira. (Globo Livros, 180 páginas. O único problema é o preço: 199,90 reais)

 

“Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato

cacadas de pedrinhoO Brasil está cada vez mais urbano, com espaço cada vez menor para a área rural. Crianças, adolescentes e mesmo adultos sabem cada vez menos sobre assuntos que tenham a ver com o campo. O belo “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, se torna, portanto, mais interessante do que nunca. Porque põe seus leitores em contato com a natureza, com um garoto que inventa coisas para se divertir. Hoje, tirar uma criança das teclas de computadores e smartphones não é fácil. Monteiro Lobato, com sua rica imaginação, às vezes pecando por certo didatismo, provavelmente ainda consegue encantar as crianças e, até, os adolescentes. (Globinho, 72 páginas)

 

“O Menino e o Tuim”, de Rubem Braga

O Menino e o TuimO cronista Rubem Braga prova que sabe escrever para crianças com a história “O Menino e o Tuim”. O livro mostra a relação de uma criança com um passarinho. “Além de todo encantamento e alegria de ter um bichinho, o menino é forçado a lidar com as obrigações, necessidades e dilemas que vêm junto com o animalzinho quando ele é domesticado. Com uma linguagem sensível e poética, Rubem Braga capta toda a emoção de uma amizade pura e sincera e outras experiências transformadoras da infância”, sintetiza a editora. (Galerinha Record, 24 páginas)

 

“Andira”, de Rachel de Queiroz

AndiraAndira é uma criança? Não, Andira é uma andorinha-criança, quer dizer, um filhote. Pequena, e como não sabe voar, as demais andorinhas, que se preparam para migrar no inverno, deixam-na para trás. Como muitas andorinhas, Andira nasceu numa igreja e, na ausência dos parentes, é criada por morcegos. Estes se tornam seus mestres. (José Olympio, 64 páginas, ilustrações de Cláudio Martins)

 

“Marcelo, Marmelo e Martelo”, de Ruth Rocha

Marcelo Marmelo e MarteloRuth Rocha conhece como poucos o que se passa pela cabeça das crianças e adolescentes. Ela escreve com uma clareza impressionante e não subestima seus leitores. Por isso seus livros são tão lidos e adorados. Em “Marcelo, Marmelo e Martelo”, a escritora explora a vida de meninos que moram na cidade. São garotos espertos e ativos. Marcelo é um criador de palavras novas. Nas livrarias podem ser encontradas as belas e precisas adaptações que Ruth Rocha fez para a “Ilíada” e a “Odisseia”, de Homero”, e “Tom Sawyer”, de Mark Twain. Crianças ganham, muito, se lerem as adaptações. (Salamandra, 64 páginas, ilustrações de Mariana Massarani)

 

“A História de Emília”, de Monteiro Lobato

42127738Talvez seja possível dizer que Monteiro Lobato inventou a literatura infantil e infanto-juvenil no Brasil. Suas histórias não perdem vitalidade e permanecem modernas, ou, diria Carlos Drummond de Andrade, eternas. O escritor era um homem sisudo, mas tinha uma capacidade de imaginação imensa e, principalmente, não menosprezava a capacidade de entendimento de crianças e adolescentes. A história de Emília, uma boneca falante, é uma de suas principais criações Mexe com a percepção criadora das crianças. O curioso é que a personagem, com sua irreverência, agrada tanto meninas quanto meninos. É tão moleca, esperta e divertida quanto qualquer criança. (Globinho, 32 páginas)

 

“Meu Pé de Laranja Lima”, de José Mauro de Vasconcelos

Meu Pé de Laranja LimaO romance “Meu Pé de Laranja Lima” não deixa de ser piegas e, em alguns momentos, até primário. A exploração do sentimentalismo ganharia se incluísse, de modo mais incisivo, o humor, o riso (o mundo infantil raramente é tão lamentoso). Mas uma coisa é certa: José Mauro de Vasconcelos sabe comover crianças, pelo menos as do meu tempo de menino (entre as décadas de 1960 e 1970). A história do menino e do Portuga tem um quê de Mark Twain? Um quê, no caso, significa uns 20%. (Melhoramentos, 192 páginas)

 

“O estribo de prata”, de Graciliano Ramos

O estribo de prata“Vidas Secas” é, cla­ro, um roman­ce adulto. Mas a história de Fabiano e da cachorra Baleia pode ser lida com proveito por jovens perceptivos. “O Estribo de Prata” é, ao contrário, um livro mesmo para garotos. Trata-se de um causo contado por Alexandre, um misto de caçador e vaqueiro. Simples, direto e muito bem escrito. Menos seco que a prosa tradicional de Graciliano Ramos. Há, por assim dizer, um pouco mais de emoção. (Galerinha Record, 24 páginas, ilustrações de Simone Matias)

 

“A Menina Cláudia e o Rinoceronte”, de Ferreira Gullar

A Menina Cláudia e o RinoceronteAo criar colagens, o poeta Ferreira Gullar decidiu escrever “A Menina Cláudia e o Rinoceronte”. A garota, brincando com papel picado, “cria um rinoceronte. Ela toma gosto e logo faz vários outros, um de cada cor, era muita alegria inventar todo aquele novo e fantástico universo. Até que sua própria criação a surpreende obrigando a menina a embarcar numa incrível jornada e tanto pelos recortes de papel. Toda a história é contada por Gullar através de poemas leves e divertidos. Um livro lindo, uma verdadeira obra de arte visual com texto sensível e envolvente”, anota a editora. (José Olympio, 48 páginas)

 

“Raul da Ferrugem Azul”, de Ana Maria Machado

Raul da Ferrugem AzulGanhadora do Prêmio Hans Chris­tian Andersen, Ana Maria Machado é autora de livros de alta qualidade, como “Raul da Ferrugem Azul”, “História Meio ao Contrário?” e “Bisa Bia Bisa Bel”. Raul aparece com manchas azuis em todo o corpo. Depois de se lavar, usando xampu, álcool e detergente, conclui que tem ferrugem azul. A escritora conta a história com graça e sempre levando em consideração que o leitor é inteligente e perspicaz. (Salamandra, 64 páginas, ilustrações de Rosana Faria)

 

“A Bolsa Amarela”, de Lygia Bojunga

A Bolsa AmarelaLygia Bo­junga é uma escritora de livros infanto-juvenis? Consagrou-se assim. Acima de tudo, é uma grande escritora. Em conflito com a família e consigo mesma, uma menina esconde na sua bolsa “três grandes vontades”: “a de crescer, a de ser garoto e a de se tornar escritora”. Afinal, criança tem vontade ou sua vontade é a dos adultos? A garota relata como é seu cotidiano, intercambiando o mundo real, no qual vive com a família, e seu próprio mundo, no terreno da imaginação. (Casa Lygia Bojunga, 134 páginas)

 

“Histórias da Velha Totônia”, de José Lins do Rego

Histórias da Velha TotôniaJosé Lins do Rego tem livros magníficos sobre a infância. “Me­nino de Enge­nho”, às vezes subestimado, é um belíssimo romance. O es­critor paraibano escreve muito bem sobre meninos. “Quisera que todos eles (os meninos) me ouvissem com a ansiedade e o prazer com que eu escutava a velha Totônia do meu engenho”, disse o autor paraibano. A linguagem coloquial, oralizada, torna o livro extremamente acessível, divertido e delicioso. (José Olympio, 120 páginas)

 

“17 É Tov!”, de Tatiana Belinky

17 e TovTatiana Belinky nasceu na Rússia e veio cedo para o Brasil. Traduziu para o português Gógol e Tchekhov, sempre com mestria. Ao mesmo tempo, escreveu belos livros no campo infanto-juvenil — com a percepção de que a criança e o adolescente são inteligentes e dispensam didatismos excessivos. “Em ‘17 É Tov!’ ela descreve os primeiros 17 anos em São Paulo, por meio de crônicas divertidas e bem-humoradas. Desde a chegada no bairro paulistano de Hi­gienópolis até o casamento de seu irmão com uma prima, a autora narra casos que marcaram sua vida e sua experiência em um novo país”. Suas memórias, escritas com leveza, são divertidas e atentas. (Cia das Letrinhas, 88 páginas, ilustrações de Maria Eugênia)

 

“A Árvore dos Desejos”, de William Faulkner

a-arvore-dos-desejos-william-faulkner-14710-MLB169456628_8539-OO escritor americano William Faulkner é mais conhecido por seus romances mais complexos, como “O Som e a Fúria”, “Luz em Agosto”, “Absalão, Absalão” e “Enquanto Agonizo”. “A Árvore dos Desejos”, ao contrário dos chamados livrões, é escrito numa prosa mais simples e acessível. O menino Maurice convida a garota Dulcie para saírem em busca da Árvore dos Desejos. Eles vão para a floresta, ao lado de outras crianças. O Nobel de Literatura manipula bem o entrelaçamento entre o real e o fantástico. (Cosac Naify, 56 páginas, tradução de Leonardo Fróes, ilustrações de Eloar Guazzelli)

 

“Os Gatos de Copenhague”, de James Joyce

os-gatos-de-copenhague-james-joyce-8573214112_200x200-PU6eb479c3_1O autor de “Ulysses”, James Joyce, escrevendo para crianças? Sim e, melhor, o faz muito bem. “Os Gatos de Copenhague”, com qualificada tradução de Dirce Waltrick do Amarante, é divertido. O autor de “Ulysses” envia, da Dinamarca, uma carta para seu neto Stephen Joyce, na qual conta a história de que não há gatos em Copenhague. Que o leitor não se assuste: a história é simples, sem as firulas experimentais dos outros textos do escritor irlandês. (Iluminuras, 24 páginas, ilustrações de Michaella Pivetti)

 

“Discurso do urso”, de Júlio Cortázar

discurso-de-urso-julio-cortazar-emilio-urberuaga-450O escritor argentino Julio Cor­tázar é mais conhecido por “O Jogo da Amarelinha”, romance para adultos. O conto poético “O Discurso do Urso”, seu primeiro texto infantil, versa “sobre a vida e os seres humanos, vistos através dos olhos de um ursinho que vive passeando pelos canos dos prédios. Neste vai e vem ele ouve conversa e explora” o “cotidiano” das pessoas — “e suas qualidade e imperfeições — com curiosidade, deslumbre e audácia”, ressalta a editora. (Galerinha Record, 28 páginas, tradução de Léo Cunha)

 

“Caninos Brancos”, de Jack London

CapaJack London é um escritor brilhante, porém, como pouco dado a firulas experimentais, às vezes é sugerido como do segundo time. O autor de “O Cha­mado Selvagem” é responsável, em larga medida, pela formação e ampliação do número de leitores. Sua prosa é de qualidade, densa e, ao mesmo tempo, simples. Pode ser lida, com igual prazer, por crianças, adolescentes e adultos. “Caninos Brancos” é um de seus mais belos romances. Um lobo do Yukon, aprisionado, é utilizado como puxador de trenó e como cão de rinha. Resgatado por um homem “não-selvagem”, readquire, por assim dizer, sua “dignidade” e, aos poucos, volta à natureza. As relações homem-natureza são mostradas com rara felicidade por Jack London. A história foi adaptada para o cinema, mas nada substitui a leveza contagiante do texto do escritor americano (há pelo menos duas traduções de qualidade. Sônia Moreira é responsável pela da Companha das Letras/Penguin, com 296 páginas, e Rosaura Eichenberg fez a da L&PM, com 232 páginas)

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40 trocas de insultos entre escritores e cantores famosos

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Carlos Willian Leite, na Revista Bula

A literatura e a música são um terreno fértil para intrigas. Não foram poucas as vezes que nomes consagrados da literatura e da música mundial deixaram a elegância de lado e alfinetaram colegas de ofício. Pequenas declarações se transformaram em polêmicas gigantes e inimizades eternas. Nesta edição, publico uma seleção de insultos literários e musicais. A lista compila “grosserias” de escritores e músicos de díspares perfis, nacionalidades e épocas. Na seleção aparecem escritores canonizados como William Faulkner, Ernest Hemingway, Virginia Woolf, Gore Vidal, Oscar Wilde, Truman Capote, Nietzsche e Henry James. E músicos ilustres como Mick Jagger, Elvis Costello, George Harrison, John Lennon, Jerry Lee Lewis, Elton John e Caetano Veloso. Em comum entre eles, o fato de um dia, por mera provocação, impulso, raiva, terem externado suas opiniões pouco elegantes sobre seus companheiros de ofício.

— William Faulkner sobre Mark Twain
Um escritor mercenário que não conseguia nem ser considerado da quarta divisão na Europa.

— William Faulkner sobre Ernest Hemingway
Ele nunca sequer pensou em usar uma palavra que pudesse mandar o leitor para um dicionário.

— Ernest Hemingway sobre William Faulkner
Pobre Faulkner. Ele realmente acha que grandes emoções vêm de longas palavras.

— Gore Vidal sobre Truman Capote
Truman Capote fez da mentira uma arte. Uma arte menor.

— Truman Capote sobre Gore Vidal
Sempre fico triste quando penso em Gore. Triste por ele respirar todo dia.

— Truman Capote sobre Jack Kerouac
Isso não é escrever, é datilografar.

— Harold Bloom sobre J. K. Rowling
Sempre houve, na história da literatura ocidental, livros que são muito populares, entre adultos e crianças, mas 30 ou 40 anos depois ninguém se lembra quais são. Viram pó. Eu não estarei por aqui em 30 anos para ver, mas Harry Potter já terá desaparecido.

— Stephen King sobre Stephenie Meyer
Tanto Rowling quanto Meyer estão falando diretamente para os jovens. A diferença é que Rowling é uma escritora magnífica e Stephenie Meyer não consegue escrever nada de valor.

— Nietzsche sobre Dante
Uma hiena que escreveu sua poesia em tumbas.

— Joseph Conrad sobre D. H. Lawrence
Sujeira. Nada além de obscenidades.

— Martin Amis sobre J. M. Coetzee
Ele não tem qualquer talento.

— Alice B. Toklas sobre Gertrude Stein
Quando se aprontava, Gertrude ficava igualzinha a um general da Guerra de Secessão.

— Oscar Wilde sobre Bernard Shaw
Bernard Shaw não tem um inimigo no mundo. Em compensação, nenhum de seus amigos gosta dele.

— D.H. Lawrence sobre James Joyce
Nada além de cigarros velhos e citações furtadas da Bíblia; e o resto, cozido no caldo da deliberada sujeira jornalística. Falta de originalidade, mascarada como se fosse tudo novo!

— Virginia Woolf sobre James Joyce
James Joyce escrevendo me lembra um colegial repugnante espremendo espinhas.

— Paulo Francis sobre José Sarney
Dizem que escrever é um processo torturante para Sarney. Sem dúvida, mas quem grita de dor é a língua portuguesa.

— Henry James sobre Edgar Allan Poe
Se entusiasmar com o Poe é a marca de um estágio decididamente primitivo da reflexão.

— Evelyn Waugh sobre Marcel Proust
Estou lendo Proust pela primeira vez. É uma coisa muito pobre. Eu acho que ele tinha algum problema mental.

— Charles Darwin sobre Shakespeare
Ultimamente tenho tentado ler Shakespeare; achei-o tão intoleravelmente monótono que chegou a causar-me náuseas.

— Caetano Veloso sobre Paulo Francis
É uma bicha amarga. Essas bonecas travadas são danadinhas.

— Zeca Baleiro sobre Caetano Veloso
O cara é uma comadre linguaruda.

— Keith Richards sobre Elton John
Não trabalho com animais. Já trabalhei com Elton John e isso chega.

— Elton John sobre Keith Richards
É como um macaco com artrite, tentando subir ao palco e parecer jovem.

— Elton John sobre Rod Stewart
Rod Stewart devia ter continuado coveiro. O lugar dele é sete palmos abaixo da terra.

— Elton John sobre Madonna
Ela é um pesadelo. Desculpa, a carreira dela acabou.

— David Bowie sobre Elton John
Elton John se tornou o viado-padrão. Como Liberace, antigamente.

— Mick Jagger sobre B.B. King
Jimi Hendrix foi o maior guitarrista que já existiu. De cabeça para baixo tocava mais do que B.B. King.

— Dave Grohl sobre Courtney Love
Ela é uma puta feia.

— Mark Everett sobre Os Beatles
John Lennon canta sobre a paz porque ele é um espancador de mulher. Hippies são tão cheios de merda.

— Jerry Lee Lewis sobre Os Beatles
Sempre achei os Beatles um lixo.

— Nick Cave sobre Red Hot Chili Peppers
Eu sempre estou perto de um aparelho de som dizendo: que porra é esse lixo? E a resposta é sempre Red Hot Chili Peppers.

— John Lennon sobre Os Rolling Stones
Tudo o que fazíamos, os Stones tentavam fazer igual — três meses depois.

— George Harrison sobre Paul McCartney
Paul faz música para menores mentais de 14 anos.

— Elvis Costello sobre Ray Charles
Ray Charles não passa de um crioulo cego e ignorante.

— Elvis Costello sobre Morrissey
Morrissey cria títulos maravilhosos para as músicas, mas infelizmente, muitas vezes ele se esquece de escrever a canção.

— Paul Anka sobre Buddy Holly
Sempre achei que Buddy Holly ficaria melhor servindo hambúrgueres numa lanchonete.

— Oscar Levant sobre Leonard Bernstein
Leonard Bernstein vem nos revelando grandes segredos musicais que são do conhecimento geral há mais de quatrocentos anos.

— Nietzsche sobre Richard Wagner
Wagner é mesmo um homem? Ele não é mais que uma doença. Tudo que ele toca cai doente. Ele fez a música ficar doente.

— Tchaikovsky sobre Brahms
Que bastardo sem talento.

Enquanto Agonizo, o livro que merece ser lido sempre

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José Figueiredo, no Homo Literatus

O que leva esse romance escrito de 1930 ainda ser tão lido e admirado ainda hoje?

william faulkner

Faulkner foi capaz de recriar o sul americano em toda sua decadência – mostrando as implicações da Guerra de Secessão – e de mostrar uma vasta amostra da condição humana a partir de uma matéria simples. O que mais impressiona não é o poder do autor ao manipular as múltiplas e contrastantes vozes dos personagens ao longo da narrativa e sim a capacidade poética de rememoração, capaz de prender o leitor linha após linha e nos levar até o grande desfecho.

Provavelmente, Harold Bloom tenha sido quem melhor definiu a obra e sua força:

De todos os romances americanos do século XX, o que tem o começo mais brilhante é Enquanto Agonizo… o começo pressagia a originalidade do livro que mais surpreende de seu autor.

Mas vamos à trama.

Enquanto Agonizo – título retirado de Odisséia, de Homero – começa com o fim trágico da matriarca da família Bundren. Sabemos desde as primeiras palavras que ele morrerá, inclusive ela própria. Contudo, antes de falecer, ela tem um último pedido: quer ser enterrada em Jefferson, sua terra natal, ao lado dos seus parentes. A partir daí temos uma sucessão de fatos que prendem o leitor a cada página e que também o intriga, pois cada capítulo é narrado por um personagem diferente, levando-nos a encontrar vários pontos de conflito no enredo. De Vardaman, o filho mais novo (autor do capítulo mais interessante do livro, no qual se resumo as seguintes palavras: Minha mãe é um peixe), a Cash, o mais velho, seguimos a peregrinação dos Bundren até Jefferson e todos os conflitos gerados pelo caminho.

As múltiplas vozes – que incluem até os mortos – tecem uma rica teia narrativa onde nenhuma palavra parece estar posta à toa. Cada personagem tem uma voz própria, indo do conciso ao eloqüente, nos apresentando os tipos mais variados e caracterizando o mundo dos brancos pobres em meio às terras sulinas e racistas no fictício condado de Yoknapatawpha.
Todos os sentimentos humanos são escavados e dissecados durante a travessia do condado até Jefferson, apresentando ao leitor a agonia de um sistema falido – e apontando que provavelmente nenhuma daquelas pessoas é inocente em meio a tudo que se passa com eles, nem a morta.

É complicado definir um romance tão forte e decisivo como este. Enquanto Agonizo se mostra um livro capaz de atravessar um século inteiro sem perder em nada seu valor estético e transcendente.

James Franco pretende adaptar mais duas histórias de William Faulkner para o cinema

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James Franco

Foto: Getty Images

O ator confessou adorar o trabalho do escritor modernista

Publicado em O Fuxico

James Franco quer dirigir mais dois filmes baseados em romances de William Faulkner. O ator e diretor de 36 anos admitiu que gostaria de adaptar mais dois romances do autor modernista depois de estrelar em The Sound and the Fury, que é baseado no livro de 1929 do escritor americano.

“Há mais dois textos do Faulkner que queremos fazer: The Hamlet e o The Bear. O The Bear vai ser difícil, porque você precisa de um urso treinado, mas hoje em dia você poderia provavelmente fazer um CGI ou uma motion capture, como em Planeta dos Macacos”, disse James ao jornal The Guardian.

Quando perguntado o motivo dessa conexão com o autor, que morreu em 1962, o belo ator respondeu: “Ele é o avô dos escritores do sul. Ele é o nosso grande escritor modernista. Ele anda de mãos dadas com James Joyce e Virginia Woolf e Marcel Proust. Ele é como a nossa versão de tudo isso. Eu acho que os melhores livros dele são As I Lay Dying e The Sound and the Fury, os dois livros que eu adaptei. O mundo dentro do filme se passa na década de 20 ou anterior, mas sua escrita é tão complexa e incomum que me permite usar muitas técnicas cinematográficas contemporâneas e estilos de edição”.

James acrescentou que o estilo de escrita modernista de William não torna seu trabalho como diretor mais complicado, mas foi rápido em apontar que não gostou deste aspecto da adaptação dos romances. “Essa é uma das razões pelas quais eu faço isso. Ele me empurra como um cineasta a encontrar soluções e técnicas cinematográficas que eu normalmente não usaria. Eu tenho que pensar, ‘como você consegue ter essa consciência?’ ou ‘como é que vamos contar essa história não-linear ?'”, disse Franco.

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